De acordo com os dados recuperados do iPhone apreendido pela Polícia Federal, a mensagem foi enviada por Vorcaro às 7h19 da manhã do dia 17 de novembro, horas antes de sua detenção. O empresário teria procurado o ministro por meio do aplicativo WhatsApp e escrito uma mensagem direta que, segundo os registros da perícia, dizia: “Fiz uma correria aqui para tentar salvar. Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”. A frase, interpretada por investigadores como um possível pedido de informação ou tentativa de interceder em alguma decisão, tornou-se um dos pontos de atenção no material analisado.
O histórico do aplicativo mostra que o ministro respondeu logo em seguida. Entretanto, os investigadores não conseguiram recuperar o conteúdo dessas respostas. Isso ocorre porque, imediatamente após a mensagem enviada por Vorcaro, aparecem três envios no formato de “visualização única”, um recurso do WhatsApp que permite que o conteúdo seja visto apenas uma vez pelo destinatário e automaticamente desapareça após a abertura, impedindo o armazenamento permanente no aparelho.
Os registros foram encontrados durante o trabalho de perícia no celular recolhido com o empresário após sua prisão. Vorcaro foi detido na noite daquele mesmo dia, por volta das 22h, no aeroporto internacional de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, quando tentava embarcar em um jato particular. O destino final da viagem seria Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, com escala programada em Malta, o que levantou suspeitas de tentativa de deixar o país.
A investigação também revelou que essa não teria sido a única interação entre o banqueiro e o ministro do STF. Segundo fontes ligadas ao inquérito, os peritos localizaram outro registro de conversa entre os dois datado de 1º de outubro de 2025. Nesse caso, porém, o conteúdo das mensagens também não aparece no aparelho analisado. A hipótese levantada pelos investigadores é que os textos tenham sido apagados posteriormente ou enviados utilizando o mesmo mecanismo de visualização temporária.
Além das mensagens, o material periciado também indica a existência de chamadas telefônicas entre Vorcaro e Moraes. Os registros aparecem no histórico do dispositivo analisado, demonstrando que houve ligações realizadas entre os dois, embora não seja possível acessar o teor dessas conversas. A simples presença desses registros, no entanto, chamou atenção dos investigadores por indicar algum nível de contato prévio entre o empresário e o magistrado.
Após a divulgação das informações, o Supremo Tribunal Federal reagiu oficialmente por meio da assessoria de comunicação do ministro. Em nota enviada ao jornal O Globo, a Corte afirmou que Alexandre de Moraes nega ter recebido as mensagens citadas na reportagem. O posicionamento classifica a informação como falsa e sugere que a divulgação faz parte de uma tentativa de descredibilizar a instituição. “O ministro Alexandre de Moraes não recebeu essas mensagens referidas na matéria. Trata-se de ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o Supremo Tribunal Federal”, declarou a assessoria.
O episódio ocorre em meio a uma série de revelações extraídas dos dispositivos eletrônicos de Vorcaro, que vêm sendo analisados pelas autoridades desde sua prisão. Os dados recuperados indicam que o empresário mantinha contatos com diversas figuras da política e do poder público, o que tem ampliado o alcance da investigação e despertado atenção no cenário institucional.
Nos bastidores de Brasília, a revelação da possível troca de mensagens com um ministro da Suprema Corte gerou repercussão imediata, alimentando debates sobre a extensão das relações do empresário com autoridades da República. Enquanto a Polícia Federal segue aprofundando a análise do material apreendido, o caso permanece cercado de questionamentos sobre o conteúdo das mensagens desaparecidas e sobre o contexto em que os contatos teriam ocorrido.