Um vereador foi assassinado na noite desta sexta-feira (24), na cidade de Gameleira, na Mata Sul de Pernambuco.
João Rogério dos Santos de Lima, de 36 anos, estava conversando com populares na Rua 11 de Agosto, quando chegaram dois homens em uma moto, o garupa sacou uma arma de fogo e efetuou vários disparos em direção a João Rogério.
O vereador não teve tempo de correr, foi alvejado diversas vezes e morreu no local.
Testemunhas não souberam da detalhes a polícia que possam ajudar a identificar e prender os autores do crime, o corpo de João Rogério foi periciado e encaminhado para o IML do Recife.
João Rogério, foi o segundo vereador assassinado este ano em Gameleira, no dia 29 de janeiro, o vereador José Ednaldo Marinho foi assassinado no centro da cidade.
Uma colisão deixou um homem morto na noite deste domingo (26), no cruzamento da Avenida Agamenon Guimarães, com a Rua João Guimarães Rosa, no bairro Heliópolis, em Garanhuns, no Agreste de Pernambuco.
Enoque Moreira de Melo Filho, de 48 anos, conduzia uma motocicleta, quando atingiu outra moto, perdeu o controle e devido a gravidade dos ferimentos não resistiu.
A Guarda Municipal isolou a área até a chegada do Instituto de Criminalística e Polícia Civil, o local do acidente foi periciado e corpo encaminhado para o Instituto de Medicina Legal (IML) de Caruaru.
O condutor da outra moto foi levado para delegacia, prestou esclarecimentos e foi liberado
Cena da ação policial não foi preservada, apesar de Corregedoria da PM ter anunciado investigação. Suspeito de ter ajudado miliciano é libertado pela Justiça
Vista da entrada do sítio em Esplanada (Bahia), onde Adriano Nóbrega foi morto.MATHEUS BURANELLIBRUNO LUIZ
Esplanada (Bahia)
Um ar bucólico paira sobre os 37 mil habitantes de Esplanada, a 170 quilômetros de Salvador (Bahia). Na praça do centro do município, margeada por árvores de médio porte, os moradores se reúnem em pequenos grupos para falar sobre o que acontece na cidade. Desde o último domingo não há outro assunto que não o chefe miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega, de 43 anos, morto em suposto confronto com forças policiais da Bahia e do Rio, a 8 quilômetros dali. Poucos, no entanto, se mostram dispostos a falar sobre a operação ―ainda cercada de dúvidas— que eliminou o ex-policial próximo à família Bolsonaro. Quando aceitam relatar o que sabem, pedem anonimato ao discorrer sobre a passagem de Nóbrega pela região, incluindo as conexões do miliciano com um político do PSL e um pecuarista.
“Eu fiquei com meus filhos dentro de casa orando pra que nada acontecesse. Foi um terror", conta uma vizinha do povoado de Palmares, zona rural de Esplanada. É lá que fica a propriedade do vereador Gilson Neto (PSL) que serviu como último esconderijo de Adriano da Nóbrega, embora o político negue qualquer ligação com o miliciano e alegue que seu sítio foi invadido.
A vizinha diz ter dificuldade de lembrar detalhes por causa do medo que sentiu na manhã de domingo, quando a ação aconteceu. Conta que está sem conseguir dormir desde então, e que fica apreensiva toda vez que vê um carro se aproximando da propriedade. “Meu filho brincava todo dia lá no quintal, mas agora eu não deixo porque tenho medo de alguém aparecer por lá”, diz.
Foi num imóvel pequeno e arejado de paredes brancas, sede do sítio pertencente ao político do PSL —até bem pouco tempo atrás o partido de Jair Bolsonaro e dos filhos—, que Nóbrega foi abordado pela polícia. Vizinhos relatam que a ação foi rápida, mas que os tiros não foram disparados de uma só vez. Houve, pelo menos, uma sequência de três rajadas.
Outro vizinho do vereador, que também não quis se identificar, ajuda a narrar o cerco. Conta que, na fatídica manhã de domingo, foi surpreendido por dois policiais. Com rostos cobertos por brucutus, os agentes conseguiram chegar a sua propriedade pelos fundos do sítio de Gilson Neto. A dupla de policiais disse que estava atuando em uma ocorrência de roubo a banco e pediu para revistar a casa. Nem precisaram buscar Adriano da Nóbrega ali. Logo em seguida, os tiros começaram na propriedade vizinha. “Eles pediram que a gente entrasse em casa pra se proteger dos tiros. A gente não sabia do que se travava. Só veio saber depois, pela imprensa.”
Isolamento e estratégia
Segundo a versão oficial da Secretaria de Segurança Pública da Bahia, Adriano da Nóbrega tinha em mãos uma pistola austríaca 9mm e foi baleado após resistir atirando contra os agentes —cerca de 70 participaram da operação. O fato de estar numa área rural, isolada e cercada, levantou dúvidas sobre a abordagem policial: por que não foi usada uma ação mais cautelosa da polícia para prender o miliciano? O ex-capitão do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) era um alvo importante. É acusado de ser chefe da milícia de Rio das Pedras, uma das mais antigas do Rio, e também de comandar o Escritório do Crime, um sofisticado braço armado para execuções suspeito de envolvimento no assassinato de Marielle e Anderson. Somam-se aos questionamentos a afirmação do advogado de Nóbrega dizendo que seu cliente temia ser alvo de “queima de arquivo”.
Tanto a PM da Bahia como a do Rio repetem que a ação foi um sucesso. Apesar de o secretário de Segurança Pública da Bahia, Maurício Barbosa, afirmar que as circunstâncias da morte seriam investigadas pela Corregedoria da PM, a cena da operação policial seguia desprotegida nesta terça-feira, quando o EL PAÍS visitou o local, o que afeta a reconstrução da operação. O Governo da Bahia afirmou também não ter filmado a operação, apesar de ser um caso de repercussão nacional. Um vizinho do sítio disse, no entanto, ter visto um drone sobrevoando sua casa no momento da ação.
No sítio do vereador do PSL, o EL PAÍS identificou apenas duas marcas de tiro na parede, ambas próximas à porta da frente da casa, debaixo de uma janela. Na sala da casa de cinco cômodos, ainda é possível ver grande quantidade de sangue e móveis revirados. No chão, uma linha de sangue, formada da sala até a varanda do imóvel, denota que Adriano foi arrastado pelos policiais. Na cozinha, ficaram pães, aparentemente frescos, e uma garrafa térmica em cima de uma mesa. Na pia, copos e talheres.
Em um dos quartos, num possível sinal de que o miliciano havia se organizado para a fuga, havia ainda nesta terça-feira pelo menos duas malas de roupa, além cápsulas de suplemento vitamínico e inúmeras cartelas de medicamentos. No cômodo estavam ainda duas caixas de celular —segundo a PM, 13 aparelhos do tipo, que estariam sendo usados por Nóbrega, foram apreendidos no local.
Cozinha do sítio onde Adriano Nóbrega foi morto.MATHEUS BURANELLI
Suspeito de ajudar Nóbrega é libertado pela Justiça da Bahia
Os celulares poderiam ser um caminho para fechar os fios soltos a respeito dos últimos dias do miliciano e para esclarecer o tamanho da rede de apoio de Nóbrega, que estava foragido desde janeiro de 2019. Capitão Adriano, como era conhecido, chegou à região no fim do ano passado, recebido pelo empresário e pecuarista Leandro Guimarães. Guimarães, que atua no ramo de vaquejadas, chegou a ser preso no domingo por porte ilegal de armas e prestou depoimento à polícia sobre o miliciano. Segundo o UOL, o Ministério Público baiano pediu que sua prisão em flagrante fosse transformada em preventiva, citando a necessidade de seguir investigando a relação com Nóbrega, mas a Justiça decidiu liberar o empresário após pagamento de fiança.
À polícia, Leandro Guimarães confessou, segundo reportagem da Folha de S. Paulo, que deu abrigo ao miliciano em sua fazenda, também na região. O pecuarista relatou que, na noite anterior a sua morte, Adriano da Nóbrega recebeu mensagens no celular e ficou visivelmente nervoso. Então, sob ameaça, pediu que o empresário o levasse até o sítio do vereador Gilsinho.
Ainda não está claro como Guimarães conseguiu entrar no sítio do vereador do PSL com Adriano da Nóbrega, já que o vereador alega nunca ter visto o miliciano e nem autorizado a ida dele para lá. Gilsinho sugere a possibilidade de invasão do local, algo que, até o momento, o empresário do ramo das vaquejadas não confirmou. Guimarães é amigo da família do vereador, que tem outros dois irmãos políticos, um deles ex-prefeito de Esplanada e o outro deputado estadual pelo PSB.
Também à polícia, o pecuarista contou que conheceu Adriano da Nóbrega há dois anos, por causa do envolvimento do miliciano com o ramo das vaquejadas. O criminoso, na versão do empresário, disse ter ido para Esplanada com objetivo de comprar uma propriedade, na zona rural, para viver. Chegou a visitar algumas delas, incluindo a do vereador Gilsinho. Por isso, ao precisar fugir, um dia antes da operação policial, pediu para ser levado ao sítio do vereador porque teria gostado dele.
Durante o maior tempo em que ficou em Esplanada, porém, o esconderijo de Adriano da Nóbrega era outro, o Parque Gilton Guimarães, uma fazenda pertencente ao pecuarista que abriga um espaço para competições de vaquejada. No local, também visitado pela reportagem na terça, a ordem é não falar sobre os tempos em que o miliciano passou por lá. Foi para lá o ex-capitão do Bope se dirigiu após fugir do cerco policial montado para prendê-lo em Costa do Sauípe, no litoral da Bahia, em janeiro. Adriano da Nóbrega chegou a morar em uma casa alugada em condomínio de luxo com parentes na zona.
Mancha de sangue em casa em Esplanada (Bahia), onde Adriano Nóbrega foi morto.MATHEUS BURANELLI
Para chegar à sede do parque, cuja entrada fica às margens da BR-101, é necessário atravessar um longo trecho de uma estrada de terra, margeada por uma extensa área verde com vasta plantação de eucaliptos e cabeças de gado. Após as relações entre Guimarães e o miliciano virem à tona, a entrada que dá acesso à casa e ao local das vaquejadas foi fechada. Só pessoas autorizadas podem adentrar a área. Funcionários temem falar sobre o assunto e reagem com hostilidade ao serem questionados sobre a estadia do miliciano. Um dos vaqueiros que trabalham no local chegou a intimidar a reportagem. Primeiro sugeriu que poderia fechar as saídas da fazenda, o que deixaria a equipe presa no local. Depois afirmou que “quem invade propriedade privada sabe o que leva”.
Na zona do sítio onde o miliciano Adriano da Nóbrega foi morto os moradores não parecem ter tomado medidas para aumentar a segurança de suas casas, apesar da declarações de apreensão e medo. Nas propriedades próximas, não há algo que possa dificultar a entrada. Em algumas delas, os portões que dão acesso às casas ficam abertos.
A uns 400 metros dali, se alguns moradores aceitavam falar sobre o assunto, outros tentavam despistar a imprensa, com hostilidade. Um homem se aproximou enquanto a reportagem conversava com duas mulheres: “A gente aqui não sabe de nada, não. Esse povo aqui é povo meu. Vai procurar informação em outro lugar. Cada um sabe do seu.”
Nas últimas 24h, foram 3.379 novos casos e 189 novos óbitos
Ministério da Saúde divulgou balanço de casos da covid-19 - FOTO: FREEPIK/BANCO DE IMAGENS
O Brasil teve mais 3.379 casos confirmados e 189 óbitos pelo novo coronavírus nas últimas 24 horas, de acordo com boletim divulgado neste domingo (26) pelo Ministério da Saúde.
Com isso, o País chegou a 61.888 casos e 4.205 mortes.
Pernambuco sozinho contabiliza 4.507 casos e 381 óbitos, segundo números mais recentes da Secretaria Estadual de Saúde (SES).
A Secretaria Estadual de Saúde (SES) confirmou mais 391 casos e 34 óbitos neste domingo. O Estado é o quarto com maior ocorrência da covid-19, atrás apenas de São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará.
Moro publicou no Twitter que estão fazendo uma campanha "de fake news" para desqualificá-lo
Em janeiro de 2019, Bolsonaro empossa Sergio Moro, ex-juiz da Lava Jato e responsável pela prisão do ex-presidente Lula, como o ministro da Justiça do Brasil. Foto: VALTER CAMPANATO/AGÊNCIA BRASIL
Depois de ter pedido demissão na última sexta-feira (24), o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, divulgou no Twitter que está sendo alvo de fake news.
No entanto, ele afirmou não se preocupar "já que passei por isso durante e depois da Lava Jato". Na publicação, ele ainda ironizou o slogan do governo Bolsonaro que diz "Brasil acima de tudo. Deus acima de todos", deixando a entender que a campanha de fake news feita teria alguma relação com o clã Bolsonaro.
13 dos 35 aparelhos comprados da Intermed chegaram a Pernambuco, após decisão judicial. (Foto: Heudes Régis/SEI.)
Começaram a chegar neste domingo (26) 13 dos 35 respiradores comprados pelo governo de Pernambuco à Intermed Equipamento Médico Hospitalar Ltda, de São Paulo. O material deveria ter chegado ao estado em 20 de março, mas a empresa alegava que não podia repassar por conta de uma requisição do governo federal, que negou a informação. Como a Intermed seguia se recusando a entregar, a Procuradoria Geral do Estado (PGE-PE) entrou com uma ação para garantir os equipamentos.
O 13 respiradores que chegaram neste domingo serão distribuídos para a rede estadual de saúde nesta segunda-feira (27). A expectativa do governo de Pernambuco é de que o restante dos aparelhos - 22 - cheguem até a terça (28). O conteúdo foi apreendido pela Comarca de Cotia, cidade do interior paulista, no dia 24, atendendo a uma decisão do juiz Teodomiro Noronha Cardoso, da 3ª Vara da Fazenda Pública do Recife
Em pronunciamento, o governador Paulo Câmara (PSB) afirma que os aparelhos se integram ao esforço do governo em abrir novos leitos no sistema de saúde por causa da pandemia do novo coronavírus. Neste domingo, o estado contabiliza 712 novos leitos, sendo 333 de UTI e 379 comuns (enfermaria).
“É uma luta diária. Abrir novos leitos envolve além do espaço físico nos hospitais, os recursos humanos, os insumos e muitos outros detalhes importantes para atender os pacientes de maneira adequada. Por isso, precisamos segurar a disseminação do vírus. Quanto menos contato com as pessoas você tiver, menor é a chance de pegar a Covid-19. Faça o isolamento social, fique em casa por você, pela sua família, pelo próximo e por todos nós”, ressalta o governador.
O presidente Jair Bolsonaro e o ex-ministro da Justiça Sergio Moro continuaram a trocar farpas neste sábado (25/4), um dia após o pedido de demissão de Moro, por meio das redes sociais.
O primeiro a se manifestar foi Bolsonaro, com um tuíte que parece ter a intenção de passar a imagem de Moro como um traidor ou que, ao menos, agiu de maneira ingrata. Na mensagem, o presidente postou uma foto em que aparece caminhando ao lado de Moro, com a mão no ombro do então ministro.
A imagem é acompanhada do seguinte texto: "A VazaJato começou em junho de 2019. Foram vazamentos sistemáticos de conversas de Sergio Moro com membros do MPF. Buscavam anular processos e acabar com a reputação do ex-juiz. Em julho, PT e PDT pediram prisão dele. Em setembro, cobravam o STF. Bolsonaro no desfile do dia 7 fez isso".
A Vaza Jato foi uma série de matérias publicadas pelo site The Intercept e, mais tarde, vários outros veículos, sobre trocas de mensagens entre Moro e procuradores que colocaram sob suspeita a imparcialidade de Moro ao julgar os precessos relacionados à Vaza-Jato, que acabaram, entre outras consequências, levando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à prisão e o impedindo de concorrer nas eleições de 2018.
A resposta de Moro
Depois da postagem de Bolsonaro, Moro respondeu, usando a mesma rede social. "Sobre reclamação na rede social do Sr.Presidente quanto à suposta ingratidão: também apoiei o PR quando ele foi injustamente atacado. Mas preservar a PF de interferência política é uma questão institucional, de Estado de Direito, e não de relacionamento pessoal", afirmou Moro.
À mensagem, Moro anexou uma matéria jornalística cujo título é "Moro pede que PGR e PF investiguem depoimento de porteiro". Em seu discurso na sexta-feira, Bolsonaro se queixou de a Polícia Federal sob comando de Moro ter se empenhado mais em descobrir quem mandou matar a vereadora carioca Marielle Franco do que quem mandou matá-lo. Bolsonaro também se queixou de omissão de Moro no episódio em que o depoimento de um porteiro sugeria um encontro de Bolsonaro com um dos presos pelo assassinato da vereadora.
Antes, também neste sábado, Moro compartilhou uma campanha do Ministério da Justiça. "Faça a coisa certa, pelos motivos certos e do jeito certo" foi o lema de campanha de integridade que fizemos logo no início no MJSP", afirmou.
Acusações
Ao anunciar a saída do cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública, Moro acusou o presidente de tentar interferir politicamente no comando da Polícia Federal para obter acesso a informações sigilosas e relatórios de inteligência. "O presidente me quer fora do cargo", disse Moro, ao deixar claro que a saída foi motivada por decisão de Bolsonaro.
Em um pronunciamento de cerca de 40 minutos, o presidente Jair Bolsonaro rebateu o ex-ministro. Na fala, no entanto, Bolsonaro reconheceu que deseja um contato mais direto com o diretor-geral da instituição e evidenciou ter interesse pessoal em investigações da PF, como o caso da facada que sofreu em 2018. Bolsonaro disse que, se Moro queria independência para fazer nomeações, deveria ter disputado a eleição à Presidência.
Com seis minutos de atraso, abatido e cabisbaixo, o ex-ministro da Justiça Sergio Moro entrou pelo acesso direito do Auditório Tancredo Neves do Palácio da Justiça para encerrar 478 dias de sua participação no governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), contados a partir do ato de sua nomeação, em 2 de janeiro de 2019.A cena contrasta com a euforia do dia 1º de novembro de 2018, quando o então juiz da Lava Jato desembarcou no condomínio de Bolsonaro na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, para largar 22 anos de magistratura –cinco deles à frente da maior investigação de corrupção do país– e aceitar emprestar seu nome e sua imagem ao governo recém-eleito.
A declaração de despedida, na última sexta-feira (24), durou 37 minutos e 55 segundos e foi seguida por uma salva de palmas de 44 segundos –mas não foi construída na véspera.
A decisão de sair do governo caso o presidente insistisse em interferir na Polícia Federal já estava tomada por Moro desde o fim de semana.
O ex-ministro da Justiça já havia avisado assessores e subordinados próximos, entre eles o próprio Maurício Valeixo, então diretor-geral da PF, que a interferência no órgão era uma linha intransponível e não aceitaria que o presidente a cruzasse.
No entanto, Moro já esperava que isso fosse acontecer.
Nas últimas semanas, em reação ao apoio do ex-juiz às medidas de isolamento social defendidas pelo então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, Bolsonaro havia voltado a cobrar insistentemente a saída de Valeixo.
A cobrança se tornou assunto monotemático do presidente nas reuniões semanais entre ele e Moro às quintas-feiras no Palácio do Planalto.
O último encontro ocorreu às 9h de quinta (23), no gabinete da Presidência da República. Bolsonaro comunicou que trocaria Valeixo até o final da semana e avisou que definiria o substituto.
Moro tentou indicar o nome do delegado Disney Rosseti, da Diretoria Executiva, cadeira número 2 na hierarquia da corporação. Bolsonaro rejeitou. A conversa durou menos de dez minutos e, ao final, Moro pediu demissão.
No caminho do Planalto para o Palácio da Justiça, onde comunicou aos auxiliares que estava fora do governo, o ministro avisou a esposa, a advogada Rosângela Moro, da decisão. Ela ficou em Curitiba na semana passada. De longe, tentou monitorar, dar forças e consolar o marido nas últimas horas no cargo.
Em texto publicado nas redes sociais da advogada –enviado pessoalmente ao ex-ministro por WhatsApp–, Rosângela recorreu ao poema "Ausências", de Vinícius de Moraes, para confortar Moro.
Os versos falam sobre o fim de um relacionamento. "Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces. Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto", começa o poema.
Em outro trecho, Moraes diz: "Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados. Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada".
O poema foi apagado das redes sociais de Rosângela logo após Moro fazer o pronunciamento em que anunciou os motivos da demissão. E foi justamente ao falar da família que o ministro embargou a voz uma única vez na saída do governo.
A última semana de Moro à frente do Ministério da Justiça foi marcada pelo autoisolamento.
O ex-ministro veio sozinho para Brasília. Nos últimos dias, andou mais calado e fechado do que de costume desde que entrou no governo.
Para alguns aliados, o comportamento dele nesses dias lembrou o do ex-juiz da Operação Lava Jato.
Um dos assessores que era da equipe da PF na época afirmou à reportagem que Moro estava tão tenso quanto no dia da condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em março de 2016.
Na terça-feira (21), já em Brasília, Moro foi informado de que Bolsonaro iria colocá-lo contra a parede sobre a mudança na PF. Ele voltou a avisar a equipe que, ocorrendo isso, estaria fora.
Nos dias seguintes, o ministro recorreu a aliados, amigos e assessores para avaliar os prós e contras de um pedido de demissão e os impactos a sua imagem. Moro tinha a preocupação de não passar a mensagem errada e a impressão de que estava abandonando o barco em meio à pandemia do novo coronavírus.
O ex-ministro queria ainda passar um recado sobre o seu futuro, deixando em aberto que poderia voltar a trabalhar pelo Brasil. Moro é, a todo momento, lembrado como um possível presidenciável em 2022, apesar de sempre negar a intenção de ser candidato.
Antes mesmo de formalizar a saída, na quinta-feira, o ex-ministro foi sondado por governadores e também pela iniciativa privada. Moro disse a interlocutores que, por ora, só queria voltar para casa em Curitiba e descansar ouvindo Fagner, seu cantor favorito.
Na véspera da demissão, o ex-ministro orientou assessores próximos que copiassem arquivos pessoais em seus computadores e em seus celulares funcionais. E deixou o prédio por volta das 19h após receber ministros militares do governo que tentaram dissuadi-lo da decisão.
Moro passou a noite de quinta-feira sozinho em casa acompanhando o noticiário e trocando impressões com assessores por telefone.
Ele também recebeu uma ligação de Maurício Valeixo confirmando que a sua exoneração sairia no dia seguinte.
A decisão de Bolsonaro pôs fim a uma relação marcada por altos e baixos.
O primeiro encontro entre os dois ocorreu em 2017 e, na verdade, foi um desencontro. Em março daquele ano, o então juiz ignorou Bolsonaro no aeroporto de Brasília.
O presidente, então deputado federal, bateu continência e tentou cumprimentá-lo. Moro acenou com a cabeça, falou "tudo bem" e virou as costas.
Em 2018, após a ida do juiz ao Rio de Janeiro, Bolsonaro por mais de uma vez declarou que o futuro ministro teria "total liberdade" para escolher o primeiro, o segundo e o terceiro escalões da pasta.
A promessa durou pouco. Em agosto de 2019, sem o conhecimento da cúpula da PF, Bolsonaro anunciou a troca do superintendente do órgão no Rio de Janeiro e houve reação na cúpula da corporação. Diante da resposta negativa, o presidente recuou, mas começou a pedir a cabeça de Valeixo.
O último capítulo da aliança aconteceu na sexta-feira.
Após ser chamado de mentiroso por Bolsonaro, Moro divulgou troca de mensagens entre os dois na qual mostra a tentativa do presidente de interferir na PF. (Renato Onofre)