terça-feira, 20 de outubro de 2026

FLÁVIO BOLSONARO APAGA POSTS EM QUE CHAMAVA BOLSA FAMÍLIA DE “BOLSA-FARELO” E REACENDE POLÊMICA

Publicações antigas criticavam o programa social e acusavam o PT de manter beneficiários dependentes do auxílio. Agora, candidato tenta assegurar que o benefício será mantido.

O passado voltou a bater à porta de Flávio Bolsonaro (PL) em plena disputa presidencial. O senador e candidato à Presidência apagou de sua conta no X, antigo Twitter, publicações nas quais atacava o Bolsa Família e utilizava a expressão “bolsa-farelo” para se referir ao programa social e a iniciativas semelhantes. A informação foi divulgada pela imprensa nacional nesta segunda-feira (19) e repercutiu nesta terça-feira (20). 

As mensagens foram publicadas entre 2011 e 2014, quando Flávio exercia mandato de deputado estadual no Rio de Janeiro. Em uma delas, de junho de 2013, ele acusava o PT de perpetuar a pobreza por meio do programa, mantendo famílias dependentes do auxílio para garantir votos.

Em outra publicação, feita em 2011, o então deputado criticava o programa Renda Melhor, criado pelo governo fluminense para complementar a renda de famílias atendidas pelo Bolsa Família. Flávio classificava a iniciativa como clientelismo eleitoral e defendia limitar o período de recebimento do benefício.

A exclusão das mensagens foi identificada a partir de um arquivo que o Estadão havia produzido em junho deste ano, com o histórico das publicações do senador. O material permitiu comparar os registros antigos com o conteúdo que permanece disponível em seu perfil. 

MUDANÇA DE DISCURSO EM PLENA CAMPANHA

O episódio ganha peso político porque ocorre justamente quando Flávio tenta afastar a imagem de adversário dos programas de transferência de renda.

Na segunda-feira (19), o senador publicou um vídeo nas redes sociais afirmando que os beneficiários do Bolsa Família podem ficar tranquilos porque o benefício está garantido. A manifestação veio após a repercussão de declarações de sua coordenadora econômica, Daniella Marques, sobre mudanças nas regras de permanência no programa.

A proposta apresentada pela equipe prevê uma regra de transição de dois anos para pessoas que conseguirem emprego formal ou decidirem empreender, com possibilidade de retorno automático ao benefício caso voltem a perder renda, conforme explicado pela campanha. A ideia foi apresentada como incentivo à autonomia financeira, mas provocou questionamentos sobre os critérios e os limites da proposta.

A campanha de Flávio foi procurada pela imprensa para explicar a exclusão das publicações antigas, mas não havia apresentado esclarecimentos sobre o motivo até a divulgação das reportagens. 

O PASSADO DIGITAL VIROU PROBLEMA ELEITORAL

Em uma eleição marcada pela disputa pelo voto popular, especialmente entre os eleitores de menor renda, publicações antigas podem ganhar novo significado. O que foi escrito nas redes sociais permanece como registro público e pode ser recuperado justamente quando um candidato tenta consolidar uma nova imagem.

No caso de Flávio Bolsonaro, a controvérsia coloca em evidência a distância entre as críticas feitas anos atrás ao Bolsa Família e o discurso atual de garantia do benefício.

A questão política que fica é direta: como convencer os eleitores de que existe um compromisso firme com um programa social quando publicações do próprio candidato mostram uma postura crítica no passado?

Na disputa presidencial, apagar uma postagem não significa apagar a história. E, quando o assunto é o dinheiro que ajuda milhões de famílias brasileiras a colocar comida na mesa, cada palavra tem peso eleitoral.

Blog do Edney — A notícia verdade.

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