Em Paranatama, a crítica política encontrou um limite na Justiça: acusações graves, quando não acompanhadas de provas, podem sair caro — e foi exatamente isso que aconteceu com Zelandyo dos Santos Silva, conhecido como Zé Landyo Monte Horebe.
A disputa política de Paranatama ganhou um novo capítulo, desta vez longe dos palanques, dos grupos de WhatsApp e das lives. A Justiça condenou Zelandyo dos Santos Silva a pagar R$ 5 mil por danos morais ao prefeito de Paranatama, Henrique de Oliveira Góis, após declarações consideradas ofensivas e sem comprovação contra o gestor.
A sentença foi proferida pela Vara Única da Comarca de Saloá, no processo nº 0000737-91.2025.8.17.3230, e também determinou que Zelandyo faça uma retratação pública nos mesmos meios utilizados para divulgar as acusações.
Ou seja: aquilo que foi espalhado no calor da oposição agora terá que ser desfeito onde foi publicado.
QUANDO A ACUSAÇÃO VIRA PROBLEMA NA JUSTIÇA
Segundo a decisão, não houve condenação simplesmente porque Zelandyo fez críticas ao prefeito. A própria sentença reconhece que a liberdade de expressão protege críticas políticas, inclusive manifestações duras contra agentes públicos.
O problema, segundo o entendimento judicial, foi outro.
As manifestações passaram da crítica política para a imputação de fatos específicos e graves, incluindo acusação relacionada a suposto desvio de recursos públicos para benefício pessoal, sem que fossem apresentadas provas capazes de sustentar tais afirmações.
E aí a conta chegou.
A Justiça entendeu que esse tipo de acusação ultrapassa o limite da liberdade de expressão e pode gerar responsabilidade civil.
Resultado: R$ 5 mil de indenização por danos morais e obrigação de retratação.
NÃO BASTOU FALAR. AGORA TEM QUE SE RETRATAR
A decisão determinou que a retratação seja feita nos mesmos ambientes utilizados para a divulgação das declarações questionadas.
Zelandyo deverá publicar a retratação em grupo de WhatsApp e no canal do YouTube onde foi realizada a live.
E tem prazo: cinco dias após a intimação, sob pena de multa diária de R$ 200, limitada a 30 dias.
É aquela velha história: falar é fácil. Difícil é sustentar a acusação quando ela chega diante de um juiz.
A OPOSIÇÃO PODE CRITICAR. MAS PROVAR É OUTRA HISTÓRIA
O caso deixa uma mensagem clara para o ambiente político de Paranatama.
Fazer oposição é legítimo. Fiscalizar prefeito é necessário. Questionar gastos públicos é papel de qualquer cidadão e, principalmente, de quem se coloca como voz de oposição.
Mas existe uma diferença enorme entre questionar a administração pública e acusar alguém de cometer um ilícito sem apresentar provas.
Foi justamente nessa fronteira que Zelandyo acabou tropeçando.
A sentença não proibiu a crítica política. Ao contrário, reconheceu expressamente que manifestações genéricas e opiniões políticas continuam protegidas pela liberdade de expressão.
O que a Justiça não aceitou foi transformar acusação grave e específica em verdade simplesmente porque foi repetida em grupos de WhatsApp ou em uma transmissão pela internet.
DERROTA JUDICIAL PARA A OPOSIÇÃO
Politicamente, o episódio também produz efeitos.
Henrique Góis sai do processo com uma decisão favorável que reconheceu o direito à indenização e determinou que as acusações sejam objeto de retratação.
Já Zelandyo enfrenta uma situação bastante desconfortável: aquilo que foi utilizado como munição política acabou se transformando em derrota judicial e obrigação de retratação pública.
E há uma ironia impossível de ignorar: a mesma internet utilizada para espalhar acusações agora terá que ser utilizada para publicar a retratação determinada pela Justiça.
No mundo da política, algumas frases desaparecem depois de um dia.
Na Justiça, porém, podem ganhar número de processo, sentença e até boleto.
O RECADO DE SALOÁ PARA PARANATAMA
A decisão também serve de alerta para o debate político local, especialmente em um município onde os grupos já começam a se movimentar para as eleições de 2026. Zelandyo, inclusive, aparece como liderança de oposição no cenário político de Paranatama.
O eleitor pode cobrar, questionar, criticar e discordar.
Mas, quando a crítica vira acusação concreta, a responsabilidade também entra em campo.
No caso de Zelandyo, entrou pela porta da frente.
A sentença julgou a ação parcialmente procedente, condenou o réu ao pagamento de R$ 5 mil por danos morais e determinou a retratação nos meios em que as declarações foram divulgadas.
E fica a pergunta que agora não é mais apenas política, mas judicial: vale a pena fazer barulho sem ter provas para sustentar aquilo que se está dizendo?
Em Paranatama, a Justiça acaba de dar uma resposta bem objetiva.
CRITICAR PODE. ACUSAR SEM PROVAR PODE CUSTAR R$ 5 MIL — E AINDA EXIGIR RETRATAÇÃO.
LEIA A ÍNTEGRA DA SENTENÇA: Acesse o processo e a decisão judicial
OBSERVAÇÃO: da decisão cabe recurso. Zelandyo dos Santos Silva ainda não havia se manifestado publicamente sobre a sentença até o fechamento desta matéria. O espaço permanece aberto para seu posicionamento.