A formação das chapas majoritárias para a disputa do Governo de Pernambuco em 2026 entrou na reta decisiva, mas os dois principais grupos políticos viveram momentos bem diferentes ao longo desse processo. Se o prefeito do Recife e candidato do PSB ao Palácio do Campo das Princesas, João Campos, conseguiu superar ainda no primeiro semestre a disputa interna pelas vagas ao Senado, a governadora Raquel Lyra (PSD) chega às vésperas das convenções convivendo com um dos maiores desafios de sua estratégia eleitoral: definir quem ocupará a segunda vaga ao Senado em sua chapa.
No campo socialista, o início do ano foi marcado por uma intensa movimentação de bastidores. João Campos precisou administrar interesses de importantes lideranças políticas que buscavam espaço na composição majoritária. Na disputa estavam o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos), a ex-deputada federal Marília Arraes (PDT), o senador Humberto Costa (PT), o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União Brasil) e, segundo interlocutores da política pernambucana, também houve conversas envolvendo o deputado federal Eduardo da Fonte (PP).
Naquele momento, o ambiente era de incerteza. Marília Arraes e Silvio Costa Filho chegaram, inclusive, a abrir canais de diálogo com o grupo político da governadora Raquel Lyra diante da percepção de que poderiam ficar sem espaço na chapa liderada pelo PSB. O movimento aumentou a pressão sobre João Campos, que precisou agir rapidamente para evitar desgastes internos e possíveis perdas de aliados estratégicos.
A solução encontrada pelo socialista reorganizou completamente o cenário. João confirmou o senador Humberto Costa, que já era apontado como nome praticamente consolidado para disputar a reeleição, e oficializou Marília Arraes como segunda candidata ao Senado. Como consequência do acordo, Silvio Costa Filho abriu mão da disputa pela vaga majoritária e indicou seu irmão, Carlos Costa, para compor a chapa como candidato a vice-governador. A composição fortaleceu o alinhamento do PSB com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e consolidou uma chapa considerada integralmente vinculada ao campo governista nacional.
Com isso, João Campos conseguiu encerrar ainda em março a principal crise interna relacionada à formação de sua chapa. O acordo também acabou inviabilizando outras articulações que envolviam nomes como Miguel Coelho e Eduardo da Fonte, que passaram a buscar alternativas em outro campo político.
Enquanto isso, a situação da governadora Raquel Lyra evoluiu de maneira diferente. Desde o início das articulações, a gestora manteve diálogo permanente com um grupo formado por Túlio Gadelha, Fernando Dueire, Miguel Coelho e Eduardo da Fonte, todos apontados em diferentes momentos como possíveis integrantes da chapa majoritária.
Durante esse processo, Raquel fortaleceu seu partido ao filiar ao PSD os dois pré-candidatos ao Senado ligados diretamente ao seu grupo: o deputado federal Túlio Gadelha e o senador Fernando Dueire. Nos bastidores, porém, a avaliação predominante é que Túlio passou a ocupar posição privilegiada e desponta como o nome mais próximo de garantir uma das vagas na composição.
A definição da segunda cadeira, entretanto, permanece como o principal ponto de tensão da aliança governista.
O impasse envolve dois dos principais líderes da federação União Progressista. De um lado está o deputado federal Eduardo da Fonte, presidente estadual do Progressistas e uma das lideranças mais influentes da legenda em Pernambuco. Do outro aparece Miguel Coelho, ex-prefeito de Petrolina e principal liderança do União Brasil no Estado.
Como PP e União Brasil integram a mesma federação partidária, ambos defendem que a indicação da vaga pertence ao bloco, mas nenhum dos dois grupos demonstra disposição para abrir mão da candidatura. A disputa ganhou dimensão nacional e extrapolou as fronteiras da política pernambucana.
Nos bastidores, o assunto já chegou às principais lideranças da federação. O presidente nacional do Progressistas, senador Ciro Nogueira, defende a manutenção da indicação construída pelo PP de Pernambuco, respaldando o nome de Eduardo da Fonte. Em sentido oposto, o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, trabalha para assegurar a candidatura de Miguel Coelho, ampliando a influência de seu partido na chapa governista.
No último sábado, diante da dificuldade para construir um consenso interno, Raquel Lyra preferiu deixar a definição nas mãos da direção nacional da federação, transferindo para Brasília a responsabilidade por um dos temas mais delicados da composição eleitoral.
Com as convenções partidárias se aproximando, o PSB chega ao momento decisivo com sua chapa praticamente fechada e sem grandes pendências. Já o grupo da governadora ainda precisa superar um conflito de interesses entre duas das principais forças de sua base política. A solução para esse quebra-cabeça poderá influenciar diretamente o equilíbrio interno da aliança governista e a estratégia eleitoral para a disputa pelo Palácio do Campo das Princesas.