domingo, 19 de abril de 2020

Brasil atrasou epidemia mas deve sofrer colapso como Itália, Espanha e EUA


São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Amazonas já preveem lotação máxima de hospitais: "as próximas semanas são de caos", diz diretor de hospital da UFRJ

As medidas de isolamento social impostas em boa parte dos estados brasileiros quando ainda havia poucos casos confirmados do novo coronavírus se mostraram eficientes para atrasar a propagação da infecção, mas o relaxamento da quarentena ameaça antecipar um colapso nos sistemas de saúde de diversas cidades do país.

O colapso se consolida quando a capacidade de internação hospitalar nos hospitais públicos chega ao limite. Estratégias como ampliar leitos de UTI, construir hospitais de campanha, transferir pacientes para outras cidades e assumir o controle de leitos de hospitais públicos têm sido feitas no país.

Segundo Alberto Chebabo, diretor médico do hospital da Universidade Federal do Rio de Janeiro, um dos centros de referência para tratar a covid-19 no estado, na última semana o número de pacientes aumentou exponencialmente e a projeção é que as duas próximas semanas sejam de “caos completo”.

O retrato, avalia, é bem parecido com o visto na Itália, na Espanha e também nos Estados Unidos, que tiveram o primeiro registro duas semanas antes do Brasil, em 15 de fevereiro. “A gente conseguiu atrasar o caos inicial, mas as medidas agora estão caindo por terra no momento em que seria de endurecer o isolamento”, diz em entrevista à EXAME.

Dos países mais afetados, o Brasil é um dos que menos estão testando a população. São 296 testes a cada um milhão de habitantes, ao passo que a Itália registra 20 mil testes a cada milhão, a Espanha, 19 mil testes a cada milhão e os EUA, 10 mil testes por milhão.

“Não precisa comparar número. A gente vê a velocidade da curva subindo cada vez mais rápido, não só nos números, que triplicam a cada dia, mas nos hospitais, que estão cada vez mais lotados”, afirma Chebabo.

Essa lógica pode ser entendida em um gráfico comparando o acréscimo de casos dia a dia do Brasil, Itália e Espanha. Depois que os países passaram da marca dos dez mil casos confirmados, o crescimento passou a ser exponencial.

O Brasil, que tem duas semanas a menos de vírus circulando, desenha o mesmo caminho. Em menos de uma semana, o país duplicou o número de óbitos, de mil na última sexta-feira, 10, para 2 mil nesta sexta-feira, 17. Os Estados Unidos seguem na mesma lógica, mas não foram incluídos no gráfico a seguir para fins de visualização, uma vez que o país já registra 700 mil infectados.

Caos no sistema público

Com a curva ascendente, o principal desafio para o sistema de saúde é atender a necessidade de leitos de internação. Ao contrário de outras síndromes respiratórias, a covid-19 pode manter um paciente em estado grave durante 14 dias, com isso reduzindo a possibilidade de rotação das camas hospitalares.

O infectologista Alberto Chebabo está na linha de frente da operação que vai ampliar de 12 para 70 os leitos destinados a pacientes com covid-19 no hospital da UFRJ. Em sua avaliação, “esse número [de leitos] para o Rio de Janeiro é uma gota”. O estado carioca, que tem mais de 4 mil infectados e 341 óbitos, já tem ao menos 74% dos leitos de UTI ocupados, segundo informações mais recentes.

Já São Paulo, que registra 12,8 mil casos confirmados e 928 mortes, tem pelo menos sete hospitais da capital operando com a capacidade de leitos de UTI acima dos 70%. Nesta sexta, um dos mais importantes para o tratamento, o hospital Emilio Ribas, chegou ao colapso ao completar o uso de todas as suas 30 vagas.

Essa, inclusive, foi a semana com o maior número de óbitos em SP: 320 novas mortes desde a segunda-feira, 13, o que representa uma morte a cada meia hora, em média.

A situação no Ceará é mais dramática. Com 2,6 mil casos confirmados e 149 mortes, nessa semana, o sistema inteiro de saúde colapsou atingindo 100% das vagas de UTI preenchidas. A explicação do governo para a falta de UTIs é que as pessoas estão chegando aos hospitais em situação muito grave, tendo de ser encaminhadas diretamente para UTIs. 

No Amazonas, que tem 1,8 mil pacientes confirmados com a doença e 145 mortes, não há leitos de UTI, respiradores, nem recursos humanos. O governo está equipando as unidades hospitalares do estado, lotadas de infectados, com contêineres frigoríficos para acondicionamento de corpos das vítimas

Ministro da saúde anuncia que Pernambuco vai receber 10 respiradores


 (ABR)
ABR
O ministro da Saúde, Nelson Teich, anunciou que os estados da Amazonas, Ceará e Pernambuco irão receber novos respiradores neste domingo (19). O aparelho é essencial para pacientes com graves sintomas do novo coronavírus.

Amazonas, cujo sistema de saúde colapsou, e Ceará, o terceiro mais afetado do Brasil, receberão 15 aparelhos cada, enquanto o estado pernambucano ficará com dez.

Teich fez o anúncio através de sua conta no Twitter. Os respiradores, segundo o ministro, são produzidos no Brasil e foram enviados neste domingo.



Pernambuco tem mais 19 mortes e 187 casos de coronavírus; São 205 óbitos e 2.193 infectados


Dados foram divulgados na manhã deste sábado (18)

AFP
Dados foram divulgados na manhã desta quinta-feira (16) - FOTO: AFP

A Secretaria de Saúde do Estado de Pernambuco divulgou, neste sábado (18), mais 19 mortes e 187 novos casos do novo coronavírus confirmados laboratorialmente. Agora, o Estado totaliza 205 óbitos e 2.193 infectados.


As mortes divulgadas (7 homens e 12 mulheres) são de pessoas residentes no Recife (9), Jaboatão dos Guararapes (1), Paulista (1), Olinda (1), Cabo de Santo Agostinho (1), Paudalho (2), Machados (1), Timbaúba (1), Palmares (1) e Bonito (1). Os pacientes tinham idades entre 48 e 94 anos e morreram entre os dias 12 e 17 de abril.

As faixas etárias dos novos óbitos são as seguintes: 40 a 49 (1); 50 a 59 (5); 60 a 69 (4); 70 a 79 (2) e com 80 anos ou mais (7).

Dos 19 pacientes que vieram à óbito, 7 apresentavam comorbidades como hipertensão (7), diabetes (5), obesidade (1), doença vascular crônica (1), doença renal crônica (1), doença pulmonar obstrutiva crônica (1), hiperplasia prostática (1), infecção do trato urinário (1) e câncer (2) - o mesmo paciente pode ter mais de uma comorbidade. Os demais estão em investigação pelos municípios.

Além disso, o boletim aponta um total de 94 pacientes já recuperados da doença

Brasil confirma 1.257 casos de coronavírus nas últimas 24 horas e total de infectados chega a 33.682; número de óbitos chega a 2.141


Os dados são atualizados diariamente


FREEPIK/BANCO DE IMAGENS
Em Pernambuco, há mais de duas mil pessoas infectadas pela doença - FOTO: FREEPIK/BANCO DE IMAGENS

O total de pessoas infectadas pelo novo coronavírus no Brasil chegou a 33.682 nesta sexta-feira (17), e foram confirmados 2.141 óbitos da doença. Os dados foram repassados pelas Secretarias Estaduais de Saúde ao Ministério da Saúde. No dia 15 de abril, a pasta informou que mais de 14 mil pessoas estão recuperadas da doença. Mais detalhes serão divulgados ainda nesta sexta-feira. 

De acordo com o MS, a região Sudeste é a que tem mais casos confirmados da covid-19, com 19.067. Em seguida aparece o Nordeste, com 7.469, Norte, com 3.158, Sul, com 2.602, e Centro-Oeste, com 1.386.

Em Pernambuco, a Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) informou que subiu para 2.006 o número de pessoas infectadas pelo novo vírus, e o total de óbitos chegou a 186.

matéria em atualização



Sem conseguir UTI, técnica em enfermagem de 30 anos morre com suspeita de covid-19 em Pernambuco


Williane Maily Lins dos Santos faleceu no Hospital João Murilo, em Vitória de Santo Antão, após lutar por mais de 24 horas por uma UTI


Arquivo Pessoal
Williane Maily Lins dos Santos tinha 30 anos, era saudável, nunca fumou, e começou a sentir sintomas de uma laringite há duas semanas - FOTO: Arquivo Pessoal

A abertura de novas vagas de UTIs em Pernambuco para atender casos graves de covid-19 não está sendo suficiente para suprir a demanda de pessoas que precisam de terapias intensivas. Pelo menos é o que denuncia amigos e familiares da técnica em enfermagem Williane Maily Lins dos Santos, de 30 anos, que morreu na noite da sexta-feira (17/4), no Hospital João Murilo, em Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata pernambucana, suspeita de ser mais uma vítima do coronavírus. Williane, que deixou uma filha de seis anos, lutava pela transferência para uma unidade de terapia intensiva desde a manhã da quinta-feira (16), quando o quadro do que parecia ser uma grave laringite se agravou, após duas semanas de sintomas. Foram mais de 24 horas tentando uma transferência. Quando surgiu uma UTI - disponibilizada num hospital privado do Recife - era tarde demais. Às 23h45 a técnica em enfermagem teve uma parada cardíaca e faleceu.

Ela era uma mulher jovem, sem qualquer problema de saúde, nunca foi tabagista, era saudável, trabalhadora. Não sou Deus para dizer que ela iria sobreviver, mas possuía grandes chances. Trinta anos sem patologias. Uma UTI a salvaria
Suzana Melo, médicam chefe e amiga da vítima


A médica nefrologista Suzana Melo, chefe e amiga de Williane Maily Lins dos Santos, é quem está à frente das denúncias em nome da família da técnica. A mãe, a fisioterapeuta Maria Soares Lins Pereira, está inconsolável e revoltada. Não conseguiu conversar com a reportagem. Segundo denuncia a médica, a Central de Regulação de Leitos de Pernambuco complicou todo o procedimento de transferência da paciente do Hospital João Murilo para o Recife. A informação oficial era de que não havia vagas de UTIs disponíves na capital e que pelo menos 60 pacientes aguardavam uma transferência na frente de Williane. “E eu, como médica, tinha a informação de que havia UTIs disponíveis tanto no antigo Hospital Alfa, recém transformado em unidade referência do tratamento da covid-19, como em unidades privadas. Falei com diversos médicos coordenadores dessas UTIs e eles me garantiram que havia vagas sim, mas que só poderiam receber a paciente se fosse pela central. Quando vieram identificar uma vaga, no Hospital São Marcos, ela já estava morta. É tudo muito, muito triste e revoltante”, lamenta Suzana Melo.

A angústia da médica se justifica no fato de que foi a ela que Williane Maily implorou por socorro. Não queria morrer. Como profissional de saúde, começou a perceber que a laringite era algo maior quando a falta de ar e o cansaço se agravaram. Já tinha buscado atendimento em postos de saúde, mas recebia a prescrição de antibióticos (versões de amoxicilina) e era encaminhada para casa. Estava assim há duas semanas. Na quinta-feira, já com muita dificuldade para respirar, procurou novamente o posto de saúde. Foi quando a encaminharam para o Hospital João Murilo, onde ficou internada, mas sem conseguir ser entubada para facilitar a respiração. “A família já estava assustada, ela também. Percebiam, por serem da área, que era a covid-19 e que ela deveria ser entubada mediatamente. Ela me mandou um vídeo às 8h30 da sexta-feira, num estado muito grave, quase sem conseguir respirar. Ela era uma mulher jovem, sem qualquer problema de saúde, nunca foi tabagista, era saudável, trabalhadora. Não sou Deus para dizer que ela iria sobreviver, mas possuía grandes chances. Trinta anos sem patologias. Uma UTI a salvaria”, afirma a médica.

Ela amava demais o que fazia. Já trabalhou em vários hospitais. Era uma profissional prudente. Não desconfiava em momento algum que era covid-19. Achava que era gripe, infecção de garganta. Fez tratamento, mas não melhorava. Demoraram demais para entubá-la no hospital e ainda mais tempo para arrumar uma UTI
Abimael Francisco Pereira, padrasto da vítima

A demora da equipe do Hospital João Murilo em decidir pela entubação da paciente também foi duramente criticada pelos familiares e pela médica. Quem acompanhou o processo conta que, já na noite de sexta-feira, poucas horas antes de a vítima falecer, o médico não conseguiu a entubação rápida. “A família alertou que ela precisava ser entubada imediatamente desde a quinta-feira, mas não foi atendida. Só a entubaram na noite da sexta-feira, quando ficou tarde demais”, lamentou a médica Suzana Melo.

Arquivo pessoal
Técnica em enfermagem Williane Maily Lins dos Santos, de 30 anos, que morreu na noite da sexta-feira (17/4), no Hospital João Murilo, em Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata pernambucana, suspeita de ser mais uma vítima do coronavírus - Arquivo pessoal


Williane Maily era técnica de enfermagem na Clínica do Rim de Vitória de Santo Antão, onde nove profissionais de saúde estão afastados com suspeita de contaminação pelo coronavírus. Apesar das idas a um posto de saúde na cidade, a técnica em enfermagem só foi tratada como possível vítima da covid-19 quando chegou ao hospital. Mas nenhum teste foi feito. Somente depois do óbito realizaram a testagem, cujo resultado ainda não saiu. A reportagem do JC não conseguiu contato com o Hospital João Murilo. Já a Secretaria Estadual de Saúde (SES) explicou que a paciente deu entrada na unidade de VSA com um quadro moderado de Srag (Síndrome Respiratória Aguda Grave), mas que se agravou. Garante que, diante desse agravamento, foi solicitada uma vaga de UTI à Central de Regulação de Leitos, disponibilizado ainda na noite do mesmo dia em um hospital privado. “Infelizmente a paciente teve uma piora súbita antes que fosse possível realizar a transferência”, diz a nota oficial


Lembrou, ainda, que o governo de Pernambuco tem se esforçado em ampliar a rede de assistência para o atendimento de pacientes suspeitos e confirmados da covid-19. Que diariamente novos leitos estão sendo abertos. “Em pouco mais de 30 dias, o Estado já conta com mais de 600 vagas dedicadas exclusivamente para a doença, sendo 307 de UTI”. A ocupação dessas UTIs, entretanto, já está em 95% da capacidade.

ENTREVISTA/ABIMAEL PEREIRA

O padrastro de Williane Maily Lins dos Santos, o também técnico em enfermagem Abimael Francisco Pereira, ainda não acredita no que aconteceu. Que perdeu a enteada tão rapidamente por não ter conseguido uma UTI. Bastante abalado, ele conversou com o JC pelo Whatsapp.


JC - Qual o sentimento da família?
ABIMAEL - De revolta. A mãe dela está sem condições de falar. Desde a manhã do dia 17 que estavam atrás de leito e pedindo que a entubassem. Mas só vieram entubá-la quando surgiu a vaga, já na noite em que faleceu. Quando a entubaram ela teve uma parada cardíaca.

JC - Williane desconfiava que poderia estar com a covid-19?
ABIMAEL -  Em nenhum momento ela desconfiou. Achava que era uma gripe, uma infecção de garganta. Fez tratamento por duas semanas, mas não melhorava. Quando começou a sentir falta de ar pediu ajuda. Mas a ajuda demorou muito. Era para terem levado ela logo pela manhã para a UTI, assim que chegou ao hospital. Porque se tivessem entubado mais cedo talvez ela não tivesse morrido.

JC - Ela tinha medo, fazia queixas?
ABIMAEL - Ela amava demais o que fazia. Já trabalhou em vários hospitais. Era uma profissional prudente.

Homicídio em Garanhuns

Um suspeito de tráfico de drogas, com várias passagens pela polícia, foi assassinado na tarde deste sábado (18), no bairro da Cohab 2, em Garanhuns, no Agreste de Pernambuco. Ivan Charllys Ferreira de Lima, vulgo Nanica, de 29 anos, estava na Rua José Almeida, a conhecida Rua 29, quando foi alvejado por disparos de arma de fogo. Nanica foi socorrido pelo SAMU para o Hospital Regional Dom Moura, onde acabou morrendo.

O homicídio foi praticado por dois elementos que chegaram em uma moto. O caso será investigado pela Delegacia de Homicídios, o corpo foi encaminhado para o Instituto de Medicina Legal (IML) de Caruaru.

Com informações do Portal Agreste Violento

Amazonas tem colapso por coronavírus e vai usar contêiner frigorífico como necrotério



Sem leitos de UTI, respiradores e recursos humanos, o governo do Amazonas está equipando hospitais do Estado, lotados com pacientes infectados pelo novo coronavírus, com contêineres frigoríficos para acondicionamento de corpos das vítimas da doença. Com a situação de colapso no sistema de saúde, o governo já prevê "convulsão" e "revolta".

Na quinta, vídeo divulgado por profissionais do plantão do hospital da rede estadual João Lúcio, em Manaus, repercutiu nas redes sociais e assustou a população. O vídeo mostra pacientes e corpos dividindo o mesmo espaço. Quem filma circula entre os leitos com corpos dispostos lado a lado. O vídeo mostra ao menos dez mortos.

Isso é sério! CORPOS e PACIENTES deixados juntos na mesma enfermaria no Hospital João Lúcio em Manaus. https://t.co/FTeKo1H3DW pic.twitter.com/xEuXxi8DUb

— Antônio Aires (@AntnioAires7) April 16, 2020

Nessa sexta (17), o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), em entrevista à Rádio Tiradentes, em Manaus, afirmou que todas as unidades hospitalares da capital passarão a contar com contêineres frigoríficos para abrigar corpos de vítimas da covid-19. Lima disse que o governo opera no limite ao se referir às UTIs e admitiu que em alguns dias não terá mais como atender às pessoas nem onde colocar cadáveres. Até bombeiros militares foram convocados para atuar em hospitais.

O governador pede que recebam prioridade pacientes que apresentem quadros de "alta gravidade". Ele afirmou que pleiteou no Ministério da Saúde 150 respiradores, mas recebeu indicação de que terá somente 50. Além disso, garantiu que está tentando comprar outros 200 respiradores da China, dos Estados Unidos e de "uma empresa brasileira", sem dar detalhes. O Estado do Amazonas concentra mais da metade dos casos da covid-19 na Região Norte. Até ontem, eram 1.809 registros e 145 óbitos.

O governador prevê alta nos registros nas próximas semanas e "convulsões" e "revolta". "Em algum momento, nosso sistema de saúde ão não terá condição de atender todo mundo. Em algum momento, como já estamos vendo em unidades hospitalares, não vou mais ter onde colocar corpos."

Segundo o governo do Estado, Manaus tinha média de 30 enterros por dia e, só na última quinta-feira, foram cem. A atualização diária do governo estadual sobre óbitos mostra discrepância em relação aos enterros. Na quinta, a Fundação de Vigilância Sanitária (FVS) e a Secretaria de Estado de Saúde informaram que o registro foi de 18 mortes em 24 horas.

Segundo Lima, há subnotificação e já há relatos de pessoas que estão morrendo em casa. "Tenho casos aqui no Amazonas de pessoas que estão falecendo em casa, que os parentes ligam para funerária, sem passar pela FVS. Esse corpo é levado direto para o enterro."

Rigor

O governador afirmou que pretende impor maior rigor ao isolamento social e ao funcionamento do comércio. Citou como exemplo o município de Parintins, a 360 quilômetros de Manaus, que adotou toque de recolher e tem menos registros da doença. Ontem, um decreto da prefeitura de Manaus suspendeu, até o fim de junho, a concessão de licenças para eventos públicos de qualquer natureza, a fim de evitar aglomerações. (Via: Agência Estado)

Pernambuco tem 88 pessoas curadas do coronavírus e reforça medidas para identificar novos casos



Na contramão das notícias preocupantes sobre a pandemia do novo coronavírus, Pernambuco registra 88 pacientes curados da covid-19. Durante a coletiva de imprensa do governo do Estado e da Prefeitura do Recife, transmitida ao vivo na tarde desta sexta-feira (17), o secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo, destacou que há empenho em reforçar as frentes de enfrentamento à pandemia, como o aumento do número de leitos, testagem atendimento remoto de pessoas com sintomas e incentivo ao isolamento e distanciamento social.

Os casos confirmados de pessoas infectadas por coronavírus em Pernambuco totalizam, até o momento, 2.006 pacientes, enquanto 186 pessoas morreram. O governo do Estado deu destaque também ao aumento recente da testagem da covid-19 em pessoas com sintomas da doença profissionais de saúde que trabalham na linha de frente no atendimento aos pacientes infectados.

“A gente teve uma ampliação da testagem nos últimos dias. A confirmação desses laudos nos últimos dias é fruto de mais de 500 testagens. Somamos 2.006 casos positivos, 1.359 casos em isolamento domiciliar e 373 internamentos – sendo 70 em regime de terapia intensiva e 303 em leitos de enfermaria”, detalhou André Longo.

Os testes também possibilitaram a confirmação de 774 casos de coronavírus entre profissionais de saúde e 539 casos descartados. “Estamos tendo o cuidado com os profissionais cuja contaminação é fato em todo o mundo e compromisso com a testagem, afastamento e retomada segura do trabalho desses profissionais”, acrescentou.

Isolamento e distanciamento social

O governador Paulo Câmara prorrogou o fechamento do comércio e demais atividades não essenciais até o dia 30 de abril. “Sair de casa neste momento é uma atividade que vai pressionar de maneira muito forte o sistema de saúde”, alertou o secretário. “Ficar em casa é um apelo que fazemos a toda população pernambucana. Só assim vamos conseguir garantir o suporte necessário e assistência adequada do nosso sistema de saúde salvando vidas. Hoje o comportamento de todos nós é importante para que a gente possa salvar vidas”, completou