O prefeito do Recife e presidente nacional do PSB, João Campos, sinalizou de forma clara que o tabuleiro político em Pernambuco começará a ganhar contornos definitivos já nas próximas semanas. Em entrevista concedida à CNN nesta terça-feira (27), o gestor afirmou que a Frente Popular deverá apresentar, até o mês de março, os nomes que disputarão o Governo do Estado e o Senado Federal, consolidando a estratégia do grupo para as eleições deste ano.
Animado com o cenário eleitoral, João deixou evidente que o PSB quer protagonismo não apenas em Pernambuco, mas também no debate nacional. Segundo ele, o partido já se posicionou de maneira firme ao declarar apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reforçando a aliança construída desde 2022. O prefeito destacou o papel do vice-presidente Geraldo Alckmin, filiado ao PSB, elogiando sua atuação tanto na vice-presidência quanto à frente do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
No plano estadual, a movimentação de João Campos ocorre em meio a uma disputa política que tende a polarizar forças entre ele e a governadora Raquel Lyra (PSD). Ao falar sobre a definição das candidaturas, o prefeito ressaltou que a construção da chapa da Frente Popular está sendo feita em diálogo com outras siglas da base aliada, inclusive o próprio PT, numa tentativa de manter a unidade do campo lulista em Pernambuco.
Um dos movimentos mais simbólicos dessa articulação é a aproximação com o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho. Os dois se reuniram novamente nesta terça-feira, no Recife, reforçando uma aliança que vem se consolidando desde o ano passado. João fez questão de registrar o encontro nas redes sociais, destacando a troca de experiências e o debate sobre as demandas do interior do estado, especialmente do Sertão. Miguel é apontado como um nome forte para compor a chapa ao Senado, o que, nos bastidores, também ajuda a esfriar especulações sobre uma eventual aliança dele com Raquel Lyra.
Ao comentar a relação com o presidente Lula, João Campos adotou um tom político, porém calculado. Ele lembrou que, em 2022, o PSB foi o principal aliado do PT na disputa contra o bolsonarismo, ocupando inclusive a vice-presidência da República. Sem citar diretamente a governadora, o prefeito fez uma comparação indireta ao lembrar que o PSDB — partido de Raquel na última eleição presidencial — não se posicionou formalmente naquele pleito. Para João, a relação do PSB com Lula não é circunstancial, mas parte de um projeto político mais amplo de reconstrução do país.
O prefeito também mencionou o reconhecimento que seu nome vem recebendo em pesquisas para o Governo de Pernambuco, mesmo antes de qualquer anúncio oficial de candidatura. A fala reforça a estratégia de manter-se em evidência como liderança natural do campo governista, enquanto o calendário eleitoral se aproxima das definições formais.
No cenário nacional, João Campos revelou que o PSB pode protagonizar outra movimentação de peso: a possível filiação da ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB), com vistas à disputa pelo governo de São Paulo. Ele elogiou o perfil da ministra, destacando sua seriedade, preparo e capacidade eleitoral, e afirmou que ela teria competitividade em qualquer cargo que viesse a disputar.
Segundo João, as conversas em São Paulo estão sendo conduzidas pelo presidente estadual do PSB, Márcio França, e pela deputada federal Tábata Amaral, que preside o partido na capital paulista. Ambos vêm dialogando com a direção nacional sobre os rumos da legenda no maior colégio eleitoral do país. Além de Tebet, o próprio Márcio França também é citado como nome viável para a disputa contra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Com as declarações, João Campos deixa claro que o PSB pretende jogar em várias frentes ao mesmo tempo: fortalecer o palanque de Lula, liderar a construção da chapa governista em Pernambuco e ampliar seu protagonismo em estados estratégicos como São Paulo. A promessa de anunciar as candidaturas estaduais até março coloca pressão sobre aliados e adversários e inaugura, de vez, a fase mais decisiva das articulações eleitorais de 2026.