O levantamento, realizado entre os dias 18 e 20 de agosto com 1.204 entrevistados, tem margem de erro de três pontos percentuais. Na desaprovação, Raquel também leva vantagem: 29% desaprovam sua gestão, contra 33% de Lula.
Mais do que um número positivo para a governadora, o resultado tem peso político porque acontece justamente na largada de uma eleição em que Raquel tenta se apresentar como uma gestora capaz de dialogar com diferentes campos políticos.
RAQUEL TAMBÉM LEVA VANTAGEM NA AVALIAÇÃO DA GESTÃO
Quando os entrevistados foram convidados a classificar as administrações, a governadora novamente apareceu à frente.
Raquel foi avaliada como ótima ou boa por 50%, enquanto 30% consideraram sua gestão regular e 18% ruim ou péssima.
Lula, por sua vez, teve 46% de avaliação ótima ou boa, 27% regular e 25% ruim ou péssima.
O dado mostra que, pelo menos neste momento, existe uma percepção favorável em relação à administração estadual que pode ser transformada em ativo eleitoral.
E é exatamente aí que está o ponto central da pesquisa.
O MOVIMENTO DE RAQUEL NÃO É POR ACASO
Nos últimos dias, Raquel Lyra intensificou o discurso de proximidade com Lula. Em seus pronunciamentos, passou a destacar com frequência investimentos realizados em parceria com o Governo Federal, além de recuperar imagens de encontros com o presidente.
Politicamente, a estratégia é clara.
Raquel sabe que Lula continua sendo uma figura extremamente influente em Pernambuco e tenta evitar que João Campos monopolize a imagem de proximidade com o presidente durante a campanha.
O problema para a governadora é que Lula estará no palanque de João, já que o PT está aliado ao PSB. Raquel, por sua vez, disputa a eleição pelo PSD.
Mesmo assim, o Datafolha oferece munição para que a governadora sustente uma narrativa própria: ela pode não ter Lula oficialmente em seu palanque, mas mantém uma aprovação superior à do presidente entre os pernambucanos.
E JOÃO CAMPOS?
É justamente nesse ponto que a pesquisa ganha contornos mais delicados para o campo de João Campos.
O prefeito do Recife construiu boa parte de sua estratégia eleitoral sobre a associação com Lula e sobre a força política do presidente em Pernambuco.
A tendência é que Lula tenha papel importante na campanha de João, inclusive na propaganda eleitoral.
Mas o Datafolha mostra que existe um limite para essa estratégia: a aprovação de Lula não é automaticamente transferida para João Campos.
Se Raquel consegue apresentar uma avaliação positiva de sua gestão e, ao mesmo tempo, se aproximar da imagem de Lula, ela reduz o espaço político que João pretende ocupar.
É uma equação que o núcleo da campanha socialista certamente acompanha com atenção.
LULA VIRÁ A PERNAMBUCO?
A pesquisa também abriu uma discussão estratégica nos bastidores: até que ponto a presença de Lula em Pernambuco pode ser positiva para João Campos sem criar um problema para o próprio presidente?
O cientista político Felipe Ferreira Lima avaliou que a chamada “força da incumbência” ajuda a explicar o desempenho de Lula e Raquel e levantou a possibilidade de uma visita do presidente representar algum risco político neste momento.
A questão é simples: Lula viria para fortalecer João, mas encontraria uma governadora com elevada aprovação e que faz questão de destacar sua relação institucional com o Governo Federal.
Nesse cenário, uma eventual agenda presidencial precisaria ser cuidadosamente calibrada.
Como observou Felipe Ferreira Lima, João pode estar precisando mais de Lula neste momento do que Lula de João. E uma presença do presidente em Pernambuco poderia exigir algum tipo de aceno institucional a Raquel para evitar que a disputa estadual se transforme em um confronto direto entre Lula e a governadora.
NA LUPA
O Datafolha não decide eleição, mas muda o ambiente da disputa.
Raquel Lyra recebeu um presente político importante a poucas semanas de uma fase decisiva da campanha: aparece com aprovação maior que a de Lula e consegue apresentar sua administração com avaliação positiva.
Para João Campos, o desafio passa a ser impedir que a governadora consolide uma imagem de gestora bem avaliada, moderada e capaz de dialogar com Brasília sem necessariamente depender do palanque presidencial.
A eleição ainda está longe de definida, mas uma coisa ficou evidente: Raquel não pretende entregar a Lula a exclusividade do discurso de proximidade com o Governo Federal.
E se o presidente subir ao palanque de João, terá que considerar uma realidade revelada pelo próprio Datafolha: em Pernambuco, neste momento, Raquel Lyra está mais aprovada que Lula.