segunda-feira, 6 de abril de 2020

Coronavírus: Gestante morre de Covid-19 e bebê é retirado com vida em PE


Crédito: Reprodução/ Facebook
A fisioterapeuta Viviane Albuquerque morreu com o novo coronavírus na noite do último domingo (5) em Pernambuco. Ela estava grávida de 31 semanas, o bebê foi retirado por meio de uma cesária e está internado na UTI de um hospital particular do Recife, em estado grave. As informações são do portal Folha PE.

No início da semana passada, a gestante foi internada com quadro de tosse e febre. Ela fez o teste para coronavírus e recebeu o resultado positivo do exame na quinta-feira, quando foi levada para UTI.

Devido à gravidade do caso, a equipe médica decidiu fazer a cesárea e retirar o bebê na madrugada do sábado. A criança nasceu com 2 kg e é um menino. Ele chegou a ter uma parada cardíaca, mas segue na UTI. Viviane deixa outras duas filhas, gêmeas, de cinco anos.

De acordo com os últimos dados sobre o novo coronavírus em Pernambuco, o estado já registra 201 casos confirmados da doença e 21 mortes.

Sikera Jr. prega fim de isolamento e casos no Amazonas explodem para 417, com 15 mortes


Com informações do portal D24am

   

 | Reprodução

Na última semana, o militante bolsonarista e apresentador Sikera Jr., defendeu por várias vezes a retomada das atividades normais das pessoas no Amazonas, em especial na capital Manaus, em meio à pandemia de coronavírus. As declarações irresponsáveis renderam a ele um bloqueio por alguma horas no Facebook.

Coincidência ou não, após suas declarações, o número de casos passou a ser assustador: de cerca de 190 na última semana, agora são 417. Para se ter ideia da calamidade, nas últimas 24h, mais de 100 casos foram confirmados, sendo grande parte em Manaus.

Segundo o Ministério da Saúde do último domingo (5), 15 mortes já confirmadas, sendo que a última ocorreu após a atualização dos dados.

O Amazonas lidera o número de casos na região Norte. É o segundo Estado com maior número de casos no Norte-Nordeste e o oitavo com mais casos no País.

CÂMARAS FRIGORÍFICAS GUARDARÃO CORPOS

Nos últimos dias, duas câmaras frigoríficas já foram instaladas no Hospital Delphina Aziz, um dos maiores da capital manauara, para servir de depósito de corpos de pessoas que morrerem em decorrência do vírus.

Os cadáveres devem ser acondicionados em compartimento refrigerado, mas por segurança biológica e limitação de espaço, ficou definido que não ficarão no necrotério comum.

Minha mãe trabalhava na linha de frente, sem proteção, diz filha de técnica de enfermagem



 (Foto: Arquivo Pessoal)
Foto: Arquivo Pessoal
"Minha mãe já foi, não tem como voltar. Não quero que outras Betanias surjam e que suas famílias passem pelo que a gente passou e está passando. Não poder dar a seu ente querido um enterro digno. O corpo dela foi pro caixão dentro de um saco. Foi enterrado sem direito a velório, sem direito a seus amigos e parentes. Não pudemos nos despedir", diz Nathália Walléria, de 30 anos, filha de Betania Ramos, técnica de enfermagem de 55 anos que morreu em decorrência do coronavírus no último sábado (4). A morte outra técnica também está sendo investigada, para que possa ser confirmada ou não infecção por Covid-19.

De acordo com a Secretaria de Saúde do Estado, a técnica tinha um histórico de diabetes, doença renal crônica e pneumonia crônica. O que não é reconhecido por Nathália: "Ela era diabética e hipertensa, mas as outras doenças só foram identificadas após a morte”. A filha também afirma que sua mãe se queixava da falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e da estrutura do Hospital Getúlio Vargas, onde a profissional trabalhava. "Ela contraiu isso lá. Só saía de casa pra lá. Quando as pessoas precisavam de alguém pra tirar plantão recorriam a ela, porque ela não negava”, comenta. "Minha mãe trabalhava na linha de frente, sem proteção alguma, sem equipamento, tentando proteger pessoas que nem o isolamento social querem cumprir. Mesmo com tosse pesada, não pediram para que ela se afastasse, pelo contrário, ela dava até mesmo plantões dobrados".

A tosse, de acordo com a Nathália, durava pelo menos 15 dias. Mas apenas na segunda-feira (30) Betania sentiu um desconforto no peito e, embora estivesse escalada para um plantão, pediu para ser atendida na emergência do Getúlio Vargas. No local, a técnica foi diagnosticada com pneumonia e afastada por 14 dias. Na quarta-feira (1º) houve uma piora em seu quadro. Além de falta de ar, Betania se queixou de febre e foi levada para o Hospital dos Servidores, onde foi diagnosticada com Covid-19, e veio a óbito às 5h da manhã do sábado.

Quanto a falta de material, outros funcionários do Hospital Getúlio Vargas também relatam desabastecimento. "Para quem não está na linha de frente, eles dão duas máscaras por plantão. Uma para a manhã, outra para a tarde. São máscaras que têm validade de quatro horas, para um plantão de 12 horas tinham que ser pelo menos três", diz uma enfermeira, que preferiu não se identificar. "Quem está na linha de frente precisa de óculos e capote impermeável, mas esse material também está faltando. A gente também não entende por que há tantas mulheres mais velhas na emergência. Betania estava doente e permitiram que ela trabalhasse, como se não soubessem do risco. Como ela deve existir várias outras".

"Além da falta de EPIs, há aglomeração de pessoas no refeitório e na área de repouso. Lá ninguém está fazendo a desinfecção do ambiente. Ninguém está passando álcool no suporte das camas ou nos colchões. Passam o dia limpando o chão com um pano velho e mais nada. Tudo isso põe a vida da gente em risco. Quando nos queixamos para a chefia eles dizem que não têm roupas adequadas para a gente trabalhar", comenta outra profissional.

Em suas redes sociais, o Sindicato Profissional dos Auxiliares e Técnicos de enfermagem de Pernambuco publicou nota de pesar. “O SATENPE vê as referidas mortes como o mais doloroso sinal de alerta à falta de proteção adequada para os profissionais que estão na linha de frente no combate ao Coronavírus. Reforçamos nossas cobranças, quanto à falta de EPI's, à Secretaria de Saúde e esperamos que estas mortes não sejam mascaradas, sendo tratadas com o respeito que estas vidas merecem. Cobraremos a aplicação da Portaria SES 133/2020, publicada na última sexta, 03/04/2020, quanto ao diagnóstico e afastamento dos profissionais sintomáticos e confirmados, mas frisamos, PRECISAMOS DE PROTEÇÃO/EPI'S.” 

Em resposta, a Secretária de Saúde de Pernambuco reforçou que possui equipamentos e tem feito a entrega racional aos seus servidores. "A SES-PE ressalta ainda que tem monitorado permanentemente o abastecimento e os estoques de equipamentos de proteção individual (EPIs) das unidades da rede estadual de saúde e deflagrado diversas ações para garantir o estoque dos EPIs e demais produtos essenciais ao funcionamento dos serviços e saúde, tanto com compras diretas, como requisições administrativas", diz a nota.

"Essas ações já garantiram quase 1,5 milhão de unidades de diversos insumos, como máscaras e luvas, que já foram distribuídos para as unidades da rede estadual. A Secretaria Estadual de Saúde também aguarda a entrega, nos próximos dias, de cerca de 5 milhões de itens que já tiveram o processo de compra iniciados, ou concluídos, pela gestão estadual. Além disso, na semana passada, o Governo de Pernambuco ampliou a testagem para Covid-19 no Estado e, na sexta-feira (03.04), a SES-PE publicou nota técnica orientando sobre a testagem prioritária dos profissionais de saúde", completa a SES.

Realidade das mortes vai fortalecer isolamento social


Na medida em que as pessoas vão tendo a informação de que pessoas que conhecem, que se relacionam e com que convivem estão morrendo nos hospitais suas opiniões sobre o alcance da doença mudam radicalmente.

PIERO CRUCIATTI / AFP
Itália é exemplo de que não seguir o isolamento social pode resultar em tragédia sem precedentes - FOTO: PIERO CRUCIATTI / AFP

Por Fernando Castilho do JC Negócios

Com todo respeito às suas excelências que apoiam a ideia do presidente Jair Bolsonaro para a reabertura das atividades econômicas - Abraham Weitraub (Educação), Ricardo Salles (Meio Ambiente), Onyx Lorenzoni (Cidadania), Ernesto Araújo (Relações Exteriores), Augusto Heleno (GSI) e Regina Duarte (Cultura) – mas sua tese caminha para o fim do prazo de validade por força do crescimento das mortes no Brasil.

Essa será uma constatação dramática. Na medida em que as pessoas vão tendo a informação de que pessoas que conhecem, que se relacionam e com que convivem estão morrendo nos hospitais, suas opiniões sobre o alcance da doença mudam radicalmente.

Infelizmente, esse é um padrão global. Foi assim na China, Itália, Espanha e Estados Unidos. As pessoas só se isolaram voluntariamente quando veem uma ambulância do SAMU chegando para levar uma pessoa conhecida que mora vizinha. Ou, no caso familiar, tem que se despedir de um parente sabendo que tem poucas chances de voltar.

Não foi por acaso que, neste domingo, uma das principais autoridades de saúde do governo Trump emitiu sérias advertências ao público americano dizendo que na próxima semana - quando se espera que o surto atinja seu pico em lugares como Nova York. "A próxima semana será o nosso momento em Pearl Harbor", disse o cirurgião geral dos Estados Unidos, Dr. Jerome M. Adams. "Será nosso momento de 11 de setembro. Será o momento mais difícil para muitos americanos em toda a sua vida." disse Adams.

Isso é o que deve fortalecer no Brasil a estratégia de definir que atividades poderão voltar e operar como suporte da estratégia de tratamento da epidemia.

Ela vai além da ideia de liberar geral sobre o impacto da economia defendida por Bolsonaro e alguns assessores do campo ideológico. E, infelizmente, esse prazo já começou a valer desde esse domingo.

Portanto, esse é um debate que tende a arrefecer. Primeiro, quando o Brasil começar a fazer maior testagem. Segundo, quando o SUS e os sistemas privados começarem a exibir no noticiário os sinais de estrangulamento.

Quando, neste sábado, chegou um contêiner frigorifico num hospital de São Paulo, milhares de pessoas levaram um susto. Muitos não acreditaram que era no Brasil.

Todos os hospitais que vão atender a covid-19 terão que ter esse macabro suporte. É isso que derrubará o discurso da reabertura agora e fará o cidadão se assustar e ver que precisa ficar em casa.

São Paulo é o epicentro do novo coronavírus no Brasil. Segundo balanço deste domingo,5, o Estado tem 4.620 casos e 275 óbitos. A região ainda acumula 48% das hospitalizações por síndrome aguda respiratória grave (SARG) do País neste ano.

O problema é que o rico São Paulo tem 15 mil leitos de UTI públicos e privados, sendo 7,2 mil leitos dedicados ao SUS. Imagina o que vai acontecer no Amazonas e no Ceará?

Será a realidade que, ao se impor, tornará ineficaz o discurso de retomada do convívio social apenas dos maiores de 60 anos ou de grupos mais suscetíveis à Covid-19 e da reabertura do comércio e de outras atividades normalmente.

Não tem ideologia que resista a imagem de caminhões frigoríficos transportando cadáveres ao cemitério e uma fila de rabecões saindo de hospitais.

Mas a ideia de uma retomada gradual não está descartada. Um levantamento publicado neste domingo, pelo jornal O GLOBO, com base em estudos de pesquisadores da LABORe e do Laboratório do Futuro da Coppe/UFRJ indica que o risco do contágio extrapola o setor de saúde, impactando indústria, comércio e serviços por chegar a 18 milhões de trabalhadores.

O número dá a dimensão do desafio que é proteger não apenas aqueles em atividades essenciais, mas também da necessidade de planejar uma possível retomada gradual da economia, quando a curva de disseminação do vírus estiver controlada.

Economistas e empresários formadores de opinião nos seus setores já não discutem a necessidade de fortalece o isolamento social, mas quando será possível traçar uma rota de retorno das atividades.

Esses líderes avaliam que as medidas atuais adotadas pelo governo na área da economia não serão suficientes. Uma empresa não pode voltar a funcionar em julho, agosto ou setembro num mercado em recuperação com uma carga de obrigações financeiras e tributárias que some o imposto do mês, do imposto atrasado, as despesas da folha e fatura do fornecedor num movimento que partirá do zero no primeiro mês da volta.

O que muita gente, razoavelmente informada sobre a covid-19, ainda não percebeu é que, em algum momento, para se impedir aglomerações nas praias em razão das recomendações para o combate ao coronavírus, a Polícia Militar terá que por grades e começar a mandar as pessoas voltarem para casa em lugar dos gentis pedidos atuais.

Devido ao espírito alegre e a convivência com a violência, as pessoas de menor escolaridade no Brasil tendem a desdenhar da ideia de se isolar. Resistem a acreditar que um gesto tão simples funcione. Até porque consideram baixo o valor de suas vidas.

O que não ainda percebem é que o pedido - e em pouco será uma ordem - não é para quem fiquem isentas de pegar a doença, mas de permitir o que número de pessoas infectadas não seja tão alto que não haja vagas nos hospitais para atender a todos.

Mesmo que 80% adquira a covid-19 e seu corpo possa não dar sinais, o desafio está em tratar os 20% restantes porque os custos são assustadoramente altos.

Então, a questão não é o valor do trabalho de quem quer voltar a trabalhar como pressionam alguns políticos, inclusive o presidente da República, ampliando os riscos de contaminação. Mas o valor do tratamento da doença num espaço de tempo tão curto. O custo das mortes já foi precificado.

O exemplo americano é ilustrativo. A maior economia do mundo está confiscando respiradores ao redor do mundo usando uma lei de guerra. Ou pagando preços até duas vezes mais caros para tê-los nos seus hospitais. Países como o Brasil, Argentina e México não tem o poder de fogo em dólar para tanto.

Então, o discurso de retorno das atividades econômicas imediatamente tende a arrefecer na medida em que o número de mortes começar a subir exponencialmente e em imagens na TV serão de pessoas que conhecemos. Ou quem somos parentes. 

Será isso que vai fazer o cidadão ficar em casa e fortalecer isolamento social. Independentemente do que pensem Bolsonaro e seus apoiadores.

A conta, portanto, não é sobre a perda de renda do mês de abril, maio ou junho, mas de como preservar negócios e vidas para uma volta gradual a partir de julho, agosto e setembro se tivemos sorte e capacidade gerencial de atendimento médico.

O debate raso ou ideológico sobre a volta das atividades tem prazo de validade. Acaba na terceira semana de abril. Queria Bolsonaro ou não. A realidade das mortes vai fortalecer o isolamento social e voluntário.

O que precisamos medir e o custo para os que ficarem vivos.

Sem citar Mandetta, Bolsonaro diz que tem gente no governo se achando e que hora vai chegar


Alguns dias após afirmar que anda "se bicando" com o ministro da Saúde, o presidente declarou que "a hora dele não chegou ainda, vai chegar a hora deles. Porque a minha caneta funciona"


REPRODUÇÃO
Bolsonaro se reúne com apoiadores na frente do Palácio do Planalto - FOTO: REPRODUÇÃO

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a fazer insinuações de que poderia demitir um de seus ministros. Sem citar nomes, o mandatário afirmou em encontro com apoiadores na frente do Palácio da Alvorada, na tarde deste domingo (5) que algumas pessoas do governo dele “estão se achando”.

Bolsonaro havia falado em entrevista à Jovem Pan na última quinta-feira (2) que faltava humildade no ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM), e que os dois andavam “se bicando”. O chefe do Executivo, que estava desrespeitando a indicação do Ministério da Saúde, ao sair do isolamento para se reunir com apoiadores, declarou que “algumas pessoas no meu governo algo subiu à cabeça deles, estão se achando”.

 Segundo o mandatário, “eram pessoas normais, mas de repente viraram estrelas e falam pelos cotovelos, tem provocações, mas a hora deles não chegou ainda, vai chegar a hora deles. Porque a minha caneta funciona. Não tenho medo de usar a caneta, nem pavor, e ela vai ser usada para o bem do Brasil. Não é para o meu bem. Nada pessoal meu", afirmou.

domingo, 5 de abril de 2020

Teste para COVID-19 de paciente morador de Garanhuns que morreu dá negativo


A nossa equipe recebeu a informação da direção do Hospital Regional Dom Moura (HRDM), que o exame de testagem para COVID-19, do paciente Júlio Maxuell de Farias, de 30 anos que morreu na madrugada de ontem (04), deu negativo.

Júlio Maxuell era natural de Paulista, atualmente residia em Garanhuns e era gerente de uma loja de modas no Centro da cidade. Ele faleceu após dar entrada no início da semana no HRDM com sintomas semelhantes ao do novo Coronavírus, COVID-19.

Ele se queixava de tosse, falta de ar, febre e fraqueza. No Dom Moura ele foi foi diagnosticado com um quadro de infecção respiratória e uma "doença base" que não foi divulgada por questões éticas, conforme informou a direção do Hospital.

Diante do quadro de saúde,  Maxuell foi encaminhado ao Hospital Correia Picanço, em Recife. Lá, passou 2 dias na UTI, teve piora no quadro clínico e faleceu. A direção do Hospital onde Maxuell morreu fez a coleta para diagnosticar se ele havia contraído Coronavírus ou H1N1, mas os resultados foram negativos. Uma nota oficial da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), com informações deve ser divulgada nas próximas horas.

Brasil chega a 486 mortes e 11.130 casos confirmados



O Ministério da Saúde atualizou os dados do novo coronavírus neste domingo (5). De acordo com os dados da pasta, o Brasil tem 11.130 casos confirmados da doença e 486 mortes. A taxa de mortalidade está em 4,4%, ou seja, entre cada 100 pessoas contaminadas, quatro morrem.

Nesta semana, o secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo dos Reis, disse que o governo federal tinha a expectativa de que os números não ultrapassassem a marca de 100 mil contaminações do País e que o governo “fará de tudo para que isso não ocorra”.

Em todo o estado de São Paulo, há 275 mortes e 4.620 casos da Covid-19. Os Estados do Acre e Tocantins seguem sem registros de óbitos.

Empresário que produz a cloroquina é militante bolsonarista


Renato Spallicci, presidente da Apsen, que trata o Reuquinol como grande esperança contra o coronavírus, fez campanha para Bolsonaro

Bolsonaro segura caixa de Reuquinol
RAPHAEL VELEDA/METRÓPOLES

Omedicamento composto por hidroxicloroquina que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tem propagandeado como esperança de cura para a Covid-19 é produzido por uma empresa farmacêutica que tem como dono um grande entusiasta do bolsonarismo.

Com a notícia de que o composto tem se mostrado promissor – a partir de testes em infectados pelo novo coronavírus –, o remédio se esgotou nas farmácias em todo o Brasil, deixando pacientes de doenças crônicas e autoimunes, como lúpus e artrite reumatoide, para os quais é indicado originalmente, sem o composto.

No último dia 26, Spallicci chegou a postar em seu Facebook a notícia de que o Reuquinol havia sido mostrado pelo presidente aos mais poderosos líderes mundiais. O próprio Bolsonaro levou remédios da Apsen para expor ao público (foto de destaque, a embalagem do lado direito).

Para dar conta da demanda, no caso do possível uso em grandes quantidades para tratar de pacientes com o novo coronavírus, a empresa colocou em prática, segundo a revista Exame, um plano emergencial para triplicar a produção do Reuquinol, com turnos extras nos fins de semana.

Por causa da alta procura e dos riscos trazidos pela automedicação, a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) vetou a venda do produto em farmácias sem receita dupla, como já ocorre com os antibióticos.

O uso do composto em pacientes com o novo coronavírus já está sendo testado no Brasil e em outros países, com resultados promissores, mas sem certezas do quão efetivo ele pode ser, sobretudo em casos mais graves.

pressa de Bolsonaro em alardear o medicamento levou o Twitter a apagar postagens do presidente da República sobre o medicamento produzido pelo empresário.

A reportagem entrou em contato com a Apsen para perguntar se Renato Spallicci mantém algum tipo de relação pessoal ou institucional com o presidente Jair Bolsonaro, mas não obteve resposta até a publicação deste texto.