O Ministério da Saúde divulgou neste domingo (29/03) o mais recente balanço dos casos da Covid-19, doença causada pelo coronavírus.
Confira os principais números são:
136 mortes
4.256 casos confirmados
3,2% é a taxa de letalidade
O estado de SP concentra 1.451 casos e o RJ, 600.
O balanço acrescentou 22 mortes ao total. No balanço do dia anterior, o Brasil tinha 114 mortes. Isso representa um aumento de 19% no número de mortes.
O domingo teve o mesmo acréscimo em número de mortes do sábado, em que também houve registro de 22 vítimas a mais em relação à sexta-feira.
Este domingo e o sábado são os dois dias com mais registros de mortes no Brasil pelo novo coronavírus até agora.
O número de casos confirmados aumentou em 352 no balanço deste domingo. Até o dia anterior, eram 3.094 confirmados. O aumento do número de casos foi de 9%.
O aumento de casos foi menor do que o de sábado, quando foram 487 novas confirmações.
A taxa de letalidade subiu de 2,8% até o sábado para 3,2% neste domingo.
O números consideram as pessoas cujos resultados dos testes já foram apresentaram e testaram positivo. O número não considera casos suspeitos
Número de casos saltou de 78,8 mil no domingo para mais de 85,1 mil e país ultrapassou a China no total de confirmações.
Por G1
Rua em Pamplona, norte da Espanha, vazia em razão da quarentena — Foto: Alvaro Barrientos/AP Photo
A Espanha teve 812 mortes por Covid-19 nas últimas 24 horas, divulgou o Ministério da Saúde do país nesta segunda (30). O número é levemente menor que os dos últimos dois dias: no sábado (28), o país havia registrado 832 mortes, e no domingo (29), o número mais alto até então com 838 mortes
Nesta segunda, o número de infecções pelo novo coronavírus chegou a 85.195 na Espanha, 6.398 a mais do que as registradas até domingo, quando havia 78.797 casos. A quantidade de registros da doença na Espanha é a terceira maior do mundo e com isso o país ultrapassa as confirmações da China, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e da Itália.
Ao todo, 7.340 pessoas morreram por Covid-19 no território espanhol. O número é o segundo maior no mundo, menor apenas que o da Itália - que teve 10.779 mortes, segundo o Ministério da Saúde italiano.
Países com mais mortes por Covid-19
País
Mortes
Itália
10.779
Espanha
7.340
China
3.311
Irã
2.640
França
2.606
Estados Unidos
2.516
Reino Unido
1.228
Países Baixos
771
Alemanha
541
Bélgica
431
Freiras cantam em uma igreja quase vazia em Barcelona, na Espanha, no domingo (29) — Foto: Pau Barrena / AFP
COVID-19 - NO CABO, VEREADOR NEEMIAS TESTA POSITIVO PARA CORONAVÍRUS
O vereador do Cabo de Santo Agostinho Neemias Novanet publicou nas suas redes sociais que após realizar exame, teve o resultado positivo para o novo coronavírus (COVID-19). O vereador fez o exame na última segunda-feira (23) e recebeu o resultado do exame às 22h30 desse sábado (28). Ele está em tratamento na sua casa.
No Cabo há informações da existência de outros caso, que não foram confirmados pela secretaria de saúde do município.
Capitão Corona é o mais novo apelido do atrapalhado presidente brasileiro que, de acordo com o jornalista do jornal O Globo, Bernardo Mello Franco, em matéria publicada neste domingo (29), “Impeachment pode ser pouco” e ele pode ter que responder por seus crimes no Tribunal Internacional de Haia.
Jair Bolsonaro solta perdigotos em entrevista na porta do Alvorada | Joedson Alves/EFE (conforme publicado no jornal O GLOBO)
A matéria endossada por Franco traz uma imagem do presidente com a seguinte descrição: “Jair Bolsonaro solta perdigotos em entrevista na porta do Alvorada”. A definição para perdigotos, acessível para pesquisa na internet, é que são “gotículas contaminadas de saliva que são impelidas através da fala e tosse, fonte de propagação de moléstias e bacterias“.
O jornalista fala que Bolsonaro se tornou uma ameaça à saúde pública ao sabotar “o esforço nacional contra a pandemia“, e acrescenta que os atos do presidente “devem ser submetidos aos tribunais”.
O Globo expõe também, através das linhas de Mello Franco, que o Capitão Corona foi detido, pelo STF, em “duas canetadas odiosas: o corte de 158 mil benefícios do Bolsa Família e a MP que mutilou a Lei de Acesso à Informação”. E o jornal destaca que as medidas foram invalidadas porministros que não foram indicados pelo PT: Marco Aurélio Mello e Alexandre de Moraes. Que bom ler isso, não é mesmo, progressista de plantão?
A mídia dos Marinho segue dizendo que Bolsonaro decreta e a justiça ‘desdecreta‘, em matéria que apresenta toda a sua imoralidade. A lei suspendeu sua autorização para igrejas e casas lotéricas funcionarem, bem como mandou tirar do ar a campanha que incentivava o fim da quarentena.
“Bolsonaro extrapola os poderes de chefe de Estado. Age como um líder de seita que tenta conduzir o rebanho ao suicídio coletivo“, diz o jornalista do Globo que emenda sugerindo que um “impeachment pode ser pouco para enquadrar o presidente” e que ele pode ser um potencial candidato a uma “denúncia ao Tribunal Penal Internacional, que julga crimes contra a Humanidade
Em meio à pandemia do novo coronavírus, Bolsonaro foi visitar vários comércios locais ainda abertos na capital federal
Marlla Sabino, O Estado de S.Paulo
BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro deixou o Palácio da Alvorada nesta manhã de domingo, 29, pelo acesso à residência oficial da vice-presidência, o Palácio do Jaburu, evitando assim o contato com a imprensa. Em meio à pandemia do novo coronavírus, Bolsonaro, que tem 65 anos, foi visitar vários comércios locais ainda abertos em Brasília. A saída do presidente acontece um dia depois do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, defender a manutenção das medidas de isolamento para conter o avanço do novo coronavírus.
São poucos os estabelecimentos abertos neste domingo, porque a cidade cumpre decreto do governador, Ibaneis Rocha, que determina o fechamento de lojas e shoppings para evitar a circulação das pessoas e tentar controlar a propagação da covid-19. Apenas os serviços considerados essenciais podem funcionar.
O presidente Jair Bolsonaro visitou comércios e falou com populares na manhã deste domingo, 29, em Brasília. Foto: Marcos Pereira/Estadão
O presidente saiu por volta de 9h30 do Palácio da Alvorada e seguiu para um posto de gasolina. Bolsonaro desceu do carro para cumprimentar e tirar fotos com frentistas que estavam trabalhando. Também conversou com populares. Em seguida, Bolsonaro visitou uma farmácia, padaria e uma mercearia no Sudoeste, bairro residencial que fica cerca de 10 km do Congresso Nacional.
Depois de visitar os comércios, o presidente esteve no Hospital das Forças Armadas (HFA), onde esteve por cerca de 20 minutos, cumprimentou populares e profissionais que lá estavam. Não há informação oficial sobre a razão da visita ao hospital.
Após passagem pelo Hospital das Forças Armadas (HFA), comboio presidencial seguiu para a Ceilândia. Foto: Marcos Pereira/ Estadão
Em seguida, o comboio presidencial seguiu em direção a Ceilândia, uma região administrativa de Brasília, que fica a cerca de 36 quilômetros do Palácio da Alvorada. Ceilândia é a cidade onde moram familiares da primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Presidente conversou com populares e bateu fotos durante passagem pela Ceilândia. Foto: Marcos Pereira/ Estadão
O presidente passeou de carro pela região onde funciona uma feira, que está fechada em razão da determinação do governador. Apesar da feira não estar funcionando, a chegada do presidente parou o local, reunindo várias pessoas que se aproximaram para tirar fotos. Ele parou para conversar com populares e com um vendedor de churrasquinho que reclamou da paralisação do comércio, concordando com o discurso que vem sendo repetido pelo presidente nos últimos dias de que não é possível ficar parado.
O momento foi gravado e compartilhado pelo próprio presidente pelas redes sociais. "A morte está aí, mas seja o que deus quiser. Só não pode ficar é parado, porque se não morrer da doença, vai morrer de fome. Eu prefiro morrer de nenhum jeito, né?", disse o vendedor, antes de ser replicado por Bolsonaro: "Não vai morrer não".
"O que eu tenho conversado com o povo, eles querem trabalhar. É o que eu tenho falado desde o começo. Vamos tomar cuidado, a partir dos 65 fica em casa...", declarou o presidente.
Bolsonaro também comentou sobre a hidroxicloroquina com as pessoas. "Aquele remédio lá, a hidroxicloroquina, está dando certo em tudo quanto é lugar."
Isolamento é recomendação do Ministério da Saúde e da OMS
"A melhor e única maneira de proteger a vida, os meios de subsistência e as economias é parar o vírus. Sem desculpas, sem arrependimentos. Obrigado pelos sacrifícios que seus governos e pessoas já fizeram", afirmou Tedros aos líderes mundiais. "Essas medidas tiram um pouco do calor da epidemia, mas não a extinguirá. É preciso fazer mais", completou.
Ao defender as novas orientações feitas pela sua pasta aos gestores do Sistema Único de Saúde (SUS), Mandetta disse que o fechamento de escolas é necessário, por exemplo, para evitar que crianças assintomáticas contaminem idosos. O documento encaminhado aos Estados e Municípios endurece as medidas de isolamento em abril, maio e junho.
O senador Eduardo Gomes (MDB-TO), líder do governo no Congresso e relator da medida provisória que determina crédito extraordinário para o enfrentamento do novo coronavírus, aprovou proposta de emenda que destina R$ 2 bilhões do fundo eleitoral para o combate à pandemia.
De autoria do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), a emenda sugeria ainda que recursos do fundo partidário também fossem remanejados, mas a proposta foi rejeitada.
Se aprovada em outras etapas do trâmite legislativo, a emenda garante o bloqueio dos R$ 2 bilhões do fundo eleitoral para o combate contra o coronavírus, independentemente da definição sobre o adiamento das eleições municipais neste ano.
"Depois vai ser resolvido como financiar a eleição. O problema maior do Brasil nesse momento é tirar recursos de tudo quanto é lugar para fortalecer a rede de prevenção e dar dinheiro para as pessoas ficarem em casa", afirma Rodrigues.
A medida provisória recebeu 20 propostas emendas, mas apenas a do senador Randolfe Rodrigues foi acatada, parcialmente, pelo relator.
O texto deve passar agora pela comissão mista da Casa e depois seguir para votação na Câmara e no Senado. Ela pode ser aprovada em prazo extraordinário até o final da próxima semana.
"Tínhamos iniciativas nas duas Casas, mas a emenda através da medida provisória, que já tratava de alocar financiamentos, era um mecanismo mais rápido", explica Randolfe Rodrigues.
Interferência do presidente sobre decisões de ministros como Luiz Mandetta para combate a propagação do coronavírus estremece as relações de governo
Por Estadão Conteúdo
Bolsonaro: presidente afirmou que integrantes da equipe não possuem "total liberdade" para atuar (Isac Nóbrega/PR/Flickr)
O presidente Jair Bolsonaro disse nesta sexta-feira que é o “comandante do navio” e que vai continuar interferindo nas decisões tomadas por seus ministros. “Eu tenho o poder de interferir e vou continuar interferindo”, afirmou o presidente durante entrevista ao Programa Brasil Urgente nesta sexta-feira, 27.
“Eu sou presidente para isso. Votaram em mim, não votaram em nenhum ministro. Aqui tem um comandante do navio, não é cada um remando para um lado de acordo com o seu interesse, um quer ir para a África, outro América do Norte. Não, eu que dou o rumo desse navio”, disse.
Bolsonaro disse que muitas vezes a palavra final das decisões de ministros, como é o caso de Luiz Henrique Mandetta (Saúde), acaba sendo do presidente. Um exemplo é a proposta de mudança gradual na estratégia de combate ao novo coronavírus para o isolamento vertical – voltado apenas para idosos e pessoas com doenças crônicas. Com a eventual alteração, chegou a ser considerada a possibilidade de Mandetta deixar o governo por causa da interferência.
“Aqui não é eu isolado e cada ministro faz o que der na cabeça, não. Não é assim que funciona”, disse Bolsonaro ao ser questionado sobre Mandetta.
Bolsonaro afirmou que integrantes da equipe não possuem “total liberdade” para atuar. “Eu tenho meu posicionamento também, eu tenho minha vivência. São 28 anos de parlamento, 15 anos de Exército… É eu chegar para o ministro e falar: ‘isso aqui tem que ser feito nessa direção'”, relatou Bolsonaro.
O presidente ponderou que não impõe sua vontade, que discute com os ministros, mas que “muitas vezes ganha”. “O Mandetta está fazendo o seu trabalho, parabéns. Conversei com ele (Mandetta) e o redirecionamento tem que haver, a questão do isolamento vertical”, disse. Segundo Bolsonaro, outros redirecionamentos ainda ocorrerão.
Bolsonaro citou exemplo do ministro Paulo Guedes, da Economia, e disse que há duas semanas “implodiu” o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) e “mandou todo mundo embora” por discordar de decisões tomadas pela equipe.
O presidente também falou sobre o vice-presidente Hamilton Mourão, que foi na direção contrária de pronunciamento feito pelo presidente no início da semana e afirmou que a posição do governo para combater o coronavírus continuava sendo a da quarentena.
“Se eu falar em solidez… Com todo o respeito ao Mourão, mas ele é mais tosco do que eu. Muito mais tosco. Não é porque é gaúcho, não. Alguns falam que eu sou um cara muito cordial perto do Mourão”, afirmou Bolsonaro no programa de televisão.
O presidente lembrou que Mourão é o único indemissível no governo e que ele “pode ficar à vontade”. “Ele (Mourão) é um companheiro aqui, pau para toda obra”, elogiou
Luiz Henrique Mandetta afirmou que medidas de isolamento contra a COVID-19 abriram vagas de UTI no Brasil
Por Estado de Minas
Em balanço sobre os 30 dias da Covid-19 no Brasil, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, defendeu a necessidade de o país continuar com as medidas de quarentena contra a COVID-19. Contrariando as declarações recentes do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido) Mandetta disse que “não é hora de carreatas”.
O ministro Mandetta afirmou na coletiva de imprensa que as medidas de isolamento adotadas no país têm dado resultado na abertura de vagas nas UTIs, pois reduziram as internações por acidentes. Ele ressaltou a orientação de que “a gente ficar em casa, parado”, até que o poder público “consiga colocar os equipamentos na mão dos profissionais que precisam”.
“Porque se a gente sair andando todo mundo de uma vez vai faltar para o rico, para o pobre, para o dono da empresa, para o dono do botequim, para o dono de todo mundo”, afirmou o ministro. “Nós precisamos ter racionalidade e não nos mover por impulso neste momento. Nós vamos nos mover, como eu disse desde o princípio, vamos nos mover pela ciência e pela parte técnica, com planejamento. Pensando em todos os cenários quando a gente fala de colapso, de sobrecarga, ou de sobreuso no sistema. A gente está falando disso”, disse Mandetta.
O ministro defendeu novamente o isolamento social para evitar o avanço da doença e também para evitar sobrecarregar os hospitais com outros tipos de atendimento. “Quando a gente manda parar diminuem acidentes, traumas e aumentam leitos de UTI quando precisamos”, disse o ministro. “Ou seja, mais um benefício quando manda parar, além de diminuir a transmissão”.
“Esse medicamento, se tomado, pode dar arritmia cardíaca, pode paralisar a função do fígado. Se sairmos com a caixa na mão dizendo ‘pode tomar’, nós podemos ter mais mortes por mal uso do medicamento do que pela própria virose. Não façam isso”, declarou.
A cloroquina é um medicamento barato e usado há várias décadas no tratamento da malária, um parasita transmitido por mosquito. Seu derivado, a hidroxicloroquina, é usado contra doenças inflamatórias das articulações. Em meados de fevereiro, pesquisadores chineses afirmaram ter obtido resultados positivos em ensaios clínicos com cloroquina, entre cem pacientes com coronavírus.
O medicamento tem sido usado no Brasil em pacientes mais graves de Covid-19. Mas, segundo Mandetta os estudos sobre os efeitos da cloroquina ainda estão em fase inicial e que o medicamento não é a cura para todos os males.
“Não é a panaceia. A cloroquina não é o remédio que veio para salvar a humanidade, ainda”, disse o ministro.
Os efeitos colaterais da cloroquina são múltiplos: náusea, vômito, erupções cutâneas, mas também condições oftalmológicas, cardíacas e neurológicas. Uma overdose pode ser perigosa e os médicos desaconselham tomá-la sem receita médica.
"Se eu pegar, aviso"
Durante a entrevista, o ministro da Saúde disse, em tom bem humorado que, se for contaminado com o coronavírus, cumprirá o protocolo de isolamento e tratará de informar a população. “Não tenho nenhum anticorpo, é possível que eu pegue. Se eu testar positivo, aviso”.
O que é o coronavírus?
Coronavírus são uma grande família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus (COVID-19) foi descoberto em dezembro de 2019, na China. A doença pode causar infecções com sintomas inicialmente semelhantes aos resfriados ou gripes leves, mas com risco de se agravarem, podendo resultar em morte.
Como a COVID-19 é transmitida?
A transmissão dos coronavírus costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como gotículas de saliva, espirro, tosse, catarro, contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão, contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.
Como se prevenir?
A recomendação é evitar aglomerações, ficar longe de quem apresenta sintomas de infecção respiratória, lavar as mãos com frequência, tossir com o antebraço em frente à boca e frequentemente fazer o uso de água e sabão para lavar as mãos ou álcool em gel após ter contato com superfícies e pessoas. Em casa, tome cuidados extras contra a COVID-19.
Quais os sintomas do coronavírus?
Confira os principais sintomas das pessoas infectadas pela COVID-19:
Em meio à pandemia do novo coronavírus, Bolsonaro foi visitar vários comércios locais ainda abertos na capital federal
BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro deixou o Palácio da Alvorada nesta manhã de domingo, 29, pelo acesso à residência oficial da vice-presidência, o Palácio do Jaburu, evitando assim o contato com a imprensa. Em meio à pandemia do novo coronavírus, Bolsonaro, que tem 65 anos, foi visitar vários comércios locais ainda abertos em Brasília. A saída do presidente acontece um dia depois do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, defender a manutenção das medidas de isolamento para conter o avanço do novo coronavírus.
São poucos os estabelecimentos abertos neste domingo, porque a cidade cumpre decreto do governador, Ibaneis Rocha, que determina o fechamento de lojas e shoppings para evitar a circulação das pessoas e tentar controlar a propagação da covid-19. Apenas os serviços considerados essenciais podem funcionar.
O presidente saiu por volta de 9h30 do Palácio da Alvorada e seguiu para um posto de gasolina. Bolsonaro desceu do carro para cumprimentar e tirar fotos com frentistas que estavam trabalhando. Também conversou com populares. Em seguida, Bolsonaro visitou uma farmácia, padaria e uma mercearia no Sudoeste, bairro residencial que fica cerca de 10 km do Congresso Nacional.
Depois de visitar os comércios, o presidente esteve no Hospital das Forças Armadas (HFA), onde esteve por cerca de 20 minutos, cumprimentou populares e profissionais que lá estavam. Não há informação oficial sobre a razão da visita ao hospital.
Em seguida, o comboio presidencial seguiu em direção a Ceilândia, uma região administrativa de Brasília, que fica a cerca de 36 quilômetros do Palácio da Alvorada. Ceilândia é a cidade onde moram familiares da primeira-dama Michelle Bolsonaro.
O presidente passeou de carro pela região onde funciona uma feira, que está fechada em razão da determinação do governador. Apesar da feira não estar funcionando, a chegada do presidente parou o local, reunindo várias pessoas que se aproximaram para tirar fotos. Ele parou para conversar com populares e com um vendedor de churrasquinho que reclamou da paralisação do comércio, concordando com o discurso que vem sendo repetido pelo presidente nos últimos dias de que não é possível ficar parado.
O momento foi gravado e compartilhado pelo próprio presidente pelas redes sociais. "A morte está aí, mas seja o que deus quiser. Só não pode ficar é parado, porque se não morrer da doença, vai morrer de fome. Eu prefiro morrer de nenhum jeito, né?", disse o vendedor, antes de ser replicado por Bolsonaro: "Não vai morrer não".
"O que eu tenho conversado com o povo, eles querem trabalhar. É o que eu tenho falado desde o começo. Vamos tomar cuidado, a partir dos 65 fica em casa...", declarou o presidente.
Bolsonaro também comentou sobre a hidroxicloroquina com as pessoas. "Aquele remédio lá, a hidroxicloroquina, está dando certo em tudo quanto é lugar."
Isolamento é recomendação do Ministério da Saúde e da OMS
O distanciamento social e o isolamento são medidas recomendadas atualmente pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Nesta semana, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, reforçou a tese de que o isolamento social é uma ferramenta de combate ao coronavírus. A afirmação foi feita durante a cúpula extraordinária e virtual do G20, grupo dos países mais ricos do mundo.
"A melhor e única maneira de proteger a vida, os meios de subsistência e as economias é parar o vírus. Sem desculpas, sem arrependimentos. Obrigado pelos sacrifícios que seus governos e pessoas já fizeram", afirmou Tedros aos líderes mundiais. "Essas medidas tiram um pouco do calor da epidemia, mas não a extinguirá. É preciso fazer mais", completou.
No sábado, 28, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou que é possível criar um plano mínimo que compatibilize Saúde e Economia sem deixar de lado o distanciamento social. Mandetta falou que não há parâmetro no Brasil para a realização da quarentena porque a última vez que isso ocorreu foi durante a gripe espanhola, em 1917, e que será preciso tomar medidas alinhadas em todo o País.
Ao defender as novas orientações feitas pela sua pasta aos gestores do Sistema Único de Saúde (SUS), Mandetta disse que o fechamento de escolas é necessário, por exemplo, para evitar que crianças assintomáticas contaminem idosos. O documento encaminhado aos Estados e Municípios endurece as medidas de isolamento em abril, maio e junho.