Nos bastidores do governo, a avaliação é de que a governadora decidiu agir para consolidar a estabilidade da base aliada e evitar novos desgastes internos em um momento de forte movimentação política no estado. O gesto mais evidente dessa reconstrução política foi a indicação de Paulo Nery para a Copergás, devolvendo ao grupo liderado por Eduardo da Fonte um espaço considerado estratégico dentro da máquina estadual.
A movimentação não para por aí. O rearranjo político também avança sobre outros setores importantes do governo. Um dos focos da nova composição é a Ceasa, onde o nome de Humberto Arraes aparece como o mais forte para assumir espaço de influência ligado ao PP. Segundo interlocutores do governo, faltam apenas ajustes internos para que a definição seja oficializada. Além disso, a Adepe também entra no radar das mudanças articuladas dentro dessa nova configuração política.
O movimento tem peso estratégico porque fortalece não apenas a relação institucional entre Raquel e Eduardo da Fonte, mas também amplia o espaço político da Federação União Progressista dentro do governo estadual. A leitura no meio político é clara: ao abrir novamente espaço para o PP, Raquel Lyra busca blindar sua base, evitar rachaduras e impedir qualquer possibilidade de afastamento do grupo progressista em um momento decisivo da pré-disputa estadual.
A retomada da sintonia entre os dois líderes também evidencia uma mudança importante no ambiente político pernambucano. Após um período de incertezas e especulações sobre desgaste na relação, o governo passa a sinalizar estabilidade e reconstrução de confiança com um dos grupos mais fortes da política estadual. Eduardo da Fonte, que lidera uma das maiores estruturas partidárias de Pernambuco, volta a ganhar protagonismo dentro da engrenagem governista e reforça sua posição como peça estratégica no projeto de reeleição da governadora.
Com isso, o Palácio do Campo das Princesas tenta transformar articulação política em sustentação prática, reorganizando espaços, acomodando aliados e consolidando uma aliança que passa a ser vista como fundamental para a montagem do palanque governista de 2026.