segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Engenheiro afirma, Lula e Marisa nunca foram donos do Triplex

Engenheiro que coordenou reforma reafirma que Lula e Marisa eram "potenciais clientes", não donos do tríplex

Mais uma testemunha esclarece a Sérgio Moro que nada ocorreu de anormal na reforma feita na cobertura do Guarujá, que nunca foi da família Lula da Silva


Prestou depoimento nesta segunda-feira, em Curitiba, o engenheiro civil Genésio da Silva Paraíso, como testemunha no processo em que procuradores da Lava Jato acusam o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, juntamente com dona Maria Letícia, de ser "proprietário oculto" de um apartamento triplex no Guarujá.

Genésio da Silva Paraíso  acompanhou, pela OAS Empreendimentos, as reformas feitas pela empresa Talento no tríplex. Ele foi mais uma testemunha que explicou ao juiz de primeira instância Sérgio Moro e aos procuradores do Ministério Público Federal no Paraná que a reforma teria sido feita pela construtora porque Lula e Dona Marisa seriam potenciais clientes para uma eventual compra do tríplex, e que o que lhe foi solicitado foi a reforma para tornar o imóvel mais atrativo para uma possível compra da família do ex-presidente. Os pagamentos para a Talento pela reforma foram feitos pela OAS através de transferência bancária, dentro do procedimento padrão, sem nenhuma tipo de ocultação. 

E que os recursos para a reforma saíram do caixa normal da OAS Empreendimentos, não da OAS Construtora, empresas diferentes, com caixas diferentes, mesmo sendo do mesmo grupo. A OAS Construtora é a empresa que tem contratos com a Petrobrás, e que nunca ouviu falar de um "caixa-geral" de propina na OAS, como afirma na acusação o Ministério Público, afirmação que está na denúncia mas que não foi confirmada por nenhuma testemunha do processo, sequer as testemunhas de acusação.

Genésio afirmou ainda que, embora OAS Empreendimentos não tenha feito esse tipo de obras antes, elas são algo normal no mercado de São Paulo, onde já tinha visto reformas desse tipo sendo feitas por construtoras. Por fim, esclareceu que a cobertura estava no estoque para venda da construtora, e que foi retirado da prateleira quando a família do ex-presidente tornou-se um potencial comprador, já que havia interesse até de marketing para a OAS que Luiz Inácio Lula da Silva, que deixou a presidência da República com uma aprovação recorde, viesse a ser proprietário de uma unidade de um de seus empreendimentos

Chikungunya provoca doenças vasculares irreversíveis em pacientes, revela pesquisa

Pessoas infectadas sofrem com inflamações e dores nas pernas e nos pés um ano após sentirem os primeiros sintomas da doença


Por BBC

Vera Marques passou a usar muleta quando sente as pernas muito pesadas um ano depois de sentir os primeiros sintomas da chikungunya (Foto: PAULO PAIVA/BBC BRASIL)

As pernas pesadas, o inchaço nos pés e a dificuldade de andar fizeram a dona de casa Vera Lúcia Amaral Marques, de 45 anos, usar sandálias especiais ortopédicas e muleta um ano após ser diagnosticada com o vírus da febre chikungunya no Recife.

Ela integra o grupo de pacientes que participam de uma pesquisa inédita do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que revela lesões vasculares irreversíveis provocadas pela doença.

"Tanto as minhas pernas como os meus pés ficam horríveis de tão inchados. Sinto câimbras antes de dormir e tenho vergonha de usar short ou vestido curto. Pareço mais velha, não vou mais para academia e até os meus sapatos eu tive que deixar de lado porque já não cabem mais", disse a pernambucana à BBC Brasil.

Dos 32 pacientes analisados com os sintomas, 29 voltaram para serem acompanhados pelos especialistas no estudo. Destes, 20 repetiram o exame e foi constatado que 65% mantinham as alterações vasculares crônicas.

Funcionária de uma escola municipal de Recife, Jaciane Braz sofre com problemas vasculares (Foto: PAULO PAIVA/BBC BRASIL)

"Manifestações vasculares na chikungunya estavam restritas a fases iniciais da doença. Agora, o estudo mostra não só uma nova manifestação como a cronificação dela, já que os sintomas persistiram por mais de três meses", destaca Catarina Almeida, cirurgiã vascular responsável pelo estudo, que defende o tema em sua tese de mestrado.

Os pacientes apresentaram problemas como linfedema agudo (acúmulo de líquido nas pernas devido ao bloqueio do sistema linfático) e edema no dorso do pé.

As alterações linfáticas foram detectadas pelo exame de linfocintigrafia. Ainda é desconhecido o motivo das lesões vasculares crônicas atingirem apenas os membros inferiores.

"Nosso próximo passo, agora, é fazer uma investigação molecular e entender o motivo disso acontecer. Se é resposta imunológica a infecção exacerbada do paciente ou ação direta do vírus", disse Almeida à reportagem.

Os pesquisadores explicam ainda que a morbidade do paciente aumenta com essas lesões e eles ficam mais suscetíveis a terem infecção nos membros inferiores. "Além disso, o linfedema crônico não tem cura - é irreversível."

O levantamento foi feito de março a novembro de 2016. Assim como a dengue e a zika, a chikungunya também é uma doença viral transmitida pelo mosquito Aedes aegypti.

Convivendo com a dor

Um ano e três meses após sentir os primeiros sintomas da febre, o aposentado pernambucano José Severino Pedrosa, de 76 anos, diz que o uso de analgésicos acaba sendo inevitável.

"Aprendi a conviver com a dor, mas tem vezes que eu não aguento e tenho que tomar analgésico. Antes caminhava todos os dias. Agora, se caminho num dia, tenho que descansar dois ou três porque fico todo dolorido. Também não posso com muito peso como antes", conta.

Países e territórios onde casos de chikungunya foram reportados (em verde escuro) (Foto: HOSPITAL FOR TROPICAL DISEASES)

Funcionária de uma escola municipal de Recife, Jaciane Braz, de 57 anos, passou a usar sapatos de número maior por conta do inchaço. Ela conta que ficou com a pele escura e escamosa nos membros inferiores e não aguentar ficar muito tempo em pé.

"Sofri um AVC e logo depois veio a febre chikungunya. Mas só consegui marcar consulta para confirmar a doença sete meses depois porque não tinha vaga no hospital", lamentou.

A grande maioria dos pacientes que participaram da pesquisa são mulheres - segundo médicos, isso acontece porque os homens buscam com menos frequência o sistema de saúde.

Para amenizar o problema, a orientação é o uso de meias de compressão, drenagem linfática e elevação dos membros.

Preocupação

De acordo com o último boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Vigilância em Saúde do governo federal, em 2016 foram registrados 271.824 mil casos de chikungunya no país - um aumento expressivo se comparado a 2015, que teve 36 mil casos.

Segundo o Ministério da Saúde, houve ocorrência de casos em todo o país, mas com maior incidência no Nordeste (235.136 casos) e no Sudeste (24.478).

No Brasil, a transmissão autóctone (contraída na cidade em que se vive) foi confirmada no segundo semestre de 2014, inicialmente nos Estados do Amapá e da Bahia.

O número de mortes passou de 14 em 2015 para 196 em 2016. Os Estados que apresentaram o maior número de vítimas são Pernambuco (54), Paraíba (32), Rio Grande do Norte (25), Ceará (21) e Rio de Janeiro (9).

"Surpreendentemente não temos epidemia como era previsto neste verão, mas o aumento de casos e mortes preocupa e, indiscutivelmente, os números são muito maiores do que esses e a tendência é continuar, infelizmente", disse o infectologista Rivaldo Venâncio da Cunha, coordenador de Vigilância em Saúde e Laboratórios de Referência da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

"Em campo, temos visto muitas lesões vasculares em doentes - mas muitos deles já tinham uma certa idade e uma certa insuficiência vascular", acrescentou.

Em nota, o Ministério da Saúde informou que "o governo federal intensificou a atuação contra o mosquito transmissor da febre de Chikungunya, Dengue e Zica com campanhas publicitárias em TV, rádio, internet e outros meios, distribuição de testes rápidos de Zika, campanhas educativas e mutirões de faxina".

Europa

Um levantamento feito pelo Hospital para Doenças Tropicais de Londres mostra, em um mapa, que pouco mais de 100 países já registraram casos reportados em possível transmissão local. Na América Latina, apenas Chile e Uruguai ficaram de fora do índice de ocorrência.

De acordo com Mike Brown, médico especialista em doenças infecciosas e medicina tropical da instituição, tem havido alta incidência global de chikungunya nos últimos dez anos e os vetores ainda têm potencial para propagação em outras regiões.

"Para a maioria dos pacientes é uma doença viral autolimitada (seus sintomas acabam desaparecendo sozinhos), mas para muitos a artralgia pode ser muito prolongada e debilitante. A mortalidade devido a condição é considerada baixa, mas complicações como encefalite, especialmente em indivíduos imunodeprimidos, pode ocorrer (também)", afirmou à BBC Brasil.

O médico diz que organizações como Geosentinel (rede de vigilância global e tropical de medicina) já registraram casos de pacientes com chikungunya importados para a Europa - na França e Itália - e adquiridos localmente no sul do Mediterrâneo.

"Cerca de dois, três anos atrás, alguns hospitais, como o nosso, passaram a ter atendimento clínico dedicado a pacientes com chikungunya com uma equipe formada por reumatologistas e especialistas em medicina tropical para melhor gerenciar e entender casos relacionados de artralgia e artrite", destacou.

Por água, moradores interditam em protesto a Rodovia José Cardoso

POPULAÇÃO INTERDITA A PE-177


Revoltados com o volume de água que vem sendo retirado diariamente da Barragem Pau Ferro, para ser usada no abastecimento de uma granja, moradores dos municípios de Canhotinho e Quipapá, na manhã de hoje, iniciaram um protesto na PE 177, nas proximidades do Distrito de Vila Nova – Quipapá.

Os manifestantes atearam fogo em  galhos de árvores e pneus, interditando a rodovia nos dois sentidos.


A PE 177 tem um grande trafego de veículos de carga, principalmente caminhões de combustível, que deslocam-se de toda a região para carregar com o produto em SUAPE, além de ser uma das principais vias da região de acesso  ao litoral e ao Estado de Alagoas.

Os manifestantes alegam que o volume de água retirado da barragem está sendo muito superior a vazão, o que vem fazendo com que o nível da água baixe rapidamente e que com a escassez de chuvas na região, o problema se agrave. 

Arlete Santos

Meio milhão de famílias voltam ao programa Bolsa Família

Alta do desemprego, causada pela crise, levou pessoas a retornar programa de repasse de renda em 2016

Por Zero Hora

  

Foto: Cynthia Vanzella / Agencia RBS

recessão que atinge o país desde o segundo trimestre de 2014 provocou, no ano passado, o retorno de pouco mais de meio milhão de famílias ao Bolsa Família no país. São pessoas que haviam saído do programa de transferência de renda até 2011, mas em razão do desemprego em alta, viram-se na situação de pedir o reingresso.

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Social publicados pelo jornal O Globo, 519.568 famílias solicitaram o retorno ao programa. A demanda já havia aumentado significativamente, de 104,7 mil famílias em 2014, para 423,7 mil no ano seguinte. A diminuição da quantidade desses pedidos deve acontecer à medida que a economia volte a crescer.

A procura, incluindo quem já foi beneficiário ou não do Bolsa Família, aumentou 33% nos últimos dois anos. Em 2015, foram habilitadas 1,2 milhão de famílias – média de 105 mil por mês. No ano passado, chegou a 1,6 milhão, ou 141 mil a cada mês.

Em janeiro, havia uma fila de espera de 463,9 mil famílias para entrar no programa. O governo informou que conseguiu incluir essas pessoas, e o saldo atual de habilitados que aguardam é de 1,9 mil famílias. Essa redução da fila ocorreu em razão do pente-fino realizado no programa no segundo semestre do ano passado, somado ao reforço nas fiscalizações. Com isso, houve desligamento de milhares de pessoas. Em 2016, 3 milhões de famílias tiveram o benefício cancelado por falta de atendimento aos requisitos exigidos, enquanto 2,4 milhões foram incluídas.

Ao todo, 13,5 milhões de famílias – cerca de 50 milhões de pessoas – são atendidas pelo programa. A maioria – 75% do total – está concentrada nas regiões Nordeste e Sudeste. O valor médio do benefício é de R$ 182 – a quantia varia conforme a renda familiar, o número de dependentes e outros fatores.

Em junho do ano passado, o governo de Michel Temer anunciou reajuste de 12,5% no Bolsa Família. A administração estuda novo repasse aos benefícios a partir dos pagamentos de julho, dessa vez com base na inflação dos últimos 12 meses encerrados no período, o que deve resultar em um aumento entre 4% e 5%.

Ônibus desce ladeira de ré e fica pendurado em ribanceira na Bahia

Situação ocorreu no km-601 da BR-242, em Muquém de São Francisco. Apesar do susto, ninguém ficou ferido; suspeita é de falha mecânica.

Do G1 BA

ÔnIbus ficou pendurado em ribanceira na BR-242 (Foto: Divulgação / PRF)

Um ônibus com cerca de 35 passageiros ficou pendurado em uma ribanceira no final da noite de domingo (12), por volta das 23h, no km-601 da BR-242, no município de Muquém de São Francisco, região oeste da Bahia. Apesar do susto, ninguém ficou ferido.

De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o ônibus, que seguia de Santa Maria da Vitória para Ibotirama, subia uma região conhecida como Serra do Cipó, quando o motorista identificou uma falha mecânica e parou o veículo. Em seguida, ele teria colocado um calço em um dos pneus, mas o objeto não sustentou o veículo, que desceu a ladeira e ficou pendurado em uma ribanceira.

A PRF detalha que os passageiros conseguiram descer do ônibus e ninguém ficou ferido. A suspeita é de que o coletivo tenha sofrido uma pane elétrica. Até a manhã desta segunda-feira (13), o veículo permanecia no local do incidente à espera de reboque.

ÔnIbus ficou pendurado em ribanceira na BR-242 (Foto: Divulgação / PRF)

Mães de filhos com microcefalia reclamam de falta de apoio em Pernambuco

As famílias estiveram em uma audiência pública feita pelo Ministério Público Federal (MPF) em Pernambuco

Sem acesso a medicamentos, exames especializados e tecnologias necessárias para o desenvolvimento de seus filhos, famílias cujos bebês nasceram com a Síndrome Congênita do Zika em Pernambuco observam as crianças desenvolverem novas complicações de saúde à medida que vão crescendo. A resposta do poder público, segundo as mães, não chegam na mesma velocidade.

As famílias estiveram em uma audiência pública feita nesta sexta-feira (10) pelo Ministério Público Federal (MPF) em Pernambuco para discutir políticas públicas relacionadas à epidemia do Zika Vírus e a Síndrome Congênita do Zika. O evento é um desdobramento de um procedimento administrativo instaurado pelo MPF para apurar o aumento dos casos de microcefalia no país, especialmente em Pernambuco. Em entrevistas à Agência Brasil, elas relatam novos sintomas e reclamam da falta de apoio do Estado.

Um problema de saúde observado com mais frequência é a dificuldade dos bebês de engolirem alimentos – a capacidade de deglutição - . Várias relatam que, embora tenham amamentado normalmente ou com alguma dificuldade, seus filhos regrediram e não conseguem mais levar o leite até o estômago. Para nutrir as crianças é preciso instalar uma sonda por meio do nariz ou, em alguns casos, fazer uma gastrostomia para que elas recebam nutrientes com a ajuda de um sistema instalado na barriga.

Luhandra Vitória Batista da Silva, de um ano e três meses, foi diagnosticada com Disfagia grave e precisou da gastrostomia. A operação foi feita pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas os custos relacionados são altos, e a mãe Jusikelly Severino da Silva, 33 anos, afirma que não consegue os insumos necessários na rede pública. Na mochila do bebê ela carregava uma pasta com exames e documentos que atestavam a busca, por meses, dos recipientes e o leite especial para alimentação da menina.

Entre os papéis está uma declaração, de 9 de fevereiro, de que a farmácia do Centro de Saúde Bidu Krause solicitou, no dia 17 de novembro do ano passado, o fornecimento do leite tipo “Fortinni”, mas não houve retorno. O documento também atesta a falta de frasco e equipo para a alimentação, via sonda localizada na barriga. A assinatura é da gerente adminstrativa Maria Marilúcia do Nascimento.

Procedimentos cirúrgicos

Jusikelly faz os cálculos dos gastos com estes elementos a pedido da reportagem. “Uma lata de leite é R$ 48,50, mas são 19 que ela toma por mês. O equipo é R$ 1,90, e ela usa 30 por mês. E o frasco de alimentação é R$ 1, e são 210 no período”, enumera. A moradora do bairro de Teijipió, divisa entre Jaboatão dos Guararapes e Recife, também informa que um equipamento chamado botton, necessário em um futuro próximo para que Luahndra continue a se alimentar, custa R$ 2 mil e não é fornecido pelo SUS.

Outras mães sequer conseguem saber se as filhas precisam fazer a operação. Gleyse Kelly Cavalcante, 28 anos, é vice-presidente da União de Mães de Anjos (Uma), uma organização criada pelas próprias mulheres a partir da troca de informações em redes sociais. Hoje são mais de 400 famílias atendidas, segundo a jovem, com assistência jurídica e na busca por doações de fraldas e leite como o prescrito para a filha de Jusikelly.

Sua filha Maria Giovanna Santos, um ano e três meses, aguarda desde junho de 2016 que uma vídeo-endoscopia da deglutição (VED) seja marcada, sem sucesso. A demora nos exames especializados, segundo Gleyse, é comum. “Em novembro de 2015 ela fez uma tomografia. O resultado só saiu em março de 2016, quando já era para fazer outra, porque esses bebês precisam ser acompanhados para saber como o cérebro vem se desenvolvendo”, explica.

Medicamentos em falta

Outro problema comum entre as mães é a falta de medicamentos em farmácias públicas. A mãe de Luhandra contabiliza os remédios e seus custos na rede privada. “O Keppra, para convulsão, é R$ 90; o Losec, de refluxo, R$ 159; o Sabril, de convulsão, R$ 295, e o Domperidona é R$ 20. Eu compro todos eles”, diz. Para isso, Jusikelly conta com o Benefício de Prestação Continuada (BPC), um programa federal que fornece um salário-mínimo concedido à filha, além de R$ 159 do Bolsa Família. Ela e o marido estão desempregados e pagam aluguel.

O Kreppa é um medicamento que, segundo Gleyse, está entre as necessidades principais destas famílias. Muitos bebês apresentaram convulsões difíceis de serem tratadas com medicação regular destinada a pacientes nos primeiros anos de vida. O problema é que, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a substância só é fornecida para pessoas acima de 16 anos, o que impede o fornecimento gratuito para estas crianças afetadas pela Síndrome Congênita do Zika.

De acordo com a secretária-executiva de Atenção à Saúde da Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco, Cristina Mota, “os medicamentos, principalmente no caso do Keppra, a dificuldade maior é que ele não era incorporado pelo Conitec [Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS]. Foi feita a consulta ao Conitec e num primeiro momento houve uma negativa da incorporação, no ano passado. No último trimestre a gente reiterou a consulta, baseado nos pareces dos neuropediatras locais, que já tinham experiência clínica inclusive com o uso”, afirma. Diante da falta de resposta, segundo Cristina, o Estado decidiu adquirir o medicamento por conta própria, e espera que ao final do primeiro trimeste ele já esteva disponível.

Nota do Ministério da Saúde

Em nota, o Ministério da Saúde confirmou que recebeu a demanda da Secretaria de Saúde do Estado de Pernambuco sobre o medicamento Keppra, e que o pedido foi encaminhado para avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). “Cabe informar que o órgão entrou em contato com a Secretaria de Saúde do Estado de Pernambuco para esclarecer alguns questionamentos e, até o momento, aguarda retorno”, diz o texto.

Em relação aos exames especializados, a gestora da Secretaria de Saúde de Pernambuco afirmou que as complicações derivadas do Zika Vírus eram desconhecidas pela comunidade científica, o que dificultaria a organização da rede de atendimento de forma prévia. “Esta necessidade gastroenterológica não é só do exame que há necessidade, mas do acompanhamento multiprofissional. Este exame é bastante especializado, a gente não dispõe na rede assistencial sob gestão direta do estado, e esta demanda surgiu com o desenvolvimento das crianças”. O governo estadual deverá contratar dois serviços de gastroenterologia pediátrica na rede conveniada ao SUS, uma na capital e outra no interior, segundo Cristina.

O botton também deve ser incluído no procedimento contratado, embora o SUS não inclua o equipamento na tabela nacional de custeio, de acordo com a secretária-executiva. “O SUS cobre o procedimento, mas o botton não está previsto”, diz. Ela defende que o Ministério da Saúde busque incorporar novas tecnologias à medida que as necessidades destes bebês apareçam. “São demandas novas que vem surgindo, precisa correr para conseguir atender e evitar sequelas. A gente vai ter que se adpatar, e precisa ser nacional. Problemas como este devem ter nos demais estados da Federação. E o usuário do SUS é um só”.

A respeito do botton para gastrostomia, o Ministério da Saúde não respondeu à informação do Estado de Pernambuco. A Agência Brasil atualizará a reportagem quando receber o posicionamento. O órgão repassou dados, na nota, sobre a rede de reabilitação para assistência às pessoas com deficiência. São 1.541 serviços, sendo 183 Centros Especializados em Reabilitação (CER), que trabalham com a estimulação precoce e a reabilitação dos bebês. A rede recebe anualmente R$ 1,5 bilhão do Ministério da Saúde, “sendo R$ 688,5 milhões como incentivo para o funcionamento dos CER”.

Sobre rodas, ambulante vende dudu e ganha mais de R$ 5 mil

Além do vendedor que inovou ao trabalhar de patins, outras famílias fazem do dudu uma importante fonte de renda

por Roberta Patu 

Um olhar diferente e inovador está mudando a vida de um ambulante na capital pernambucana. A velha prática de vender dudu -espécie de picolé - ganhou um novo formato e está dando mais esperança para o vendedor, que refresca centenas de pessoas que trafegam de carro ou a pé, na Avenida Antônio Falcão, bairro de Boa Viagem, Zona Sul do Recife.

Com sorriso no rosto, muita simpatia e disposição, o ambulante Técio Lagos não conseguia parar um minuto no semáforo, no qual comercializa o produto, há apenas seis meses. A sua rotina é tão intensa devido à demanda dos clientes, que passam a pé ou nos carros, que foi difícil entrevistar o vendedor. Ele mudou sua vida após ser demitido de um supermercado de bairro.

Sobre os patins e com uma caixa de som a tiracolo, Técio vende o seu ‘peixe’, ou melhor, o seu dudu, que é produzido pela tia, por apenas R$ 1 e vários sabores, em um isopor que precisa ser abastecido com frequência. De acordo com o ambulante, a ideia de comercializar dudu no sinal surgiu a partir do objetivo de aliar o útil ao agradável.

“Com a ideia na cabeça, a princípio, vim para o sinal vender picolé, mas não deu certo! Foi aí que apostei no dudu e estou indo muito bem. Por dia, vendo no mínimo 250 e já penso em aumentar a produção e ter funcionário”, diz o ambulante, que releva já ter adquirido dois freezers para deixar próximo ao local de venda e atender com agilidade os seus clientes, das 9h às 15, diariamente. Sua renda mensal já chegou a passar de R$ 5 mil.   

Para o comerciante, o mais difícil de sua rotina é a recepção de algumas pessoas. “As pessoas nos olham com desprezo como se as pessoas que trabalham na rua, como ambulantes, fossem pobres coitados. E não é isso! Temos uma atuação comum, como qualquer pessoa e se brincar ganhamos tão bem quanto os trabalhadores que estão em empresas”, relata o trabalhador que já recebeu vários convites para trabalhar em companhias. “Não quero mais trabalhar para ninguém! Quero ser meu próprio chefe. É difícil, mas o resultado é recompensador”, conclui Técio Lagos.

Cliente, Daniel Barbosa aprova produto vendido em casa

Brenda Alcântara/LeiaJáImagens


A comercialização de ‘dudu’, ‘dida’ ou ‘sacolé’ no Recife não é atual, mas ainda gera muita renda para algumas famílias que vendem o produto nos bairros ou pelas ruas da cidade, em carrinhos. Como é o caso do senhor Moisés Francisco dos Anjos, de 65 anos, conhecido carinhosamente como ‘Seu Moca’. O ambulante comercializa Dudu, no bairro de Boa Viagem, desde 1997, e decidiu ir para as ruas após ser demitido da segunda sorveteria que atuou.

De acordo com o ambulante, que já trabalhou na fábrica Kibom e numa sorveteria durante quase vinte anos, o mais divertido do trabalho é a rua. “Gosto muito de trabalhar com o público e ficar na rua é o mais divertido porque o tempo passa muito rápido”, conta o vendedor, que mora no Ibura, e traz todos os dias os produtos para comercializar de ônibus.

Ainda conforme Seu Moca, por dia, ele consegue vender bem. “A comercialização depende muito dos dias. Em média, a saída é de 30 a 50 dudus. Mas, para isso, as vezes fico pelas ruas de Boa Viagem e vou para a praia também”, relata Moisés, que oferece o produto por R$ 2 e conta com a ajuda da esposa e da nora para produzir.

Para ajudar na renda da família sem sair de casa, a dona de casa que mora em Campo Grande, Josefa Maria do Nascimento, de 62 anos, relata que começou a fazer os sacolés há quatro anos e que a atividade ajuda nos gastos. “Depois que me aposentei, comecei a produzir e vender, em casa mesmo, e com isso consigo apurar, por semana, aproximadamente, de R$ 250 a R$ 300”, diz a senhora, que garante também que o sucesso da saída dos produtos é a forma de fazer.

Quem também apostou na venda de sacolé foi o casal de idosos que mora em Olinda, Fernando Palácio e Sebastiana, conhecida carinhosamente como ‘Tiana’. Com uma simpatia contagiante, Fernando, que é bancário aposentado, diz que cuida da contabilidade das vendas, mas quem produz é sua esposa. “Começamos a investir no dudu para ajudar na renda, agora, é uma das principais fontes de renda”, fala o aposentado que comercializa o produto a R$ 2.

Segundo Tiana, o sucesso do Dudu é a como ele é preparado. “Fazemos todos eles com leite. Esse é o diferencial. Além disso, preparamos todos eles a partir da própria fruta, o que dá mais sabor e, consequentemente, vendemos mais”, diz a dona de casa. Por dia, o casal consegue vender, aproximadamente, 80 dudus, chegando a apurar por mês mais de R$ 3 mil. 

TCE de Pernambuco suspende licitação de 145 milhões do DER

A Primeira Câmara do TCE deferiu na última quinta-feira (09) Medida Cautelar expedida monocraticamente pelo conselheiro substituto Marcos Flávio, determinando ao Departamento de Estradas de Rodagem de Pernambuco (DER) a suspensão de todos os atos administrativos relativos ao Pregão Presencial  001/2017.

O TCE acolheu denúncia da empresa SERTTEL LTDA em face do citado processo licitatório, cujo objeto é o registro de preços para contratação de empresa especializada para locação de equipamentos e serviços de apoio de engenharia de tráfego para soluções integradas da gestão da mobilidade, a exemplo de semáforos e de sistema de fiscalização de velocidade (fixo e móvel).

O valor estimado da contratação é de R$ 145.222.484,80, de acordo com o Diário Oficial do Estado de 28 de janeiro de 2017. A abertura dos envelopes estava marcada para a última sexta-feira, dia 9, às 10h. A empresa denunciante alegou uma série de irregularidades no processo licitatório, entre elas ilegalidade na adoção do sistema de registro de preço e incompatibilidade com o objeto licitado.

Ao tomar conhecimento da Cautelar, o diretor-presidente do DER, Carlos Augusto Barros Estima, determinou a suspensão da licitação por tempo indeterminado. O TCE concedeu cinco dias de prazo ao órgão para apresentação de defesa.   

Gerência de Jornalismo (GEJO).