terça-feira, 24 de março de 2026
SUAPE APOIA PROJETO APROVADO PELA ANTAQ PARA TESTAR SOLUÇÃO DE APROVEITAMENTO ENERGÉTICO DE RESÍDUOS
RATINHO JUNIOR DESISTE DA CORRIDA PRESIDENCIAL E RECONFIGURA DISPUTA INTERNA NO PSD
A desistência não apenas surpreende aliados e analistas políticos, como também redesenha completamente o cenário interno do partido. Ratinho Junior vinha se consolidando como o nome mais forte do PSD, figurando com frequência na terceira colocação nas pesquisas de intenção de voto, à frente de outros pré-candidatos da legenda. Sua performance consistente o colocava como uma aposta viável para ampliar o protagonismo do partido na disputa presidencial.
Nos bastidores, a decisão é interpretada como estratégica. Ao permanecer no comando do Paraná, Ratinho preserva capital político e evita os riscos de uma campanha nacional em um cenário ainda incerto, marcado por polarização e rearranjos partidários. Além disso, a permanência no cargo permite ao governador concluir projetos administrativos e fortalecer sua base política regional, o que pode ser decisivo para voos mais altos no futuro.
Com a saída do paranaense, a disputa interna no PSD passa a se concentrar em dois nomes de peso: o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado. Ambos já vinham se posicionando como alternativas dentro da legenda e agora ganham protagonismo em um cenário mais enxuto, porém igualmente competitivo.
Eduardo Leite, que construiu uma imagem de gestor moderado e reformista, aposta em um discurso de renovação política e diálogo institucional. Já Ronaldo Caiado, com perfil mais conservador e forte ligação com o agronegócio, tende a mobilizar uma base eleitoral distinta, o que pode acirrar o debate interno sobre os rumos ideológicos do partido.
A definição do nome que representará o PSD na eleição presidencial deve intensificar as articulações nas próximas semanas, com lideranças nacionais avaliando não apenas o desempenho nas pesquisas, mas também a capacidade de alianças e viabilidade eleitoral de cada pré-candidato.
Enquanto isso, a saída de Ratinho Junior deixa uma lacuna relevante e reforça a percepção de que o cenário eleitoral de 2026 segue em aberto, sujeito a mudanças estratégicas e movimentos inesperados que podem alterar o equilíbrio de forças na disputa pelo comando do país.
COMISSÃO DE FINANÇAS DA ALEPE ADIA VOTAÇÃO DE ALTERAÇÃO DA LOA 2026
CEGO E CONDENADO, JUSTIÇA MANTÉM NA PRISÃO LÍDER DOS “CANIBAIS DE GARANHUNS” MESMO APÓS PEDIDO HUMANITÁRIO
A negativa foi assinada nesta segunda-feira (23) pelo juiz Evandro de Melo Cabral, da Vara de Execução Penal da Capital. Ao analisar o pedido da defesa, o magistrado concluiu que não há base legal suficiente para conceder o benefício da prisão domiciliar, ainda que o detento apresente limitações severas de saúde e histórico de acompanhamento psiquiátrico.
A decisão se sustenta, principalmente, em um relatório técnico elaborado pela equipe de saúde do Presídio Policial Penal Leonardo Lago, localizado no Complexo do Curado, no Recife. O documento aponta que Jorge Beltrão recebe assistência considerada adequada dentro da unidade, com acompanhamento médico regular, suporte psicológico e psiquiátrico contínuo, além do uso de medicação controlada e encaminhamentos ao Sistema Único de Saúde (SUS) sempre que necessário.
O Ministério Público de Pernambuco também se posicionou contra o pedido, reforçando o entendimento de que o sistema prisional, neste caso específico, tem condições de garantir o tratamento de saúde do apenado. Com base nesses elementos, o juiz determinou não apenas a manutenção da prisão, como também a continuidade do acompanhamento multiprofissional, com possibilidade de reavaliação futura em caso de agravamento clínico.
O histórico do condenado, no entanto, pesa fortemente na decisão. O caso dos “Canibais de Garanhuns”, revelado em 2012 na cidade de Garanhuns, no Agreste pernambucano, chocou o país pela brutalidade e pela frieza dos crimes. Jorge Beltrão foi preso ao lado de Isabel Cristina Pires e Bruna Cristina Oliveira, formando um trio responsável por atrair mulheres em situação de vulnerabilidade com falsas promessas de emprego.
As investigações revelaram que as vítimas eram levadas para imóveis utilizados pelo grupo, onde eram assassinadas e tiveram seus corpos mutilados. Parte dos restos mortais era consumida pelos próprios criminosos — um detalhe que ampliou a repercussão e o horror em torno do caso. Depoimentos colhidos à época também indicaram que fragmentos dos corpos teriam sido utilizados na produção de alimentos comercializados na região, o que gerou pânico e indignação na população.
A polícia conseguiu confirmar ao menos três homicídios, entre eles os de Jéssica Camila da Silva Pereira, Alexandra Falcão da Silva e Giselly Helena. O caso de Jéssica, que tinha apenas 17 anos, tornou-se emblemático: desaparecida desde 2008, ela só teve seu destino esclarecido anos depois, quando exames de DNA identificaram restos mortais ligados à jovem.
Outro elemento que chamou atenção durante as investigações foi a alegação dos acusados de que integrariam uma suposta seita chamada “Cartel”, que pregaria a eliminação de mulheres consideradas incapazes de criar os próprios filhos. Apesar dessa narrativa, o Ministério Público sustentou — e a Justiça confirmou — que os envolvidos tinham plena consciência dos atos, afastando qualquer hipótese de inimputabilidade.
Ao longo dos anos, os processos foram desmembrados e julgados separadamente, resultando em condenações severas. No caso específico de Jorge Beltrão, as penas ultrapassam 70 anos de prisão, refletindo a gravidade e a multiplicidade dos crimes atribuídos a ele.
Agora, mais de uma década após a descoberta dos crimes, a Justiça reafirma o entendimento de que, mesmo diante de condições de saúde debilitadas, o cumprimento da pena deve continuar em regime fechado. A decisão sinaliza uma linha rígida do Judiciário em casos de alta repercussão e extrema violência, sobretudo quando há garantia de assistência médica dentro do sistema prisional.
O caso segue como um dos mais chocantes já registrados em Pernambuco e permanece vivo na memória coletiva, tanto pela crueldade dos crimes quanto pelas discussões jurídicas e éticas que ainda provoca.
SIVALDO ALBINO COMEMORA NOVA CLASSIFICAÇÃO CAPAG A+ DE GARANHUNS
COMANDANTE DA GUARDA MUNICIPAL É MORTA EM CRIME CHOCANTE EM VITÓRIA: TRAJETÓRIA DE LUTA E PROTAGONISMO FEMININO É INTERROMPIDA DE FORMA BRUTAL
Reconhecida por sua trajetória pioneira e pelo compromisso com a segurança e os direitos das mulheres, Dayse entrou para a história ao se tornar a primeira mulher a comandar a Guarda Municipal da capital do Espírito Santo, após mais de duas décadas de existência da corporação. Sua ascensão simbolizava não apenas uma conquista pessoal, mas um avanço significativo na representatividade feminina em cargos estratégicos da segurança pública.
Com formação em pedagogia e pós-graduação em segurança pública municipal, Dayse ingressou na Guarda em 2012. Desde então, construiu uma carreira marcada pela dedicação, disciplina e liderança. Colegas de trabalho a descrevem como uma profissional firme, mas sensível às causas sociais, especialmente no enfrentamento à violência de gênero — pauta que ela defendia com frequência, inclusive em suas redes sociais.
Mãe de uma menina de oito anos, Dayse também compartilhava nas plataformas digitais momentos da rotina profissional e da vida pessoal, evidenciando a conexão com a família, amigos e a comunidade. Sua imagem pública era associada à coragem e ao compromisso com a proteção da população.
De acordo com informações preliminares, o crime ocorreu dentro da residência da comandante. O autor, com quem ela mantinha um relacionamento, teria invadido o imóvel utilizando uma escada, arrombado a porta e seguido até o quarto, onde efetuou disparos contra a vítima. O pai de Dayse, que também estava na casa, ouviu os tiros e presenciou parte da cena.
Após o assassinato, o suspeito tirou a própria vida. Ele integrava a Polícia Rodoviária Federal desde 2020. As circunstâncias e a motivação do crime ainda serão investigadas pelas autoridades competentes.
O caso levanta mais uma vez o alerta para a violência contra a mulher, inclusive em contextos que envolvem agentes de segurança pública. A morte de Dayse Barbosa não representa apenas a perda de uma gestora, mas de uma mulher que simbolizava resistência, avanço e luta por direitos em um ambiente historicamente dominado por homens.
A tragédia deixa não apenas familiares e amigos em luto, mas também uma corporação e uma cidade impactadas pela perda de uma líder que construiu sua história com coragem e determinação.
STF APURA SUPOSTO USO DE EMENDAS PARLAMENTARES PARA FINANCIAR FILME SOBRE BOLSONARO
A decisão atende a um pedido protocolado pela deputada federal Tabata Amaral no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 854. A ação trata da necessidade de garantir transparência, rastreabilidade e conformidade no uso de emendas parlamentares, especialmente as chamadas “emendas pix”, modalidade que permite transferência direta de recursos.
Segundo a parlamentar, indícios apontam para a existência de um grupo empresarial estruturado de forma atípica, composto por empresas com nomes distintos, mas que compartilham o mesmo endereço, estrutura operacional e gestão, atribuída à empresária Karina Ferreira da Gama. A suspeita levantada é de que esse arranjo estaria sendo utilizado como canal para movimentação de recursos públicos, dificultando a fiscalização.
No documento encaminhado ao STF, Tabata sustenta que os fatos indicam, em tese, a formação de um mecanismo que contraria os princípios de publicidade e transparência estabelecidos pela própria Corte. A deputada menciona a possibilidade de desvio de finalidade dos recursos, com risco de confusão entre interesses públicos e privados.
A denúncia também aponta que parlamentares do PL teriam destinado cerca de R$ 2,6 milhões, por meio de emendas, a uma das empresas investigadas, com a justificativa de financiar uma série audiovisual sobre “heróis nacionais”. Entre os nomes citados estão Alexandre Ramagem, Carla Zambelli, Bia Kicis e Marcos Pollon.
Outro ponto destacado envolve o deputado Mário Frias, que, conforme a representação, teria destinado recursos a uma empresa do mesmo grupo. Posteriormente, essa empresa teria sido contratada para prestar serviços de campanha eleitoral a outra companhia ligada à mesma rede empresarial, levantando questionamentos sobre eventual circularidade no uso dos recursos.
A investigação também alcança a produção de um filme intitulado “Dark Horse”, descrito como uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. De acordo com a denúncia, há indícios de que parte dos recursos provenientes das emendas parlamentares teria sido direcionada, de forma indireta, para viabilizar o projeto cinematográfico, por meio de empresas vinculadas ao mesmo grupo investigado.
O despacho do ministro Flávio Dino solicita informações detalhadas sobre a destinação das emendas, os critérios adotados para os repasses e a relação contratual entre os parlamentares, as empresas beneficiadas e os projetos financiados. A Câmara dos Deputados também deverá esclarecer os mecanismos de controle e acompanhamento desses recursos.
A ADPF 854, que fundamenta a decisão, tem sido utilizada como instrumento para ampliar a fiscalização sobre a execução orçamentária das emendas parlamentares, especialmente diante de questionamentos recorrentes sobre a falta de transparência e a dificuldade de rastreamento dos valores transferidos.