Enquanto boa parte do país mergulha no ritmo frenético dos trios elétricos e das multidões carnavalescas, Garanhuns reafirma sua vocação para oferecer uma experiência sonora sofisticada, acolhedora e culturalmente vibrante. A edição 2026 do Garanhuns Jazz Festival (GJF) chega com uma programação que mistura gerações, estilos e geografias musicais, transformando a “Cidade das Flores” em um refúgio para quem prefere trocar o agito pela boa música e o conforto do clima ameno do Agreste pernambucano.
A programação oficial foi anunciada pela Prefeitura de Garanhuns, por meio da secretária de Cultura, Sandra Albino, em parceria com os produtores Giovanni Papaléo e Jackson Rocha Jr. Criado em 2008 na gestão de Luiz Carlos de Oliveira e retomado em 2023 pelo prefeito Sivaldo Albino, o festival consolidou-se como um dos mais importantes eventos do calendário cultural do Nordeste, com impacto que ultrapassa os palcos e alcança diretamente o turismo e a economia local.
Realizado na Praça Mestre Dominguinhos, o GJF tornou-se símbolo de um Carnaval alternativo, que atrai visitantes em busca de tranquilidade sem abrir mão de uma programação de alto nível. Segundo Sandra Albino, o evento já é peça-chave na estratégia de posicionar Garanhuns como destino cultural de excelência. Ela destaca que o festival mudou a história da cidade no período carnavalesco: antes marcado por baixa ocupação hoteleira, hoje registra índices próximos da lotação máxima, movimentando hotéis, bares, restaurantes e o comércio em geral.
A história de sucesso do festival vem sendo construída ao longo dos anos. Logo na segunda edição, o GJF conquistou o primeiro lugar em um prêmio estadual de turismo, reconhecimento que ajudou a projetar o nome de Garanhuns no cenário cultural brasileiro. Em 2011, ainda em sua fase inicial, o evento já levava os hotéis da cidade a uma ocupação recorde de 98% durante o Carnaval, consolidando o modelo que une música de qualidade, organização e um ambiente seguro e familiar.
A grade de 2026 reforça essa identidade plural. A abertura, no sábado, dia 14 de fevereiro, valoriza a produção local com o projeto Nosso Jazz, que reúne talentos instrumentais de Pernambuco. Na sequência, sobe ao palco Izzy Gordon, cantora paulista conhecida pela elegância vocal e por um repertório que passeia entre o jazz e a MPB. O ponto alto da noite promete ser o encontro entre Gui Schwab, vencedor do Grammy Latino com a banda Suricato, e o lendário Pepeu Gomes, em um diálogo de guitarras que une virtuosismo, história e improviso.
No domingo, o festival mergulha nas sonoridades que conectam o interior do Brasil ao cenário internacional. Revoredo, multiartista pernambucano, leva ao palco suas composições autorais carregadas de identidade regional. A noite segue com o guitarrista Bruno Marques ao lado de Marcelo Dai, baterista e cantor apontado como uma das novas apostas da soul music nacional. O encerramento reúne a energia da Prado Brothers Band, o rock-blues de Wilson Sideral e a gaita marcante de Jefferson Gonçalves, formando uma grande jam session que mistura técnica e improvisação.
A segunda-feira será marcada por forte carga simbólica e diversidade estética. Guilber Lucena apresenta o projeto “Vozes Negras”, celebrando a ancestralidade afro-brasileira por meio da música. Em seguida, o palco recebe uma atração internacional: o bluesman de Chicago Lorenzo Thompson, trazendo a tradição do blues norte-americano em diálogo com músicos brasileiros. Fechando a noite, Fernando Anitelli, líder do Teatro Mágico, apresenta pela primeira vez no Nordeste um espetáculo com releituras instrumentais e jazzísticas de canções consagradas de seu repertório.
Na terça-feira, o festival encerra em grande estilo com nomes de peso do jazz contemporâneo. O Trio Corrente, vencedor do Grammy Latino e referência mundial em formações de piano-trio, se apresenta ao lado do trombonista Joabe Reis, um dos destaques da nova cena instrumental brasileira. A programação segue com a força vocal de Ana Cañas dividindo o palco com os guitarristas baianos Igor Gnomo e Eric Assmar, em um encontro que mistura jazz, rock e blues. O encerramento fica por conta de Chico Chico, que traz ao público seu trabalho autoral marcado por intensidade e influências do blues e da MPB. Durante todos os dias, a Móbile Jazz Band garante a trilha sonora nos intervalos, espalhando música pelos espaços do evento.
Mas o Garanhuns Jazz Festival não se limita ao palco principal. A cidade inteira entra no clima, com pockets shows em pontos turísticos como o Lago São Francisco e a Vila de Sete Colinas, além de visitas a vinícolas da região, como a Vale das Sete Colinas. A proposta é transformar o festival em uma experiência completa, unindo música, gastronomia e turismo de contemplação.
A estrutura também foi pensada para o conforto do público. Segundo o produtor executivo Jackson Rocha Jr., o espaço principal contará com uma grande cobertura para evitar transtornos com possíveis chuvas, além de mesas e cadeiras que permitem ao público assistir aos shows com tranquilidade. As apresentações acontecem sempre das 19h às 23h, horário planejado para que visitantes ainda possam circular pela cidade e aproveitar a culinária local antes de seguir para as tradicionais jam sessions noturnas.
Com histórico de segurança, organização e pontualidade, o Garanhuns Jazz Festival reforça sua reputação como um evento familiar e de alto padrão. Em pleno Carnaval, Garanhuns mostra que também é possível celebrar com sofisticação, diversidade musical e um clima que convida a ouvir cada nota com calma — exatamente como pede o jazz.