Deputado estadual eleito com 132.322 votos, Gilson Machado Filho cobra posicionamento da governadora no segundo turno e defende apoio a Flávio Bolsonaro
A vitória de Raquel Lyra (PSD) na disputa pelo Governo de Pernambuco continua provocando movimentações e cobranças nos bastidores da política estadual. Desta vez, quem colocou o dedo na ferida foi Gilson Machado Filho (Podemos), deputado estadual eleito com expressivos 132.322 votos, que atribuiu aos bolsonaristas um papel decisivo na derrota de João Campos (PSB).
Em entrevista ao podcast Dose Dupla, publicada pelo Dantas Barreto, Gilson Filho foi direto ao defender que a governadora abandone a neutralidade no segundo turno da eleição presidencial e declare apoio a Flávio Bolsonaro (PL). Na avaliação do parlamentar eleito, Raquel tem uma dívida política com o eleitorado bolsonarista que contribuiu para sua vitória em Pernambuco.
“Quem deu a eleição para ela foram os bolsonaristas”, afirmou Gilson, ao relatar uma conversa reservada que teve com a governadora e a vice-governadora Priscila Krause.
O deputado disse que Flávio Bolsonaro recebeu cerca de 31% dos votos em Pernambuco no primeiro turno e acredita que esse eleitorado votou em massa em Raquel Lyra na disputa estadual. Por isso, cobra reciprocidade política e espera que a governadora não abandone o grupo que, segundo ele, ajudou a garantir sua reeleição.
Gilson revelou ainda que manteve seu apoio à governadora durante a campanha, mesmo diante das críticas de setores da direita. Ele citou o episódio em que Raquel apareceu usando um boné do MST e afirmou que, apesar das divergências, continuou defendendo seu nome.
Agora, o recado está dado: Gilson Filho quer ver Raquel Lyra entrar no palanque de Flávio Bolsonaro em Pernambuco. A cobrança coloca a governadora diante de uma equação política delicada. De um lado, os bolsonaristas reivindicam reconhecimento pelo apoio eleitoral; de outro, aliados do presidente Lula (PT) também pressionam por um posicionamento favorável ao petista, lembrando as parcerias entre os governos federal e estadual.
A neutralidade, portanto, deixou de ser apenas uma escolha estratégica e passou a representar um ponto de tensão entre grupos que estiveram, em diferentes momentos, na construção da força política de Raquel.
OPOSIÇÃO A JOÃO CAMPOS E RECADO AO RECIFE
Gilson Machado Filho também aproveitou a entrevista para comemorar a derrota de João Campos na disputa pelo Governo de Pernambuco. Um dos principais adversários políticos do socialista no Recife, ele afirmou que a oposição teve papel importante ao questionar a imagem de gestão construída pela administração municipal.
O deputado eleito relembrou a eleição de 2024, quando João Campos conquistou mais de 78% dos votos válidos na capital pernambucana e passou a ser apontado como favorito na corrida pelo Governo do Estado. Na avaliação de Gilson, o prefeito teria iniciado sua trajetória rumo ao Palácio do Campo das Princesas antes mesmo de concluir o mandato municipal.
“Ele tomou posse como prefeito já fazendo campanha para governador. Já dizendo que era o governador do Estado”, disparou.
Gilson afirmou que a oposição atuou nas ruas e procurou apresentar uma realidade diferente daquela divulgada nas redes sociais pela gestão socialista. Em sua avaliação, o resultado eleitoral mostrou que a força política de João Campos não era suficiente para garantir a vitória estadual.
A declaração também revela o peso que a disputa municipal de 2024 teve na construção do cenário eleitoral de 2026. João chegou à corrida pelo Governo de Pernambuco carregando o capital político de uma votação expressiva no Recife, mas acabou derrotado por Raquel Lyra.
A CONTA POLÍTICA DO SEGUNDO TURNO
Com a eleição estadual definida, a discussão agora se desloca para a disputa presidencial. E é justamente nesse terreno que a cobrança de Gilson Machado Filho ganha força: ele quer transformar o apoio recebido por Raquel no primeiro turno em compromisso político no segundo.
A governadora, porém, precisa administrar uma aliança ampla, formada por forças de diferentes campos políticos. Uma declaração de apoio a Flávio Bolsonaro poderia consolidar sua relação com a direita bolsonarista, mas também teria repercussões sobre o diálogo institucional com o governo Lula.
O recado de Gilson é claro: na sua leitura, os votos da direita tiveram importância decisiva para a vitória de Raquel, e esse apoio não pode ser tratado como se não tivesse consequências políticas.
Em Pernambuco, a eleição terminou, mas a disputa pelo alinhamento dos grupos que saíram fortalecidos das urnas está apenas começando. E a pergunta que fica nos bastidores é se Raquel Lyra manterá a neutralidade ou atenderá à cobrança de um dos representantes mais votados da direita pernambucana.
Blog do Edney — A notícia verdade. Você atualizado o tempo todo.