domingo, 8 de novembro de 2026

PREFEITO DE BARREIROS EXPÕE MÉDICOS, FAZ ACUSAÇÕES E CASO TERMINA EM CRISE NO HOSPITAL MUNICIPAL

Uma denúncia feita pelo prefeito de Barreiros, Carlinhos da Pedreira, provocou uma forte repercussão nas redes sociais e abriu uma polêmica envolvendo dois médicos que trabalham no Hospital Municipal Jailton Messias de Albuquerque. O gestor publicou imagens e acusou os profissionais de estarem namorando em um dos quartos da unidade de saúde, enquanto pacientes aguardavam atendimento. Durante a abordagem, chegou a chamá-los de “vagabundos” e anunciou que ambos estavam demitidos.

A atitude, porém, encontrou reação do Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe), que saiu em defesa dos profissionais e classificou a exposição pública como constrangedora. Segundo a entidade, as imagens divulgadas pelo prefeito não comprovam o comportamento insinuado, e os médicos teriam informado que estavam utilizando o período de descanso previsto durante o plantão.

Em nota, o Simepe reconheceu que cabe à gestão municipal fiscalizar o funcionamento dos serviços de saúde, mas destacou que essa responsabilidade não dá ao gestor o direito de humilhar trabalhadores, antecipar julgamentos ou expor profissionais ao descrédito público.

O sindicato também contestou as insinuações sobre a vida íntima dos médicos e alertou para o risco de julgamentos baseados em estereótipos de gênero, especialmente quando envolvem a exposição de uma profissional mulher. A entidade informou ainda ter recebido relatos de que os dois médicos estavam em repouso após uma intensa jornada de atendimento nas primeiras 12 horas do plantão, enquanto um terceiro profissional permanecia prestando assistência aos pacientes.

O episódio ganhou um novo capítulo quando Carlinhos da Pedreira anunciou a rescisão do contrato com a Associação João Paulo II, responsável até então pela gestão do Hospital Municipal Jailton Messias de Albuquerque. Com a decisão, a Prefeitura de Barreiros assumirá diretamente a administração da unidade.

A polêmica deixa uma questão importante no centro do debate: a fiscalização dos serviços públicos é necessária e deve ser rigorosa, mas precisa respeitar os procedimentos legais, a dignidade dos trabalhadores e o direito ao contraditório. Se houve irregularidade no plantão, ela precisa ser apurada com provas e responsabilidade, sem transformar a gestão da saúde em espetáculo nas redes sociais.

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