No desenho traçado para o Estado, o PL sinaliza apoio à reeleição da governadora Raquel Lyra, articula a tentativa de filiação do ex-ministro Mendonça Filho à legenda para uma candidatura ao Senado e mantém respaldo ao projeto de Miguel Coelho à Casa Alta. O ponto mais sensível, porém, envolve diretamente o ex-prefeito de Jaboatão, Anderson Ferreira.
Até então, Anderson sustentava publicamente que disputaria o Senado, enquanto seu irmão, André Ferreira, buscaria a reeleição à Câmara dos Deputados. O documento vazado desmonta essa narrativa: Anderson deverá concorrer a uma vaga na Câmara Federal, enquanto André migrará para a disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa de Pernambuco, a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).
A mudança confirma a tese que circulava nas rodas políticas há meses. Nos bastidores, a leitura é de que a estratégia busca otimizar forças: Anderson, com recall estadual após duas disputas majoritárias e a gestão em Jaboatão, teria maior potencial competitivo para uma votação expressiva à Câmara Federal. Já André, com forte inserção em bases municipais e trânsito consolidado em redutos estratégicos, poderia fortalecer o partido no Legislativo estadual.
Na corrida pela Alepe, André Ferreira desponta como um dos nomes mais estruturados do chamado “Time 1”. Ele conta com o apoio declarado de prefeitos como Zé Elias Filho, de Calçado; Elias Meu Fi, de Pombos; e Quebra Santo, de Lagoa do Ouro, além de manter presença consolidada na Região Metropolitana do Recife. Aliados avaliam que sua eleição é altamente provável, diante da capilaridade já construída ao longo dos últimos mandatos.
Enquanto isso, Anderson entra na disputa proporcional federal com um grupo robusto de apoios municipais — o “Time 2”. Entre os prefeitos alinhados ao ex-prefeito de Jaboatão estão Mary Gouveia, de Escada; Padre Joselito, de Gravatá; Izalta, de Ibirajuba; Ridete Pellegrino, de Jaqueira; Barbosa, de São José da Coroa Grande; Aleudo, de Serrita; Duguinha Lins, de São Joaquim do Monte; e Thiago de Miel, de Xexéu. O conjunto assegura presença eleitoral em diversas regiões do Estado — da Mata Sul ao Agreste e ao Sertão — ampliando a musculatura da candidatura.
O cálculo político é claro: com apoio pulverizado em municípios estratégicos, Anderson pode figurar entre os mais votados do Estado, fortalecendo o PL na bancada federal e ampliando o poder de barganha da legenda em Brasília.
Mas o novo arranjo não vem sem tensões. Em Jaboatão dos Guararapes, reduto histórico da família Ferreira, o clima tende a esquentar. A expectativa gira em torno da disputa por votos para deputado estadual entre André Ferreira e sua cunhada, Andréa Medeiros. As relações entre os grupos políticos ligados aos Ferreira e aos Medeiros já atravessam momentos de desgaste, e a sobreposição de candidaturas no mesmo território pode aprofundar fissuras.
O vazamento do documento, longe de ser apenas um episódio pontual, acelerou definições e obrigou lideranças a assumirem posições que vinham sendo cuidadosamente administradas. Ao tornar público o que era tratado a portas fechadas, o rascunho expôs o jogo interno do PL e antecipou movimentos que ainda seriam oficialmente anunciados.
No tabuleiro pernambucano, a reorganização do partido sinaliza uma disputa proporcional intensa, com impacto direto nas alianças estaduais e na correlação de forças para 2026. Mais do que uma simples troca de cadeiras, o redesenho revela uma estratégia de sobrevivência e expansão política — e mostra que, em Pernambuco, os bastidores continuam sendo tão decisivos quanto as urnas.