A segurança pública volta ao centro das atenções do Congresso Nacional. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), marcou para a próxima terça-feira (3) a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, mas o caminho até a aprovação ainda passa por uma disputa que divide governo e oposição: a redução da maioridade penal.
O principal ponto de divergência é a possibilidade de estabelecer em 14 anos a idade mínima para responsabilização penal em determinadas situações. A discussão provocou resistência entre os parlamentares e acabou retirando a proposta da pauta anterior, diante da falta de consenso sobre o tema.
A PEC tem como objetivo ampliar a participação do governo federal no combate ao crime organizado, fortalecer a integração entre as forças policiais e reorganizar as atribuições dos entes federativos na área da segurança pública. A iniciativa é considerada uma das principais apostas do governo Lula para enfrentar a criminalidade em âmbito nacional.
O problema é que a discussão sobre a maioridade penal ameaça contaminar toda a votação. Enquanto setores da oposição defendem mudanças mais amplas nas regras atuais, integrantes do governo tentam evitar que esse ponto impeça o avanço das demais medidas previstas no texto.
Diante do impasse, uma das alternativas em discussão é fatiar a proposta. A estratégia permitiria aprovar e promulgar os dispositivos que já contam com entendimento entre os parlamentares, deixando a discussão sobre a maioridade penal para uma tramitação separada na Câmara dos Deputados.
A decisão de Alcolumbre de colocar novamente a matéria na pauta mostra que o Senado pretende retomar o debate, mas não elimina as dificuldades de negociação. O governo quer avançar com o novo desenho da segurança pública, enquanto a oposição tenta garantir espaço para suas propostas de endurecimento da legislação penal.
Na próxima terça-feira, o plenário terá diante de si uma discussão que vai muito além de uma votação constitucional. O desafio será encontrar um caminho para fortalecer o combate ao crime organizado sem transformar a PEC em refém de uma disputa política sobre a redução da maioridade penal.
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