Fundado em 2 de setembro de 2011, o Maracatu Afrobatuque nasceu com a missão de manter viva a expressão do Maracatu Nação no Sertão, território onde essa manifestação cultural encontra novos significados e amplia seu alcance. Ao longo dos anos, o grupo ultrapassou os limites de Floresta e passou a atuar também em municípios vizinhos, como Mirandiba e Cabrobó, espalhando o ritmo, a história e a simbologia do maracatu por toda a região.
O reconhecimento oficial como Ponto de Cultura pelo Ministério da Cultura, conquistado em 11 de abril de 2025, marcou um novo capítulo nessa trajetória. No mesmo ano, o grupo teve seu principal projeto aprovado no edital da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB) em Pernambuco, com recursos do Governo Federal. O incentivo financeiro de R$ 96.250 garantiu a estrutura necessária para ampliar as ações e aprofundar o impacto social e cultural do trabalho desenvolvido.
Batizado de “Afrobatuque”, o projeto oferece oficinas de percussão e dança de Maracatu de Baque Virado voltadas tanto para iniciantes quanto para quem já possui experiência na tradição. As atividades vão além da música e da dança: incluem oficinas de confecção de adereços, construção de instrumentos como alfaias e agbês, além de práticas ligadas à estética afro, fortalecendo a identidade e a autoestima dos participantes.
O alcance social é um dos pilares da iniciativa. O público atendido é formado por crianças, adolescentes, jovens e adultos das comunidades periféricas de Floresta, com destaque para os bairros DNER, Caetano e Escondidinho. Ao ocupar esses espaços com cultura, o projeto se torna também ferramenta de inclusão, educação e combate às desigualdades.
Além das oficinas, o Afrobatuque promove quatro mostras artísticas e culturais ao longo do período de execução. Entre as ações previstas estão um grande encontro de maracatus, atividades voltadas ao fortalecimento dos grupos de cultura popular, mobilizações contra a discriminação racial e homenagens às mulheres negras, reconhecendo seu papel fundamental na construção e manutenção das tradições afro-brasileiras.
Os recursos do edital também garantem a atuação da equipe de coordenação e dos oficineiros, a produção de material de divulgação, o suporte administrativo e o registro das atividades, assegurando que a memória do projeto seja documentada e compartilhada.
Com execução prevista de maio de 2025 a maio de 2026, o projeto já colhe resultados. Foram realizadas oficinas de maracatu para iniciantes, um encontro de maracatu em dezembro de 2025 e iniciadas as oficinas de construção de instrumentos e agbês. E a agenda segue intensa: entre janeiro e maio de 2026, novas atividades continuam movimentando a cena cultural da cidade.
Para Libânio Francisco, Mestre de Cultura Popular e coordenador técnico-pedagógico do Ponto de Cultura, a conquista representa mais do que recursos financeiros. Ele destaca que a aprovação do projeto simboliza o reconhecimento do trabalho desenvolvido em Floresta e região. Segundo ele, o apoio da PNAB possibilita a realização das ações por um ano inteiro, ampliando a presença do grupo nas comunidades e consolidando o Afrobatuque como referência na preservação, valorização e vivência do Maracatu de Baque Virado no Sertão pernambucano.
Entre tambores, cores e ancestralidade, o Maracatu Afrobatuque prova que tradição não é coisa do passado — é força viva que pulsa, educa e transforma realidades.