Segundo a família e a produtora Boa Palavra, o falecimento ocorreu por volta das 20h desta sábado. A causa oficial não foi divulgada, e o velório será restrito a familiares e amigos íntimos, em respeito à privacidade dos entes queridos do escritor.
UMA VIDA DEDICADA À ARTE E À TV BRASILEIRA
Nascido em 14 de março de 1933, em São Paulo, Manoel Carlos começou no universo artístico ainda jovem — atuando, escrevendo e dirigindo desde a adolescência, e trabalhando em várias emissoras antes de consolidar sua carreira na TV Globo, a partir da década de 1970. Sua estreia na emissora foi como diretor-geral do “Fantástico” em 1972, mas foi na dramaturgia que construiu seu legado mais duradouro.
Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, Manoel Carlos escreveu mais de 15 novelas que marcaram gerações. Entre seus trabalhos mais icônicos estão:
“Laços de Família”
“Por Amor”
“Mulheres Apaixonadas”
“Baila Comigo”
e a novela de encerramento da sua trajetória em 2014, “Em Família”.
Sua obra ficou conhecida principalmente pelo retrato sensível da classe média brasileira, especialmente no contexto do bairro do Leblon, no Rio de Janeiro, que muitas vezes funcionava como mais do que um cenário — era um personagem dentro das tramas.
O MARCO DAS “HELENAS”
Uma das marcas registradas de Manoel Carlos era a criação e reinvenção de personagens femininas fortíssimas batizadas de Helena. Essas protagonistas, interpretadas por algumas das maiores atrizes do País, tornaram-se símbolos da televisão brasileira por sua profundidade emocional e humanidade.
Em suas novelas, Manoel explorava temas sociais e familiares com uma sensibilidade rara, trazendo debates sobre amor, ética, conflitos humanos e questões contemporâneas para o centro da dramaturgia popular — um dos motivos pelos quais seu trabalho atravessou gerações de espectadores.
FAMÍLIA E DESPEDIDA
O autor deixa sua esposa, Elisabety Gonçalves de Almeida, e duas filhas:
Júlia Almeida, atriz e protagonista em várias produções, e
Maria Carolina, roteirista que colaborou em suas tramas.
Manoel Carlos enfrentou nos últimos anos os desafios de sua saúde debilitada pela doença de Parkinson, que o afastou progressivamente da vida pública e criativa.
UMA AUSÊNCIA IRREPARÁVEL
A notícia da morte de Manoel Carlos representa não apenas o fim da vida de um artista consagrado, mas também o encerramento de um capítulo importante na história da teledramaturgia brasileira. Sua obra influenciou profissionais, telespectadores e a forma como histórias humanas são contadas na televisão no Brasil.
O legado de Maneco, com seus personagens memoráveis e sua capacidade de traduzir emoções cotidianas em narrativas envolventes, permanecerá vivo na memória cultural do País.