A decisão foi tomada pelo Conselho de Sentença da 3ª Vara do Júri da Capital, que entendeu pela absolvição de Cristiano em relação à acusação de tentativa de homicídio contra Francisco Cleidivaldo Mariano de Moura. Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre o estado atual de saúde ou situação jurídica da vítima do ataque.
O caso ganhou notoriedade pelas imagens registradas pelas câmeras de segurança do próprio fórum. No vídeo, que circulou amplamente nas redes sociais à época, Cristiano aparece sentado, aparentemente tranquilo, acompanhando o julgamento ao lado de uma mulher. Em questão de segundos, ele se levanta, caminha em direção ao réu e efetua disparos dentro da sala de audiência, interrompendo abruptamente o julgamento.
As imagens mostram ainda a tentativa desesperada da mulher que o acompanhava de impedir a ação. Ela chega a puxá-lo pela camisa, mas não consegue evitar os tiros. O réu, ao perceber o ataque, tenta fugir dentro do espaço do júri, enquanto advogados, testemunhas, servidores e até o magistrado correm para se proteger, transformando o ambiente em um cenário de caos.
Além dos disparos, Cristiano também desferiu coronhadas contra a vítima ao se aproximar dela. Francisco Cleidivaldo foi o único ferido e acabou sendo socorrido às pressas, sendo levado para o Hospital de Serra Talhada, onde recebeu atendimento médico. Já o autor dos disparos foi contido ainda no local e preso em flagrante, com um revólver calibre 38 apreendido.
Por trás da violência, uma história antiga de conflito e morte. Cristiano alegou ter agido movido pelo desejo de vingança pela morte do pai, Francisco Alves, assassinado anos antes pelo próprio Francisco Cleidivaldo. O crime remonta a outubro de 2012, na zona rural de São José do Belmonte, e teve origem em uma discussão aparentemente banal, envolvendo um burro desaparecido.
Segundo os autos do processo, Francisco Cleidivaldo procurava o animal quando foi até a propriedade de Francisco Alves. A abordagem terminou em troca de acusações e agressividade. De acordo com o depoimento do réu, ele teria sido chamado de “ladrão” e, diante da tensão, reagiu após o pai de Cristiano avançar contra ele com um pedaço de madeira. O disparo efetuado acabou atingindo Francisco Alves, que ainda foi socorrido e transferido para um hospital em Arcoverde, mas não resistiu aos ferimentos, falecendo 18 dias depois.
Anos mais tarde, o julgamento desse homicídio colocaria frente a frente o acusado e o filho da vítima — culminando no ataque dentro do plenário do júri. O episódio levantou debates sobre segurança em tribunais, falhas na prevenção de incidentes e os limites entre emoção e justiça.
A absolvição de Cristiano Alves Terto reacende discussões delicadas sobre o papel do Tribunal do Júri, composto por cidadãos comuns, e as decisões baseadas não apenas em provas técnicas, mas também na percepção subjetiva dos jurados. O caso também expõe as marcas profundas deixadas por conflitos antigos e como eles podem atravessar anos, culminando em novos episódios de violência.
Mesmo com a decisão judicial, o episódio permanece como um dos mais emblemáticos já registrados em julgamentos no interior de Pernambuco, tanto pela ousadia da ação quanto pelas circunstâncias que a envolveram.