Por que a homenagem virou alvo de ação no TSE e no TCU
Uma homenagem que tinha tudo para ser apenas mais um capítulo da festa popular mais famosa do Brasil — o Carnaval do Rio de Janeiro — transformou-se em disputa judicial e política às vésperas do desfile. A escola de samba Acadêmicos de Niterói, que estreia no Grupo Especial em 2026, escolheu como tema para seu samba-enredo a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Mas a celebração artística acabou despertando questionamentos legais que agora mobilizam dois dos mais importantes órgãos de controle e de fiscalização do país.
O que motivou a ação no TSE?
O partido Missão, ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL), entrou com uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo uma liminar — uma decisão provisória — para proibir:
A participação direta de Lula no desfile da Acadêmicos de Niterói;
A execução do samba-enredo que o homenageia;
E o uso de imagens e vídeos desse momento nas redes sociais ou em futuras campanhas eleitorais a partir de agosto.
A legenda argumenta que a homenagem seria propaganda eleitoral antecipada, pois pode fortalecer a imagem de Lula num momento em que ele é pré-candidato à reeleição. Segundo o pedido, o samba poderia oferecer um espaço privilegiado de exposição pública ao presidente em comparação a seus concorrentes, o que seria vedado pela legislação eleitoral
O caso será relatado no TSE pelo ministro André Mendonça, responsável por analisar o pedido de liminar.
O que está acontecendo no TCU
Enquanto o TSE analisa a questão eleitoral, o Tribunal de Contas da União (TCU) também entrou no debate — mas por outro motivo: uso de dinheiro público para custear parte do desfile.
A Acadêmicos de Niterói receberia aproximadamente R$ 1 milhão de uma verba federal repassada por meio da Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo) às escolas de samba do Grupo Especial do Rio. Esse repasse faz parte de um contrato maior, de cerca de R$ 12 milhões, destinado à promoção internacional do carnaval.
Técnicos do TCU recomendaram a suspensão cautelar desse repasse. Segundo o parecer, a utilização de recursos públicos para um desfile com temática tão claramente associada a um presidente em ano eleitoral pode ferir princípios constitucionais como:
Impessoalidade;
Moralidade administrativa;
Indisponibilidade do interesse público.
Os auditores apontaram risco de desvio de finalidade: dinheiro oficial que tinha como objetivo promover o Brasil no exterior poderia, na visão deles, terminar favorecendo a imagem de um político em campanha. A recomendação agora será analisada pelo relator do processo no TCU, o ministro Aroldo Cedraz.
O contexto artístico e cultural
Importante lembrar que a Acadêmicos de Niterói já tinha anunciado sua escolha de enredo há meses: o tema “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, que celebra a vida e a trajetória do presidente, desde sua origem nordestina até os palcos do poder.
Para muitos carnavalescos e integrantes da escola, é apenas uma expressão cultural dentro de uma festa popular. Para críticos, contudo, o momento político elevou a homenagem a algo mais complexo — um evento que agora cruza as fronteiras do entretenimento e da política.
Os próximos capítulos
O desfecho dessa disputa ainda está por vir e pode ter implicações importantes:
Se o TSE aceitar a liminar, o desfile pode ocorrer sem menções diretas a Lula ou com restrições à divulgação do material;
Se o TCU determinar o bloqueio de verbas, parte do financiamento federal ao desfile pode ser interrompido até a decisão final.
O caso levanta questões sobre liberdade artística, o papel do Carnaval como patrimônio cultural e os limites entre expressão cultural e propaganda política em ano eleitoral — debates que agora ganham espaço no centro das cortes brasileiras.
Quer que eu explique como funcionam esses pedidos de liminar no TSE e qual é o caminho jurídico deles? É só pedir!