terça-feira, 24 de março de 2026

STF APURA SUPOSTO USO DE EMENDAS PARLAMENTARES PARA FINANCIAR FILME SOBRE BOLSONARO

O Supremo Tribunal Federal abriu uma nova frente de investigação envolvendo o uso de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares. A medida foi determinada pelo ministro Flávio Dino, que estabeleceu prazo de cinco dias para que a Câmara dos Deputados e parlamentares do Partido Liberal (PL) apresentem esclarecimentos formais.

A decisão atende a um pedido protocolado pela deputada federal Tabata Amaral no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 854. A ação trata da necessidade de garantir transparência, rastreabilidade e conformidade no uso de emendas parlamentares, especialmente as chamadas “emendas pix”, modalidade que permite transferência direta de recursos.

Segundo a parlamentar, indícios apontam para a existência de um grupo empresarial estruturado de forma atípica, composto por empresas com nomes distintos, mas que compartilham o mesmo endereço, estrutura operacional e gestão, atribuída à empresária Karina Ferreira da Gama. A suspeita levantada é de que esse arranjo estaria sendo utilizado como canal para movimentação de recursos públicos, dificultando a fiscalização.

No documento encaminhado ao STF, Tabata sustenta que os fatos indicam, em tese, a formação de um mecanismo que contraria os princípios de publicidade e transparência estabelecidos pela própria Corte. A deputada menciona a possibilidade de desvio de finalidade dos recursos, com risco de confusão entre interesses públicos e privados.

A denúncia também aponta que parlamentares do PL teriam destinado cerca de R$ 2,6 milhões, por meio de emendas, a uma das empresas investigadas, com a justificativa de financiar uma série audiovisual sobre “heróis nacionais”. Entre os nomes citados estão Alexandre Ramagem, Carla Zambelli, Bia Kicis e Marcos Pollon.

Outro ponto destacado envolve o deputado Mário Frias, que, conforme a representação, teria destinado recursos a uma empresa do mesmo grupo. Posteriormente, essa empresa teria sido contratada para prestar serviços de campanha eleitoral a outra companhia ligada à mesma rede empresarial, levantando questionamentos sobre eventual circularidade no uso dos recursos.

A investigação também alcança a produção de um filme intitulado “Dark Horse”, descrito como uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. De acordo com a denúncia, há indícios de que parte dos recursos provenientes das emendas parlamentares teria sido direcionada, de forma indireta, para viabilizar o projeto cinematográfico, por meio de empresas vinculadas ao mesmo grupo investigado.

O despacho do ministro Flávio Dino solicita informações detalhadas sobre a destinação das emendas, os critérios adotados para os repasses e a relação contratual entre os parlamentares, as empresas beneficiadas e os projetos financiados. A Câmara dos Deputados também deverá esclarecer os mecanismos de controle e acompanhamento desses recursos.

A ADPF 854, que fundamenta a decisão, tem sido utilizada como instrumento para ampliar a fiscalização sobre a execução orçamentária das emendas parlamentares, especialmente diante de questionamentos recorrentes sobre a falta de transparência e a dificuldade de rastreamento dos valores transferidos.

IATE, JATINHO E IMÓVEIS: PATRIMÔNIO BILIONÁRIO DE DANIEL VORCARO É DESCOBERTO E VIRA ALVO DA JUSTIÇA

A Justiça de São Paulo oficializou, nesta segunda-feira (23), uma ofensiva jurídica contra o patrimônio do ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e de seu núcleo familiar.

As decisões da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais, publicadas no Diário de Justiça Eletrônico, determinam o protesto contra a alienação de bens de alto luxo, com o objetivo de resguardar recursos para eventual ressarcimento de credores, após indícios de um esquema multibilionário de desvio em instituições do grupo, atualmente em liquidação extrajudicial.

A medida tem caráter cautelar e não impede a venda ou uso dos bens, mas obriga o registro da existência do processo nas matrículas e cadastros, o que impede que futuros compradores aleguem desconhecimento. A defesa tem prazo de dez dias para se manifestar e, até o momento, não comentou o caso.

Daniel Vorcaro é o ex-controlador do Banco Master. (Foto: Divulgação)


Entre os ativos atingidos estão imóveis de alto padrão, aeronaves, participações societárias e investimentos no Brasil e no exterior. A lista foi apresentada pelo liquidante e acatada pelo juiz responsável pelo caso.

Veja a lista dos principais bens:

1. Imóveis de luxo (Brasil)

Mansão no Lago Sul (Brasília), avaliada em cerca de R$ 36,1 milhões
Apartamentos e cobertura de alto padrão em bairros nobres de São Paulo, como Vila Nova Conceição e Jardim Paulista
Conjunto de imóveis em Minas Gerais, incluindo Belo Horizonte, Nova Lima e Ouro Preto
Imóvel em Angra dos Reis (RJ)
Hotel Botanique, em Campos do Jordão, com negociação estimada em R$ 150 milhões
2. Aeronaves e embarcações

Jato executivo Gulfstream G700, avaliado em cerca de US$ 80 milhões (aproximadamente R$ 420 milhões)
Iate de luxo Monde Bleu
Veículos com registros vinculados nos Detrans de São Paulo e Minas Gerais
3. Participações societárias e negócios

Participação na SAF do Clube Atlético Mineiro, via Fundo Galo Forte
Academia Les Cinq Gym e centro equestre Chevals
Empresas como Moriah Asset e Super Empreendimentos
Participações em marcas como Oakberry, Desinchá e Frutaria
29 participações societárias ligadas a familiares
4. Fundos de investimento

Fundo Astralo 95
Fundo Termópilas
Fundo Galo Forte
Fundo Rio Vermelho
Fundo Lunar
Fundo Dublin
5. Bens no exterior

Mansão em Windermere, na Flórida, avaliada em US$ 35 milhões
Imóvel em Orlando com tentativa de venda estimada em R$ 180 milhões
A decisão judicial amplia o cerco sobre o patrimônio ligado ao ex-banqueiro e seus familiares, enquanto avançam as investigações sobre a origem dos recursos e possíveis prejuízos a credores.

RAQUEL LYRA ERGUE BANDEIRA DE PERNAMBUCO, DEFENDE UNIÃO E ANUNCIA NOVOS INVESTIMENTOS EM BOM JARDIM

Em meio ao aquecimento do cenário político e à aproximação do calendário eleitoral, a governadora Raquel Lyra escolheu um gesto simbólico para marcar sua passagem pelo Agreste pernambucano. Durante agenda realizada neste domingo (22), no município de Bom Jardim, a chefe do Executivo estadual encerrou seu discurso empunhando a bandeira de Pernambuco diante de uma multidão, em um movimento carregado de mensagem política e apelo à unidade.

Ao lado do prefeito Janjão e de lideranças locais e regionais, a governadora adotou um tom conciliador ao se dirigir ao público. Em sua fala, fez referência direta ao ambiente de polarização que costuma marcar períodos eleitorais e buscou se posicionar acima das divisões partidárias.

Sem mencionar adversários nominalmente, Raquel destacou que, diante das tentativas de rotular grupos políticos por cores ou ideologias, a resposta deve ser a identidade coletiva do povo pernambucano. Ao evocar as cores da bandeira do estado como símbolo de união, a gestora foi aplaudida ao defender menos conflitos e mais cooperação entre os cidadãos.

O gesto de levantar a bandeira no palco reforçou visualmente o discurso, transformando o momento em um dos pontos altos da agenda e em uma mensagem direta ao eleitorado sobre sua postura política para os próximos meses.

Além do simbolismo, a passagem da governadora por Bom Jardim também foi marcada por ações concretas. Entre os principais anúncios, está a assinatura de um convênio que garante recursos na ordem de R$ 8 milhões para a pavimentação de 28 ruas no município, uma demanda antiga da população.

Na área da saúde, Raquel participou da reinauguração do Hospital Municipal Dr. Miguel Arraes de Alencar, equipamento considerado estratégico para o atendimento da região. A requalificação da unidade representa um reforço na rede pública local e integra o conjunto de investimentos do Governo de Pernambuco na descentralização dos serviços de saúde.

A agenda incluiu ainda a confirmação de novos projetos estruturadores para a cidade, como a implantação de iluminação pública com lâmpadas de LED, construção de duas escolas em tempo integral, avanço das obras de uma creche e a implementação de mais uma cozinha comunitária — a quarta do município. Também foi mencionada a construção de uma quadra escolar, ampliando a infraestrutura educacional.

Em tom otimista, a governadora sinalizou que o volume de investimentos deve crescer e destacou o ritmo de trabalho da gestão, inclusive em um domingo. A fala buscou transmitir a ideia de continuidade e compromisso com entregas, ao afirmar que os avanços são construídos diariamente.

A passagem por Bom Jardim reforça a estratégia de interiorização do governo estadual e evidencia o esforço de Raquel Lyra em consolidar sua presença política no Agreste, combinando anúncios administrativos com gestos de forte apelo simbólico em um momento-chave do cenário político pernambucano.

MOTORISTAS COM CARTEIRA DE HABILITAÇÃO DO TIPO B PODERÃO DIRIGIR VEÍCULOS MAIS PESADOS; SAIBA MAIS

O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) pode passar por uma mudança radical. Um projeto de lei que autoriza motoristas com Carteira Nacional de Habilitação (CNH) da categoria B a dirigirem veículos elétricos que possuem até 4.250 quilos foi aprovada na Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados.

O texto possui autoria do deputado federal Pedro Aihara (PRD-MG), com emendas do relator, deputado Hugo Leal (PSD-RJ). Agora, o projeto deve ser analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. A proposta ainda precisa ser aprovada por deputados e senadores antes de virar lei.

Vale destacar que, pela norma atual, a categoria B de condutores estaria apta a dirigir automóveis que possuem até 3.500 quilos. As emendas do relator, além de alterarem a redação do projeto, incluíram no texto os veículos híbridos com tração predominantemente elétrica.

A própria justificação do projeto menciona que veículos elétricos e híbridos superarão os movidos à combustão até 2030, demonstrando que ambas as tecnologias merecem tratamento isonômico”, disse Leal.
A medida se aplica a veículos com propulsão elétrica ou híbrida e tração predominantemente elétrica. Outros critérios poderão ser definidos em regulamento pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran)

COLUNA POLÍTICA | A VERGONHA DO POWERPOINT DA GLOBO| NA LUPA 🔎 | POR EDNEY SOUTO

O VERGONHOSO POWERPOINT DA GLOBO — QUANDO O JORNALISMO SE PERDE NO PRÓPRIO ROTEIRO
O episódio do “PowerPoint da Globo” não é apenas um erro editorial. É um daqueles momentos que expõem, sem maquiagem, o risco de um jornalismo que começa a acreditar mais na própria narrativa do que nos fatos.

O pedido de desculpas feito por Andréia Sadi na GloboNews veio rápido. Mas não na mesma velocidade — nem com o mesmo alcance — do estrago causado por um slide que, em poucos minutos, conseguiu sintetizar o que há de mais perigoso na comunicação política atual: a indução travestida de explicação.

O nome disso é grave. E tem endereço.

UM POWERPOINT VERGONHOSO — E NÃO HÁ OUTRA DEFINIÇÃO
Não adianta suavizar: foi vergonhoso.

O material exibido colocou Luiz Inácio Lula da Silva e o PT no centro de um suposto esquema ligado a Daniel Vorcaro sem que houvesse, até aqui, comprovação pública que sustentasse essa centralidade.

E isso muda tudo.

Porque não se trata de um detalhe técnico. Trata-se de uma construção visual que induz o espectador a uma conclusão — ainda que essa conclusão não esteja comprovada.

Quando o jornalismo sugere antes de provar, ele cruza uma linha perigosa.

NÃO FOI ERRO INOCENTE — FOI RECORTE COM DIREÇÃO
Todo material jornalístico é um recorte. Mas há diferença entre recortar e direcionar.

O slide exibido não apenas organizava informações — ele apontava um caminho interpretativo. E fez isso omitindo peças importantes do quebra-cabeça.

Cadê os outros nomes? Cadê as conexões mais amplas? Cadê a complexidade que o próprio caso exige?

Sumiram.

E quando somem, o que sobra não é jornalismo completo. É narrativa incompleta com aparência de verdade.

A CREDIBILIDADE LEVOU UM GOLPE DESNECESSÁRIO
A Grupo Globo não é qualquer veículo. É, goste-se ou não, uma das maiores referências de informação do país.

Justamente por isso, o erro pesa mais.

Porque não foi uma falha escondida num rodapé. Foi algo exibido com destaque, em horário nobre, com cara de “explicação definitiva”.

E quando isso acontece, o dano não é só reputacional — é institucional.

A confiança não se perde de uma vez. Mas episódios como esse aceleram o processo.

DIDATISMO NÃO PODE VIRAR MANIPULAÇÃO
Existe uma obsessão recente em “explicar tudo” com gráficos, esquemas e slides.

Mas explicar não é simplificar à força.

O caso envolvendo Daniel Vorcaro é complexo, envolve múltiplos atores e ainda está sob investigação. Não cabe numa arte simplificada que sugere culpados centrais antes da hora.

Quando o didatismo vira atalho, ele deixa de esclarecer e passa a distorcer.

E foi exatamente isso que o público enxergou.

DESCULPA NO AR NÃO APAGA IMAGEM NA CABEÇA
O pedido de desculpas de Andréia Sadi foi correto. Mas está longe de resolver o problema.

Porque o PowerPoint já cumpriu seu papel:

* foi visto
* foi compartilhado
* foi interpretado

E, principalmente, foi absorvido.

Na comunicação moderna, o primeiro impacto quase sempre vence a correção posterior.

O EPISÓDIO QUE VIRA SÍMBOLO

O “vergonhoso PowerPoint da Globo” entra para a galeria de erros que viram símbolo de algo maior.

Não é só sobre um slide mal feito.

É sobre:

* pressa editorial
* excesso de confiança
* e a tentação de organizar a realidade antes que os fatos estejam completos

E isso, no jornalismo, é um atalho perigoso.

NA LUPA FINAL

O caso envolvendo Daniel Vorcaro ainda vai render muitos desdobramentos. Mas uma lição já está posta — e foi dada pela própria imprensa.

Não existe “meia apuração” com apresentação completa.

Ou se tem o todo, ou se mostra como parte.

O que não dá é montar um roteiro visual e entregar como verdade em construção.

Porque, quando isso acontece, o jornalismo deixa de iluminar os fatos — e passa a projetar sombras.

E dessa vez, a sombra foi grande demais para passar despercebida. É nisso, é isso, e disso!

segunda-feira, 23 de março de 2026

BOLSONARO DEIXA UTI, É TRANSFERIDO PARA QUARTO E TEM QUADRO ESTÁVEL


O ex-presidente Jair Bolsonaro apresentou melhora no quadro clínico e foi transferido para um quarto hospitalar após dias internado em estado delicado. A informação foi confirmada nesta segunda-feira (23), após evolução positiva no tratamento contra uma pneumonia.

Bolsonaro estava internado desde o último dia 13, quando foi diagnosticado com broncopneumonia bacteriana após apresentar febre alta, queda na saturação de oxigênio e mal-estar. O quadro exigiu internação imediata em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde permaneceu sob cuidados intensivos e tratamento com antibióticos. 

De acordo com atualizações mais recentes, o ex-presidente respondeu bem ao tratamento, apresentou melhora nos indicadores clínicos e pôde deixar a UTI, sendo encaminhado para um quarto, onde segue em observação médica.

Apesar da evolução positiva, ainda não há previsão oficial de alta hospitalar. A equipe médica mantém cautela devido ao histórico de saúde de Bolsonaro, que inclui diversas complicações desde o atentado sofrido em 2018.

O caso também ganhou forte repercussão política em Brasília. Diante da condição de saúde, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se manifestou favoravelmente à possibilidade de prisão domiciliar para o ex-presidente, que atualmente cumpre pena. A decisão final, no entanto, ainda depende do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo Tribunal Federal. 

Nos bastidores, aliados reforçam o discurso de que o estado de saúde de Bolsonaro exige cuidados contínuos, enquanto opositores defendem que o tratamento pode ser realizado dentro das condições já estabelecidas pelo sistema prisional.

A expectativa agora gira em torno da recuperação completa do ex-presidente e de possíveis desdobramentos jurídicos, que podem alterar as condições de cumprimento de sua pena nos próximos dias.


PREFEITO DE CAETÉS MUDA DE LADO, DECLARA APOIO A JOÃO CAMPOS E REFORÇA PALANQUE DE MARÍLIA ARRAES NO ESTADO

Em um movimento que repercutiu nos bastidores da política pernambucana, o prefeito de Caetés, Nivaldo Martins, anunciou publicamente, na tarde desta segunda-feira, uma mudança de posicionamento político que pode redesenhar alianças no Agreste e fortalecer um novo eixo de apoio ao projeto governista no estado. Conhecido como Tirri, o gestor municipal declarou adesão à pré-candidatura ao Governo de Pernambuco do prefeito do Recife, João Campos, além de confirmar apoio ao nome de Marília Arraes para o Senado Federal.

O anúncio ocorreu durante um encontro político que reuniu lideranças e articuladores do grupo, incluindo o pré-candidato a vice-governador, Carlos Costa. A presença de figuras estratégicas reforçou o simbolismo do gesto de Tirri, sobretudo pelo peso político de Caetés, município conhecido nacionalmente por ser a terra natal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ao justificar sua decisão, o prefeito destacou a necessidade de alinhamento com um projeto político que, segundo ele, esteja comprometido com o avanço social e econômico do país. Em sua fala, Tirri fez questão de enfatizar a importância de eleger representantes que atuem em sintonia com o Governo Federal, apontando Marília como um nome capaz de defender, no Senado, as pautas consideradas prioritárias para o Brasil neste momento. A declaração evidencia não apenas uma escolha eleitoral, mas também uma sinalização clara de reposicionamento político, especialmente em um cenário de disputas acirradas e rearranjos constantes.

A pré-candidata ao Senado, por sua vez, aproveitou o momento para reforçar o discurso de unidade em torno de um projeto político mais amplo. Marília Arraes tem intensificado agendas pelo interior do estado, dialogando com prefeitos, vereadores e lideranças regionais, numa estratégia de capilarização de sua pré-campanha. Durante o encontro, ela ressaltou que o próximo pleito será decisivo para os rumos do país, defendendo a eleição de nomes comprometidos com políticas públicas voltadas à população mais vulnerável e ao desenvolvimento sustentável.

O apoio vindo de Caetés carrega um peso simbólico relevante, especialmente pelo vínculo histórico do município com o presidente Lula, frequentemente citado como referência política no discurso de lideranças locais. Ao alinhar seu grupo ao projeto defendido por João Campos e Marília Arraes, Tirri não apenas reforça o palanque dessas candidaturas no Agreste, como também envia um recado direto ao cenário político estadual, indicando que novas adesões podem surgir nos próximos meses.

Nos bastidores, a movimentação é interpretada como uma “virada de chave” que pode influenciar outros gestores municipais ainda indecisos. A consolidação de apoios no interior é vista como peça-chave para a construção de uma base eleitoral sólida, capaz de sustentar candidaturas competitivas tanto ao Governo do Estado quanto ao Senado.

Com a entrada de Tirri nesse novo campo político, o tabuleiro eleitoral de Pernambuco ganha mais um capítulo de reconfiguração, marcado por alianças estratégicas, simbolismos regionais e a disputa por protagonismo em um dos pleitos mais aguardados dos últimos anos.

TÚLIO GADELHA NA CHAPA DE RAQUEL LYRA? BASTIDORES APONTAM MOVIMENTO QUE PODE MEXER COM O JOGO POLÍTICO EM PERNAMBUCO

Nos corredores mais atentos da política pernambucana, uma possibilidade começa a ganhar força e movimentar análises estratégicas: a eventual entrada do deputado federal Túlio Gadelha na chapa majoritária da governadora Raquel Lyra. Embora ainda tratada como uma articulação de bastidores, a hipótese revela um movimento mais amplo e calculado que pode redesenhar o cenário eleitoral no estado.

A leitura entre aliados e analistas políticos é de que Túlio representaria uma peça-chave para ampliar o alcance político da governadora. Filiado atualmente à Rede Sustentabilidade, mas com raízes políticas no PDT, o parlamentar construiu uma imagem associada a pautas progressistas e ao campo mais próximo do lulismo. Sua presença em uma eventual chapa com Raquel — que vem de um campo mais ao centro — poderia funcionar como ponte entre diferentes espectros ideológicos, criando uma composição capaz de dialogar tanto com setores da esquerda quanto com eleitores mais moderados e conservadores.

Em Brasília, a movimentação também não passa despercebida. Interlocutores do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam positivamente a possibilidade. A estratégia, segundo essas fontes, estaria alinhada a um objetivo maior: reduzir tensões regionais e construir um ambiente político mais amplo e menos polarizado em Pernambuco. A ideia de Lula, ainda segundo bastidores, seria manter pontes com diferentes forças no estado, evitando um alinhamento exclusivo a um único grupo político.

Esse contexto ganha ainda mais relevância diante do avanço do prefeito do Recife, João Campos, que vem estruturando um projeto político com identidade claramente vinculada à esquerda e com forte base eleitoral consolidada na capital e na Região Metropolitana. Nesse cenário, a possível aliança entre Raquel Lyra e Túlio Gadelha surgiria como uma estratégia para equilibrar forças e ampliar o campo de disputa.

Apesar das especulações, o principal ponto de interrogação continua sendo o próprio Túlio. Pessoas próximas ao deputado afirmam que sua prioridade, até o momento, segue sendo a reeleição para a Câmara dos Deputados, onde busca consolidar sua atuação e ampliar sua base política. No entanto, essas mesmas fontes admitem que o cenário mudou: a possibilidade de disputar um cargo majoritário — como vice-governador ou até mesmo o Senado — já entrou no radar e passou a ser considerada com mais seriedade.

A eventual decisão de Túlio não será simples. Envolve riscos políticos, mudança de estratégia eleitoral e a necessidade de alinhar seu discurso com uma chapa de perfil mais amplo. Por outro lado, também representa uma oportunidade de dar um salto na carreira política e ocupar um espaço de maior protagonismo no estado.

Enquanto não há definição oficial, o que se sabe é que as conversas seguem acontecendo, ainda de forma discreta, mas com crescente intensidade. Nos bastidores, a avaliação é de que, se confirmada, essa composição poderá ser uma das mais inesperadas — e ao mesmo tempo mais estratégicas — das eleições em Pernambuco, com potencial de impactar diretamente o equilíbrio de forças no estado e influenciar o rumo da disputa em 2026.