Prefeito chega ao pós-eleição com Raquel Lyra reeleita e dois aliados eleitos para a Alepe e Câmara Federal; agora, grupo também terá aliado no comando da Casa James Pacheco
Se alguém ainda tinha dúvida sobre o tamanho do capital político acumulado por Zeca Cavalcanti em Arcoverde, os últimos dias trataram de responder. Depois de uma eleição estadual em que o prefeito conseguiu entregar resultados importantes para seu grupo, a política local ganhou mais um capítulo: Paulinho Galindo foi eleito por unanimidade presidente da Câmara Municipal de Arcoverde para o biênio 2027-2028.
E aqui está o detalhe que interessa aos bastidores: Paulinho não chega à presidência por acaso. A candidatura foi construída ao longo dos últimos meses, com participação de vereadores e apoio institucional do prefeito Zeca Cavalcanti, segundo relatos publicados após a eleição. A votação aconteceu na segunda-feira (5), com chapa única aprovada por todos os parlamentares presentes.
A nova Mesa Diretora terá Paulinho Galindo na presidência, Luiza Margarida como primeira vice-presidente, Wellington Siqueira como segundo vice-presidente, João Marcos como primeiro-secretário e Rodrigo Roa como segundo-secretário. O grupo assume oficialmente em janeiro de 2027 e ficará à frente da Casa James Pacheco durante todo o biênio.
Mas o simbolismo político vai além da própria eleição.
Zeca chega ao pós-eleição com três resultados que fortalecem sua posição.
A governadora Raquel Lyra foi reeleita. Gustavo Gouveia foi eleito deputado estadual. Marcelo Gouveia conquistou uma cadeira na Câmara Federal. E agora, dentro de casa, um vereador integrante da base do prefeito assume o comando do Legislativo municipal.
Não é pouca coisa.
Durante a campanha, Zeca colocou sua estrutura política na rua para defender a reeleição de Raquel e as candidaturas dos irmãos Gouveia. O grupo realizou caminhadas, atos públicos e mobilizações em diferentes regiões de Arcoverde, deixando claro que a eleição de 2026 também seria um teste para a força política do prefeito.
O resultado veio.
Em Arcoverde, Raquel Lyra terminou o primeiro turno com 19.494 votos, o equivalente a 51,32%, contra 17.889 votos de João Campos, que ficou com 47,10%. No plano estadual, Raquel acabou reeleita com 53,27% dos votos válidos. Gustavo Gouveia terminou a disputa estadual com 67.605 votos e Marcelo Gouveia alcançou 182.812 votos, garantindo representação de Arcoverde e da região na Alepe e na Câmara Federal.
É justamente aí que entra a leitura da Política na Lupa.
Zeca não está apenas comemorando vitórias eleitorais. Está começando a montar o cenário político para a segunda metade do seu mandato.
Com Gustavo Gouveia na Assembleia Legislativa e Marcelo Gouveia em Brasília, o prefeito passa a contar com dois canais institucionais importantes para buscar recursos, obras e investimentos para Arcoverde. O próprio gestor destacou, após o resultado das urnas, que os dois parlamentares poderão ampliar a capacidade de articulação do município.
Agora, com Paulinho Galindo no comando da Câmara, o desenho fica ainda mais interessante.
A presidência do Legislativo não significa submissão ao Executivo — e nem deveria. Câmara e Prefeitura têm funções distintas e precisam preservar sua autonomia. Mas politicamente é evidente que uma presidência construída com apoio do governo municipal tende a abrir um ambiente de diálogo muito diferente daquele vivido em momentos de maior tensão entre os dois poderes.
Paulinho, inclusive, adotou discurso de união após a eleição. O vereador afirmou que pretende conduzir a Câmara com diálogo, respeito, transparência e responsabilidade, além de dar continuidade a iniciativas desenvolvidas pela atual gestão da Casa.
E tem outro detalhe que não pode passar despercebido.
Paulinho vai comandar a Câmara justamente no ano do centenário de Arcoverde.
O município completa 100 anos de emancipação política em 2028, fazendo com que o biênio da nova Mesa Diretora tenha um peso simbólico especial. A presidência da Casa James Pacheco estará no centro das discussões políticas e institucionais de um dos momentos mais importantes da história recente do município.
Paulinho também não é um novato na política arcoverdense. Está em seu segundo mandato como vereador. Foi o mais votado para a Câmara em 2012, com 2.137 votos, ficou fora do Legislativo em 2016 e retornou nas eleições de 2024 pelo Progressistas. Atualmente, também preside o diretório municipal do PP em Arcoverde.
A escolha por unanimidade também merece atenção.
Em política, unanimidade raramente aparece por acidente. Quando uma chapa única recebe o voto de todos os vereadores presentes, existe, no mínimo, uma construção política suficientemente ampla para evitar uma disputa aberta pela presidência.
E esse talvez seja o principal recado deixado pela eleição de Paulinho: o grupo de Zeca chega ao pós-eleição com capacidade de articulação dentro e fora da Câmara.
O prefeito recebeu o presidente eleito nesta quarta-feira, ao lado do vice-prefeito e secretário de Governo, Siqueirinha. O encontro reforçou a disposição de manter uma relação institucional baseada no diálogo entre Prefeitura e Câmara.
Zeca saudou a nova Mesa Diretora e destacou que Executivo e Legislativo devem cumprir suas respectivas funções, mas podem trabalhar em conjunto em torno dos interesses da população.
Na prática, é exatamente esse equilíbrio que será testado a partir de janeiro.
Porque uma coisa é eleger o presidente da Câmara.
Outra, bem diferente, é transformar essa vitória política em uma relação institucional capaz de produzir resultados para a cidade.
E Zeca sabe disso.
Depois de atravessar uma eleição estadual com Raquel Lyra reeleita e dois aliados — Gustavo e Marcelo Gouveia — eleitos para ocupar espaços estratégicos no Legislativo estadual e federal, o prefeito agora começa a olhar para os próximos dois anos com uma base política mais organizada.
A Câmara terá um presidente alinhado ao campo governista, Brasília terá Marcelo Gouveia, a Alepe terá Gustavo Gouveia e o Palácio do Campo das Princesas continuará sob o comando de Raquel Lyra.
Na política, ninguém monta esse tabuleiro pensando apenas no dia seguinte.
Zeca sabe que 2028 já começou a ser desenhado.
E o primeiro movimento depois da eleição foi justamente colocar um aliado no comando da Câmara no ano em que Arcoverde completará seu primeiro século de emancipação.
Na Lupa, o fato é simples: Zeca saiu das urnas de 2026 maior do que entrou e, ao emplacar Paulinho Galindo na presidência da Câmara, transforma o pós-eleição em um novo capítulo de sua articulação política.