segunda-feira, 2 de abril de 2012

Gastrite - Conheça esta doença


"A gastrite é uma doença inflamatória que se caracteriza por acometimento da camada de tecido mais superficial que reveste o estômago, chamada de mucosa gástrica. Essa inflamação desenvolve-se como uma resposta normal do organismo quando ocorre uma agressão à sua integridade. Entretanto, essa resposta normal pode levar ao desenvolvimento de sinais e sintomas característicos dessa doença. A agressão que desencadeia o processo pode ser aguda ou crônica e, de acordo com seus tipos, podemos classificar as diversas formas de gastrite.
O estômago é um órgão de extrema importância para o processo de digestão dos alimentos. Nele, encontramos vários tipos de células com diferentes funções. Algumas produzem enzimas que ajudam na quebra dos alimentos e outras produzem ácido clorídrico, que é responsável pelo ambiente ácido característico desse órgão. Normalmente, há produção de um muco que reveste internamente a parede do estômago, protegendo as células da agressão pelo ácido
A gastrite pode ser causada por diversos fatores diferentes.
• Helicobacter pylori: essa bactéria tem a capacidade de viver dentro da camada de muco protetor do estômago. A prevalência da infecção por esse microorganismo é extremamente alta, sendo adquirida comumente na infância e permanecendo para o resto da vida a não ser que o indivíduo seja tratado. A transmissão pode ocorrer por duas vias: oral-oral ou fecal-oral. A gastrite não é causada pela bactéria em si, mas pelas substâncias que ela produz e que agridem a mucosa gástrica, podendo levar a gastrite, úlcera péptica e, a longo prazo, ao câncer de estômago.
• Aspirina: o uso de aspirina e de outros antiinflamatórios não-esteróides podem causar gastrite porque levam à redução da proteção gástrica. Importante ressaltar que esses medicamentos só levam a esses problemas quando usados regularmente por um longo período. O uso de corticóide por longo período também pode levar a gastrite.
• Álcool: pode levar à inflamação e dano gástrico quando consumido em grandes quantidades e por longos períodos.
• Gastrite auto-imune: em situações normais, o nosso organismo produz anticorpos para combater fatores agressores externos. Em algumas situações, entretanto, pode haver produção de anticorpos contra as próprias células do organismo, levando a vários tipos de doenças (por exemplo, lúpus eritematoso sistêmico, artrite reumatóide, diabetes mellitus tipo 1). Na gastrite auto-imune, os anticorpos levam à destruição de células da parede do estômago, reduzindo a produção de várias substâncias importantes. O câncer de estômago também pode ocorrer a longo prazo.
• Outras infecções: a gastrite infecciosa pode ser causada por outras bactérias que não o H. pylori, como por exemplo a bactéria da tuberculose e a da sífilis; pode também ser causada por vírus, fungos e outros parasitas.
• Formas incomuns: são causas mais raras. Temos as gastrites linfocítica e eosinofílica; a gastrite granulomatosa isolada; e a gastrite associada a outras doenças como a sarcoidose e a doença de Crohn.
• A gastrite aguda também pode ocorrer em pacientes internados por longo período em unidades de tratamento intensivo, em pacientes politraumatizados e em grandes queimados
A gastrite pode ser completamente assintomática, principalmente nos casos crônicos. Na fase aguda, os sintomas são mais proeminentes. Comumente, os sintomas são:
• Desconforto na região superior do abdome: pode ser representado por dor ou apenas um desconforto. Alguns pacientes podem relatar dor em queimação; dor que melhora com a ingestão de alimentos.
• Náuseas e vômitos, geralmente acompanhando o desconforto.
• Saciedade precoce, ou seja, sensação de empachamento logo após a alimentação. Esse sintoma pode levar à redução e perda de apetite.
• Se a gastrite levar à formação de úlceras gástricas hemorrágicas, pode haver eliminação de sangue digerido, nas fezes (que ficam escuras) ou nos vômitos.
O médico suspeita de gastrite quando o paciente relata a presença dos sintomas listados anteriormente. O médico investiga os hábitos alimentares do paciente, uso de medicamentos, consumo de bebidas alcoólicas, se o paciente tem outras doenças já diagnosticadas. A partir daí, exames complementares podem ou não ser realizados.
Importante ressaltar que o diagnóstico de gastrite só pode ser firmado pela endoscopia digestiva alta, quando o médico visualiza a mucosa gástrica lesada e colhe fragmentos (biópsia) para exame citológico. Caso não seja realizada a endoscopia, o diagnóstico mais correto é o que chamamos de Dispepsia, que pode ser funcional ou não.
Se a causa da gastrite for evidente já na história, como por exemplo, o uso de antiinflamatórios, o médico já indica o tratamento adequado. No caso do H. pylori, a identificação da infecção pode ser feita no material obtido pela biópsia, à endoscopia, através de um teste respiratório ou exame de sangue. Se o paciente for portador dessa bactéria, o médico decidirá sobre a erradicação ou não da infecção, com base no quadro clínico do paciente.
O tratamento da gastrite é direcionado pela causa. Entretanto, alguns medicamentos são utilizados para a melhora dos sintomas enquanto se trata a causa específica. O paciente deve evitar o uso de medicamentos como a aspirina e outros antiinflamatórios não-esteróides, bebidas alcoólicas e cigarro.
O tratamento da infecção pelo H. pylori pode ser bastante difícil em alguns pacientes, e não é raro que ocorra a reinfecção. Esse tratamento não é indicado de rotina em todos os pacientes, sendo reservado para aqueles que apresentam úlcera péptica ou linfoma gástrico. Neles, o tratamento é realizado com antibióticos, medicamentos que reduzem a secreção de ácido pelo estômago e também com agentes protetores da mucosa gástrica.
Na gastrite induzida por medicamentos, geralmente a suspensão do agente suspeito leva à resolução do quadro. Associado a isso utiliza-se medicamentos para melhora sintomática. Em alguns tipos de gastrite pode ser necessário o uso de corticóide, para conter o processo inflamatório e prevenir complicações.
Nos pacientes hospitalizados, em unidade de tratamento intensivo, politraumatizados e grandes queimados, o desenvolvimento de gastrite aguda pode ser dramático. Por isso, neles, é feita a prevenção do desenvolvimento da doença, com o uso de medicamentos que reduzem a produção de ácido, pelo estômago.
Os medicamentos utilizados para melhora sintomática podem atuar melhorando o esvaziamento gástrico ou reduzindo a secreção de ácido. Os que melhoram o esvaziamento gástrico são os chamados pró-cinéticos, que reduzem a estase alimentar no estômago e auxiliam na digestão, como por exemplo, a metoclopramida e a bromoprida. A redução da secreção de ácido é eficiente para combater a dor e a azia, e pode ser feita com medicamentos de dois grupos:
• Antagonistas de receptores H2: cimetidina, ranitidina. São também usados para a prevenção da gastrite aguda nos pacientes hospitalizados.
• Inibidores da bomba de prótons: omeprazol, lansoprazol, pantoprazol.
Outros medicamentos que podem ser usados, eventualmente, são os protetores da mucosa gástrica, como o sucralfato, por exemplo.
• Comer em pequenas quantidades e várias vezes ao dia, evitando ficar sem alimentação por mais de 3 horas seguidas.
• Alimentar-se com calma, mastigando bem os alimentos, o que facilita o esvaziamento gástrico e a digestão.
• Evitar os famosos "fast-foods".
• Consumir bebidas alcoólicas com moderação, se possível evitar o consumo.
• Não há motivo para restrição dietética, mas se possível devem-se evitar ou reduzir a ingestão de alimentos muito gordurosos, frituras, doces concentrados, comidas muito condimentadas. Preferir refeições mais leves, de mais fácil digestão.
• O consumo de café e outras bebidas que contém cafeína não é contra-indicado se o paciente tolera bem essas bebidas.
• Outra questão importante é o cuidado com a higiene pessoal e dos alimentos, para reduzir a transmissão de agentes infecciosos.

ACM cobra ‘explicações contundentes’ de Demóstenes



BRASÍLIA - Integrantes do DEM pressionam para que o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) se afaste do partido e, assim, evite um processo de expulsão já em discussão na sigla. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) foi mais além e pediu neste domingo a renúncia do senador ao mandato. Mesmo com o esvaziamento do Congresso, devido ao feriado da Páscoa, o DEM deu um prazo entre segunda e terça-feira para que Demóstenes apresente explicações sobre suas ligações com o empresário do jogo Carlos Cachoeira, preso desde fevereiro.

Em caso de desfiliação, por iniciativa ou por expulsão, o DEM ficaria com um senador a menos. O partido tem cinco senadores.
A pressão maior dentro do DEM para que Demóstenes se desligue do partido definitivamente, ou peça uma licença, vem da Câmara dos Deputados. A intenção do partido é resolver o caso com urgência, para evitar maior desgaste.
ACM Neto quer “defesa convincente e contundente”
Já em caso renúncia de Demóstenes ao seu mandato, assumirá a vaga um de seus suplentes. O primeiro suplente é o atual secretário de Infraestrutura do governo de Goiás, o empresário Wilder Pedro de Morais.
Mas parlamentares não acreditam nessa possibilidade porque, com a renúncia, ele perderia o foro privilegiado, não sendo mais julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). No domingo, diante de novos diálogos revelados, a cúpula do partido cogitava uma reunião reservada segunda-feira para analisar o tema.
O líder do DEM na Câmara, deputado ACM Neto (BA), elevou o tom e disse que o prazo para Demóstenes apresentar “explicações convincentes” termina na manhã de terça-feira.
— O partido deu prazo até terça-feira, pela manhã, para ele apresentar argumentos contundentes, o que consideramos cada vez mais difícil, em função da quantidade de evidências que envolveram o senador. Se ele não apresentar uma defesa contundente e consistente, haverá abertura de processo de expulsão. A situação dele é muito difícil e, se ele não conseguir trazer elementos mais consistentes e contundentes, ficará insustentável — disse ACM Neto.
Já o presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), tem procurado manter uma posição mais cautelosa. Integrantes do partido consideraram que a situação de Demóstenes se agravou nos últimos dias, com a divulgação de diálogos com Cachoeira — como O GLOBO revelou na semana passada.
Demóstenes, por meio de interlocutores, vem argumentando que é curto o prazo dado pelo DEM, porque somente agora ele está tendo acesso ao conteúdo da investigação. Na quinta-feira, Demóstenes prometeu ao partido dar explicações até segunda-feira.
Demóstenes “não pensa em renunciar”, diz advogado
O advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, que representa o senador, considera as investigações nulas, porque corriam na primeira instância na Justiça de Goiás, quando na verdade deveriam ter sido abertas no Supremo desde o início.
— Esse processo é absolutamente nulo. Isso é uma fraude, uma burla à Constituição, um abuso. Não sei os motivos, quem está por trás disso — disse, acrescentando que ainda não teve acesso a todo o inquérito, que está no STF desde a semana passada. Por isso, não houve ainda tempo hábil para decidir a estratégia de defesa.
Ele também disse que o senador não cogita a hipótese de renunciar:
- O que ele disse agora por telefone é que absolutamente não pensa em renunciar - disse o advogado em entrevista.
O presidente da OAB, Ophir Cavalcante, defendeu no domingo a renúncia de Demóstenes ao mandato de senador. Para Cavalcante, não há outra alternativa.
— A Ordem esclarece que, independentemente da defesa que ele possa formular juridicamente, do ponto de vista moral, a renúncia se impõe. O que a sociedade espera é um ato dele para renunciar ao mandato e não expor o Parlamento. O Brasil inteiro está surpreso com isso (as denúncias envolvendo Demóstenes), não é só a OAB — disse o presidente da entidade.
Na mesma linha, o presidente da OAB do Rio (OAB-RJ), Wadih Damous, defendeu a renúncia imediata de Demóstenes.
— O senador Demóstenes, mais do que qualquer outro, já deveria ter renunciado — disse Damous, lembrando que, durante vários anos, Demóstenes foi “um ativo vestal do Senado”.
 

Projetos bilionários do PAC têm atraso de até 54 meses


BRASÍLIA - Cinco anos após a criação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), as maiores obras de infraestrutura do país têm atraso de até 54 meses em relação ao cronograma original. É o caso da Ferrovia Norte-Sul e do Eixo Leste da Transposição do Rio São Francisco.
Entre as obras com orçamento acima de R$ 5 bilhões, os atrasos são de, pelo menos, um ano. Levantamento feito pelo GLOBO nos balanços do PAC mostrou que em dez megaobras, que somam R$ 171 bilhões, os prazos de conclusão previstos no cronograma inicial foram revistos.
Ontem, O GLOBO mostrou, a partir de um estudo da ONG Trata Brasil, que o atraso é comum também em grandes obras de saneamento, que beneficiariam cidades com mais de 500 mil habitantes. Apenas 7% de 114 obras estavam concluídas, e 60% apareciam como atrasadas, paralisadas ou não iniciadas.
No caso das grandes obras bilionárias, há exceções, como as plataformas da Petrobras e as hidrelétricas do Rio Madeira, que estão com as obras andando no tempo previsto e, em alguns casos, até antecipadas. As usinas de Jirau e Santo Antônio, porém, colocaram seus cronogramas sob reavaliação por greves em seus canteiros na semana passada.
Transnordestina adiada para 2014
Além de greves, ao longo desses cinco anos foram e continuam frequentes alguns poucos motivos que levaram a atrasos nas grandes obras. São eles: questionamentos no processo de licenciamento ambiental — o mais notório foi o da hidrelétrica Belo Monte —, gastos não previstos no projeto executivo que causaram questionamento do Tribunal de Contas da União (TCU), atrasos em desapropriações ou falta de interesse da iniciativa privada em tocar ou acelerar as obras, caso do trem-bala.
A Nova Transnordestina, obra de R$ 5,3 bilhões, é um grande exemplo dos atrasos. A ampliação da ferrovia foi promessa de campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas teve seu cronograma interrompido diversas vezes por problemas, principalmente, de desapropriações. No lançamento do PAC, sua conclusão estava prevista para o último ano do segundo mandato de Lula. Agora, a entrega está programada para o penúltimo dia do mandato de Dilma Rousseff, no fim de 2014. Na Ferrovia Norte-Sul, o atraso é de quatro anos e meio.
No caso da Refinaria Premium I, do Maranhão, a obra mais cara do PAC (R$ 40,1 bilhões), o atraso deve-se principalmente ao ritmo da terraplenagem, que já consumiu mais de R$ 1 bilhão e, até o último balanço, estava com apenas 38% do andamento realizados.
O custo da obra de transposição do Rio São Francisco foi novamente questionado pelo TCU na semana passada. O governo federal já teve de relicitar parte dos trechos por conta de reclamações do tribunal, o que colaborou para o adiamento da entrega do Eixo Leste em mais de quatro anos. O custo da transposição disparou nos últimos anos: saiu de R$ 4, 8 bilhões e já está em R$ 7,8 bilhões — um valor também questionado pelo TCU, que indica um custo total de R$ 8,2 bilhões.
Embora a maioria dos atrasos no PAC seja motivada por problemas ambientais, de fiscalização ou gerenciais — ou seja, a princípio, não faltam recursos para as obras —, os entraves acabam atrasando os investimentos financeiros no âmbito do programa, acumulando um elevado volume de recursos já reservados, mas sem aplicação efetiva.
Entre 2007 e 2011, segundo dados da Secretaria de Orçamento Federal (SOF), do valor total empenhado para o PAC, R$ 125 bilhões, apenas R$ 86,7 bilhões foram gastos no período.
Descontente com tal resultado, a presidente Dilma Rousseff determinou agilidade na execução do programa em 2012 para que esses investimentos, de fato, acelerem o crescimento da economia. Para o ano, a previsão de gastos é de R$ 42,5 bilhões, metade do valor executado nos últimos cinco anos.
Diante de críticas relacionadas aos atrasos, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, disse no último balanço do PAC, no dia 12 de março, que o trabalho do governo nestes cinco anos tem sido aperfeiçoar o monitoramento das obras e superar os obstáculos que se apresentam para cada uma.
— Esse continuará sendo o nosso trabalho, de monitoramento mais global do PAC. A cada momento, vamos aperfeiçoando. O acompanhamento “in loco” vai ganhar mais relevância no nosso trabalho — disse Miriam.
Os atrasos exigiram do governo agilidade para fiscalizar as obras. Recentemente, a presidente e ministros viajaram para canteiros da Transnordestina, da transposição do São Francisco, da Norte-Sul e da BR-101 no Nordeste, e planejam novas visitas.
— Essas viagens são muito proveitosas porque todos os envolvidos sentam no campo e repassam o que está acontecendo, onde está pegando e por que está pegando — disse Paulo Passos, ministro dos Transportes.
Restos a pagar se acumulam
A demora nas obras traz uma outra consequência para as contas públicas: o acúmulo dos chamados restos a pagar — despesas contratadas em um exercício para serem pagas nos próximos. Somente no ano passado, dos R$ 28 bilhões efetivamente pagos no âmbito do PAC, R$ 18,6 bilhões referiam-se a “restos a pagar” de anos anteriores. Ou seja, as despesas do passado acabaram ocupando espaço no orçamento do ano do programa.
Em 2009, essa parcela de despesas passadas correspondia a menos da metade dos desembolsos, que somaram R$ 17,9 bilhões. Segundo a SOF, o estoque de restos a pagar acumulado no fim de 2011 era de R$ 36 bilhões.
O coordenador do PAC no Planejamento, Maurício Muniz, esclarece que essas despesas não foram quitadas antes porque o ritmo das obras não permitia o pagamento. Ocorre que, pela regra do Orçamento, uma despesa com investimento só pode ser paga após a comprovação de que o empreendimento foi realizado, mesmo que por etapas.
— No fim do ano, premiamos quem vai bem e penalizamos quem vai mal — disse Muniz, explicando que o governo tem liberdade para remanejar até 30% do orçamento do PAC todos os anos, destinando mais recursos às obras mais adiantadas.
Oglobo

Recife - Oposição racha: Raul tem aval de Jarbas e é candidato


Não é só a Frente Popular que está dividida em torno da sucessão do prefeito João da Costa. Com o apoio do senador Jarbas Vasconcelos, o deputado federal Raul Henry(PMDB) decidiu  ser candidato a prefeito do Recife, segundo o próprio confirmou em entrevista publicada hoje no blog de Josias de Souza. “Eu estava realmente reticente em relação à candidatura. Mas hoje meu ânimo é o de ser candidato”, disse Henry. Na opinião de Henry, compartilhada por Jarbas, segundo Josias, mesmo dividida, a oposição vai colocar um de seus nomes no segundo turno.  Henry se baseia nas estatísticas da eleição municipal de 2008.
“Naquele ano, o Brasil crescia a 7%, Lula tinha 90% de popularidade em Pernambuco e João da Costa contava com o apoio de Eduardo Campos e do ex-prefeito João Paulo. Foi eleito com 51% dos votos. Juntos, Mendonça Filho e eu tivemos 41%. Somando outros candidatos, a oposição chegou a 49% em 2008. O cenário hoje é outro. A rejeição do prefeito do PT é grande, o país cresce menos e o sentimento que prevalece na cidade é o da mudança.”
REUNIDOS
Henry conclui o raciocínio: “Se nós, da oposição, tivermos duas candidaturas, colocaremos uma no segundo turno. Se tivermos três ou quatro, colocamos do mesmo jeito”. Parte-se do pressuposto de que o candidato do PT, seja quem for, não vai obter no primeiro round os votos necessários para liquidar a fatura – 50% mais um. Nessa hipótese, a oposição se reunificaria em torno do candidato que passasse ao segundo tempo.
Raul Henry vai se juntar a outros três da oposição que disputam o cargo: Mendonça Filho (DEM), Raul Jungmann (PPS) e Daniel Coelho (PSDB). É grande a chance de chegarem a junho, mês das convenções, sem acordo.

Lei da Copa já está no Senado, mas polêmicas podem causar atraso na votação


As polêmicas em torno da Lei Geral da Copa podem não ter acabado com o acordo na Câmara dos Deputados sobre a venda de bebidas alcoólicas nos estádios. Com a chegada da matéria ao Senado, a discussão pode recomeçar. Aprovado na última quarta-feira (28), na Câmara, o projeto já chegou ao Senado e está pronto para começar a ser analisado a partir desta semana pelo menos em duas comissões.

Embora o líder do PSDB, senador Álvaro Dias (PR), tenha anunciado que a oposição não irá atrapalhar o processo de votação, alguns senadores já começam a se manifestar contrários ao projeto. É o caso do senador Pedro Taques (PDT-MT), que se declarou contra a venda de bebidas nos estádios e outros pontos do projeto.

Para Taques, o acordo firmado com o governo com a Federação Internacional de Futebol (Fifa) para a Copa do Mundo no Brasil não pode estar acima da soberania nacional e das leis brasileiras. “Isto aqui não é uma republiqueta de bananas”, declarou Taques à Agência Brasil. “O Executivo assumiu compromissos, mas isso não significa relativizar nossa soberania. Eu não vou fazer acordo com o diabo para fazer a obra de Deus”.

Ele também disse ser contrário à pressa para votar o projeto. Na opinião de Taques, o assunto precisa ser bem discutido e votado quando houver maturidade. “Acho que tem que ser debatido no tempo do Congresso”. O senador mato-grossense deve ter apoio de colegas considerados independentes. Além disso, o PSOL, o único partido na Câmara que votou contra a matéria, deve repetir o voto com o senador Randolfe Rodrigues (AP) no Senado.

Mas a expectativa dos governistas é garantir a aprovação da matéria o quanto antes, de preferência até maio. O líder do PT no Senado, Walter Pinheiro (BA), acredita que será possível conseguir um “equilíbrio” nos debates de modo que seja votado em plenário um relatório unificado das três comissões por onde o projeto deverá passar. “Não queremos de maneira nenhuma atropelar [as discussões], mas também não queremos postergar”, declarou Pinheiro. “Vamos tentar aproveitar o debate prolongado que essa matéria teve na Câmara para reduzir o tempo aqui no Senado”.

Segundo ele, o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) será relator da matéria na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e o senador Francisco Dornelles (PP-RJ) relator na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). O projeto também deve passar por análise na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), mas ainda não há definição de quem deverá relatá-lo.

Sobre a venda de bebidas alcoólicas nos estádios, que é proibida pelo Estatuto do Torcedor, o líder petista acredita que não será um entrave para a votação. Embora o assunto tenha sido fonte de muita polêmica com a bancada evangélica na Câmara dos Deputados, Pinheiro acha que o tema já foi discutido o suficiente. “Acho que isso foi resolvido lá [na Câmara]. A solução encontrada lá também serve aqui”.

A intenção dos governistas é aprovar o texto sem alterações para que ele não precise retornar para revisão dos deputados. Se conseguirem que não haja emendas, a matéria seguirá direto para sanção presidencial. “Mudanças significam atrasos. Mexer no texto é postergar. E é bom lembrar que estamos em ano eleitoral, deixar essa votação para o segundo semestre pode ser perigoso”, disse Pinheiro.

A Fifa quer que o Brasil libere a venda das bebidas alcoólicas fornecidas pelos patrocinadores da Copa nos estádios durante os jogos. O impasse na Câmara girou em torno da proibição prevista pelo Estatuto do Torcedor e de leis estaduais que também impedem o comércio desse tipo de produto. A saída encontrada pelo governo foi suspender temporariamente o dispositivo do estatuto que prevê a proibição. Dessa forma, a venda de bebidas será permitida apenas durante os jogos da Copa do Mundo de 2014 e da Copa das Confederações de 2013. Depois dos dois eventos a proibição volta a vigorar.

Uma outra questão, no entanto, ainda não está resolvida. A Fifa precisará negociar individualmente com os cinco estados onde há leis estaduais proibindo a venda de bebidas alcoólicas nas arenas e também com os que têm acordo com o Ministério Público sobre esse assunto.
Da Agência Brasil

Subproduto que polui o meio ambiente será usada para gerar energia


A vinhaça passará a ser utilizada como matéria-prima e vai gerar até 1600 MW de energia limpa em Pernambuco
Em Vitória de Santo Antão, no interior de Pernambuco, toda a vinhaça produzida pelas usinas de cana-de-açúcar da região está prestes a virar energia limpa. A iniciativa é daCetrel e do Grupo JB, que na próxima quarta-feira (03/4) inauguram a primeira indústria produtora de bioenergia a partir deste subproduto, resultado da fabricação de etanol. Para cada litro de álcool produzido, 12 litros de vinhaça são deixados como subproduto.
A fábrica fica na unidade industrial da Companhia Alcoolquímica Nacional, do Grupo JB. Na fase inicial do projeto, a geração de energia vai utilizar 20% da capacidade total da empresa, que é de aproximadamente mil metros cúbicos de vinhaça por dia, o que corresponde a 0,85 MW de biogás. Ao todo, segundo a empresa, 612 MW serão comercializados no mercado livre por mês.
Em escala industrial, a operação de Vitória de Santo Antão terá sua capacidade ampliada em até cinco vezes, cerca de 4,5 MW.
Os parceiros apostam na eficiência e na qualidade do biogás, que é gerado através de uma tecnologia de biodigestão específica para a vinhaça e suas potencialidades. O biogás é composto, em média, de 80% de metano, o que lhe confere maior potencial de queima quando comparado a outras fontes de resíduos tradicionalmente usadas. Estas fontes, geralmente, contém de 50% a 70% de metano.
“Aplicamos os conceitos de biodigestão para desenvolver uma tecnologia específica e, deste modo, apresentar a vinhaça como uma excelente alternativa para produção de energia limpa no País”, afirma a gerente da área de bioenergia da Cetrel, Suzana Domingues. “Para termos a dimensão desse potencial, na safra 2010/2011 foram produzidos 25 bilhões de litros de álcool, o que corresponde à geração de cerca de 300 bilhões de litros de vinhaça. Este volume seria suficiente para gerar 1.600 MW, aproximadamente 45% da capacidade instalada de uma hidrelétrica como a de Jirau, com vantagem de produzir energia de forma descentralizada e sem impacto para o meio ambiente”, analisa Suzana.
José Carlos Beltrão, presidente do Grupo JB, destaca que a tecnologia pode ser aplicada em grande parte das 440 usinas sucroenergéticas do País, como fonte extra de energia alternativa, gerando receita. “Todo o setor sucroenergético segue a filosofia da sustentabilidade e tem um sério compromisso com o meio ambiente, com o desenvolvimento econômico do Estado de Pernambuco”, afirmou o executivo.
Segundo ele, outro benefício deste negócio são as diferentes aplicações do biogás rico em metano como combustível: em caldeiras na própria usina, ou indústrias próximas, como biogás veicular, após tratamento para atingir a especificação ou para produção de energia elétrica, através de motogerador ou turbina, como é o caso do produto na usina do Grupo JB.
É por conta dessas possibilidades que o projeto da unidade deve ser feito de forma customizada, considerando o interesse do empresário parceiro para o uso do biogás a ser gerado. “Primeiro entendemos as necessidades do empresário e estudamos as condições da vinhaça produzida na usina, depois definimos qual o projeto mais adequado em termos de escala e aplicação para obter uma estimativa do investimento”, explica Suzana. A gerente adianta, porém, que para ser economicamente viável, o volume de vinhaça disponível deve ser de, no mínimo, cinco a seis mil metros cúbicos/dia (5 a 6 mil m3/dia), a depender da aplicação e da qualidade do insumo.

Ato para Kassab vira ode a Eduardo


PARTIDOS Encontro do PSD se torna uma louvação ao “líder maior” Eduardo Campos, nas palavras de Kassab e André de Paula
Jornal do Commercio
O que era para ser apenas um encontro regional do PSD com a presença do presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, transformou-se num “ode” ao “projeto nacional” do governador Eduardo Campos (PSB). Diante de quase duas mil pessoas, o socialista viu os membros do partido que ajudou a criar o exaltarem como “líder maior” e reforçarem, publicamente, seus planos de alçar voos mais altos.
O prefeito de São Paulo Gilberto Kassab agradeceu o apoio do governador ao processo de fundação da nova sigla e frisou que objetivo do PSD é levar Campos à Presidência da República. “Não tivemos nenhuma hesitação em decidir por essa aliança e venho aqui em Pernambuco ratificar a você que o nosso caminho é o da parceria com o PSB e levar o País a um dia ser presidido pelo governador, disse aos correligionários que compareceram, ontem, ao Clube Líbano, no Pina. O dirigente ainda enfatizou que PSB e PSD são “legendas irmãs”, que têm o mesmo líder: Eduardo Campos.
A série de devoções ao governador foi ainda mais intensa no discurso do presidente estadual do PSD, André de Paula. Em 2010, ele tentou, sem sucesso, reeleger-se à Câmara Federal pelo DEM e, no ano passado, resolveu migrar para a nova legenda. Assim como Kassab, o ex-democrata referiu-se a Campos como “líder maior” do “projeto nacional” do PSB-PSD. As legendas, segundo André, se complementam. “Onde o PSB tem fragilidade o PSD completa e nós temos peso político porque temos complementaridade geográfica”, disse, completando: “Não somos um partido a mais no governo. Temos um projeto para o Brasil, um projeto de futuro e esse projeto tem um líder, que é Eduardo Campos”, reiterou.
Fotos: Divulgação.
Compondo a mesa junto, o governador não fez menção, em seu discurso, a uma possível voo nacional, mas afirmou que haverá “mudanças” na política brasileira. Ele chamou Kassab de “corajoso” por criar um partido que não aderiu de imediato à base do governo Federal, mas “sabe da responsabilidade com o País”. O secretário de governo e pré-candidato à prefeitura do Recife, Maurício Rands (PT) chegou de surpresa ao final do encontro. Após o evento, todos seguiram para um almoço no Palácio.

Projeto da ex-deputada Ana Arraes é rejeitado na Câmara

A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável rejeitou proposta que autorizava a exploração dos recursos hídricos localizados nas terras indígenas da aldeia Xurucus, situadas no município pernambucano de Pesqueira. O objetivo da medida, prevista no Projeto de Decreto Legislativo 2766/10, da ex-deputada Ana Arraes (PSB-PE), é garantir o abastecimento da região com os mananciais existentes na tribo.

Atualmente, o manancial existente nas terras indígenas já é explorado e a Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) está obrigada judicialmente a repassar à Fundação Nacional do Índio (Funai) 20% da arrecadação do município até que o Congresso autorize a exploração ou a empresa busque outras fontes de abastecimento.

O relator na comissão, deputado Sarney Filho (PV-MA), recomendou a rejeição do projeto por considerar que ele não cumpriu a determinação constitucional de ouvir a comunidade indígena antes de autorizar a exploração dos recursos existentes. “A Carta Magna é muito clara ao determinar que a autorização legislativa depende de consulta democrática à comunidade afetada”, lembrou.

O deputado ressaltou também que seria temerário aprovar o projeto sem o devido cumprimento do que diz a Constituição, já que os índios poderiam acionar o Judiciário em defesa dos seus direitos.

Sarney Filho argumentou ainda que o Congresso não pode apenas regularizar uma situação de fato, mas, sim, anteceder ao início da exploração e prever os impactos na comunidade local.