sábado, 23 de maio de 2020

Ex-Prefeito de Feira Nova havia superado o Covid-19, mais faleceu de infecção hospitalar

Razão da morte – O ex-prefeito de Feira Nova, Jairo Cândido Gonzaga, que morreu ontem, chegou a se curar da Covid-19, mas acabou sendo vítima de uma infecção generalizada. Ele estava internado há 21 dias no Hospital Dom Hélder Câmara, no Cabo de Santo Agostinho, onde fazia tratamento para o mal do século. Segundo boletim médico, ele se curou da doença, mas não resistiu a uma infecção hospitalar generalizada. Foi decretado luto de três dias na cidade em que ele foi vereador, presidente da Câmara e prefeito por duas gestões, entre 2000 e 2008. Jairo deixou viúva e seis filhos, entre eles Danilson Cândido Gonzaga, atual prefeito do município

A dupla batalha do prefeito de São Paulo: contra o câncer e o coronavírus


Por: AFP

 (Foto: NELSON ALMEIDA / AFP)
Foto: NELSON ALMEIDA / AFP
O prefeito de São Paulo, Bruno Covas, de 40 anos, enfrenta dois combates: contra um câncer e contra a pandemia do novo coronavírus, que castiga duramente a capital econômica do país. 

Do seu gabinete, onde instalou sua cama e uma mesa de cabeceira para evitar deslocamentos em razão do seu estado de saúde, Covas declara estar 24 horas disponível para atender a crise que ocorre na capital que governa, com uma população de 12,2 milhões de pessoas.  

Foi diagnosticado com câncer no ano passado. Dois tumores, na cárdia e fígado, desapareceram com quimioterapia. Para o terceiro, nos gânglios linfáticos, começou a ser tratado com imunoterapia em 26 de fevereiro, quando São Paulo registrava o primeiro caso da COVID-19 no país. 

"Não cogitei sair (da prefeitura) porque em nenhum momento os médicos apontaram a necessidade disso", disse Covas em entrevista à AFP em uma das salas situadas na sede do governo.

Sua magreza, a ausência de cabelos que começam a crescer e a palidez de sua face retratam sua luta pessoal contra o câncer. Vestido de preto e com uma máscara facial bem ajustada, ele responde à entrevista de forma sucinta e concreta.

Reconhece sua frustração com a relutância dos paulistanos em respeitar as medidas de confinamento, apesar do novo coronavírus já ter deixado mais de 4.000 mortos em sua cidade, de um total de mais de 21.000 no país, além de mais de 40.000 casos de contágio (330.890 nacionalmente). 

"Mas ao mesmo tempo é gratificante falar que 6 milhões de pessoas respeitam (as medidas de confinamento)", afirma Covas, em menção às estimativas de um índice de isolamento de 50% em todo o país, desde a quarentena iniciada no último 24 de março. 

O maior desafio é convencer a população da necessidade de isolamento, opina. 

"A gente está há praticamente dois meses de quarentena, cada dia que passa é um dia de sacrifício extra que solicitamos", ressalta. 

No entanto, Covas considera "inviável" decretar confinamento total na capital do estado mais rico e populoso do país, sem se alinhar com outras autoridades locais e estaduais, já que São Paulo é "uma cidade tão conectada com municípios vizinhos". 

Apesar da situação, o prefeito afirma que a cidade "tem passado essa crise numa situação melhor do que outras grandes capitais". 

Uma de suas prioridades é garantir atenção médica a todos os paulistanos, algo que ele afirma ter conseguido até agora.

Mas o sistema de saúde está chegando ao limite, com 88% de ocupação de unidades de terapia intensiva na região metropolitana de São Paulo, segundo dados oficiais. 

Covas destaca a busca por alternativas para expandir a estrutura hospitalar. A prefeitura abriu dois hospitais de campanha para pacientes com COVID-19. 

No momento, busca um acordo com os maiores hospitais privados para disponibilizar mais espaços.

- "Muito prejudicial" -
O gabinete do prefeito funciona no imponente e central Edifício Matarazzo, com quinze andares, cercado de uma variedade de árvores e plantas, onde Covas passa a maior parte do tempo e onde recebe seu filho de 14 anos, cuja mãe é divorciada dele. 

Ele sai apenas para ir a hospitais ou se reunir com autoridades, como João Doria, governador de São Paulo, com quem está alinhado. 

Formado em Direito, o neto de Mario Covas (1930-2001), um dos políticos mais influentes do Brasil, iniciou sua carreira cedo. Em 2006, venceu sua primeira eleição, como deputado de São Paulo pelo PSDB. 

No conturbado Brasil contemporâneo, Covas, que se declara de centro, diz estar preocupado com os efeitos do discurso de Bolsonaro. 

"O Brasil perde muitas oportunidades (...) Você vê um presidente que não está preocupado com o protocolo médico, mas que quer um decreto sobre o uso da cloroquina, e isso acaba sendo muito prejudicial", avalia. 

Os grupos de apoiadores de Bolsonaro percorrem as ruas com carreatas desde o início da pandemia, desafiando as recomendações das autoridades regionais e municipais. 

No entanto, Covas afirma que "A repressão não cabe. A cidade de São Paulo é símbolo da democracia no país".  

E ele questiona a politização da luta contra a pandemia, afirmando que "o vírus não é de esquerda ou direta, o vírus é uma realidade científica que precisa ser enfrentada".

Onde o pior da pandemia não chegou até agora em Pernambuco



De acordo com o boletim da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) divulgado nesta sexta-feira (22), dos 184 municípios de Pernambuco, 27 ainda não registraram nenhum caso grave de Covid-19. Os quadros mais difíceis são os que evoluem para Srag (síndrome respiratória aguda grave), que necessita de tratamentos intensivos. As cidades que ainda não tiveram pacientes graves da doença estão todas no Agreste e no Sertão.

Salgadinho, no Agreste, tem população estimada em 10,9 mil habitantes, segundo o IBGE. A cidade, de acordo com o prefeito José Soares (MDB), teve seis casos leves de Covid-19. “Quando chegam pessoas de viagem, a gente orienta para não sair de casa pelo período de 14 dias. Todos os nossos pacientes de coronavírus estão em casa, em isolamento”, disse Soares.

“A gente distribuiu máscaras e álcool em gel para a população. Instalamos algumas pias na rua para o pessoal poder lavar as mãos. Temos duas barreiras sanitárias nas entradas do nosso município e estamos fazendo uma desinfecção na cidade”, contou o prefeito. Segundo ele, foi construído um hospital de campanha com seis novos leitos. “Mas não são de UTI (Unidade de Terapia Intensiva), porque não temos respirador”, contou. “Estamos conversando para encomenda r pelo menos um respirador. Aguardamos uma emenda de um deputado para ver se conseguimos comprar esse equipamento”, disse Soares. “O comércio essencial está funcionando e nossa feira livre é muito pequena. Tem um carro de som na rua alertando a população também”, continuou.

Caso único Com 8,9 mil habitantes, Brejão, no Agreste Meridional, teve apenas um homem confirmado com coronavírus. Segundo a prefeita Elisabeth Barros de Santana (PSB), o caso foi considerado sem gravidade. “Ele teve sintomas clínicos leves e ficou em casa, sendo monitorado por nossa equipe de saúde”, afirmou a gestora.

Elisabeth disse que a Prefeitura colocou barreiras sanitárias nas entradas do município. Apenas os serviços essenciais, como supermercados e farmácias, estão funcionando. “Estamos fazendo um trabalho periódico de desinfecção das ruas, do comércio da feira-livre, que só tem funcionado aos domingos”, relatou.

Segundo a prefeita, na possibilidade de casos sejam graves, os pacientes serão encaminhados ao hospital municipal.

“Tem um médico plantonista nesta unidade de saúde, com respirador. Mas em caso de complicações, os pacientes são encaminhados ao Hospital Regional Dom Moura, em Garanhuns, que é a referência na nossa região”, disse Elisabeth. “As pessoas que chegam de viagem também estão sendo monitoradas. Elas passam por avaliação pela equipe médica do posto de saúde. Qualquer pessoa nessa situação, se tiver sintomas ou não, deve ficar isolada por14 dias. Estamos adotando todos os protocolos do governo estadual”, continuou a prefeita.

Ódio de Weintraub pelo termo “povos indígenas” contraria a Constituição


  • Carta Magna afirma que são reconhecidos aos índios sua organização social, seus costumes, suas crenças e suas tradições. O Brasil é a soma das identidades
  • A declaração do ministro da Educação, Abraham Weintraub, sobre odiar o termo “povos indígenas” ignora a realidade demográfica e étnica brasileira. Como se sabe, o Brasil é formado por várias nações indígenas que antecedem a formação do país como o conhecemos. Weintraub pode não concordar, mas indigenistas e antropólogos defendem a importância de proteger a ideia de que cada um desses povos tenha o seu modo de vida, sua língua, sua identidade.

“Odeio o termo ‘povos indígenas’, odeio esse termo. Odeio. O ‘povo cigano’. Só tem um povo nesse país. Quer, quer. Não quer, sai de ré. É povo brasileiro, só tem um. Pode ser preto, pode ser branco, pode ser japonês, pode ser descendente de índio, mas tem que ser brasileiro, pô! Acabar com esse negócio de povos e privilégios”, afirmou o ministro em tom que beira o racismo na reunião ministerial do dia 22 de abril.

Não são só diversos especialistas no tema que discordam de Weintraub. O avanço democrático e humanista da Constituição de 1988 preserva e dá direito às minorias, entre elas justamente esses povos indígenas. De acordo com o Censo de 2010, existem 305 etnias no Brasil, com pouco mais de 800 mil indígenas e 274 línguas diferentes faladas por esses povos. O número é aproximado porque o próprio Censo admite a dificuldade da pesquisa entre os povos indígenas, isso sem contar o fato de que  já se passaram 10 anos de lá para cá.

A Carta Magna afirma em seu artigo 231 sobre o termo “povos indígenas”, que Weintraub tanto odeia: “são reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens.” O importante aqui é a palavra “sua”, que remete à organização social, costumes e tradições de cada um desses povos.

O fato é que o nu frontal do governo foi mais revelado na reunião, mas essa convicção já era conhecida. Enquanto a Constituição determina que compete à União demarcar as terras indígenas (TI), o presidente Jair Bolsonaro ganhou a eleição garantindo que não haveria uma reserva do tipo demarcada em sua administração.

Expresso no ódio de Weintraub, a política indigenista da atual gestão é contra novas demarcações, a favor da exploração mineral das TIs e também pela catequização dos seus povos, vide a nomeação do pastor para o setor de índios isolados da Fundação Nacional do Índio (Funai), derrubada nesta semana pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região.

Além dos mais de 800 mil indígenas contabilizados pelo Censo, o Brasil tem hoje 114 registros de índios isolados, dos quais 28 são confirmados. Somente os povos isolados comprovados já fazem do Brasil o país com mais indígenas sem contato no mundo. Eles também não estão registrados no censo de 2010, outro fator que dificulta  a real dimensão da diversidade e das etnias indígenas brasileiras.

A ideia de Weintraub reflete, na verdade, o pensamento do ultranacionalismo, que perpassa quase todo o governo Bolsonaro, a começar pelo capitão da reserva. É o mesmo pensamento que diz que a esquerda brasileira tenta criar segmentos de gêneros, de povos e de raça, “desunindo o país”, ideia também defendida pela ala militar no atual contexto polarizado.

A discussão está acima da ideologia, contudo, e foi superada até pela sociologia. O Brasil é pluriétnico, e o respeito à diferença é um conceito basilar. É por isso que as minorias estão descritas na Constituição, para preservar a diversidade brasileira. Não existe uma coisa única, como defende o ministro da Educação. A soma de identidades é que forma o Brasil.

Pastor R.R. Soares afirma que água consagrada por ele é a cura para Covid-19



Em vídeo que circula pelas redes sociais, R.R. Soares fala das propriedades “milagrosas” de uma oração feita por ele somada à ingestão do copo de água consagrado por ele, enquanto pede doações aos fiéis. O pastor é dono da RIT TV , da Nossa TV e há décadas tem seus cultos religiosos televisionados por Band e RedeTV! .

Tenho dois casos. José Vicente, pelo YouTube, Ele conta que o Alex Mesquita do Rio de Janeiro estava internado no Rio há 11 dias e recebeu alta”, proclama uma moça. “E o segundo?”, cobra Soares. “É da Mirna Santos, pelo Facebook. A mãe estava com o vírus, ficou 15 dias no respirador e após a oração ficou curada”, segue a assistente. 

“João Machado, e você tem quantos do Covid, cobra o líder da igreja?” “Tenho seis testemunhos do Covid”, responde. “Primeiro”, ordena Soares. “Primeiro é Sebastião do Rio de Janeiro. Fazia oito dias que a filha dele estava com Covid, mas depois da oração e do copo com água ela está curada”, diz. E continua: “Cosilene (sic) do Rio de Janeiro estava internada com Covid mas ela fez a oração e foi curada”.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), ainda não existe nenhuma cura ou vacina que proteja as pessoas do novo coronavírus, a principal medida para evitar a enfermidade é o isolamento social.

Esta não é a primeira vez que algo do tipo acontece. Há algum tempo, segundo noticiou Ricardo Feltrin, o pastor Valdemiro Santiago, da Igreja Mundial, prometeu uma falsa cura da Covid-19 através da venda de uma semente por R$ 1.000.

Assim como no caso de Valdemiro, o Ministério Público Federal vai investigar o caso de R.R. Soares e pedir a retirada do ar dos vídeos. Os procuradores também podem acusar o religioso de estelionato e prática de charlatanismo.

Governo promete aumentar fiscalização na última semana da quarentena

Governo promete aumentar fiscalização na última semana da quarentena



O governador Paulo Câmara coordenou, na manhã deste sábado (23), por videoconferência, uma reunião com os secretários envolvidos nas principais ações da Operação Quarentena. Foram atualizados os números das medidas implementadas, principalmente os dados relativos à fiscalização de estabelecimentos comerciais, abordagens a veículos, orientação à população, distribuição de máscaras e cestas básicas e outras ações nas comunidades.

Na reunião, foi definido que os bloqueios para fiscalizar o rodízio de veículos passarão de 43 para 50 nesta última semana da quarentena. Participaram da videoconferência com o governador os secretários Alexandre Rebêlo (Planejamento), Sileno Guedes (Desenvolvimento Social), Antônio de Pádua (Defesa Social) e Cloves Benevides (Políticas de Prevenção à Violência e às Drogas).

No período de 16 a 22 de maio, foram empregados 8.364 profissionais de diversos setores, principalmente da Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Polícia Civil, Apevisa, Detran, Procon e Guardas Municipais. Distribuídas em 43 pontos estratégicos de bloqueio, as equipes abordaram 62.992 veículos para verificar o cumprimento da medida que determinou o rodízio nos municípios do Recife, Olinda, Jaboatão dos Guararapes, Camaragibe e São Lourenço da Mata.

Na fiscalização aos estabelecimentos funcionando irregularmente, em descumprimento às medidas do decreto, as equipes visitaram 14.048 casas comerciais ou de serviços. Durante esse período, mais de 72 mil pessoas receberam orientações diversas na área social. As secretarias envolvidas no atendimento realizaram 24 ações integradas em 24 bairros e em 48 comunidades de Olinda, Jaboatão, Camaragibe e São Lourenço da Mata. Também foram distribuídas 14.980 máscaras, quatro mil cestas básicas e 2.610 kits de higiene.

PE registra 1.026 novos casos da Covid-19 e 87 novas mortes


De acordo com o boletim divulgado pela Secretaria de Saúde do estado de Pernambuco, foram confirmados laboratorialmente, neste sábado (23), 1.026 novos casos da Covid-19. Ainda segundo a pasta, deste número, 223 se enquadram como Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag) e 803 como leves. Além disso, também foram confirmados 87 novos óbitos laboratorialmente nas últimas 24h. Com isso, Pernambuco totaliza 2.144 mortes pela Covid-19

Filho foge de hospital, contamina o pai, e ambos morrem de covid-19

Hospital da cidade de Américo Brasiliense (foto: Portal Morada)

Tragédia ocorreu na cidade de Américo Brasiliense, no interior de São Paulo. Fábio Sanches se recusou a se sujeitar ao tratamento da doença, saiu para jogar cartas com amigos e depois se encontrou com o pai. Ambos faleceram dias depois

‌A cidade de Américo Brasiliense, no interior de São Paulo, viveu nesta semana mais uma das histórias tristes ocorridas no país nesta pandemia do coronavírus. Mas, desta vez, o responsável pelo trágico desfecho foi o próprio protagonista.
‌Fugiu do local e foi se encontrar com amigos, onde passou a noite bebendo e jogando cartas. No dia seguinte, visitou seu pai, o aposentado Luis Sanches, de 67 anos.

Na segunda-feira (18), Fábio sentiu complicações da doença e foi levado novamente ao hospital, onde resistiu por algumas poucas horas, e terminou falecendo. Dois dias depois, Luis Sanches também foi levado ao hospital, e também morreu.