Governadora pernambucana entra novamente no discurso do presidente nacional do PSD como um dos nomes que o partido poderá apresentar ao Brasil. Com a reeleição consolidada, Raquel tem agora quatro anos para administrar Pernambuco e construir os próximos capítulos de sua trajetória política.
A política tem dessas coisas: enquanto alguns ainda estão tentando entender o resultado das urnas, outros já começam a enxergar o que pode acontecer nos próximos anos. E, desta vez, o nome que voltou a aparecer nas conversas sobre o futuro da política nacional é o da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD).
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, voltou a colocar a pernambucana no horizonte político do partido e não escondeu que enxerga nela uma possível liderança nacional. Em entrevista ao programa Canal Livre, da Band, exibido neste domingo, Kassab foi além de uma simples referência elogiosa e afirmou acreditar que Raquel estará no cenário nacional ao final do segundo mandato.
Na avaliação do dirigente, a governadora reúne características que podem abrir espaço para uma discussão sobre uma futura candidatura à Presidência da República. Mulher, nordestina, com trajetória construída na vida pública e duas reeleições consecutivas para o Governo de Pernambuco, Raquel passou a ocupar um lugar de destaque nas articulações nacionais do PSD.
Kassab foi direto ao tratar do assunto: “Na política brasileira, a governadora de Pernambuco é a mulher de maior protagonismo”. Em seguida, apresentou sua avaliação pessoal sobre o futuro da pernambucana.
“Ela, inquestionavelmente, ao final do segundo mandato, irá para o cenário nacional. É do Nordeste, mulher, inteligente, fala muito bem, é boa gestora e transita muito bem nesse ambiente econômico, que é fundamental”, declarou.
A fala não representa um anúncio de candidatura, muito menos uma decisão partidária para 2030. Mas tem significado político. Quando o presidente nacional de uma legenda do tamanho do PSD menciona publicamente uma governadora como possível nome para disputar o Palácio do Planalto, o recado ultrapassa o campo dos elogios e passa a integrar a construção de cenários futuros.
O RECADO DE KASSAB: PRIMEIRO GOVERNAR, DEPOIS PENSAR NO BRASIL
Apesar de abrir essa perspectiva, Kassab fez questão de estabelecer uma condição. Para ele, qualquer projeto nacional de Raquel depende, antes de tudo, do desempenho de seu segundo governo em Pernambuco.
“Mas não se fala nisso agora. Se ela não for uma boa governadora, acabou qualquer sonho de quem quer vê-la galgar outros postos, porque o importante é que as pessoas cumpram os seus compromissos e saiam bem para ficar credenciadas para novos saltos”, afirmou.
A declaração merece atenção. Kassab está dizendo que o caminho para Brasília começa dentro de Pernambuco. Não existe projeto presidencial sustentável sem uma gestão que consiga apresentar resultados, manter compromissos e responder às expectativas da população.
Raquel terá quatro anos para consolidar sua administração, ampliar entregas e demonstrar capacidade de articulação política e administrativa. É nesse período que a governadora será observada não apenas pelos pernambucanos, mas também pelas lideranças nacionais interessadas nos próximos movimentos do PSD.
UMA TRAJETÓRIA QUE CHAMOU A ATENÇÃO DO PRESIDENTE DO PSD
Kassab também fez questão de destacar a trajetória de Raquel Lyra. Lembrou que ela construiu sua carreira por meio de concursos públicos, foi delegada da Polícia Federal, procuradora concursada e ingressou na política eleitoral, conquistando duas eleições para a Prefeitura de Caruaru antes de chegar ao Governo de Pernambuco.
O dirigente também recordou que houve desconfiança em diferentes momentos de sua trajetória eleitoral. Primeiro, quando disputou o Governo do Estado pela primeira vez. Depois, quando enfrentou o desafio da reeleição.
As duas disputas foram vencidas, e agora Raquel inicia uma nova etapa com o mandato renovado e a responsabilidade de conduzir Pernambuco por mais quatro anos.
O que antes era uma possibilidade mencionada nos bastidores começa a ganhar espaço no discurso público da direção nacional do partido.
EQUIPE, ARTICULAÇÃO E OS PRÓXIMOS PASSOS EM PERNAMBUCO
Enquanto o debate nacional ganha força, a prioridade imediata de Raquel é outra: organizar o governo que começa em janeiro e definir os nomes que estarão ao seu lado no segundo mandato.
Depois de uma agenda de compromissos internacionais na Europa, a governadora retoma o calendário político e administrativo com decisões importantes sobre a composição do primeiro escalão.
A expectativa é de mudanças na equipe, com espaço para ajustes técnicos e políticos. A nova composição deverá refletir também a relação construída com os partidos e as lideranças que participaram da sustentação política do projeto de reeleição.
Um dos movimentos acompanhados de perto na Assembleia Legislativa envolve o deputado estadual Doriel Barros, do PT, que ficou na primeira suplência e poderá retornar à Casa caso um parlamentar da Federação Brasil da Esperança seja convocado para integrar o Executivo.
A presença do componente político na montagem da equipe é considerada natural em um governo que pretende preservar sua sustentação legislativa e manter canais de diálogo com diferentes forças partidárias.
MAIORIA NA ALEPE E DIÁLOGO SEM ATROPELO
Na Assembleia Legislativa, Raquel começa o novo ciclo com uma base governista numerosa, estimada em 29 dos 49 deputados estaduais. O cenário oferece condições para a tramitação de projetos, mas não elimina a necessidade de negociação.
A governadora sabe que maioria parlamentar não significa ausência de dificuldades. Cada votação tem sua dinâmica, e a relação com os deputados será um dos pontos importantes da nova etapa administrativa.
A possibilidade de diálogo com parlamentares de outras bancadas também faz parte desse desenho. No primeiro mandato, o governo contou, em determinadas matérias, com votos de deputados do PT, mesmo com a legenda ocupando posição de oposição.
A estratégia, portanto, passa por manter a base organizada, ampliar interlocuções e evitar desgastes desnecessários no Legislativo.
NA LUPA: O FUTURO COMEÇA PELAS ENTREGAS DO PRESENTE
A declaração de Gilberto Kassab coloca Raquel Lyra em uma conversa que vai além das fronteiras pernambucanas. Não é pouca coisa uma governadora nordestina ter seu nome citado pelo presidente nacional de um partido com presença expressiva no Congresso e nos governos estaduais como uma possível alternativa para uma disputa presidencial futura.
Mas existe uma diferença entre ser lembrada como possibilidade e transformar essa possibilidade em projeto político.
O segundo mandato será decisivo. Pernambuco será o principal cartão de apresentação de Raquel. Obras, geração de empregos, saúde, educação, segurança pública, infraestrutura e capacidade de articulação terão peso na avaliação de sua gestão.
A governadora não precisa, neste momento, antecipar uma disputa de 2030. Precisa fazer o governo acontecer, cuidar das alianças, administrar as diferenças políticas e entregar aquilo que prometeu aos pernambucanos.
Kassab já colocou a peça no tabuleiro. Agora, o movimento mais importante está nas mãos de Raquel.
Pé no chão e olho no futuro. O desafio imediato é Pernambuco. O horizonte, segundo a leitura do comando nacional do PSD, poderá ser muito maior.
Por Edney Souto | Coluna Na Lupa
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