ENTREGAS DE CONCRETO, TRAIÇÕES DE PALANQUE: O DIA EM QUE SERRA TALHADA VAIOU O PRÓPRIO FUTURO
Há momentos em que a política abandona qualquer disfarce e se revela nua, crua e pequena. A entrega do Residencial Vanete Almeida deveria ser uma celebração histórica para Serra Talhada: quase mil famílias recebendo as chaves da casa própria, um projeto destravado após anos de abandono e a presença da governadora que bancou, com recursos e decisão política, o desfecho dessa novela. Em vez disso, o que se viu foi a encenação da ingratidão, a coreografia da vaia e o silêncio ensaiado de quem preferiu trair em vez de governar com grandeza.
OS INVESTIMENTOS SÃO FATOS, NÃO OPINIÃO
Antes de qualquer malabarismo retórico, é preciso colocar os números sobre a mesa. Raquel Lyra não levou discurso a Serra Talhada; levou dinheiro, obra e assinatura. Foram quase R$ 5 milhões decisivos para viabilizar o Residencial Vanete Almeida, além da requalificação do Aeroporto Santa Magalhães, restauração da PE-350, recuperação da Barragem do Jazigo, programas robustos para a agricultura familiar, creches, escola técnica estadual e a articulação de uma maternidade regional. Isso se chama política pública. O resto é espuma.
O VANETE ALMEIDA: QUEM DESTRAVOU, QUEM COLHEU
O conjunto habitacional virou símbolo de tudo que não funcionava. Obra parada, famílias desacreditadas e um passivo social enorme. Foi o Governo do Estado que destravou, aportou recursos e assumiu o risco político. Na hora da entrega, porém, quem colheu os aplausos locais foi a prefeitura, enquanto a governadora recebeu vaias. É a lógica perversa do oportunismo: privatiza-se o crédito e socializa-se a hostilidade.
A VAIA ENSAIADA E O BASTIDOR CONVENIENTE
Não foi espontâneo. Não foi calor popular. Houve organização, faixas prontas, timing perfeito e torcida nos bastidores. Gente ligada ao governo municipal apostou no constrangimento como estratégia. A vaia virou instrumento político barato para marcar posição sem assumir o ônus publicamente.
O SILÊNCIO COMO MÉTODO DE TRAIÇÃO
Mais grave do que a vaia foi o silêncio do palanque. A prefeita Márcia Conrado, que se apresentou como parceira enquanto os recursos chegavam, escolheu não agir quando a governadora foi hostilizada. Nenhuma palavra de respeito institucional. Nenhum gesto de contenção. O silêncio não foi distração; foi escolha. E escolha tem nome: traição.
ALIANÇA DE CONVENIÊNCIA TEM PRAZO DE VALIDADE
Enquanto havia obras para anunciar, a parceria era exaltada. Quando a parceria exigiu postura, coragem e lealdade mínima, ela evaporou. A governadora serviu enquanto financiou. No primeiro teste público, foi descartada. Política assim não é pragmatismo; é cinismo.
SORORIDADE QUE NÃO SUBIU AO PALANQUE
Um governo municipal composto majoritariamente por mulheres falhou no básico: a defesa institucional de outra mulher atacada em público. A sororidade foi seletiva, condicionada à conveniência política. Em vez de postura, houve cálculo. Em vez de empatia, omissão.
QUEM TEVE CORAGEM — E QUEM SE ESCONDEU
A reação veio de poucos. Luciano Duque e Simone Benevides se levantaram, puxaram aplausos e tentaram reparar o constrangimento. O restante preferiu fingir que nada estava acontecendo. Em política, quem se esconde no momento crítico revela exatamente quem é.
A CONTA POLÍTICA QUE VAI CHEGAR
Sou defensor da livre manifestação, mas não da molecagem organizada. Vaia ensaiada não é crítica; é sabotagem institucional. Como ninguém do poder local teve coragem, fica o registro: desculpas à governadora Raquel Lyra, em nome de quem reconhece as entregas. Ela tem falhas, sim. Mas não merecia essa penitência pública. Judas também sentou, comeu e traiu. A diferença é que a história não costuma esquecer — e as urnas, menos ainda.
Serra Talhada precisa decidir se quer ser lembrada como a cidade que recebeu obras e vaiou quem as trouxe, ou como o município que amadureceu politicamente. Entre o concreto entregue e a vaia ensaiada, ficou exposta a pequena política de quem fingiu aliança enquanto afiava o punhal. É isso!