sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

CSM recruta mil profissionais para trabalhar na Arena Pernambuco durante a Copa

A CSM Brasil abre seleção para 12 mil oportunidades de trabalho nas 12 cidades-sede dos jogos da Copa do Mundo Fifa, que ocorre este ano no Brasil. Serão, em média, mil contratações para cada estádio, e isso inclui a Arena Pernambuco. A campanha de recrutamento, chamada de “Quero Vestir a Camisa”, prevê a atividade operacional dos bares e lanchonetes dos estádios, em funções de supervisão e coordenação, caixas e vendedores. O único pré-requisito é ter mais de 18 anos. As inscrições vão até 15 de março, no site www.querovestiracamisa.com, e o processo de seleção e contratação se dará entre os meses de março e abril. Toda a documentação exigida está na página da internet.

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“As contratações serão para prestadores de serviço. No caso de Pernambuco, serão mil selecionados pós-cadastro e entrevista presencial. O trabalho prevê três dias de treinamento e mais cinco dias de jogos (fase de grupos e uma partida de oitavas-de-final). Não fechamos o valor ainda, mas o pagamento será por diária e bastante atrativo”, destaca o diretor da CSM Brasil, Pedro Lima. 

Sobre a problemática da distância da Arena Pernambuco dos centros da Região Metropolitana do Recife, o diretor informou que o entrave será minimizado. “Estamos buscando conversar com prefeituras e estado para buscar uma solução de deslocamento menos complexa, mas, a priori, o grupo vai fornecer auxílio para deslocamento e alimentação, inclusive para os treinamentos”, garante. A carga horária para os dias de treinamento é, em média, de quatro horas. Nos jogos, passa para oito horas.

O diretor destaca a amplitude do processo seletivo. “Depois da contratação de voluntários para os jogos, esse é o maior volume de recrutamento para o evento. Nossos parceiros e a própria CSM Catering (empresa de hospitalidade e gestão de eventos do grupo CSM Brasil) já integraram atividades nos oito últimos Jogos Olímpicos, além de Copas do Mundo e outros campeonatos desportivos de grande porte”, pontua.

Quem trabalhar no evento também participará de sorteios realizados em todas as partidas e receberá certificado, podendo registrar a experiência como atividade extracurricular. “Fizemos um amplo trabalho de pesquisa em grandes eventos, como os Jogos Olímpicos de Londres, para montar o programa de recrutamento da Copa do Mundo da Fifa tanto para a seleção quanto treinamento dos escolhidos”, explica a diretora de Recursos Humanos do projeto, Mariana Schmidt.

Eduardo Campos fará campanha no Twitter

 (Reprodução/Internet)
O governador de Pernambuco e presidente Nacional do PSB, Eduardo Campos, virtual candidato a presidente da República em 2014, participará de um bate-papo com milhares de brasileiros no Twitter, nesta sexta-feira (7), às 17 horas (horário de Brasília) e 16h (horário local). Na conversa com os internautas, o socialista irá debater o cenário atual brasileiro e sobre os caminhos e alternativas “para país retomar seu crescimento de uma forma mais justa, humana e democrática”, avalia Eduardo.

Além disso, as pessoas também terão a oportunidade de trocar ideias com o presidenciável do PSB a respeito das diretrizes do programa de governo da aliança PSB / Rede Sustentabilidade, apresentadas à sociedade na última terça-feira (4), em Brasília, com a participação da ex-senadora Marina Silva (PSB/AC) e de representantes de várias correntes políticas.

O bate-papo está acontecerá no perfil oficial de Eduardo Campos (www.twitter.com/eduardocampos40). Para participar da conversa e fazer perguntas, o internauta deverá usar a hashtag #EduardoResponde em suas mensagens.

Magareth Menezes faz show no 8º Baile Municipal de Arcoverde

Evento será realizado no próximo dia 8. Foto: Reprodução Blog Social 1
Evento será realizado no próximo dia 8. Foto: Reprodução Blog Social 1
Em Arcoverde, no Sertão de Pernambuco, o 8ª Baile Municipal será animado pela baiana Margareth Menezes como a principal atração da festa. Na edição deste ano, o tema escolhido para o evento foi ‘História e Tradição no Carnaval de João da Informação’.
De acordo com a organização do evento, a cantora promete um repertório com frevo e com os maiores sucessos de sua carreira. Além de Margareth, a Orquestra Super Oara também foi confirmada para animar o baile.
Programado para ocorrer no dia 8 de fevereiro, às 22h no Esporte Clube, o Baile Municipal de Arcoverde abre, oficialmente, o Carnaval Folia dos Bois da cidade. Outras informações sobre a festa podem ser obtidas no site da prefeitura do município.

Transposição do Rio São Francisco: via de mão única

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Na primeira matéria do projeto Reportagem Pública, a repórter viaja ao Eixo Leste e mostra como a população está sendo afetada pelas obras
Fotos: Mano de Carvalho/ Agência Pública

Por Marcia Dementshuk
Publicado originalmente na Agência Pública*
“Sem dúvida, com a transposição do rio São Francisco será oferecida segurança hídrica para o Nordeste”, garantiu o diretor-presidente da Agência Nacional das Águas (ANA), Vicente Andreu Guillo, durante nossa entrevista. A aposta do governo federal é alta: o orçamento atual da transposição é de R$ 8.158.024.630,97 (o dobro do previsto inicialmente), financiados pelo Programa de Aceleração ao Crescimento (PAC I e II). Trata-se do maior empreendimento de infraestrutura hídrica já construído no Brasil, que mudará para sempre a cara da região.

Menos de 5% das reservas hídricas do país estão no Nordeste do país, que detém entre 12% e 16% das reservas de água doce no planeta. O clima semiárido, seco, quente e com poucas chuvas domina o sertão, território com mais de 22,5 milhões de habitantes (Censo IBGE/2010).

Neste cenário, a notícia de que seria possível transportar a água do Rio São Francisco para regiões mais secas transformou-se em esperança para os nordestinos de todas as épocas. Fala-se nessa obra desde os tempos do Império, quando, em 1877, o intendente do Crato, no Ceará, apresentou para dom Pedro II um projeto que levaria águas do Rio São Francisco até o rio Jaguaribe, no seu estado.

A obra foi iniciada 130 anos depois, durante o governo de Luís Inácio Lula da Silva, com base no projeto elaborado no governo de Fernando Henrique Cardoso. Depois do investimento inicial, de cerca de R$ 4 bilhões, o rendimento dos trabalhos diminuiu em 2010 por problemas de adequação do Projeto-Base à realidade da execução (leia mais aqui), e novas licitações precisaram ser feitas. Somente no final de 2013, conforme o Ministério da Integração Nacional, responsável pelo projeto, as obras foram 100% retomadas.

Hoje, o empreendimento aponta 51% de avanço, e o orçamento dobrou. A nova previsão para a conclusão é em dezembro de 2015, quando as águas deverão alcançar afinal o leito do rio Paraíba, no Eixo Leste, e o reservatório Engenheiro Ávidos, pelo Eixo Norte, ambos na Paraíba.

ALI DO LADO, FALTA ÁGUA - O projeto prevê que as águas captadas do Rio São Francisco em dois canais de aproximação (no Eixo Norte, em Cabrobó e no Eixo Leste, no reservatório de Itaparica, em Floresta, ambos em Pernambuco) serão conduzidas pelos canais até os reservatórios, de onde abastecerão dezenas de municípios dos estados de Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte, aproveitando a rede de saneamento existente. Projetos referentes a tomadas para uso difuso (pontos de tomada de água captadas ao longo dos canais para abastecer as comunidades instaladas nas proximidades) ainda estão em fase de elaboração. O Ministério da Integração ainda não definiu que pontos serão esses, nem os locais exatos de captação. Da mesma forma, os valores finais do custo desta água para a população ainda estão em estudo por parte do governo federal.

A realidade, porém, é que há mais de dois anos, muitos moradores dos municípios do semiárido nem sequer têm água nas torneiras; usam a água distribuída por caminhões-pipa, de poços particulares ou públicos (a maioria com água salobra) ou da chuva (quando chove).


Em Caiçara, distrito de Custódia, Maria Célia Rodrigues da Silva disse que falta água nas torneiras desde o início das obras do PISF

Em Caiçara, distrito de Custódia, Pernambuco, próximo ao Lote 10, que corresponde a atual Meta 2L, da construção (veja o mapa), a população toma a água enviada pelo Exército, em caminhões-pipa, uma vez por semana. Toda semana é a mesma cena: a água é despejada em uma cisterna central, e cada morador tem que ir buscar – há carroceiros que cobram em torno de R$ 5,00 ou R$ 7,00 por viagem.

O riacho Custódia passa próximo da casa de Manoel Rodrigues de Melo, agricultor de 52 anos, mas o fio de água que resta é salobra, e só serve para lavar a casa ou os estábulos. “A água boa vem de Fátima, a uns 40 quilômetros daqui. O que a gente mais precisa aqui é água, que não tem”, suplica o agricultor. Nessas condições, ele e a esposas criaram oito filhos. Todos partiram em busca de melhores condições de vida. “É muito filho, até parece mentira! Mas antigamente os invernos eram melhores, chovia mais”.

Manoel Rodrigues de Melo, que nunca saiu da região onde nasceu, viu seu terreno ser dividido pelo canal do Eixo Leste: ficou com seis quilômetros de um lado do canal e com a mesma medida do outro. Dono de um sotaque sertanejo carregado, com poucos dentes na boca, as mãos calejadas e a pele castigada pelo sol, Manoel conta que agora os bichos têm de usar a ponte sobre o canal para passar. “Senão, eles ficam ou do lado de cá, ou do lado de lá, ou tem que fazer um volta tremenda lá por baixo, onde tem um lugar pra passar. Mas o que mais a gente espera é essa água que ‘tá’ pra vir. Isso vai mudar a nossa vida aqui. Vai ser muito bom”, diz o agricultor, ansioso.

“A gente tinha água pela torneira, era ruim, mas dava pra limpeza. Mas desde que começou essa construção (referindo-se à transposição) ela foi cortada”, lembra-se a vizinha de Manoel, a dona de casa Maria Célia Rodrigues da Silva, que cuida da mãe doente, com 82 anos. “Nem as cisternas não enchem. Estamos com dois anos de seca”, completou. A água encanada provinha de um poço escavado em outro vilarejo próximo de Caiçara, Fiúza, mas ela não sabe dizer se foi cortada em função das obras da transposição, ou se o poço secou. Mesmo com o encanamento de sua casa enferrujado e sem saber se terá água para beber no dia seguinte, a vida de Maria Célia continua. Ela não teve filhos. Cria alguns bodes, cabras e galinhas no quintal da casa e conta com o dinheiro da aposentadoria de sua mãe para o sustento das duas. Trabalhava na roça, mas nada mais resistiu à seca de dois anos.

Para o ex-presidente da Associação Brasileira de Recursos Hídricos, Luiz Gabriel Azevedo, o custo de operação da água da transposição é elevado e requer investimentos vultosos, quando comparado a outras alternativas. “Parte do pacto, quando se pensou esse projeto, é de que os estados fariam um trabalho forte de racionalizar o uso dentro de seus territórios, de melhorar o sistema de gestão; e os estados estão aquém dessa expectativa”, analisa. Ele alega que os estados deveriam investir mais em obras que garantissem os recursos hídricos, como manutenção e construção de açudes, estudos para perfurações de poços e principalmente em obras de saneamento e rede de distribuição de água.

“Não valerá à pena trazer uma água cara para se desperdiçar do outro lado. Não dá para executar um projeto complexo se os recursos dos açudes não forem bem usados, se não houver um sistema de distribuição, se não se tem um sistema de gestão eficiente nos estados que vão receber para gerir a água”, complementou Luiz Gabriel Azevedo.

Por Lei, o órgão competente que determinará como a água será distribuída é o Conselho Gestor do Projeto de Integração do Rio São Francisco, instituído pelo Decreto 5.995/2006. Esse Conselho é formado por representantes dos estados beneficiados com o empreendimento – Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará – e tem por objetivo, entre outros, tratar da alocação das águas e dos rateios dos custos correspondentes.


Desalentados pela seca, moradores de cidades do Sertão nordestino aguardam a chegada das águas da transposição

Para o diretor-presidente da Agência Nacional das Águas (ANA) destaca que o Nordeste ainda carece de um conjunto de soluções hídricas, como aproveitamento máximo da escassa água da chuva, o controle do uso das águas dos reservatórios ou a transposição de águas de outras bacias hidrográficas, já que a escavação de poços do semiárido é considerada inviável. De acordo com o relatório de impacto Ambiental do PISF, (RIMA), “a maioria do território semiárido (70% da região) dispõe de pouca água subterrânea e possui solo impermeável, ou seja, absorve pouca água, limitando sua capacidade de disponibilidade. Além desse aspecto, a água, em geral, é de baixa qualidade”.

TRADICIONAL COMO A SECA - A tocadora de pífano Zabé da Loca nos recebeu às vésperas de completar 90 anos. Quando tinha 79 anos, 25 dos quais passados em uma gruta, na Serra do Tungão, próximo a Monteiro (PB), Zabé se tornou conhecida no mercado de música regional. Chegou a dividir o palco com músicos como Hermeto Pascoal e Gabriel Pensador em shows no Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Paraíba e Brasília.


Zabé da Loca

Típica sertaneja, que jamais conheceu o conforto de abrir uma torneira de onde corresse água em abundância, Zabé teve 14 irmãos, oito dos quais morreram por doenças originadas pela falta de água e desnutrição. Fumante inveterada, persistiu no hábito mesmo depois do tratamento de combate a um enfisema pulmonar e à pneumonia e não deixou de enrolar um cigarrinho durante a visita, enquanto lembrava: “Nessa serra sempre teve água da chuva que empoçava nas pedras. Mas tinha anos que não encontrávamos água em canto nenhum. A gente tinha que ir até o rio (afluente do rio Paraíba, próximo da nascente) pegar”.

Quando comentamos sobre a transposição do rio São Francisco ela reagiu: “esse negócio existe mesmo?”

REALOCAÇÃO DE MORADORES - Cerca de 800 famílias foram deslocadas e receberam indenizações entre cerca de R$ 10 mil a R$ 15 mil para dar passagem às obras da transposição – de acordo com a gerência de Comunicação da CMT Engenharia, empresa responsável pelo acompanhamento das ações de compensação socioambiental do PISF – ao longo dos eixos Norte e Leste, em Pernambuco e no Ceará.  De acordo com o supervisor de obras da empresa Ecoplan, Adilson Leal, porém, as terras não entraram na avaliação das propriedades a serem indenizadas por possuírem baixo valor de mercado, segundo a empresa, em função da pouca qualidade da terra para o plantio ou para o pasto, em uma região onde a chuva é escassa. Só as benfeitorias foram ressarcidas.


Abastecimento de água potável para a população em Rio da Barra (PE), por onde passam os canais da transposição, ocorre duas vezes por semana

Em Rio da Barra, distrito de Sertânia, em Pernambuco, comunidade que beira o canal na altura do Lote 11, que corresponde à Meta 2L, (veja o mapa), a população se encontra duas vezes por semana na cisterna pública para se abastecer de água potável proveniente de um poço artesiano cavado pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). Um funcionário da prefeitura de Sertânia controla o abastecimento gratuito dos galões trazidos pela população na noite anterior. O local acaba se tornando o ponto de encontro do povoado. Mães carregando baldões chegam com as crianças arrastando baldes menores, carroças carregadas de galões estacionam ao lado e todos aguardam com paciência pelo precioso líquido.  Maria José Araújo Pinheiro, uma dona de casa tímida, mas de olhos atentos, aguardava sua vez quando comentou que sua mãe, Creusa Davi da Silva, aceitou a oferta do governo para desocupar suas terras no sítio Chique-Chique. “Eles ofereceram pra ela R$ 14.400, ela pegou e foi morar em Sertânia. Como ela ganha aposentadoria, está bem. Mas pagaram só pela casa”, disse Maria José.


O marido de Márcia Freire, Adilson Salvador, de Rio da Barra (PE,) é técnico ambiental nas obras da transposição

Márcia Maria Freire Araújo vem do outro lado do canal do Eixo Leste da transposição pegar água na cisterna pública de Rio da Barra. Ela chega sempre antes das seis da manhã, na companhia do cunhado que conduz uma carroça puxada a burro onde transportam os galões de água. Andam cerca de dois quilômetros, atravessam o canal por uma ponte provisória e os depositam em uma fila de recipientes que começou a ser formar no dia anterior. Sua família mora em outra propriedade pequena, que teve uma parte indenizada pelo Ministério da Integração Nacional. “Eu não acho que é justo perder um pedaço de terra, mas se é para fazer o bem pra tanta gente, então aceitamos”, conforma-se. Ela vê o lado bom: seu marido, Adilson Salvador, é empregado na construtora SA Paulista como técnico ambiental na transposição. “Ele conseguiu emprego desde o início da obra, primeiro por outra empresa, e agora pela Paulista”, orgulha-se Márcia Maria.

Em outra localidade, na zona rural de Sertânia, os moradores do Sítio Brabo Novo ficaram divididos pelo canal. Pelo menos treze famílias preferiram a remoção para terras acima do reservatório Barro Branco, ainda em fase de retirada da vegetação. Um número bem maior de famílias permaneceu do outro lado do reservatório.

Maria da Conceição Siqueira, viúva, de 51 anos, e seu filho, de 18 anos, deixarão a antiga moradia para trás e irão para Sertânia. “Já recebi R$ 7.500,00 por aquela casinha ali”, diz, apontando para uma casa que ficará submersa pelo reservatório, “e ganhei essa casa aqui. Mas vamos fechá-la e ir embora”. “Fiquei com um pedaço de terra muito pequeno, (cerca de 50m²) não dá pra nada. Meu filho está em tratamento, ele teve um derrame no cérebro e é melhor a gente ficar lá”, diz.


Lucinéia ferreira Florêncio não acredita em distribuição justa das águas da transposição

A família das irmãs Lucicléia e Lucinéia Ferreira Florêncio, vizinhas de Maria da Conceição, tomou uma decisão diferente. “Nossa primeira casa era onde agora vai ser o reservatório, e já foi indenizada em 2007. Mas esse reservatório ocupou quase a metade do nosso terreno. Como ainda sobraram terras desse outro lado e esta é uma área liberada, decidimos construir aqui, com o dinheiro da indenização”, contou Lucinéia. Ela não soube informar o tamanho do sítio, mas a nova casa é grande. No terreno persiste uma plantação de palmas (um tipo de cactos que serve para alimentar os animais) e algumas árvores frutíferas. O resto foi perdido: abacaxi, macaxeira, milho, feijão… A irmã, Luciclélia, casou-se e construiu uma casa menor ao lado, onde vive com o marido e uma bebê de nove meses.

Lucinéia, professora, duvida que no futuro haja uma distribuição justa das águas da transposição. “Tem os pontos positivos, mas acho que vão ter os negativos também. Eu penso que com essa água toda vão começar a fazer mais obras por aqui e eu não sei se toda a comunidade vai ter acesso a essa água quando quiser. O pequeno produtor nunca é beneficiado como os grandes proprietários, nunca tem igualdade. E acho que o crescimento vai ser desordenado. A comunidade já tem uma associação de moradores, mas ainda não sabe como abordar esse assunto”, lamentou Lucinéia, dizendo que não há orientação nenhuma dos governos sobre isso.


O Sítio Passagem da Pedra, em Sertânia, dividido para a construção do túnel; zeladores recuam cerca que delimita área da propriedade

Na área onde será construído o túnel entre Sertânia e Monteiro, no Lote 12, atual Meta 3L (veja mapa), a retomada das obras em dezembro significou a perda de mais 100 metros de terreno pelos agricultores, além dos 100 metros que já tinham recuado. “Fazer o quê? Os donos já receberam a indenização e agora que vieram construir pediram mais esse pedaço de terra”, explicam Lenilton Cordeiro dos Santos e Quitéria Araújo da Silva, zeladores do sítio Passagem da Pedra, cortado tanto pelo canal da transposição quanto pelo túnel.


“Ninguém sabe”, afirmou o capataz Aílton Ferreira falando sobre a data que deverá chegar as águas da transposição no túnel na divisa entre Pernambuco e Paraíba

No sítio ao lado, Aílton Ferreira de Oliveira cuida do terreno da sogra, que também foi reduzido. “Agora, o gado que sobrou, cinco cabeças, está no curral e come mandacaru, pois não tem mais o que comer por causa da seca, e o terreno ficou pequeno pro pasto”.

“E essa água, quando chega?”, interrompe o capataz do sítio, que prossegue, num monólogo: “Ninguém sabe…”.

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* O Portal NE10 é um dos republicadores oficiais do conteúdo da Agência Pública, agência de reportagem e jornalismo investigativo

Trecho da BR-408 entre Carpina e Paudalho recebe passarela e lombadas

Da Redação do Jornal Voz do Planalto

Foto: Rodrigo Lôbo/JC Imagem
Foto: Rodrigo Lôbo/JC Imagem
Após um protesto realizado na semana passada por moradores da comunidade de Guadalajara, distrito de Paudalho, na Zona da Mata Norte do Estado, na última sexta-feira (31), que resultou em um ônibus da empresa 1002 incendiado, a localidade começa agora a receber ações emergenciais para a prevenção de acidentes na BR-408, que margeia a comunidade.
Foram instaladas duas lombadas físicas na segunda-feira (3) e serão construídas duas Passarelas nos quilômetros 46 e 48. Já para orientar os pedestres, agentes educativos de trânsito devem fazer ações nas escolas e às margens da rodovia.

Três filhos de Miguel Arraes receberão reparação financeira


Comissão Nacional Anistia aprova o pagamento de indenização a familiares de quatro políticos vítimas da ditadura, entre eles dos herdeiros do ex-governador de Pernambuco

Cada um dos três filhos do socialista vai receber R$ 100 mil / Alexandre Belém/JC Imagem

Cada um dos três filhos do socialista vai receber R$ 100 mil

Alexandre Belém/JC Imagem

Filhos e netos de pernambucanos perseguidos pela ditadura militar tiveram seus pedidos de indenização financeira e moral aprovados pela Comissão Nacional de Anistia, que julgou 16 casos ontem, em sessão especial ocorrida em Brasília. Entre os contemplados, estão três filhos do ex-governador Miguel Arraes, exilados junto com o pai na Argélia, os dois netos do líder das ligas camponesas Francisco Julião, que nasceram em Cuba em decorrência dos obstáculos impostos pelo período de exceção, o filho do pedagogo Paulo Freire, obrigado a exilar-se com o pai e a mãe no Chile, e os dois filhos do deputado estadual Luiz Cláudio Braga Duarte (PST), cassado na primeira leva pelo regime e obrigado a partir para o México. O valor da reparação financeira é de R$ 100 mil para cada um, pagos em parcela única.
Conselheiro da Comissão de Anistia, o pernambucano Manoel Moraes comentou que a sessão foi marcada pela emoção. Um dos relatos mais fortes partiu do filho de Paulo Freire, o cientista social Lutgardes Costa Freire, 55 anos, que disse ter sofrido com a constante sensação de medo e perseguição. Outro conselheiro, Mário Miranda, lembrou que nascer no exílio àquela época significava ver negada, inclusive, a cidadania brasileira – caso dos filhos de Francisco Julião.
Com processos ingressados em 2012 e 2013, os filhos de Miguel Arraes, o médico Luiz Cláudio Arraes de Alencar, o economista José Almiro (o mais velho) e o administrador de empresas Marcos Arraes não estiveram presentes à sessão. A relatora desses três casos, conselheira Sueli Bellato, explicou como fundamentou o voto pelo deferimento da indenização.
“Eles, quando o governador foi deposto, moravam dentro do Palácio das Princesas, assistiram a prisão do pai, principalmente o mais velho, que tinha 17 anos. Foi algo muito traumático. Arraes foi levado ao presídio de Fernando de Noronha, sem comunicar a família, passando lá sete meses. Os filhos ficaram entregues a duas tias até o falecimento de Dona Célia, mãe deles. Até que Arraes consegue o exílio na Argélia, aos poucos vai levando os filhos, que ficaram até 1979. Nós avaliamos que esse impacto não é carregado só na infância, mas resta por toda a vida”, disse Bellato.

HOMENAGEM
A Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa recebeu projeto de lei que denomina o prédio que abrigará o novo plenário do Legislativo, que deve ser inaugurado até 2015, de Edifício Deputado Miguel Arraes de Alencar. O projeto foi distribuído para o deputado e líder do governo na Casa, Waldemar Borges (PSB).

Empresa abandona obra do presídio de Itaquitinga que já estava atrasada

Da Rádio Jornal
(Foto: Guga Matos/ Acervo JC Imagem)
(Foto: Guga Matos/ Acervo JC Imagem)
Em entrevista ao programa Super Manhã desta quarta-feira (5), o representante dos fornecedores da obra do Presídio de Itaquitinga, Antônio Carlos Condado, conversou com o comunicador Geraldo Freire sobre o atraso nas obras do presídio, que está sendo construído ha cerca de quatro anos, na Zona da Mata Norte de Pernambuco. Ele conta que a obra estava prevista para custar R$ 227 milhões, já foram gastos R$ 350 milhões e deve precisar de mais R$ 150 mi. Enquanto a obra está parada, materiais estão sendo desperdiçados no local.
Condado conta que recebeu um comunicado da empresa que faz a obra através de Parceria Público Privada (PPP), informando que a partir de março o trabalho será abandonado, por conta de inviabilidade financeira. Ele explica que os funcionários da vigilância que estão cuidando do patrimônio no local seriam pagos somente até fevereiro e a obra seria abandonada a partir de março. Condado conta ainda que os pagamentos das empresas da obra estão atrasados há dois anos e que acredita que o governador Eduardo Campos está “por fora” do que está acontecendo em Itaquitinga.
Em resposta às críticas, o Procurador Geral do Estado Thiago Norões também concedeu entrevista ao comunicador Geraldo Freire e explicou que a empresa que venceu a licitação para construir o presídio realmente vem apresentando dificuldades financeiras há mais de um ano , já houve uma tentativa de negociação em 2013 e existe possibilidade de o Estado assumir a obra.


Plenário da Câmara de Vitória de Santo Antão é interditado

Vistoria feita no imóvel recomenda a paralisação das atividades no imóvel. Fiscalização observou rachaduras e quedas de reboco

Do JC Online

 / Câmara de Vitória de Santo Antão/Divulgação

Câmara de Vitória de Santo Antão/Divulgação

O plenário do prédio sede da Câmara de Vereadores da Vitória de Santo Antão foi interditado nesta quinta-feira (6) pelo presidente da casa, o vereador Edmo Neves (PMN). As constantes quedas de reboco e rachaduras no imóvel levaram o presidente a solicitar uma vistoria por engenheiros especializados que recomendaram a interdição do imóvel, por conta do risco iminente de desmoronamento do imóvel. 
“Decidimos também suspender a primeira sessão do ano que aconteceria nesta quinta-feira, 06 de fevereiro” explicou Neves, que tomou a decisão para zelar para segurança dos parlamentares e das pessoas que costumam acompanhar as sessões. “Estamos tomando as providências iniciais para em breve marcamos o local e o dia das próximas sessões da câmara”, conclui o vereador Edmo Neves. 
Na última sessão do ano passado, foi apresentado um projeto arquitetônico de reforma e ampliação do plenário da Casa Diogo de Braga. Na ocasião, o presidente da Casa esclareceu que a ampliação do novo plenário deverá preservar em sua integridade o atual prédio histórico sede do poder legislativo vitoriense.
Os trabalhos devem ser feitos ainda este ano e no momento está em fase de levantamento de custos para a publicação de edital de licitação pública.