terça-feira, 24 de março de 2026

PRD MUDA ROTA EM PERNAMBUCO, APOSTA EM CHAPA FEDERAL E SE APROXIMA DE JOÃO CAMPOS EM NOVA ENGRENAGEM POLÍTICA

Em meio às movimentações que começam a desenhar o cenário eleitoral em Pernambuco, o Partido Renovação Democrática (PRD) decidiu adotar uma estratégia que rompe com modelos tradicionais de montagem de chapas e reposiciona a legenda no tabuleiro político estadual. Sob a liderança do presidente estadual Josafá Almeida, o partido optou por concentrar esforços na formação de uma chapa competitiva para a Câmara Federal, ao mesmo tempo em que direciona seus pré-candidatos a deputado estadual para outras siglas.

A decisão revela uma leitura pragmática do momento político e das condições de disputa, priorizando viabilidade eleitoral e fortalecimento institucional do PRD em Brasília. Segundo Josafá Almeida, a estratégia foi desenhada após análises internas que apontaram maior potencial de êxito na disputa federal, especialmente diante do cenário fragmentado das eleições proporcionais.

No entanto, a engenharia política em curso não está isenta de rupturas. Um dos pontos mais sensíveis foi o fim do entendimento que vinha sendo construído com o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). De acordo com o dirigente, o acordo acabou sendo desfeito após movimentações atribuídas ao presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco, Álvaro Porto, o que obrigou o PRD a recalcular sua rota e buscar novas alternativas para acomodar seus quadros na disputa estadual.

Apesar da quebra de alinhamento com os tucanos, o partido mantém uma linha clara: o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) está fora de qualquer possibilidade de composição. A restrição reforça que a legenda pretende preservar autonomia e evitar alianças que possam comprometer sua identidade ou estratégia eleitoral.

Paralelamente, o PRD avança em articulações com o prefeito do Recife, João Campos, uma das principais lideranças do Partido Socialista Brasileiro (PSB) no estado. A aproximação indica que o partido busca se inserir em um campo político com forte capacidade de mobilização e capilaridade, mirando não apenas as eleições de 2026, mas também a consolidação de alianças duradouras.

Nos bastidores, a movimentação é interpretada como uma tentativa do PRD de ganhar protagonismo sem dispersar forças, apostando em uma estratégia mais enxuta e focada. Ao abrir mão de uma chapa estadual própria, a legenda evita disputas internas e amplia as chances de seus aliados se viabilizarem em outras estruturas partidárias, mantendo, ao mesmo tempo, um núcleo forte na disputa federal.

Com esse reposicionamento, o PRD sinaliza que pretende jogar com inteligência no complexo xadrez político pernambucano, onde alianças, rupturas e articulações de bastidores são determinantes para o sucesso nas urnas. A relação com João Campos, nesse contexto, surge como peça-chave de uma estratégia que pode redefinir o papel do partido no estado nos próximos anos.

PRESSA DE JOÃO CAMPOS EXPÕE RACHAS, CHAPA DOS “PRIMOS” GERA DESCONFORTO E SILÊNCIO DE HUMBERTO COSTA AMPLIA INCERTEZA.

A reta final de um dos períodos mais decisivos do calendário eleitoral de 2026 tem acentuado tensões, revelado fragilidades e redesenhado alianças no cenário político de Pernambuco. Em meio à contagem regressiva para o prazo de desincompatibilização, o movimento acelerado do prefeito do Recife, João Campos, para consolidar sua candidatura ao Governo do Estado tem produzido efeitos colaterais relevantes: desgaste com aliados estratégicos, fissuras dentro do Partido dos Trabalhadores e, sobretudo, a abertura de espaço para que a governadora Raquel Lyra amplie sua interlocução com setores da esquerda.

A pressão do tempo é o principal motor dessa movimentação. Pela legislação eleitoral, João Campos precisa renunciar ao cargo meses antes do pleito para disputar o governo, o que o coloca em uma posição delicada: deixar a Prefeitura sem garantias sólidas de que sua base permanecerá unificada até outubro. Diante desse risco, o socialista tem intensificado anúncios, costurado compromissos públicos e tentado “amarrar” aliados por meio da exposição antecipada de uma possível chapa, que inclui nomes como Marília Arraes, Humberto Costa e Carlos Costa.

O movimento, no entanto, não tem sido isento de críticas. Ao priorizar negociações diretas com a cúpula nacional do PT, especialmente com o presidente da legenda, Edinho Silva, João Campos acabou atropelando lideranças estaduais e desconsiderando ritos internos do partido, historicamente marcado por forte participação de suas bases. O gesto foi interpretado por setores da militância como uma tentativa de imposição, gerando incômodo e resistência. A insatisfação aumentou quando anúncios foram feitos sem alinhamento prévio com figuras-chave, como Humberto Costa, ampliando a percepção de desorganização e falta de sintonia.

Esse ambiente de desconforto abriu brechas importantes para a atuação de atores nacionais. Nos bastidores de Brasília, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, tem se movimentado para aproximar o PT do governo estadual. A estratégia passa por reduzir a dependência do partido em relação ao projeto de João Campos e avaliar cenários alternativos, inclusive com a possibilidade de composição direta com Raquel Lyra. A articulação, ainda embrionária, já provoca reações e alimenta especulações sobre uma reconfiguração inesperada no palanque governista.

Enquanto o adversário enfrenta turbulências, Raquel Lyra observa o cenário com vantagem estratégica. Sem a necessidade de deixar o cargo neste momento, a governadora dispõe de mais tempo para calibrar sua chapa e negociar apoios. A construção de uma federação entre União Brasil e Progressistas fortalece sua base e amplia o leque de alianças, com lideranças como Miguel Coelho e Mendonça Filho já posicionadas em seu campo político. Ao mesmo tempo, fissuras internas em outras legendas, como o isolamento de setores do PP, criam oportunidades para novas acomodações e reforçam a capacidade de expansão do Palácio do Campo das Princesas.

O contraste entre os dois projetos se torna cada vez mais evidente: de um lado, a pressa de João Campos, movida pela necessidade institucional, mas que gera ruídos e incertezas; do outro, a cautela estratégica de Raquel Lyra, que capitaliza o tempo a seu favor e explora as fragilidades do adversário. No centro dessa disputa, o PT surge como peça-chave, dividido entre a manutenção de uma aliança histórica com o PSB e a possibilidade de uma reaproximação pragmática com o governo estadual.

A poucos dias do fechamento dessa janela crítica, o que se desenha é um cenário em aberto, marcado por negociações intensas, desconfianças internas e movimentos calculados. A corrida pelo Palácio do Campo das Princesas entra em uma fase decisiva, na qual cada gesto, cada anúncio e cada silêncio podem redefinir o rumo das eleições em Pernambuco.

SUAPE APOIA PROJETO APROVADO PELA ANTAQ PARA TESTAR SOLUÇÃO DE APROVEITAMENTO ENERGÉTICO DE RESÍDUOS

Iniciativa selecionada no sandbox regulatório da agência propõe implantação de planta voltada à transformação de resíduos em energia e insumos industriais
O Complexo Industrial Portuário de Suape será o território de referência para a implantação da primeira Outorga Verde aprovada pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), iniciativa criada para testar projetos inovadores voltados à transição energética e à economia circular nos portos brasileiros. A proposta selecionada no chamamento público foi apresentada pela empresa Hardrada Energy Tech, com investimento estimado em até R$ 28,8 milhões.
Inserido no ambiente regulatório experimental da Antaq, o projeto prevê a implantação de uma planta destinada ao recebimento, à separação e à transformação de resíduos urbanos e portuários para geração de energia e produção de novos insumos industriais. Pela proposta aprovada no sandbox regulatório da agência, a iniciativa contempla processos como gaseificação e pirólise (processo de decomposição térmica de materiais orgânicos em alta temperatura, num ambiente inerte, sem a presença de oxigênio), além da articulação com atores da cadeia de reciclagem e da logística regional para obtenção de matéria-prima. 
Suape participa da iniciativa com apoio institucional, em sintonia com sua agenda de inovação, sustentabilidade e descarbonização, contribuindo para a construção de um ambiente favorável à experimentação regulatória e tecnológica no setor portuário. Eventuais etapas de implantação física, uso de área e formalizações específicas observarão os trâmites próprios e os instrumentos aplicáveis em cada fase do projeto.

“A Outorga Verde é o primeiro sandbox regulatório da Antaq e nasce de uma parceria estratégica entre agentes públicos e privados para impulsionar a inovação tecnológica no setor aquaviário. Entendo essa iniciativa como a construção de um ambiente colaborativo capaz de transformar compromissos internacionais de adaptação e mitigação frente às mudanças climáticas, bem como as políticas públicas nacionais de transição energética, em ações concretas, reforçando o papel do Brasil na promoção e no desenvolvimento de soluções de energia limpa”, afirma a diretora interina da agência, Cristina Castro.
Para o diretor-presidente de Suape, Armando Monteiro Bisneto, a iniciativa reforça o papel do complexo na agenda de inovação e sustentabilidade do setor portuário brasileiro. “A aprovação da primeira Outorga Verde pela Antaq demonstra que Suape está preparado para apoiar projetos alinhados à transição energética e à economia circular, contribuindo para atrair iniciativas que combinam desenvolvimento econômico com responsabilidade ambiental”, destaca.

O diretor de Sustentabilidade e Inovação de Suape, Sóstenes Alcoforado, ressalta que o projeto amplia o ambiente de experimentação tecnológica no território administrado pela estatal. “Ao apoiar institucionalmente soluções inovadoras como essa, Suape fortalece sua posição como plataforma de inovação industrial e energética, estimulando alternativas capazes de transformar resíduos em novos insumos e contribuir para a redução das emissões de carbono nas atividades portuárias”, pontua.

A Outorga Verde integra o primeiro ambiente regulatório experimental já utilizado pela Antaq. No ano passado, a agência publicou edital de chamamento para seleção de propostas em quatro frentes: geração de energia renovável, infraestrutura para combustíveis alternativos, eletrificação de operações portuárias e bunkering de combustíveis limpos.

RATINHO JUNIOR DESISTE DA CORRIDA PRESIDENCIAL E RECONFIGURA DISPUTA INTERNA NO PSD

A corrida presidencial dentro do PSD sofreu uma reviravolta significativa com a decisão do governador do Paraná, Ratinho Junior, de retirar seu nome da disputa pelo Palácio do Planalto. Considerado o quadro mais competitivo da legenda até então, o gestor optou por permanecer à frente do governo estadual até o fim de seu mandato, em dezembro, encerrando, ao menos por ora, as especulações sobre sua entrada na corrida nacional.

A desistência não apenas surpreende aliados e analistas políticos, como também redesenha completamente o cenário interno do partido. Ratinho Junior vinha se consolidando como o nome mais forte do PSD, figurando com frequência na terceira colocação nas pesquisas de intenção de voto, à frente de outros pré-candidatos da legenda. Sua performance consistente o colocava como uma aposta viável para ampliar o protagonismo do partido na disputa presidencial.

Nos bastidores, a decisão é interpretada como estratégica. Ao permanecer no comando do Paraná, Ratinho preserva capital político e evita os riscos de uma campanha nacional em um cenário ainda incerto, marcado por polarização e rearranjos partidários. Além disso, a permanência no cargo permite ao governador concluir projetos administrativos e fortalecer sua base política regional, o que pode ser decisivo para voos mais altos no futuro.

Com a saída do paranaense, a disputa interna no PSD passa a se concentrar em dois nomes de peso: o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado. Ambos já vinham se posicionando como alternativas dentro da legenda e agora ganham protagonismo em um cenário mais enxuto, porém igualmente competitivo.

Eduardo Leite, que construiu uma imagem de gestor moderado e reformista, aposta em um discurso de renovação política e diálogo institucional. Já Ronaldo Caiado, com perfil mais conservador e forte ligação com o agronegócio, tende a mobilizar uma base eleitoral distinta, o que pode acirrar o debate interno sobre os rumos ideológicos do partido.

A definição do nome que representará o PSD na eleição presidencial deve intensificar as articulações nas próximas semanas, com lideranças nacionais avaliando não apenas o desempenho nas pesquisas, mas também a capacidade de alianças e viabilidade eleitoral de cada pré-candidato.

Enquanto isso, a saída de Ratinho Junior deixa uma lacuna relevante e reforça a percepção de que o cenário eleitoral de 2026 segue em aberto, sujeito a mudanças estratégicas e movimentos inesperados que podem alterar o equilíbrio de forças na disputa pelo comando do país.

COMISSÃO DE FINANÇAS DA ALEPE ADIA VOTAÇÃO DE ALTERAÇÃO DA LOA 2026

Segundo o presidente da comissão e relator da proposta de alteração do percentual de remanejamento de recursos da LOA, há possibilidade de duplicidades de artigos
A Comissão de Finanças, Orçamento e Tributação (CFOT) da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) adiou, nesta segunda-feira (23), a análise do parecer sobre o projeto que altera a Lei Orçamentária Anual (LOA). A decisão ocorreu durante uma reunião extraordinária convocada para discutir o relatório geral da proposta que trata da redução dos percentuais de remanejamento do orçamento estadual.

Durante a reunião teriam sido identificadas inconsistências no relatório apresentado. Diante disso, o presidente do colegiado, deputado Antônio Coelho (UB), optou por suspender a apreciação do parecer para que sejam feitos ajustes técnicos no texto antes da votação.

“Fui alertado pelo corpo técnico desta Comissão de possíveis duplicidades de artigos. Será necessário mais tempo para que eu possa me aprofundar no parecer e fazer uma conciliação entre o que foi proposto pelo Poder Legislativo e pelo Poder Executivo”, disse o parlamentar, que não detalhou quais seriam as questões.

A medida interrompeu a análise que vinha sendo conduzida na comissão e adiou a deliberação final sobre o projeto encaminhado pelo Governo do Estado. A expectativa é que, após a revisão, uma nova data seja marcada para votação do parecer na CFOT.

LOA e veto de Raquel Lyra vão tramitar nas comissões da Alepe, na próxima semana
Alepe aprova pedidos de R$ 5,2 bi em empréstimos e repasse R$ 180 milhões para o Governo do estado
Apesar do adiamento, está mantida a reunião ordinária da comissão prevista para esta terça-feira (24). No entanto, o tema só poderá ser incluído na pauta caso haja consenso para votação em caráter extrapauta, já com as correções realizadas no relatório.

A proposta do governo busca restabelecer o limite de 20% para abertura de créditos suplementares, após a Alepe ter reduzido esse percentual para 10% na lei promulgada anteriormente.

O projeto em discussão trata de mudanças na LOA e está inserido em um contexto de disputa entre o Executivo e o Legislativo sobre o percentual de remanejamento orçamentário. Antônio Coelho, no entanto, que antes integrava a oposição da Alepe à governadora Raquel Lyra (PSD), agora passa a integrar sua base uma vez que seu irmão, o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (UB), está como pré-candidato ao Senado na chapa majoritária da reeleição da chefe do Executivo

CEGO E CONDENADO, JUSTIÇA MANTÉM NA PRISÃO LÍDER DOS “CANIBAIS DE GARANHUNS” MESMO APÓS PEDIDO HUMANITÁRIO

A decisão da Justiça de Pernambuco de negar a prisão domiciliar a Jorge Beltrão Negromonte da Silveira, de 64 anos, reacende um dos capítulos mais perturbadores da história criminal recente do país. Conhecido como o principal articulador do caso que ficou nacionalmente marcado como o dos “Canibais de Garanhuns”, ele permanecerá no sistema prisional mesmo diante de um quadro de saúde considerado grave, com cegueira bilateral irreversível.

A negativa foi assinada nesta segunda-feira (23) pelo juiz Evandro de Melo Cabral, da Vara de Execução Penal da Capital. Ao analisar o pedido da defesa, o magistrado concluiu que não há base legal suficiente para conceder o benefício da prisão domiciliar, ainda que o detento apresente limitações severas de saúde e histórico de acompanhamento psiquiátrico.

A decisão se sustenta, principalmente, em um relatório técnico elaborado pela equipe de saúde do Presídio Policial Penal Leonardo Lago, localizado no Complexo do Curado, no Recife. O documento aponta que Jorge Beltrão recebe assistência considerada adequada dentro da unidade, com acompanhamento médico regular, suporte psicológico e psiquiátrico contínuo, além do uso de medicação controlada e encaminhamentos ao Sistema Único de Saúde (SUS) sempre que necessário.

O Ministério Público de Pernambuco também se posicionou contra o pedido, reforçando o entendimento de que o sistema prisional, neste caso específico, tem condições de garantir o tratamento de saúde do apenado. Com base nesses elementos, o juiz determinou não apenas a manutenção da prisão, como também a continuidade do acompanhamento multiprofissional, com possibilidade de reavaliação futura em caso de agravamento clínico.

O histórico do condenado, no entanto, pesa fortemente na decisão. O caso dos “Canibais de Garanhuns”, revelado em 2012 na cidade de Garanhuns, no Agreste pernambucano, chocou o país pela brutalidade e pela frieza dos crimes. Jorge Beltrão foi preso ao lado de Isabel Cristina Pires e Bruna Cristina Oliveira, formando um trio responsável por atrair mulheres em situação de vulnerabilidade com falsas promessas de emprego.

As investigações revelaram que as vítimas eram levadas para imóveis utilizados pelo grupo, onde eram assassinadas e tiveram seus corpos mutilados. Parte dos restos mortais era consumida pelos próprios criminosos — um detalhe que ampliou a repercussão e o horror em torno do caso. Depoimentos colhidos à época também indicaram que fragmentos dos corpos teriam sido utilizados na produção de alimentos comercializados na região, o que gerou pânico e indignação na população.

A polícia conseguiu confirmar ao menos três homicídios, entre eles os de Jéssica Camila da Silva Pereira, Alexandra Falcão da Silva e Giselly Helena. O caso de Jéssica, que tinha apenas 17 anos, tornou-se emblemático: desaparecida desde 2008, ela só teve seu destino esclarecido anos depois, quando exames de DNA identificaram restos mortais ligados à jovem.

Outro elemento que chamou atenção durante as investigações foi a alegação dos acusados de que integrariam uma suposta seita chamada “Cartel”, que pregaria a eliminação de mulheres consideradas incapazes de criar os próprios filhos. Apesar dessa narrativa, o Ministério Público sustentou — e a Justiça confirmou — que os envolvidos tinham plena consciência dos atos, afastando qualquer hipótese de inimputabilidade.

Ao longo dos anos, os processos foram desmembrados e julgados separadamente, resultando em condenações severas. No caso específico de Jorge Beltrão, as penas ultrapassam 70 anos de prisão, refletindo a gravidade e a multiplicidade dos crimes atribuídos a ele.

Agora, mais de uma década após a descoberta dos crimes, a Justiça reafirma o entendimento de que, mesmo diante de condições de saúde debilitadas, o cumprimento da pena deve continuar em regime fechado. A decisão sinaliza uma linha rígida do Judiciário em casos de alta repercussão e extrema violência, sobretudo quando há garantia de assistência médica dentro do sistema prisional.

O caso segue como um dos mais chocantes já registrados em Pernambuco e permanece vivo na memória coletiva, tanto pela crueldade dos crimes quanto pelas discussões jurídicas e éticas que ainda provoca.

SIVALDO ALBINO COMEMORA NOVA CLASSIFICAÇÃO CAPAG A+ DE GARANHUNS

Pela primeira vez na história, município tem nota máxima do Tesouro Nacional
Boa notícia que atesta a gestão profissional da Prefeitura de Garanhuns.  O município conquistou pela primeira vez a nota máxima na Capacidade de Pagamento (CAPAG), índice calculado pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN). A avaliação subiu para a CAPAG A+, refletindo o compromisso da gestão municipal com a responsabilidade fiscal e a boa administração dos recursos públicos.

Para a melhoria da nota de Garanhuns, o Tesouro Nacional analisou os indicadores de dívida consolidada, receita corrente líquida, despesa corrente, receita corrente ajustada, obrigações financeiras, ranking de qualidade fiscal, dentre outras informações.

Para o prefeito Sivaldo Albino, sobre a informação divulgada pela Secretaria Municipal de Finanças do município (Sefin), a CAPAG A+ é um marco histórico para a Garanhuns. "Trabalhamos com muita responsabilidade pelo presente e futuro de nosso município. Recordo que recebemos a prefeitura inserida no CAUC, uma espécie de SPC dos municípios, sem poder contratar, receber recursos federais, e muita pouca coisa podia ser feita. Foi um inicio difícil, mas sabíamos onde queríamos chegar, organizamos as contas, com rigor, equilíbrio e planejamento, um trabalho profissional na Secretaria de Finanças, e hoje Garanhuns tem crédito e recursos que a colocam entre as principais cidades do país", registra Sivaldo Albino, que finaliza: "Em nome da secretária Marília Lins, quero parabenizar toda a equipe que trabalhou para esta conquista"".

SAIBA MAIS

A nova classificação CAPAG A+ melhora o perfil fiscal do município e possibilita que Garanhuns tenha acesso facilitado a operações de crédito com garantia da União, além de favorecer a atração de novos investimentos.

A CAPAG funciona como um selo de qualidade fiscal e avalia a capacidade de estados e municípios honrarem seus compromissos financeiros. Segundo a Prefeitura, a elevação da nota também amplia a margem para execução de projetos e políticas públicas que beneficiem diretamente a população.

COMANDANTE DA GUARDA MUNICIPAL É MORTA EM CRIME CHOCANTE EM VITÓRIA: TRAJETÓRIA DE LUTA E PROTAGONISMO FEMININO É INTERROMPIDA DE FORMA BRUTAL

A madrugada desta segunda-feira (23) foi marcada por um crime que abalou profundamente a segurança pública e a sociedade capixaba. A comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa, foi morta dentro da própria casa, no bairro de Caratoíra, em um episódio de violência que envolve seu companheiro, o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza.

Reconhecida por sua trajetória pioneira e pelo compromisso com a segurança e os direitos das mulheres, Dayse entrou para a história ao se tornar a primeira mulher a comandar a Guarda Municipal da capital do Espírito Santo, após mais de duas décadas de existência da corporação. Sua ascensão simbolizava não apenas uma conquista pessoal, mas um avanço significativo na representatividade feminina em cargos estratégicos da segurança pública.

Com formação em pedagogia e pós-graduação em segurança pública municipal, Dayse ingressou na Guarda em 2012. Desde então, construiu uma carreira marcada pela dedicação, disciplina e liderança. Colegas de trabalho a descrevem como uma profissional firme, mas sensível às causas sociais, especialmente no enfrentamento à violência de gênero — pauta que ela defendia com frequência, inclusive em suas redes sociais.

Mãe de uma menina de oito anos, Dayse também compartilhava nas plataformas digitais momentos da rotina profissional e da vida pessoal, evidenciando a conexão com a família, amigos e a comunidade. Sua imagem pública era associada à coragem e ao compromisso com a proteção da população.

De acordo com informações preliminares, o crime ocorreu dentro da residência da comandante. O autor, com quem ela mantinha um relacionamento, teria invadido o imóvel utilizando uma escada, arrombado a porta e seguido até o quarto, onde efetuou disparos contra a vítima. O pai de Dayse, que também estava na casa, ouviu os tiros e presenciou parte da cena.

Após o assassinato, o suspeito tirou a própria vida. Ele integrava a Polícia Rodoviária Federal desde 2020. As circunstâncias e a motivação do crime ainda serão investigadas pelas autoridades competentes.

O caso levanta mais uma vez o alerta para a violência contra a mulher, inclusive em contextos que envolvem agentes de segurança pública. A morte de Dayse Barbosa não representa apenas a perda de uma gestora, mas de uma mulher que simbolizava resistência, avanço e luta por direitos em um ambiente historicamente dominado por homens.

A tragédia deixa não apenas familiares e amigos em luto, mas também uma corporação e uma cidade impactadas pela perda de uma líder que construiu sua história com coragem e determinação.