O dado mais emblemático não é apenas a liderança de Raquel Lyra, mas a trajetória que a levou até ela. Em abril de 2025, quando o Conecta iniciou sua série de levantamentos, João Campos aparecia com 52% das intenções de voto, contra apenas 31% da governadora, uma vantagem de 21 pontos percentuais que parecia confortável. Pouco mais de um ano depois, o cenário mudou completamente. A diferença desapareceu, a disputa virou e, agora, é Raquel quem aparece numericamente na dianteira.
Na pesquisa espontânea, considerada um dos indicadores mais importantes por medir a lembrança natural do eleitor, sem apresentação dos nomes dos candidatos, Raquel registra 29,2% das intenções de voto, enquanto João Campos soma 24,6%. É um resultado que demonstra crescimento da presença da governadora no imaginário do eleitor pernambucano.
Já no cenário estimulado, que reproduz a realidade da urna eletrônica, Raquel Lyra alcança 42,4%, contra 40,4% de João Campos. Em uma segunda simulação, sem Ivan Moraes, a vantagem permanece: 43,8% para a governadora e 41,3% para o socialista. Embora a diferença esteja dentro da margem de erro, o simbolismo político é evidente: quem antes corria atrás agora aparece na frente.
A nova pesquisa reforça uma tendência observada por outros levantamentos divulgados nos últimos meses. O favoritismo absoluto que durante muito tempo cercou a candidatura de João Campos já não encontra o mesmo respaldo nas pesquisas. Enquanto isso, Raquel Lyra demonstra capacidade de recuperação, impulsionada pelo fortalecimento da máquina estadual, pela agenda de entregas do governo e pela consolidação de alianças políticas em diversas regiões do Estado.
Nos bastidores, a leitura é inevitável. O discurso da "eleição decidida", repetido por setores da oposição há alguns meses, perdeu força. O que se desenha agora é uma disputa voto a voto, em que cada movimento das campanhas poderá ser decisivo para definir quem comandará Pernambuco pelos próximos quatro anos.
A pesquisa Conecta foi realizada entre os dias 8 e 11 de julho, ouviu 2.000 eleitores em todas as regiões do Estado, possui nível de confiança de 95% e margem de erro de 2,19 pontos percentuais.
Se os números refletem o retrato do momento, o recado político é claro: a eleição para o Governo de Pernambuco entrou de vez em uma nova fase. E, pela primeira vez desde o início da série histórica do Instituto Conecta, é Raquel Lyra quem aparece ocupando a dianteira da disputa.