ELIANE CANTANHÊDE *
A imagem fragilizada de Lula, trôpego, de bengala, e depois recebendo o título de doutor honoris causa de universidades do Rio tem uma força imensa no imaginário popular e na política. Soma-se a essa força simbólica a força concreta de Dilma. Primeira mulher presidente, ela teve peito para enfrentar os bancos, os juros, a criação do Funpresp (o fundo de previdência do funcionalismo) e, enfim, a garfada na poupança. A oposição tenta vislumbrar alguma brecha na CPI e na votação da MP da poupança, mas está difícil. O peixe mais graúdo da CPI é Demóstenes, até há pouco um ídolo oposicionista, e o discurso de que 'a poupança vai render menos para os juros baixarem mais' parece colar. Quando Aécio disse que 'as circunstâncias lá na frente' poderão empurrar Serra para a candidatura à Presidência, a conclusão imediata foi de que estava espezinhando o outro. Serra, que jura que quer ser prefeito para ser prefeito, não para pular no palanque presidencial, ironizou: não esperava de Aécio senão 'essa manifestação de gentileza'. Em vez de trocarem gentilezas e ironias, porém, os dois parecem estar fugindo da raia. FHC alegou pruridos éticos e deixou Serra ao léu em 2002, mas quem errou feio em 2002, 2006 e 2010 foi Aécio, imaginando que a derrota de Serra e Alckmin seria a vitória dele, o trampolim para sua candidatura presidencial em 2014. Foi tragado pelo Senado, enquanto o lulismo/dilmismo se prepara para 20 anos de poder. Noves fora o 'imponderável', os campeões de popularidade Lula e Dilma, o simbólico e o concreto, projetam uma derrota acachapante para os tucanos em 2014. Depois de dez anos se digladiando para disputar o Planalto, Aécio e Serra tendem a ser empurrados pelas 'circunstâncias lá na frente' para situação oposta: um empurrando o abacaxi para o outro. Quem topa enfrentar Dilma e Lula, juntos, em 2014? (* Folha de S.Paulo) |
domingo, 6 de maio de 2012
Quem quer o abacaxi: peitar Dilma e Lula, juntos em 2014?
'Homofobia ainda é forte', diz 1º casal a conseguir união estável
Há cerca de um ano, o jornalista Liorcino Mendes Pereira Filho, 48 anos, e o estudante Odílio Cordeiro Torres Neto, 22 anos, foram notícia no Brasil, e até no exterior, por terem sido anunciados como o primeiro casal homossexual a oficializar sua união estável no Brasil após decisão histórica do Supremo Tribunal Federal (STF) que reconheceu este direito. No entanto, viram o sonho cair com a decisão do juiz da 1º Vara da Fazenda Pública de Goiânia, Jeronymo Pedro Villas Boas, anulou este primeiro "casamento", dando aos dois um segundo momento de notoriedade com a polêmica suscitada pelo caso. Após um ano, eles consideram que homofobia cultural no Brasil ainda é muito forte.
Mas a história teve um final feliz, já que a decisão do juiz foi cassada pela corregedoria do Tribunal de Justiça de Goiás, mas Liorcino, mais conhecido como, Leo, e Odílio, acreditam que, com o episódio de superexposição de sua história pessoal, eles deram sua contribuição para o debate sobre os direitos dos gays no Brasil. "Não imaginávamos que ia dar aquela repercussão toda na mídia. Apenas fomos lá e casamos. Mas teve muita gente que nos parava na rua para pedir autógrafo e tirar foto", conta Leo Mendes, que também é ativista e presidente a entidade Articulação Brasileira de Gays - a ArtGay.
Segundo Leo, mesmo um ano depois do episódio ainda é muito procurado por outros gays de todo o País interessados em conversar sobre a experiência do casamento registrado no cartório. "Muita gente liga, pedindo conselhos. A maioria quer saber se é melhor casar ou fazer a união estável, se já pode fazer o casamento civil direto. Quanto que paga, onde faz, enfim, todos os detalhes, né?", conta.
O casal, que mora em Goiânia, acha importante ter sido um símbolo de luta contra a homofobia, mas após um ano, alerta que os direitos dos homossexuais ainda são muito agredidos e que a consciência da diferença ainda é embrionária na sociedade brasileira. "Não só a diversidade sexual, a diversidade humana não é respeitada. Como a religiosa", afirma Leo Mendes. "A homofobia cultural é muito forte. Ela não mudou".
O jornalista lembra, por exemplo, que poder casar não significa que gays já estão livres do preconceito, "o que muda é que agora são duas pessoas para lutar contra o preconceito", assinala. Ele lembra que há, com a união estável reconhecida, a garantia de direitos que casais heterossexuais já tinham, como a inscrição em programas sociais do governo, a pensão em decorrência de morte do companheiro, a inclusão em plano de saúde familiar e a possibilidade menos burocratizada de adotar uma criança. "A partir do momento que você registra uma união estável você se torna uma família", compara.
Apesar disso, o companheiro de Leo, Odilio, lembra que na prática, a igualdade de direitos não funciona muito bem. "Promoção de churrascaria é só para casal homem e mulher", brinca. "No consumo ainda existe o problema da homofobia cultural. Os empresários e comerciantes ainda não estão preparados para lidar com esta nova realidade", completa Leo, lembrando, porém, que da discriminação cabe ações de indenização.
Apesar das dificuldades, o casal acha que a conquista da união estável foi um avanço mais que necessário e garante a formalização de uma necessidade subjetiva de todo ser humano. "Eu percebo é que a maioria dos casais gays e lésbicas quer casar, se você perguntar, todos vão dizer isso. Porque as pessoas vivem muito sozinhas e há muito preconceito. Elas querem, sim, alguém ao lado delas que compartilhe, que conviva", acredita Leo Mendes.
Para ele, porém, que muitos homossexuais tem uma visão heterossexual do casamento. "Tem gente que acha que ao casar vai viver como um casal heterossexual. Não vai, vai continuar sendo um casal gay, sofrendo preconceito, infelizmente", alerta. "Nós não podemos desenvolver o nosso afeto publicamente como casal. A acolhida na família também é diferente o preconceito é cultural", analisa.
Neste ponto, Odílio conta a experiência que teve com a sua família e com a igreja que frequentava na cidade de origem, Lizarda, no Tocantins, na região do Jalapão. Odilio disse que não conversava sobre ser homossexual com os pais. "Minha mãe ficou sabendo do meu casamento pela TV. Sei que ela ficou em pânico, mas nunca tocou no assunto comigo", conta.
Segundo Odílio, mesmo sendo a família conhecida na cidade - o pai havia sido vice-prefeito - os irmãos menores chegaram a ter de evitar ir na escola por causa das brincadeiras contra o irmão que ficou famoso no Brasil todo por seu casamento gay. Porém após um ano, a situação se inverteu. "Fui lá no Natal e vi que a cabeça das pessoas é outra agora. Superaram o baque inicial por causa da visibilidade do nosso caso na mídia", disse. Segundo Odílio, a acolhida foi mais calorosa e ele foi tratado quase como um herói, que venceu uma cruzada. "Acho que, após a decisão do juiz e de tudo o que aconteceu, entenderam que eu era a vítima".
Odilio confessa, no entanto, que, afetado pelo preconceito de membros da igreja evangélica, não congrega mais na Assembléia de Deus, que freqüentava até a adolescência. "Acabei com esta ilusão. Sofri muito na igreja. Mas acredito em Deus", sintetiza
Reduzindo o ganho da população, Dilma mexeu sim na poupança
Por maior que seja a maquiagem, outra conclusão não há: a presidente Dilma Rousseff mexeu na poupança. Reduziu o ganho das cadernetas. A explicação oficial é de ser a alteração inevitável para manter a queda dos juros. Há quem suponha ter sido, também, para dar aos bancos a compensação que vinham exigindo por conta da diminuição dos juros. O sistema financeiro vai lucrar um pouco mais nos financiamentos imobiliários.
Em termos políticos, indaga-se porque a presidente decidiu-se por esse passo arriscado, capaz de gerar óbvio desgaste na imagem de seu governo.
No passado, não deu certo. Fernando Collor começou a cair quando congelou as cadernetas de poupança. Não que elas significassem grandes lucros para os aplicadores, mas, em especial, porque eram seguras. Deixaram de ser naquele interregno, sem que a bala única disparada para matar o tigre da inflação acertasse no bicho. Agora, haverá que aguardar a queda dos juros.(Carlos Chagas)
Campanha contra a gripe vacina 3,8 milhões neste sábado
A 14ª edição da Campanha Nacional Contra a Gripe promoveu a vacinação de 3.836.911 milhões ao redor do Brasil neste sábado, o primeiro dia da campanha deste ano, segundo dados Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI). A vacina vale para vários tipos de gripes, incluindo a H1N1, conhecida como gripe suína.
A campanha, que estará em vigor até o dia 25 de maio, tem como público alvo crianças, trabalhadores de saúde, gestantes, idosos e indígenas que vivem em aldeias. Neste primeiro dia, cerca de 2,5 milhões de idosos e 800 mil crianças foram vacinados. As vacinas são aplicadas gratuitamente.
A campanha é realizada em conjunto com o Ministério da Saúde e as secretarias estaduais e municipais. Todos os estados e o Distrito Federal aderiram ao dia D de Mobilização Nacional. No ano passado, foram imunizadas 25,13 milhões de pessoas, o que representa 84,1% da população alvo. O índice superou a meta de 80% prevista inicialmente.
Sob o lema "proteger é cuidar", a meta deste ano também é vacinar 80% do público-alvo (30,1 milhões), o que representa 24,1 milhões de pessoas. A ideia é reduzir a mortalidade, evitar complicações e internações provocadas por infecções pelo vírus da gripe. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil realiza a maior campanha de vacinação pública das Américas.
A vacina é considerada segura e protege contra os três principais vírus que circularam no hemisfério sul no ano anterior, entre eles o da influenza A (H1N1), a gripe suína. Pela primeira vez, a campanha vai atingir a população carcerária. Segundo o ministério, as condições de habitação e confinamento contribuem para uma maior vulnerabilidade para algumas doenças. Os detentos serão vacinados após o término da campanha, pois necessitam de uma mobilização de profissionais.
- Terra
Andressa tranquiliza: ''Cachoeira não prejudicará ninguém''
DO BLOG DE JOSIAS DE SOUZA
Dito e feito. Muito foi dito e nada será feito. A dez dias do depoimento de Carlinhos Cachoeira na CPI que leva seu nome, a companheira do pós-bicheiro, Andressa Mendonça, informa: ele “está em paz, muito bem, muito equilibrado”. Espécie de pombo-correio do marido, Andressa dizia o oposto há uma semana: “Ele pode explodir. Ele é um leão enjaulado. Ele pode explodir porque é uma pessoa que está presa, sentindo-se injustiçada. […]. Ele se sente bode expiatório.”
Na primeira reunião deliberativa da CPI, o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) comentou: “Tem réu preso que é valente, que anda dizendo que vai explodir. Então que venha explodir aqui na CPI.”
Súbito, Andressa tornou-se portadora de um recado invertido: “Ele está muito bem orientado por três advogados: a doutora Dora Cavalcanti, o doutor Márcio Thomaz Bastos e o doutor Augusto Botelho. Eu tenho certeza de que ele não quer prejudicar ninguém.”
Universidade paraibana é a primeira no Brasil a inaugurar campus em presídio
No início do projeto, no qual a universidade investiu R$ 1,3 milhão, serão oferecidas as graduações em Letras, História e Matemática
Na Paraíba, a oportunidade de cursar uma graduação no Ensino Superior será possível também para quem está preso. A ação, inédita no Brasil, parte da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) que prevê realizar no mês de maio a inauguração de uma extensão do campus no Presídio Regional do Serrotão, localizado na cidade de Campina Grande.
No início do projeto, no qual a UEPB investiu R$ 1,3 milhão, serão oferecidas as graduações em Letras, História e Matemática. A instituição penitenciária - que possui em torno de 1,6 mil detentos, dos quais 96% são homens e 4% são mulheres - já conta com salas de aula, onde os detentos podem assistir aulas desde a alfabetização.
Com o projeto da UEPB, os presos que forem libertados antes de concluírem o curso de graduação terão a possibilidade de concluí-lo na universidade.
Com informações do jornal Folha de S. Paulo
PIZZA A VISTA - No minimo um terço dos parlamentares da CPI Cachoeira é enrolado na Justiça
Pelo menos um terço dos 32 titulares da Comissão Parlamentar Inquérito (CPI) mista que investigará as ligações do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com políticos e empresários já estiveram do outro lado do balcão, expostos a denúncias e desconfiança da opinião pública. A personificação das reviravoltas políticas é o ex-presidente da República e agora senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL). A antiga condição de vidraça, no entanto, não é exclusividade do senador alagoano. Na lista de representantes do Congresso indicados para buscar a verdade, há ex-fichas sujas, aliados de figuras controversas, nomes envolvidos em escândalos nacionais e até deputado pego no bafômetro.
Relator do colegiado, o deputado federal Odair Cunha (PT-MG) foi acusado de usar sua cota de passagens aéreas para financiar a viagem de um amigo entre Buenos Aires e o Rio. Cunha nega, argumentando que o bilhete foi adquirido com milhas e que pagou a taxa de embarque legalmente, segundo ele.
O senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) teve o mandato de governador cassado em 2009. Então considerado ficha suja, só assumiu em 2011 a cadeira no Senado, um ano depois da eleição.
O senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) teve o mandato de governador cassado em 2009. Então considerado ficha suja, só assumiu em 2011 a cadeira no Senado, um ano depois da eleição.
Outro que já esteve no centro do noticiário foi o senador Humberto Costa (PT-PE). Ele era o ministro da Saúde quando veio à tona o escândalo dos sanguessugas: esquema de desvio de recursos da pasta que deveriam ser empregados na aquisição de ambulâncias. Humberto foi absolvido das denúncias. (Do Correio Braziliense)
A lista
Integrantes da CPI que já passaram por denúncias
Fernando Collor (PTB-AL)O senador deixou a Presidência da República após inúmeros escândalos de corrupção há duas décadas
Odair Cunha (PT-MG)Relator do colegiado foi acusado de usar sua cota de passagens aéreas para financiar a viagem de um amigo entre Buenos Aires e o Rio
Cássio Cunha Lima (PSDB-PB)Senador teve o mandato de governador cassado em 2009, sob acusação de uso de um programa social do governo em benefício de sua candidatura à reeleição
Humberto Costa (PT-PE)Senador pernambucano era o ministro da Saúde quando veio à tona o escândalo dos sanguessugas: esquema de desvio de recursos da pasta que deveriam ser empregados na aquisição de ambulâncias. Mas foi absolvido das denúncias posteriormente
Kátia Abreu (PSD-TO)Senadora teve seu nome citado em escutas feitas pela Polícia Federal durante a Operação Satiagraha, em 2008
Gladson Cameli (PP-AM)Deputado foi pego dirigindo alcoolizado em janeiro deste ano
Protógenes Queiroz (PCdoB-SP)O deputado foi flagrado em conversas com Idalberto Matias Araújo, o Dadá, braço direito de Cachoeira
Jayme Campos (DEM-MT)Senador acumula processos na Justiça, entre eles um de improbidade administrativa, da época em que foi governador de Mato Grosso
Paulo Davim (PV-RN)
Senador admitiu que mantinha na folha de pagamento uma médica que trabalhava no Rio Grande do Norte
Cândido Vaccarezza (PT-SP)Ex-líder do governo na Câmara foi acusado de ser funcionário fantasma no gabinete de um vereador paulista, na década de 1990
Silvio Costa (PTB-PE)Teve o filho (Silvio Costa Filho) envolvido em denúncias de superfaturamento na Secretaria de Turismo de Pernambuco
Ciro Nogueira (PP-PI)Senador é afilhado político do ex-presidente da Câmara dos Deputados Severino Cavalcanti, que renunciou ao mandato acusado de cobrar propina de um restaurante da Casa.
A lista
Integrantes da CPI que já passaram por denúncias
Fernando Collor (PTB-AL)O senador deixou a Presidência da República após inúmeros escândalos de corrupção há duas décadas
Odair Cunha (PT-MG)Relator do colegiado foi acusado de usar sua cota de passagens aéreas para financiar a viagem de um amigo entre Buenos Aires e o Rio
Cássio Cunha Lima (PSDB-PB)Senador teve o mandato de governador cassado em 2009, sob acusação de uso de um programa social do governo em benefício de sua candidatura à reeleição
Humberto Costa (PT-PE)Senador pernambucano era o ministro da Saúde quando veio à tona o escândalo dos sanguessugas: esquema de desvio de recursos da pasta que deveriam ser empregados na aquisição de ambulâncias. Mas foi absolvido das denúncias posteriormente
Kátia Abreu (PSD-TO)Senadora teve seu nome citado em escutas feitas pela Polícia Federal durante a Operação Satiagraha, em 2008
Gladson Cameli (PP-AM)Deputado foi pego dirigindo alcoolizado em janeiro deste ano
Protógenes Queiroz (PCdoB-SP)O deputado foi flagrado em conversas com Idalberto Matias Araújo, o Dadá, braço direito de Cachoeira
Jayme Campos (DEM-MT)Senador acumula processos na Justiça, entre eles um de improbidade administrativa, da época em que foi governador de Mato Grosso
Paulo Davim (PV-RN)
Senador admitiu que mantinha na folha de pagamento uma médica que trabalhava no Rio Grande do Norte
Cândido Vaccarezza (PT-SP)Ex-líder do governo na Câmara foi acusado de ser funcionário fantasma no gabinete de um vereador paulista, na década de 1990
Silvio Costa (PTB-PE)Teve o filho (Silvio Costa Filho) envolvido em denúncias de superfaturamento na Secretaria de Turismo de Pernambuco
Ciro Nogueira (PP-PI)Senador é afilhado político do ex-presidente da Câmara dos Deputados Severino Cavalcanti, que renunciou ao mandato acusado de cobrar propina de um restaurante da Casa.
ISTO É - O alívio da ansiedade
Conheça os novos tratamentos e as descobertas que ajudam a controlar as crises e melhorar a qualidade de vida daqueles que sofrem com a chamada doença do século
Neste momento, uma em cada quatro pessoas no mundo está com uma sensação de aperto no peito, sentindo o coração bater mais rápido, com as mãos suando. Na mente, um medo inexplicável ou preocupação obsessiva com algo que ainda nem aconteceu. Esses são alguns dos sintomas das crises de ansiedade, um dos transtornos mentais mais incidentes da atualidade e, assim como os demais, extremamente cruel. Dependendo do grau, tira o sono do indivíduo, deixa-o mais predisposto a sofrer de enfermidades cardiovasculares e o priva de sair de casa quando o medo atinge níveis incontroláveis.
Estudos mostram que a ansiedade é mais frequente do que transtornos de humor como a depressão. E dados divulgados pelo World Health Mental Survey, ligado à Organização Mundial da Saúde, revelam um triste panorama para o Brasil: 20% das pessoas que vivem em São Paulo convivem com ou tiveram algum transtorno ansioso nos últimos 12 meses. “Foram analisadas cidades de 24 países. Em São Paulo, encontramos o índice mais elevado”, diz Laura Andrade, do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP). Mas um esforço monumental da medicina para buscar as origens da doença e criar novas opções de tratamento promete dar alívio a quem sofre desse pesadelo.
A ansiedade fazia parte das reações que nossos ancestrais manifestavam diante de ameaças como a possibilidade de um ataque animal ou a morte por frio extremo. Preocupar-se com esses eventos mantinha o corpo em alerta: mais tenso, pressão elevada, maior bombeamento de sangue. Se o perigo se concretizasse, o corpo estava pronto para reagir. Se não, o sistema era desligado. Esse esquema ficou gravado no cérebro e até hoje entra em ação diante de situações interpretadas como risco. Essas circunstâncias podem ser reais ou fictícias, resultado de mecanismos psíquicos não totalmente esclarecidos. O problema é que, se esse estado de preocupação se torna crônico, caso da ansiedade generalizada, ou leva a crises espontâneas, como os ataques de pânico, deixa de ser uma reação natural. Causa prejuízos à saúde e à vida social, afetiva e profissional. Transforma-se em doença.
Estudos mostram que a ansiedade é mais frequente do que transtornos de humor como a depressão. E dados divulgados pelo World Health Mental Survey, ligado à Organização Mundial da Saúde, revelam um triste panorama para o Brasil: 20% das pessoas que vivem em São Paulo convivem com ou tiveram algum transtorno ansioso nos últimos 12 meses. “Foram analisadas cidades de 24 países. Em São Paulo, encontramos o índice mais elevado”, diz Laura Andrade, do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP). Mas um esforço monumental da medicina para buscar as origens da doença e criar novas opções de tratamento promete dar alívio a quem sofre desse pesadelo.
A ansiedade fazia parte das reações que nossos ancestrais manifestavam diante de ameaças como a possibilidade de um ataque animal ou a morte por frio extremo. Preocupar-se com esses eventos mantinha o corpo em alerta: mais tenso, pressão elevada, maior bombeamento de sangue. Se o perigo se concretizasse, o corpo estava pronto para reagir. Se não, o sistema era desligado. Esse esquema ficou gravado no cérebro e até hoje entra em ação diante de situações interpretadas como risco. Essas circunstâncias podem ser reais ou fictícias, resultado de mecanismos psíquicos não totalmente esclarecidos. O problema é que, se esse estado de preocupação se torna crônico, caso da ansiedade generalizada, ou leva a crises espontâneas, como os ataques de pânico, deixa de ser uma reação natural. Causa prejuízos à saúde e à vida social, afetiva e profissional. Transforma-se em doença.
TERAPIA
Adriana Mazzagardi tem a ajuda dos cavalos para controlar o sentimento
Atualmente, há catalogados oito tipos da enfermidade (leia mais detalhes no quadro à pág.84). Como ocorre com a maioria das enfermidades mentais, há dificuldade na detecção do problema. “Um estudo feito em Londres, pelo psiquiatra Paul Bebbington, mostrou que apenas 14% dos pacientes tinham sido diagnosticados e tratados no ano anterior ao trabalho”, contou Márcio Bernik, coordenador do Programa de Ansiedade (Amban) do Instituto de Psiquiatria da USP. O diagnóstico é feito por psicólogos ou psiquiatras, que recorrem a perguntas definidas para identificar a alteração, como ela se insere na vida do indivíduo e sua gravidade. “Uma das primeiras perguntas é se a pessoa sente que teve prejuízo em algum campo ou momento da vida por causa da doença”, diz o psiquiatra Bernik.
O tratamento varia de acordo com o transtorno especifico e a intensidade da enfermidade. Nos casos mais leves, indicam-se apenas medicamentos ou sessões de terapia cognitivo-comportamental (TCC), método cujo objetivo é modificar padrões de pensamentos e comportamentos associados. Uma pessoa que tenha receio permanente de perder o emprego, por exemplo, pode ser treinada para evitar esses pensamentos ou substituí-los por outros, mais otimistas e calcados na realidade. Nos casos moderados e mais graves, é recomendada a combinação de remédios com a TCC. Um trabalho da psicóloga Mariângela Savoia, ligada ao Amban, mostrou que essa associação foi mais eficaz do que o uso isolado dos métodos.
Os recursos criados recentemente são utilizados para os casos mais severos e que não respondem ao tratamento padrão. Um dos mais promissores é a aplicação da realidade virtual. A terapia consiste em expor o paciente – de modo virtual – às situações que desencadeiam crises para que, aos poucos, ele aprenda formas de evitar os pensamentos ansiosos. Na Universidade de Washington (EUA), o método está sendo aplicado para tratar fobias, a ansiedade gerada pelo estresse pós-traumático e aquela sentida durante a troca de curativos em pacientes com queimaduras. “Temos bons resultados”, disse à ISTOÉ Hunter Hoffman, coordenador da equipe que aplica a técnica.
O tratamento varia de acordo com o transtorno especifico e a intensidade da enfermidade. Nos casos mais leves, indicam-se apenas medicamentos ou sessões de terapia cognitivo-comportamental (TCC), método cujo objetivo é modificar padrões de pensamentos e comportamentos associados. Uma pessoa que tenha receio permanente de perder o emprego, por exemplo, pode ser treinada para evitar esses pensamentos ou substituí-los por outros, mais otimistas e calcados na realidade. Nos casos moderados e mais graves, é recomendada a combinação de remédios com a TCC. Um trabalho da psicóloga Mariângela Savoia, ligada ao Amban, mostrou que essa associação foi mais eficaz do que o uso isolado dos métodos.
Os recursos criados recentemente são utilizados para os casos mais severos e que não respondem ao tratamento padrão. Um dos mais promissores é a aplicação da realidade virtual. A terapia consiste em expor o paciente – de modo virtual – às situações que desencadeiam crises para que, aos poucos, ele aprenda formas de evitar os pensamentos ansiosos. Na Universidade de Washington (EUA), o método está sendo aplicado para tratar fobias, a ansiedade gerada pelo estresse pós-traumático e aquela sentida durante a troca de curativos em pacientes com queimaduras. “Temos bons resultados”, disse à ISTOÉ Hunter Hoffman, coordenador da equipe que aplica a técnica.
Semelhante à realidade virtual, a terapia de modificação cognitiva com auxílio de computador também desponta como alternativa. Um trabalho da Brown University (EUA) mostrou que indivíduos com fobia de falar em público melhoraram depois de se submeter aos exercícios duas vezes por semana, por um mês. Eles consistem em instruir o paciente a evitar expressões faciais hostis – para quem tem fobia social isso detona crises – e a interpretar as reações de interlocutores de forma otimista.
Começa também a ser testada a eficácia da estimulação magnética transcraniana. A técnica submete o paciente a aplicações de ondas eletromagnéticas. O objetivo é regularizar a atividade elétrica nas regiões cerebrais associadas à doença (leia mais no quadro à pág. 82). O médico Marco Marcolin, do Instituto de Psiquiatria da USP, iniciará até o fim do ano testes com 30 pacientes com fobia social. Por enquanto, não há nada conclusivo. Estudos com o método para tratar a ansiedade associada ao estresse pós-traumático deram resultados negativos no Brasil e positivos na Europa.
Ganhando espaço na prática clínica está o neurofeedback, método que se propõe a imprimir no cérebro um novo padrão de funcionamento, igual ao de uma pessoa sem a doença. “Eletrodos colocados sobre o couro cabeludo fazem a leitura da informação neurológica que está sendo produzida e registrada por eletroencefalografia”, explica o psicólogo Leonardo Mascaro, mestre em neurociências pelo Núcleo de Neurociências e Comportamento da USP e autor do livro “Para Que Medicação?”. Segundo ele, na presença de enfermidades como a ansiedade, os dados revelam padrões eletroencefalográficos anormais e específicos que possibilitam o reconhecimento da doença ou de outros comprometimentos neurológicos.
Começa também a ser testada a eficácia da estimulação magnética transcraniana. A técnica submete o paciente a aplicações de ondas eletromagnéticas. O objetivo é regularizar a atividade elétrica nas regiões cerebrais associadas à doença (leia mais no quadro à pág. 82). O médico Marco Marcolin, do Instituto de Psiquiatria da USP, iniciará até o fim do ano testes com 30 pacientes com fobia social. Por enquanto, não há nada conclusivo. Estudos com o método para tratar a ansiedade associada ao estresse pós-traumático deram resultados negativos no Brasil e positivos na Europa.
Ganhando espaço na prática clínica está o neurofeedback, método que se propõe a imprimir no cérebro um novo padrão de funcionamento, igual ao de uma pessoa sem a doença. “Eletrodos colocados sobre o couro cabeludo fazem a leitura da informação neurológica que está sendo produzida e registrada por eletroencefalografia”, explica o psicólogo Leonardo Mascaro, mestre em neurociências pelo Núcleo de Neurociências e Comportamento da USP e autor do livro “Para Que Medicação?”. Segundo ele, na presença de enfermidades como a ansiedade, os dados revelam padrões eletroencefalográficos anormais e específicos que possibilitam o reconhecimento da doença ou de outros comprometimentos neurológicos.
TECNOLOGIA
Acima, o psicólogo Mascaro acompanha a sessão de neurofeedback da
empresária Marisa. Abaixo, paciente com queimadura no braço usa equipamento
de realidade virtual. O recurso o ajuda a diminuir a dor e a ansiedade
No treinamento, o paciente visualiza as alterações e também os padrões normais. “Os parâmetros corretos são então apresentados de volta aos neurônios por meio de um trabalho de condicionamento feito sob a forma de sinalização sonora e visual”, diz Mascaro. Essas sinalizações ocorrem somente quando os neurônios em treino produzem o tipo de atividade que está sendo solicitada. “Dessa maneira acontece a aprendizagem neurológica e a modificação da atividade cerebral, que se normaliza progressivamente”, complementa o psicólogo. “Conforme o tratamento caminha, a pessoa necessita de menos medicação e a retirada do medicamento acontece, sempre sob supervisão médica”, assegura Mascaro. A empresária Marisa Rollemberg Rocha, 40 anos, de Brasília, submeteu-se a três sessões até agora. “Já consigo dormir melhor e passei a suar menos nas mãos”, diz. A técnica, porém, não é aceita por todos os médicos. Bernik, do Amban, não a considera eficaz.
O desenvolvimento de instrumentos como esses só foi possível a partir do avanço do conhecimento sobre as bases neurológicas da doença. Apesar de a identificação das estruturas cerebrais vinculadas à enfermidade ter sido feita há algum tempo, dezenas de pesquisas estão revelando detalhes sobre a interação entre elas. Cientistas da Columbia University (EUA), por exemplo, descreveram a maneira pela qual operam o hipocampo e o córtex pré-frontal medial. “Vimos que o hipocampo envia muita informação para esta área do córtex, fazendo com que ela reconheça o ambiente como uma ameaça”, explicou Joshua Gordon, autor da pesquisa.
Por aqui, o psiquiatra Luiz Vicente Mello, de São Paulo, participa de um esforço internacional para entender melhor a relação entre comportamentos ansiosos e mecanismos de defesa legados pela evolução. “Muitas das nossas reações são anacrônicas. Ao mesmo tempo, não temos defesas para situações recentes, como o medo de carros, que precisa ser ensinado”, diz.
O desenvolvimento de instrumentos como esses só foi possível a partir do avanço do conhecimento sobre as bases neurológicas da doença. Apesar de a identificação das estruturas cerebrais vinculadas à enfermidade ter sido feita há algum tempo, dezenas de pesquisas estão revelando detalhes sobre a interação entre elas. Cientistas da Columbia University (EUA), por exemplo, descreveram a maneira pela qual operam o hipocampo e o córtex pré-frontal medial. “Vimos que o hipocampo envia muita informação para esta área do córtex, fazendo com que ela reconheça o ambiente como uma ameaça”, explicou Joshua Gordon, autor da pesquisa.
Por aqui, o psiquiatra Luiz Vicente Mello, de São Paulo, participa de um esforço internacional para entender melhor a relação entre comportamentos ansiosos e mecanismos de defesa legados pela evolução. “Muitas das nossas reações são anacrônicas. Ao mesmo tempo, não temos defesas para situações recentes, como o medo de carros, que precisa ser ensinado”, diz.
ENERGIA
O psiquiatra Marcolin iniciará os testes para verificar a eficácia da aplicação
de ondas eletromagnéticas em centros cerebrais associados à doença
Ainda na USP, cientistas investigam a relação da enfermidade com o sistema serotonérgico do cérebro. Recentemente, o psiquiatra Felipe Corchs, em estudo feito no Amban com universidades da Inglaterra, Nova Zelândia e Austrália, observou que as diferenças na quantidade de serotonina (substância que faz a comunicação entre neurônios) interferem na sensibilidade aos estímulos que iniciam crises. Para chegar a essa conclusão, os cientistas deixaram sem comer proteínas um dia inteiro voluntários que já haviam sido tratados de transtornos ansiosos. Não ingerir proteína prejudica o aporte de triptofano, aminoácido essencial para a formação da serotonina.
O resultado foi surpreendente: pacientes com pânico, estresse pós-traumático e fobia social ficaram mais sensíveis aos gatilhos de crise, sugerindo que a serotonina tem papel na modulação dessa resposta. “E pessoas que tinham melhorado com o tratamento pioraram quando os níveis da substância diminuíram”, explicou Felipe. A redução do composto não causou o mesmo impacto em pacientes com ansiedade generalizada e transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Para estes, o que parece é que o contrário, o aumento na concentração da serotonina, faz diferença. Um outro estudo, feito pelo psicólogo Thiago Sampaio, também do Amban, indicou que portadores de TOC que possuem maior concentração de serotonina respondem mais rápido à terapia.
Intervir nas situações em que a ansiedade pode prejudicar o tratamento é hoje uma atitude incorporada por alguns hospitais. No Albert Einstein, em São Paulo, psicólogos entram em ação para atender pacientes internados que apresentam sintomas da doença. “Uma das formas de reduzi-los é ajudar os doentes a esclarecer suas dúvidas”, diz Ana Kernkraut, coordenadora do serviço de psicologia do hospital.
Nos EUA, médicos usaram a terapia com animais para diminuir o sentimento em indivíduos que se submeteriam a exames de imagem, situação que desencadeia temor. No Monmouth Medical Center, 28 pacientes que fariam ressonância magnética foram selecionados para brincar com cães por 15 minutos, meia hora antes de fazer o exame.
O resultado foi surpreendente: pacientes com pânico, estresse pós-traumático e fobia social ficaram mais sensíveis aos gatilhos de crise, sugerindo que a serotonina tem papel na modulação dessa resposta. “E pessoas que tinham melhorado com o tratamento pioraram quando os níveis da substância diminuíram”, explicou Felipe. A redução do composto não causou o mesmo impacto em pacientes com ansiedade generalizada e transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Para estes, o que parece é que o contrário, o aumento na concentração da serotonina, faz diferença. Um outro estudo, feito pelo psicólogo Thiago Sampaio, também do Amban, indicou que portadores de TOC que possuem maior concentração de serotonina respondem mais rápido à terapia.
Intervir nas situações em que a ansiedade pode prejudicar o tratamento é hoje uma atitude incorporada por alguns hospitais. No Albert Einstein, em São Paulo, psicólogos entram em ação para atender pacientes internados que apresentam sintomas da doença. “Uma das formas de reduzi-los é ajudar os doentes a esclarecer suas dúvidas”, diz Ana Kernkraut, coordenadora do serviço de psicologia do hospital.
Nos EUA, médicos usaram a terapia com animais para diminuir o sentimento em indivíduos que se submeteriam a exames de imagem, situação que desencadeia temor. No Monmouth Medical Center, 28 pacientes que fariam ressonância magnética foram selecionados para brincar com cães por 15 minutos, meia hora antes de fazer o exame.
Comparados a doentes que não tiveram esse tempo com os animais, eles manifestaram muito menos ansiedade. “A terapia mostrou potencial para substituir os remédios contra crises às vezes dados aos pacientes”, disse Richard Ruchman, autor do estudo.
No Brasil, nos centros de equoterapia é possível aliviar os sintomas com o auxílio dos cavalos. A empresária Adriana Mazzagardi experimentou esses efeitos durante as aulas de equitação que teve na infância e decidiu expandir o benefício. “Os cavalos me ensinaram a controlar a minha ansiedade, que era muito intensa”, diz Adriana, que está à frente do Centro Equestre Equovita, em Jundiaí (SP). O local é frequentado por muitas pessoas em busca de alívio das tensões. “Se você está ansioso e sem concentração, o cavalo percebe e reage. Você precisa estar atento e calmo para que ele se deixe conduzir”, diz Adriana.
Manter a ansiedade sob controle é também importante porque reduz riscos para outras doenças. Na semana passada, pesquisadores da Stanford University (EUA) divulgaram os resultados de um estudo com animais, indicando que o sentimento contribui para o surgimento de tumores. A explicação é a de que a ansiedade costuma vir acompanhada de estresse. Juntas, as condições enfraquecem o sistema de defesa do organismo. “Eles podem acelerar a progressão do câncer”, afirmou o imunologista Firdaus Dhabhar, autor do experimento.
A conexão com a depressão também está sendo investigada. Um trabalho patrocinado pelo Canadian Institutes of Health Research apontou uma molécula (CRFR1) como a responsável pela interação entre a ansiedade, o estresse e a doença. Um primeiro passo já foi dado para quebrar a associação: em cobaias, a inibição da produção dessa molécula atenuou a ansiedade.
Mais conhecida, a relação da enfermidade com os males cardiovasculares exige também atenção. Tanto que médicos do Montreal Heart Institute, também no Canadá, fizeram um trabalho para provar que pacientes em risco para doenças do gênero e que apresentem traços de ansiedade devem ser submetidos a uma tomografia do coração, e não apenas a um eletrocardiograma. “O exame de imagem é mais efetivo para identificar doença cardíaca nesses indivíduos”, afirmou Simon Bacon, coautor do experimento.
No Brasil, nos centros de equoterapia é possível aliviar os sintomas com o auxílio dos cavalos. A empresária Adriana Mazzagardi experimentou esses efeitos durante as aulas de equitação que teve na infância e decidiu expandir o benefício. “Os cavalos me ensinaram a controlar a minha ansiedade, que era muito intensa”, diz Adriana, que está à frente do Centro Equestre Equovita, em Jundiaí (SP). O local é frequentado por muitas pessoas em busca de alívio das tensões. “Se você está ansioso e sem concentração, o cavalo percebe e reage. Você precisa estar atento e calmo para que ele se deixe conduzir”, diz Adriana.
Manter a ansiedade sob controle é também importante porque reduz riscos para outras doenças. Na semana passada, pesquisadores da Stanford University (EUA) divulgaram os resultados de um estudo com animais, indicando que o sentimento contribui para o surgimento de tumores. A explicação é a de que a ansiedade costuma vir acompanhada de estresse. Juntas, as condições enfraquecem o sistema de defesa do organismo. “Eles podem acelerar a progressão do câncer”, afirmou o imunologista Firdaus Dhabhar, autor do experimento.
A conexão com a depressão também está sendo investigada. Um trabalho patrocinado pelo Canadian Institutes of Health Research apontou uma molécula (CRFR1) como a responsável pela interação entre a ansiedade, o estresse e a doença. Um primeiro passo já foi dado para quebrar a associação: em cobaias, a inibição da produção dessa molécula atenuou a ansiedade.
Mais conhecida, a relação da enfermidade com os males cardiovasculares exige também atenção. Tanto que médicos do Montreal Heart Institute, também no Canadá, fizeram um trabalho para provar que pacientes em risco para doenças do gênero e que apresentem traços de ansiedade devem ser submetidos a uma tomografia do coração, e não apenas a um eletrocardiograma. “O exame de imagem é mais efetivo para identificar doença cardíaca nesses indivíduos”, afirmou Simon Bacon, coautor do experimento.
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