Da REDAÇÃO
Blog do Edney
A escala 6x1 está por um fio. E, curiosamente, quem costuma ter opinião para quase tudo preferiu o silêncio justamente quando o assunto mexe diretamente com a vida de milhões de trabalhadores brasileiros.
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou nesta quarta-feira (2) a PEC que acaba com a escala 6x1. O texto agora segue para o plenário da Casa, onde precisará de 49 dos 81 votos para avançar.
Até aí, tudo dentro do jogo político. O detalhe que chama atenção está nos bastidores: a oposição percebeu que bater de frente com o fim da 6x1 pode custar caro nas urnas.
E quando uma pauta popular começa a virar uma armadilha eleitoral, o discurso muda, o tom diminui e alguns simplesmente desaparecem do debate.
O SILÊNCIO DE FLÁVIO
Candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro não participou da votação na CCJ e evitou falar sobre o projeto.
Na política, silêncio também comunica.
Principalmente quando o assunto envolve uma parcela enorme do eleitorado que trabalha seis dias por semana para conseguir colocar comida na mesa.
O problema para Flávio e para seus aliados é simples: qualquer posição mais contundente contra a proposta pode ser imediatamente transformada em munição eleitoral.
A oposição sabe disso.
E sabe também que defender a manutenção da 6x1 não é exatamente uma bandeira fácil de vender em palanque.
ROGÉRIO MARINHO FICOU COM A BOMBA
Coube ao líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), assumir o enfrentamento mais direto.
Marinho apresentou destaque para retirar da Constituição a previsão de descanso semanal remunerado preferencialmente aos domingos.
Politicamente, é uma posição legítima. Mas eleitoralmente, convenhamos, é uma batata quente.
Enquanto o governo pode dizer que está defendendo mais descanso e qualidade de vida para o trabalhador, a oposição corre o risco de ser colocada no papel de quem está tentando impedir a mudança.
E eleição não perdoa narrativa ruim.
O ELEITOR ESTÁ DE OLHO
A tentativa de acabar com a escala 6x1 deixou de ser apenas uma discussão técnica sobre jornada de trabalho. Virou uma pauta política de enorme potencial eleitoral.
O governo Lula sabe disso e quer acelerar a votação no plenário do Senado. A intenção da base governista é tentar concluir essa etapa antes do segundo turno das eleições.
A oposição, por sua vez, terá que decidir se compra a briga ou se recua.
Porque, na prática, o cálculo é cruel: quem votar contra terá que explicar ao eleitor por que votou contra; quem se omitir também poderá ser cobrado; e quem votar a favor poderá reivindicar a bandeira.
É aí que mora o perigo.
A 6X1 VIROU UMA ARMADILHA POLÍTICA
A proposta já passou pela Câmara e agora venceu a primeira grande batalha no Senado. Na CCJ, 36 emendas foram apresentadas e todas rejeitadas pelo relator Omar Aziz.
Agora, o plenário será o verdadeiro campo de batalha.
E a pergunta que fica é: quem terá coragem de colocar o voto na mesa e assumir publicamente sua posição?
Porque, até aqui, a fotografia é curiosa.
De um lado, o governo tentando capitalizar politicamente uma pauta de forte apelo popular.
Do outro, uma oposição que sabe que enfrentar o fim da 6x1 pode representar um desgaste considerável.
E no meio desse fogo cruzado, um candidato à Presidência que preferiu não aparecer na votação e não se comprometer publicamente com o tema.
Na política, às vezes o silêncio é uma estratégia. Mas também pode ser interpretado como medo de pagar a conta nas urnas.
A escala 6x1 está chegando ao plenário.
Agora será interessante observar quem vai levantar a mão para defender o trabalhador — e quem vai preferir esconder a própria mão para não perder votos.
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