Acordo entre o grupo Coelho e Eduardo da Fonte para o Senado foi decisivo para mudança no apoio do prefeito de Saloá
O tabuleiro político de Saloá ganhou uma nova configuração para as eleições de 2026. O prefeito Júnior de Rivaldo decidiu mudar seu apoio para deputado federal e substituiu Lula da Fonte (PP) por Fernando Filho (União Brasil).
A mudança, que vinha sendo tratada nos bastidores, tem uma explicação política bastante clara: o movimento está diretamente ligado à aproximação entre o grupo Coelho e Eduardo da Fonte (PP) na disputa pelo Senado Federal.
A nova composição coloca Saloá dentro de uma articulação muito maior, que envolve a chapa majoritária da governadora Raquel Lyra (PSD) e a reorganização das forças políticas de Pernambuco para a eleição deste ano.
A confirmação da mudança em Saloá ocorreu no último dia 13. Júnior de Rivaldo agradeceu a parceria construída com Lula da Fonte ao longo dos últimos anos e anunciou Fernando Filho como seu novo candidato a deputado federal.
A POLÍTICA DEU UMA VOLTA
A história ganhou um novo capítulo depois que o grupo Coelho decidiu colocar fim à disputa com Eduardo da Fonte pela vaga ao Senado na chapa de Raquel Lyra.
Durante semanas, Miguel Coelho e Eduardo da Fonte travaram uma disputa pela segunda vaga ao Senado. O impasse acabou quando Raquel Lyra optou por Eduardo da Fonte e Miguel decidiu retirar sua candidatura ao Senado para disputar uma vaga de deputado federal.
O entendimento avançou ainda mais no dia 12 de agosto, quando Miguel Coelho anunciou o advogado Carlos Andrade Lima como primeiro suplente de Eduardo da Fonte e, ao lado de Fernando Filho, declarou apoio ao candidato do Progressistas ao Senado.
Foi justamente esse novo cenário que repercutiu nas bases municipais.
E Saloá acabou entrando nessa conta.
O EFEITO COELHO EM SALOÁ
Júnior de Rivaldo já tinha uma relação política construída com Lula da Fonte. O parlamentar era o nome escolhido pelo prefeito para a Câmara Federal.
Com a aproximação entre os Coelhos e Eduardo da Fonte, entretanto, a equação mudou.
Fernando Filho passou a representar, dentro da chapa de Júnior de Rivaldo, o braço federal do grupo que agora está alinhado ao projeto de Eduardo da Fonte para o Senado.
Ou seja: não foi simplesmente uma troca de deputado federal. Foi uma mudança provocada pelo rearranjo da chapa majoritária.
O próprio grupo Coelho oficializou seu apoio a Eduardo da Fonte. Miguel indicou seu primeiro suplente e Fernando Filho declarou apoio ao candidato do PP.
EDUARDO DA FONTE GANHA MAIS UM ELO NO AGRESTE
A movimentação também interessa diretamente a Eduardo da Fonte.
O candidato ao Senado vem ampliando sua rede de apoios pelo Estado e, agora, passa a contar com uma ligação política ainda mais estreita com o grupo Coelho.
Em 5 de agosto, a Federação União Progressista oficializou Eduardo da Fonte como candidato ao Senado na chapa de Raquel Lyra, consolidando a presença de União Brasil e Progressistas na aliança majoritária.
Poucos dias depois veio a reconciliação política com os Coelhos.
E agora o reflexo aparece em Saloá.
JUNIOR DE RIVALDO FAZ UMA ESCOLHA ESTRATÉGICA
Para Júnior de Rivaldo, a mudança também possui uma leitura regional.
O prefeito passa a trabalhar com um deputado federal ligado a uma das famílias políticas mais tradicionais de Pernambuco, com forte presença no Sertão e, principalmente, em Petrolina.
Fernando Filho é irmão de Miguel Coelho e integra o grupo político que agora está alinhado a Eduardo da Fonte e à candidatura de Raquel Lyra.
Com isso, o prefeito de Saloá passa a estar conectado a uma engrenagem política que envolve Prefeitura de Saloá, grupo Coelho, Fernando Filho, Eduardo da Fonte e Raquel Lyra.
É uma composição que não pode ser analisada isoladamente.
LULA DA FONTE SAI, MAS A POLÍTICA CONTINUA
A saída de Lula da Fonte não apaga a relação política construída anteriormente.
O próprio Júnior de Rivaldo fez questão de agradecer a parceria com o deputado federal.
Mas eleição é movimento.
E, neste momento, o grupo do prefeito entendeu que o novo desenho político exigia uma mudança no nome para deputado federal.
Lula da Fonte, filho de Eduardo da Fonte, pertence justamente ao grupo que agora passa a contar com o apoio dos Coelhos para o Senado. A troca, portanto, não representa necessariamente um afastamento do grupo da Fonte no plano majoritário.
Pelo contrário.
Júnior de Rivaldo continua no campo de Eduardo da Fonte para o Senado, mas muda o nome que levará para deputado federal.
Essa talvez seja a principal leitura do rearranjo.
O NOVO DESENHO
Com a mudança, a composição política de Júnior de Rivaldo ganha uma nova configuração.
Para deputado federal: Fernando Filho.
Para o Senado: Eduardo da Fonte e Túlio Gadêlha.
Para o Governo de Pernambuco: Raquel Lyra.
O próprio prefeito já divulgou a composição política com Raquel Lyra e os dois candidatos ao Senado, Eduardo da Fonte e Túlio Gadêlha.
É um desenho que mostra que o grupo de Saloá está fechado dentro do projeto majoritário da governadora.
NA LUPA
A mudança de Júnior de Rivaldo é pequena no mapa eleitoral, mas grande na leitura política.
Lula da Fonte tinha a preferência do prefeito para deputado federal. Agora, o escolhido é Fernando Filho.
A razão está no novo arranjo produzido pela disputa do Senado.
Os Coelhos e Eduardo da Fonte se enfrentaram, chegaram a um acordo e passaram a caminhar juntos. Fernando Filho aderiu ao projeto de Eduardo para o Senado. E, na sequência, Saloá mudou seu candidato a deputado federal.
É a política funcionando como ela funciona nos bastidores: uma decisão na chapa majoritária provoca consequências nas alianças proporcionais.
Para Fernando Filho, Saloá representa uma nova base no Agreste.
Para Júnior de Rivaldo, a mudança aproxima seu grupo de uma estrutura política de peso nacional e estadual.
Para Eduardo da Fonte, o movimento fortalece a capilaridade de sua candidatura ao Senado.
E para Lula da Fonte, fica a perda de uma base que estava anteriormente alinhada ao seu projeto de reeleição.
No fim das contas, a mudança em Saloá é mais uma consequência direta da grande reorganização política que tomou conta de Pernambuco às vésperas da eleição de 2026.