segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Governo quer concluir transferência do Coaf para o Banco Central nesta semana




O ministro Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, e o presidente do Coaf, Roberto Leonel Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Por Gustavo Paul, Jailton de Carvalho e Natália Portinari do O Globo

BRASÍLIA - O governo quer encerrar nesta semana a transferência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) para o Banco Central (BC) , o que resultará na saída imediata do atual presidente do órgão,Roberto Leonel . Ele foi indicado pelo ministro da Justiça, Sergio Moro , e, nas últimas semanas, tornou-se alvo da insatisfação do presidente Jair Bolsonaro.

A medida provisória (MP) que promove essa mudança foi assinada na última sexta-feira pelo ministro da Economia, Paulo Guedes , e enviada à Secretaria-Geral da Presidência. O texto está sob análise técnica e a expectativa dentro do ministério da Economia é que ela seja publicada a partir de amanhã.

O Coaf atua na prevenção e combate à lavagem de dinheiro. O órgão identifica suspeitas de atividades ilícitas e comunica às autoridades competentes. Padrinho de Leonel, Moro conseguiu, no início do governo, colocar o Coaf, antes vinculado ao antigo Ministério da Fazenda, sob sua alçada, com o objetivo de fortalecer o combate à corrupção. No final do primeiro semestre, porém, o Congresso aprovou o retorno do órgão para o Ministério da Economia.

Com a edição da MP, caberá ao presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto , definir o novo presidente e os membros da diretoria do Coaf, que passará a ser chamado de Unidade de Inteligência Estratégica . O regimento interno do Banco Central impede a presença de funcionários de outros órgãos públicos em suas atividades, salvo na diretoria colegiada. Ao estar formalmente vinculado ao BC, toda a direção do “novo Coaf” terá de ser escolhida entre os quadros da autoridade monetária.

O nome mais cotado para assumir a presidência da Unidade de Inteligência Estratégica é o do economista e servidor do BC, Ricardo Liáo, atual diretor de Supervisão do Coaf. Com larga experiência na área de combate à lavagem de dinheiro, Liáo foi representante do BC no conselho entre 1998 e 2013 e depois também ocupou a secretaria-executiva do órgão. Por ser o único servidor de carreira do BC na direção do Coaf — os demais, inclusive Roberto Leonel, são da Receita Federal — a escolha de Liáo representaria, segundo fontes do Ministério da Economia, uma solução natural e indicaria continuidade nos trabalhos do órgão de controle.

‘Solução institucional’

Dessa forma, Paulo Guedes concluirá o que chamou de “solução institucional” para o órgão. Formalmente, Leonel sairá da presidência do Coaf por uma contingência técnica, e não por pressão política. Funcionário de carreira da Receita Federal, ele retorna ao órgão de origem.

Guedes estava sendo pressionado a demitir Leonel desde o início do mês, devido a críticas públicas feitas por ele à liminar concedida pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), suspendendo o uso, em investigações, de dados fornecidos por órgãos de controle, como o Coaf e a Receita Federal, sem autorização judicial prévia.

Em dezembro passado, um relatório do Coaf apontou movimentação financeira atípica de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). O Ministério Público do estado investiga suposto desvio de dinheiro público por Flávio em seu antigo gabinete na Alerj por meio da prática de “rachadinha” — apropriação de parte do salário de assessores.

O governo alega que o objetivo da transferência do Coaf para o BC é evitar pressões políticas em torno de suas decisões. Críticos afirmam, no entanto, que a mudança é uma maneira de limitar a atuação do órgão, restringindo-a a questões técnicas.

— O Banco Central é um órgão técnico, que não tem vocação para essa vigilância necessária em relação a desvios e irregularidades de atos de corrupção e lavagem de dinheiro. O lugar adequado para o Coaf é o Ministério da Justiça — afirmou o senador Álvaro Dias (PODE-PR).

Baixando a fervura

Acumulando uma série de desgastes nos últimos meses, Moro terá na manhã de hoje uma reunião no Palácio da Alvorada com Bolsonaro. O objetivo é tentar baixar a fervura da crise desencadeada pelo presidente ao tentar impor um nome para comandar a Superintendência da Polícia Federal (PF) no Rio de Janeiro. Na última sexta-feira, conforme revelou o GLOBO, o diretor da PF, Maurício Valeixo, ameaçou deixar o cargo, se Bolsonaro insistisse na indicação do delegado Alexandre Silva Saraiva para chefiar a PF no Rio. O presidente acabou voltando atrás. Na conversa de hoje, a expectativa é que Bolsonaro reafirme o recuo.

A insatisfação entre delegados foi tão forte que outros diretores e superintendentes da PF também avisaram que deixariam os cargos se o presidente não retirasse a indicação de Saraiva. Para a cúpula da polícia, não existe espaço para interferências políticas em questões internas da instituição. Pelo entendimento destes dirigentes, Bolsonaro pode escolher o diretor-geral. Mas não pode indicar nomes para outros cargos de chefia dentro da instituição. Isso poderia ser interpretado como interesse direto no resultado de determinadas investigações criminais.

O episódio deixou Moro em situação delicada. Se aceitasse a interferência do presidente, corria o risco de se enfraquecer diante da própria Polícia Federal.

Gilson Machado deve ser candidato de Bolsonaro ao governo de Pernambuco. Antes, quer ganhar no Recife

Foto; Valter Campanato/Agência Brasil


Já foi batido o martelo com o presidente Bolsonaro. O empresário Gilson Machado e “a verdadeira direita de Pernambuco” terão candidatos a prefeito e vereadores em Recife e em várias cidades de Pernambuco, nas eleições do próximo ano.

Neste projeto político, já haveria dois nomes escolhidos em Recife que estão sendo avaliados pelo grupo político de Gilson Machado. Os nomes dos escolhidos são mantidos em sigilo.

“Pelo nível de amizade e confiança que Bolsonaro tem em Gilson Machado o candidato dele (Gilson Machado) também será o do presidente Bolsonaro”, comentam os aliados.

“Além do Recife, Machado vai apoiar em mais 60 cidades. Pra ganhar. Vai fazer chapa forte de federal e estadual. Quer acabar com a oligarquia e coronelismo em Pernambuco. Colocar patriotas honestos, inovadores e com excelentes serviços prestados ao Brasil, Pernambuco e seus municípios”

No caso, o grupo está neste momento realizando uma pesquisa, com uma nova metodologia que usaria inteligência artificial cognitiva que faz previsões com base nos dados.

O projeto do grupo político é fazer oito federais e 15 estaduais no mínimo.

Em uma aparente provocação aos governadores de oposição no Nordeste, fala-se na criação de uma “Frente de Libertação do Nordeste”, em uma “articulação com outros estados com pessoas que pensam igual e tem admiração de Bolsonaro e equipe”.

Augusto Coutinho coloca stents coronários

Magno Martins


O deputado federal pernambucano Augusto Coutinho, líder do Solidariedade na Câmara Federal, passou por um procedimento para colocação de dois stents coronários e está internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, segundo a assessoria do político. A colocação dos stents aconteceu ontem.


Augusto Coutinho passava por exames de rotina, quando foi constatado o problema coronário, apontou a nota divulgada pela assessoria hoje. O deputado integra as comissões de Parcerias Público-Privadas, Relações Exteriores e de Defesa Nacional, entre outras, na Câmara.


Em postagem nas redes sociais, Augusto Coutinho afirmou que deve ficar afastado das atividades como deputado ao longo desta semana, seguindo orientação médica.


Carta do PCC sobre PT é falsa, diz Estadão

Foto: reprodução Estadão

Uma carta apócrifa atribuída a Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder do Primeiro Comando da Capital (PCC) foi publicada nas redes sociais para atacar o Partido dos Trabalhadores (PT). A mensagem é uma “nota de repúdio” à divulgação de áudio interceptado em que um membro da facção dizia ter um “diálogo cabuloso” com o partido.

Estadão Verifica consultou a veracidade da mensagem com o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, que investiga o PCC desde 2005 e é considerado um dos principais especialistas no combate ao grupo criminoso. Gakiya foi o responsável pelo pedido de remoção de Marcola para um presídio federal, no fim do ano passado.

A reportagem também entrevistou a socióloga Camila Nunes Dias, professora da Universidade Federal do ABC e autora do livro “A Guerra: a ascensão do PCC e o mundo do crime no Brasil”.

Segundo Gakiya, a carta “tem todo indicativo de ser falsa”. “Não tem nenhum setor específico que faria esse tipo de coisa no PCC, temos várias investigações em andamento e a gente não apurou nada que pudesse concluir que eles mandassem fazer essa resposta”, afirmou.

O promotor explica que esse tipo de mensagem, se fosse real, possivelmente apareceria em comunicação entre presos, o que não foi detectado pelos investigadores. “É muito pouco provável que isso possa circular na mídia e em redes sociais e não nos meios dos criminosos.”

A carta apócrifa cita ainda o “Estatuto do PCC”, o “conjunto de regras” da organização criminosa. O texto afirma que a facção “rouba dos ricos”, mas não busca ferir “o trabalhador que pega ônibus e trens lotados”. No ano passado, o PCC foi o responsável por ordenar a queima de ônibus em Minas Gerais e no Rio Grande do Norte.

Gakiya explica que o uso do “Estatuto” se dá pelo fato de ele ser “praticamente de conhecimento público”, visto que foi divulgado por veículos de comunicação e denúncias do Ministério Público. “Não se trata de um estatuto de uma organização regular ou pública, é uma organização criminosa.”

Em 14 anos de investigação contra o PCC, Gakiya afirma que já se deparou com diversos “salves”, os comunicados internos da facção. “O PCC é uma organização criminosa que age na clandestinidade, e não costuma anunciar previamente o que vai fazer ou vir à opinião pública para esclarecer uma situação”, afirmou.

Linguagem e assinatura. De acordo com a socióloga Camila Nunes Dias, que pesquisa sobre violência e facções criminosas, a “nota de repúdio” tem indícios de ter sido feita por uma pessoa que “não sabe absolutamente nada” a respeito do PCC.

“Primeiro, não é uma linguagem que é utilizada pelos integrantes da facção”, afirmou. “Não dá pra ver nenhuma gíria e nada do que é utilizado ali tem qualquer embasamento em documentos que circulam [sobre o PCC] ou na maneira que eles [integrantes do PCC]se expressam. Segundo, é assinado supostamente com o nome do Marcola. Eles não se comunicam com as assinaturas pessoais e de pessoas específicas, e sim com assinaturas e documentos que remetem ao setor do PCC que emitiu aquele comunicado.”

Outro trecho claramente falso no documento, segundo a socióloga, é a citação ao Cartel de Cali e aos princípios do PCC de “roubar dos ricos”. “Não tem nada a ver. O PCC não tem qualquer relação com carteis colombianos no sentido de adotar a mesma cartilha, não existe isso.”

Assim como Gakiya, Dias afirma que é incomum o PCC fazer comunicados públicos. A exceção mais recente ocorreu em 2006, quando a facção sequestrou um repórter da TV Globo e exigiu, em contrapartida, a veiculação de uma mensagem do grupo na emissora. O caso, no entanto, é visto como um ponto fora da curva na atuação da organização.

Diálogo ‘cabuloso’. Na opinião do promotor Lincoln Gakiya é “pouco provável” a existência de um vínculo entre o PT e o PCC. Na última sexta, 9, áudios interceptados pela Polícia Federal na Operação Cravada e obtidos pelo ‘Estado’ registraram um integrante da facção afirmando ter “um diálogo cabuloso” com o partido.

“O que eu poderia dizer é que não tem nem lógica: o governo do Estado de São Paulo é do PSDB”, afirmou o promotor. “No governo federal, os últimos dois anos era o governo Temer. Em que ajudaria o contato do PCC com o PT? Aqui em São Paulo nunca pegamos isso.”

Do Estadão

Fake: vídeo de caça às baleias que Bolsonaro postou não é da Noruega




Presidente postou vídeo em rede social para questionar a legitimidade da Noruega em questões ambientais. Mas as imagens do vídeo não foram gravadas no país


Por Da Redação Isto é


São Paulo – No domingo (18), o presidenteJair Bolsonaro postou nas redes sociais um vídeo que mostra um massacre de baleias por caçadores de uma ilha da Dinamarca. Mas o presidente atribui a cena à Noruega, numa tentativa de criticar o país que suspendeu doações ao Fundo Amazônia, na semana passada, após alta recente no desmatamento da floresta.


Imagens semelhantes às do vídeo compartilhado pelo presidente circulavam nas redes sociais na semana passada, com descrições atribuindo o conteúdo à Noruega. Na sexta (16), porém, o serviço de checagem de fatos da Agência Lupa desmentiu essa relação. As cenas que mostram caçadores encurralando baleias e atacando-as com arpões são originárias de uma prática tradicional das Ilhas Faroé, um arquipélago dependente da Dinamarca. 

Bolsonaro usa o vídeo para questionar a legitimidade da Noruega em questões ambientais, dizendo que o país patrocina a matança de baleias. “Em torno de 40% do Fundo Amazônico vai para as… ONGs, refúgio de muitos ambientalistas. Veja a matança das baleias patrocinada pela Noruega”, diz no post publicado no Twitter.

Fundo Amazônia

Na semana passada, a Noruega anunciou a suspensão de 300 milhões de coroas norueguesas (cerca de 130 milhões reais) em doações que seriam feitas até o final de 2019 para o Fundo Amazônia, mais importante programa de preservação da floresta.  O ministro do Clima e Meio Ambiente da Noruega, Ola Elvestuen, atribui a decisão à quebra de contrato do governo brasileiro. Desde a criação do Fundo Amazônia, há onze anos, os repasses das nações doadoras são atrelados aos bons resultados do Brasil na contenção do desmatamento na floresta. 


O país é de longe o principal doador do Fundo Amazônia, respondendo por 94% das doações, seguido da Alemanha (5%) e da Petrobras (1%). Desde 2008, o Fundo já recebeu mais de R$ 3,4 bilhões em doações e tornou-se o principal instrumento nacional para custeio de ações de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento, além de promover a conservação e o uso sustentável do bioma amazônico. 

Seus recursos apoiam atualmente 103 projetos dos governos estaduais e da sociedade civil para proteger a floresta, entre eles o programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa). Voltado à criação e gerenciamento de Unidades de Conservação (UCs), o Arpa possui 46 projetos só no estado do Amazonas.

A decisão norueguesa ocorre poucos dias após a Alemanha decidir suspender o apoio financeiro dado a projetos de conservação florestal e biodiversidade na Amazônia. O governo alemão reterá uma doação de 35 milhões de euros, o equivalente a mais de R$ 151 milhões para o fundo Amazônia. O país já repassou R$ 193 milhões para o programa. 

Sem noção - Bolsonaro divulga vídeo de caça de baleias em ilha dinamarquesa para criticar Noruega



Imagens semelhantes às do vídeo publicado pelo presidente, que circulavam pela internet em redes sociais, foram analisadas pela Agência Lupa na sexta-feira (16)

Por: Folhapress 

Presidente Jair BolsonaroFoto: Carolina Antunes / PR


presidente Jair Bolsonaro (PSL) utilizou, nesse domingo (18), imagens de uma caça tradicional realizada em uma ilha dinamarquesa para criticar a Noruega, que anunciou na semana passada suspensão de repasse de recursos ao Fundo Amazônico.

Imagens semelhantes às do vídeo publicado pelo presidente, que circulavam pela internet em redes sociais, foram analisadas pela Agência Lupa na sexta-feira (16). Segundo o serviço de verificação, é falsa a afirmação de que as imagens foram feitas na Noruega.

O vídeo compartilhado por Bolsonaro em sua rede social, mostra caçadores encurralando baleias em uma praia e, na sequência, matando-as com arpões. O material identifica a sequência de imagens como tendo ocorrido em maio deste ano na Noruega.
Na mesma publicação, Bolsonaro disse que em torno de 40% dos recursos do Fundo Amazônico são direcionados a ONGs, que são, segundo ele, "refúgio de muitos ambientalistas".

"Veja a matança das baleias patrocinada pela Noruega", escreveu.
As imagens analisadas pela Agência Lupa, que foram feitas por agências internacionais, na verdade, são das llhas Faroë, um arquipélago no Atlântico Norte dependente da Dinamarca, que promove um festival anual chamado Grindadráp.

No Youtube, vídeo semelhante ao compartilhado pelo presidente identifica as imagens como tendo sido feitas nas llhas Faroë, mas também se equivoca ao afirmar que elas ficam localizadas na Noruega. A caça comercial de baleias é permitida na Noruega, mas, segundo dados internacionais, têm diminuído ao longo dos anos. Na quinta-feira (15), ao comentar a suspensão do repasse ao Fundo Amazônico, o presidente havia afirmado que a Noruega"mata baleia", "explora petróleo" e não tem nada a oferecer ao Brasil neste momento.

A Noruega seguiu a decisão da Alemanha que, no sábado (10), também informou que suspenderá parte do financiamento de proteção ambiental para o Brasil. No mesmo tom adotado contra a Noruega, Bolsonaro sugeriu que a Alemanha refloreste seu próprio país.

O presidente disse ainda que o interesse dos países europeus não é em ajudar a floresta amazônica, mas em explorar a sua riqueza e exercer soberania sobre ela. Segundo ele, a "imagem péssima" do país no exterior se deve à subserviência a países desenvolvidos.

Motorista de caminhão envolvido em acidente na BR-101 é liberado

Edivaldo Odilon José vai responder ao inquérito em liberdade. Ele dirigia o veículo que perdeu o controle e bateu em três carros nas proximidades da Avenida Caxangá, deixando uma pessoa morta

Por: Redação OP9

Acidente aconteceu por voltas 15h30 na BR-101. Foto: Wagner Oliveira/ Redação OP9

O Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) concedeu liberdade provisória ao motorista do caminhão que se envolveu em um grave um acidente na BR-101 no sábado (17), deixando uma pessoa morta e sete feridos. Edivaldo Odilon José, de 34 anos, foi liberado após passar por uma audiência de custódia realizada na noite do domingo (18). A vítima, identificada como Gabrielle Gadelha da Silva Pontes, 32 anos, foi sepultada ontem à tarde, no cemitério da Várzea.

Edivaldo dirigia o veículo que perdeu o controle, quebrou uma mureta de proteção e bateu em três carros que trafegavam nas proximidades da Avenida Caxangá na tarde do sábado (18). Segundo o juiz Abner Apolinário, ele passou por teste de alcoolemia e o resultado constatou que ele não estava sob efeito de álcool no momento do acidente. O motorista alegou que foi trancado por um carro e tentou frear, mas não conseguiu. Ele vai responder ao inquérito em liberdade. Edivaldo havia sido preso em flagrante e autuado por homicídio culposo (quando não há a intenção de matar) pouco depois do acidente.

Informações coletadas no local pela PRF são conta de que o caminhão vinha de Paulista com destino ao Cabo de Santo Agostinho, onde seria abastecido com uma carga de combustível. Além de Gabrielle, que estava no banco de trás do Siena atingido, outros três passageiros estavam no veículo, o mais afetado pela colisão, e precisaram ser socorridos para unidades de saúde. O motorista do carro teve ferimentos leves e foi atendido pelos bombeiros no local, sendo liberado em seguida.

Bolsonaro atira pelas costas nos seus soldados, diz Gustavo Bebianno

Ex-ministro demitido do governo diz que presidente vai ficar isolado e que "fenômeno de 2018" não se repetirá

Por Estadão Conteúdo



Bebianno (Valter Campanato/Agência Brasil)

Brasília — A caminho do Palácio dos Bandeirantes, onde se encontraria com o governador João Doria, pouco antes da filiação do deputado Alexandre Frota ao PSDB, Gustavo Bebianno adianta seus planos para o futuro: quer participar da eleição de 2020, talvez como candidato a prefeito do Rio, filiado ao próprio PSDB ou ao DEM.

“Recebi alguns convites e, na hora certa, vai ser decidido”, disse ele ao jornal O Estado de S. Paulo na última sexta-feira.

Demitido da Secretaria-Geral da Presidência, Bebianno afirmou que sua saída do governo e a expulsão de Frota do PSL mostram um “viés autoritário” do presidente Jair Bolsonaro, cujo destino seria terminar o governo isolado.

“Ele próprio atira nos seus soldados. E pelas costas.”

Como o sr. avalia a expulsão de Alexandre Frota pelo PSL?

O partido tem de ser composto por vozes que destoam entre si. Ele tem de ter um núcleo, um alinhamento, mas é muito saudável que haja divergências internas.

Então, este tipo de atitude revela um viés muito autoritário que infelizmente vem sendo demonstrado pelo presidente desde a sua eleição.

É muito preocupante o presidente determinar ao seu partido uma ordem sumária para que um de seus membros seja expulso. O presidente revela uma absoluta falta de lealdade com seus próprios soldados.

Algumas pessoas dizem que o Jair tem deixado seus soldados para trás. Acho que é muito pior. Acho que ele próprio atira nos seus soldados. E pelas costas.

O sr. acha que os expurgos param por aí ou continuam?

Não vão parar por aí. Isso começou comigo, no início do governo, e continuou. Tem casos emblemáticos como o do general Santos Cruz (ex-ministro da Secretaria de Governo), muito fiel ao presidente e, mais do que isso, um amigo dele de mais de 40 anos de convivência.

Se ele fez isso com um amigo de 40 anos, se fez isso comigo… Não é só a demissão, mas a forma como se faz. Sempre de maneira desrespeitosa, jocosa, provocativa, tentando denegrir a imagem do outro.

Pode escrever aí, o presidente vai se tornar um homem solitário com o passar do tempo porque os que ficam são os fracos e esses são os primeiros a pular fora na hora da turbulência.

Por que o presidente dá mais crédito por sua eleição ao filho Carlos do que ao partido?

Já ao longo da pré-campanha, o presidente verbalizava para várias pessoas que não teria chegado até aqui se ‘não fosse por esse cara’. E batia no meu ombro.

O Carlos nunca moveu uma palha a não ser escrever baboseira nas redes sociais. Carlos sempre atrapalhou. Nestas manifestações recentes, eu não posso crer que o presidente esteja sofrendo de amnésia. Ele está embalando um capricho do filho.

A indicação do filho Eduardo para a embaixada em Washington seguiria a mesma lógica?

Se o Eduardo não tivesse o papai como presidente da República, ele teria a mínima chance de ser indicado para alguma embaixada no planeta Terra? Óbvio que não. É um rapaz que tem uma formação acadêmica muito frágil, é inexperiente, muito imaturo e mimado. É um capricho dele perante o pai, e o pai está atendendo.

Bolsonaro foi eleito com uma agenda de combate à corrupção, segurança pública e liberalismo econômico, além das questões morais. No governo, ele está sendo coerente com esta agenda?

No que se refere ao liberalismo econômico, ele de verdade, lá no fundo, não é um liberal. Nunca foi. Foi se convencendo aos poucos, ao longo da pré-campanha.

Houve muitos desgastes entre ele e Paulo Guedes (atual ministro da Economia) durante a pré-campanha. No entanto, ele tem permitido que Guedes vá tocando essa agenda na área econômica. Até porque ele sabe que não pode prescindir da presença do Paulo Guedes. Se o Paulo Guedes sair, acaba o governo.

E as agendas da segurança e combate à corrupção?

Jair não está agindo corretamente com o ministro (Sérgio) Moro (Justiça). Ele revela uma falta de consideração muito grande com o sacrifício que as pessoas fazem pelo bem do Brasil.

Precisamos lembrar que o ministro Moro abandonou sua carreira como magistrado para abraçar um projeto que hoje vem sendo frustrado pouco a pouco por medidas que partem do próprio Palácio.

Essa paralisação das investigações por conta de uma decisão do ministro (Dias) Toffoli (presidente do STF) a pedido do Flávio Bolsonaro.

Qual será o papel de Bolsonaro nas eleições do ano que vem?

Acredito que vai mergulhar de cabeça, porque será muito importante para solidificar bases nos municípios. Sem isso, ele corre risco de não ser reeleito. O fenômeno de 2018 não vai se repetir.

O sr. definiu seu futuro político?

Acho que posso ajudar minha cidade que está um caos. O Rio precisa hoje de menos ideologia e de melhor gestão, mais eficiência.

Como gestor, acho que posso ajudar de alguma maneira não necessariamente como prefeito. Recebi alguns convites e, na hora certa, vai ser decidido.

O PSDB é uma opção?

O PSDB é uma opção, o DEM é outra opção, estamos conversando.