terça-feira, 27 de outubro de 2026

NA LUPA: NIKOLAS TINHA MILHÕES DE SEGUIDORES, JANONES MOBILIZOU UM EXÉRCITO — E LULA VIROU O JOGO EM MINAS


A eleição de 2026 deixou uma lição para a política brasileira: ter milhões de seguidores não significa, necessariamente, conseguir transformar popularidade em votos. Na disputa digital entre Nikolas Ferreira e André Janones, dois deputados mineiros que atuaram em lados opostos, o resultado de Minas Gerais colocou em evidência duas estratégias diferentes: de um lado, o poder de alcance de um influenciador; do outro, a tentativa de transformar apoiadores em uma rede organizada de mobilização.

Minas Gerais voltou a ocupar o centro das atenções na eleição presidencial. Conhecido por sua importância estratégica nas disputas nacionais, o estado apresentou uma reviravolta entre o primeiro e o segundo turno. Na primeira votação, Flávio Bolsonaro saiu na frente, com 48,24% dos votos válidos, contra 43,33% de Luiz Inácio Lula da Silva. Três semanas depois, o petista virou o resultado e terminou com 50,43%, contra 49,57% do adversário. A diferença foi de aproximadamente 109 mil votos.

Os números mostram a dimensão da mudança. Lula acrescentou cerca de 1,16 milhão de votos ao seu resultado mineiro entre os dois turnos, enquanto Flávio conquistou aproximadamente 464 mil votos adicionais. A virada aconteceu em um estado no qual Cleitinho havia sido eleito governador ainda no primeiro turno, com cerca de 55% dos votos, e onde o bolsonarismo contou com o apoio de figuras como Romeu Zema e Nikolas Ferreira. O cenário reforçou a complexidade da eleição: ter aliados fortes e uma base mobilizada não foi suficiente para garantir a vitória presidencial em Minas.

É nesse contexto que a disputa entre Nikolas e Janones ganha relevância. Embora nenhum dos dois estivesse na cédula presidencial, ambos participaram da batalha pela opinião pública e ajudaram a representar duas maneiras distintas de fazer campanha na internet.

Nikolas Ferreira chegou à reta final como um dos maiores fenômenos digitais da direita brasileira. Com aproximadamente 25 milhões de seguidores no Instagram, o deputado construiu uma presença capaz de transformar vídeos em acontecimentos políticos nacionais. Seu estilo combina linguagem direta, provocação, temas de forte apelo emocional e conteúdos planejados para circular rapidamente pelas redes.

Na campanha de Flávio Bolsonaro, essa capacidade de comunicação foi colocada a serviço de uma estratégia que buscava ampliar o diálogo com eleitores fora do núcleo tradicional do bolsonarismo. Um dos episódios mais comentados foi o vídeo “O Nordeste que foi esquecido”, que ultrapassou 160 milhões de visualizações, segundo os números divulgados na repercussão da produção.

A proposta era atingir uma região historicamente decisiva para Lula e questionar a relação do governo petista com os nordestinos. O alcance foi expressivo, mas os bastidores da gravação acabaram virando munição política. Imagens que circularam na internet mostraram o uso de teleprompter, orientações de enquadramento e a retirada de uma antena parabólica da cena. O material provocou críticas sobre a espontaneidade do vídeo e abriu uma discussão sobre a diferença entre uma produção profissional e uma manifestação aparentemente improvisada.

O episódio não prova que a estratégia de Nikolas tenha provocado a derrota de Flávio, mas expôs um problema importante da comunicação política: um conteúdo pode atingir milhões de pessoas e, ainda assim, não produzir o resultado eleitoral esperado. Visualizações não são votos, seguidores não representam necessariamente eleitores convencidos e viralização não significa mudança de opinião.

Do outro lado estava André Janones, também mineiro, cuja atuação sempre foi marcada por um estilo combativo e provocador. Sua relação com setores da esquerda nem sempre foi tranquila. Durante a campanha, houve resistências à sua participação, e seu jeito agressivo de se comunicar chegou a ser visto por integrantes do próprio campo petista como um custo a ser administrado.

Janones, porém, encontrou uma maneira de transformar essa posição em oportunidade. Em vez de tentar competir diretamente com os grandes influenciadores pelo protagonismo individual, concentrou esforços na construção de uma rede de distribuição de conteúdo em favor de Lula. O chamado Exército do Lula, organizado por meio de um canal de transmissão no WhatsApp, cresceu de forma acelerada durante o segundo turno e chegou a cerca de 10,8 milhões de seguidores, conforme números divulgados na reta final.

A lógica era diferente. A estratégia não dependia exclusivamente de Janones aparecer diante da câmera ou publicar um vídeo que alcançasse milhões de visualizações em uma única conta. A proposta era convocar apoiadores para compartilhar mensagens, divulgar conteúdos, replicar publicações e levar a campanha para outros ambientes digitais. A mobilização funcionava como uma rede na qual cada participante poderia ampliar o alcance das mensagens entre seus próprios contatos.

Em vez de concentrar toda a atenção em uma figura, Janones procurou multiplicar os pontos de distribuição. O conteúdo circulava por grupos de WhatsApp, perfis pessoais e conversas cotidianas. A linguagem era simples, os vídeos frequentemente tinham aparência menos elaborada e as orientações buscavam estimular uma participação diária dos integrantes.

A diferença entre os dois modelos ajuda a compreender por que a comparação se tornou tão simbólica. Nikolas representava o poder de uma audiência gigantesca concentrada em um influenciador. Janones apostava na capacidade de mobilizar uma multidão de pessoas para reproduzir e distribuir mensagens. Um tinha enorme alcance individual; o outro procurou transformar a própria audiência em uma rede de multiplicação.

Não significa que o modelo de Nikolas tenha fracassado por completo nem que o de Janones explique sozinho a vitória de Lula. Os dois atuaram em ambientes políticos diferentes, com públicos, objetivos e estruturas distintas. Além disso, o desempenho eleitoral depende de fatores que vão muito além das redes sociais, como a avaliação dos governos, a rejeição aos candidatos, as alianças políticas, a situação econômica e as decisões dos eleitores indecisos.

Mas a eleição mostrou que a influência digital precisa ser avaliada para além dos números de seguidores. Um perfil pode reunir milhões de pessoas e continuar falando principalmente com quem já concorda com suas posições. Uma rede de apoiadores, por outro lado, pode ampliar a circulação de mensagens para públicos diferentes, embora também enfrente limites de engajamento, credibilidade e conversão eleitoral.

A repercussão da estratégia de Janones chegou ao próprio Lula. Depois da vitória, o presidente reconheceu publicamente o trabalho do deputado e o chamou de “general”, em referência à mobilização organizada durante a campanha. O gesto deu visibilidade à atuação do parlamentar e reforçou a percepção de que ele ganhou espaço dentro do campo governista.

O reconhecimento, entretanto, não significa que Janones tenha garantido uma posição no próximo governo ou que a estrutura criada durante a eleição será automaticamente incorporada à comunicação oficial da Presidência. O que existe, neste momento, é um capital político ampliado e a possibilidade de disputar influência em uma área cada vez mais importante para o PT: a comunicação direta com a população.

Para Nikolas, o desafio será demonstrar que sua força digital pode continuar produzindo resultados políticos concretos, inclusive quando a viralização não estiver acompanhada de uma vitória eleitoral. Para Janones, a questão será transformar uma mobilização excepcional de segundo turno em uma estrutura duradoura, capaz de manter a participação dos apoiadores sem depender permanentemente de uma campanha presidencial.

Minas Gerais, por sua vez, oferece uma advertência contra explicações simplistas. O fato de Flávio ter vencido o primeiro turno e Lula ter virado o resultado no segundo demonstra que o eleitorado não é estático. A presença de um governador eleito com ampla votação, o apoio de lideranças conservadoras e a força digital do bolsonarismo não impediram a mudança. Ao mesmo tempo, o resultado não autoriza atribuir a vitória petista a um único deputado, a um canal de WhatsApp ou a um vídeo viral.

A disputa de 2026 deixa uma lição que vai além de Lula, Flávio, Nikolas e Janones. Na política contemporânea, não basta produzir conteúdo, conquistar seguidores ou aparecer nos assuntos mais comentados. É necessário entender quem está sendo alcançado, qual mensagem consegue atravessar as bolhas e como a atenção pode se transformar em participação política.

Nikolas mostrou o tamanho que uma mensagem pode alcançar. Janones apostou em fazer milhões de pessoas ajudarem a espalhá-la. Lula venceu a eleição, e a guerra digital revelou que o próximo desafio dos partidos não será apenas conquistar espaço nas telas, mas transformar presença virtual em confiança e apoio nas urnas.

Edney Souto — Política na Lupa | Blog do Edney

FLÁVIO BOLSONARO RECUA E DESISTE DE PEDIR ANULAÇÃO DA VITÓRIA DE LULA APÓS PRESSÃO DE ALIADOS

Menos de 24 horas depois de anunciar a iniciativa, senador muda de estratégia após ser alertado sobre fragilidade jurídica da medida; Tarcísio de Freitas está entre os que defenderam o recuo.
O discurso de contestação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começou a esbarrar na realidade jurídica e política. O senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado na disputa presidencial, foi convencido por aliados e advogados a desistir da ideia de pedir na Justiça a anulação do resultado eleitoral. A mudança de rota aconteceu menos de 24 horas depois de o anúncio da iniciativa ganhar repercussão.

Nos bastidores, a avaliação foi direta: insistir na anulação da eleição seria uma aposta de alto risco, com poucas chances de prosperar e potencial para desgastar ainda mais a imagem do senador. O principal argumento apresentado nas conversas foi a fragilidade jurídica da iniciativa, diante da ausência de elementos concretos capazes de sustentar uma medida tão extrema e de um cenário desfavorável no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Supremo Tribunal Federal (STF).

A pressão pelo recuo não partiu apenas dos advogados. Senadores e governadores também entraram em campo para convencer Flávio de que a eleição já terminou e que o caminho mais inteligente seria reorganizar a oposição, em vez de prolongar uma contestação com perspectivas limitadas. Entre os nomes que defenderam essa posição está o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, considerado uma das principais lideranças da direita brasileira.

A mensagem levada ao senador foi a de que a eleição é página virada. Para esse grupo, insistir na tentativa de anulação poderia transformar uma derrota eleitoral em um problema político ainda maior, dificultando a construção de uma liderança nacional capaz de dialogar para além da própria base bolsonarista.

A estratégia muda, mas a contestação continua.

 No lugar de um pedido direto para anular a eleição, a campanha de Flávio deve apostar em uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), com o objetivo de pedir a cassação da chapa de Lula por suposto abuso de poder econômico. A iniciativa teria como fundamento medidas anunciadas pelo presidente durante o período eleitoral, classificadas pelos adversários como eleitoreiras.

É importante distinguir, porém, acusação política de comprovação jurídica. Para que uma ação dessa natureza prospere, não basta apontar medidas governamentais ou benefícios anunciados durante a campanha. É necessário apresentar provas e demonstrar os requisitos legais que caracterizem o abuso alegado. A apresentação de uma ação, por si só, não significa que tenha ocorrido irregularidade nem que exista fundamento suficiente para cassar uma chapa presidencial.

O episódio revela uma divisão estratégica dentro da própria direita. De um lado, há setores dispostos a manter o discurso de contestação do resultado. De outro, lideranças que entendem que o futuro da oposição depende de capacidade de articulação, discurso consistente e respeito às regras institucionais.

Flávio Bolsonaro terá agora de decidir como pretende conduzir sua atuação depois da derrota. Transformar a insatisfação eleitoral em uma estratégia política viável exige mais do que discursos duros e anúncios de medidas judiciais. Exige fatos, provas e argumentos capazes de resistir ao exame da Justiça.

No fim das contas, o recuo mostra que, na política, nem todo anúncio sobrevive ao primeiro confronto com a realidade. E, quando os próprios aliados começam a recomendar cautela, o sinal é claro: antes de abrir uma nova batalha judicial, é preciso saber se existe munição jurídica para sustentá-la.

ZECA CAVALCANTI AVANÇA NA IMPLANTAÇÃO DO SAMU E APRESENTA AMBULÂNCIAS QUE VÃO REFORÇAR A SAÚDE DE ARCOVERDE

Depois de mais de 12 anos de espera, município se aproxima de conquistar um serviço essencial para o atendimento de urgência e emergência.

Arcoverde começa a enxergar mais perto a chegada de um serviço que a população espera há mais de 12 anos. O prefeito Zeca Cavalcanti vistoriou as obras da Base do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e apresentou as duas ambulâncias que vão integrar a estrutura de atendimento no município. A iniciativa representa mais um passo para tirar do papel uma antiga demanda da saúde pública e ampliar a capacidade de resposta em situações de emergência.

A obra está em estágio avançado, e a expectativa da gestão municipal é concluir os trabalhos para entregar a estrutura à população em breve. Ao lado do avanço físico da base, a apresentação dos veículos sinaliza que a implantação do serviço também começa a ganhar forma na prática.

E não se trata de qualquer reforço. Arcoverde contará com uma Unidade de Suporte Avançado, equipada para funcionar como UTI móvel, e uma Unidade de Suporte Básico. São dois tipos de atendimento que permitirão oferecer assistência de acordo com a gravidade de cada ocorrência, desde situações que exigem cuidados básicos até casos que demandam suporte médico mais complexo.

Durante a vistoria, Zeca Cavalcanti destacou que a prioridade é transformar a espera histórica em atendimento efetivo para a população.

“Estamos trabalhando para tirar do papel uma espera de mais de 12 anos. A Base do SAMU está avançando, e hoje também apresentamos as duas ambulâncias que vão cuidar da nossa gente: uma UTI móvel completa e uma unidade básica. É mais estrutura, mais agilidade e mais segurança para quem precisar de socorro. Nosso compromisso é colocar esse serviço em funcionamento e garantir um atendimento digno, humanizado e preparado para salvar vidas”, afirmou o prefeito.

Mas, para colocar as ambulâncias nas ruas e fazer o serviço funcionar de verdade, não basta construir a base e adquirir os veículos. É preciso montar as equipes, organizar a operação e cumprir as etapas necessárias para o início dos atendimentos.

Nesse sentido, a Prefeitura encaminhou à Câmara Municipal um projeto de lei, aprovado pelos vereadores, autorizando a realização de seleção pública para a formação das equipes do SAMU. A previsão é contemplar médicos, enfermeiros, técnicos em enfermagem e condutores socorristas, profissionais indispensáveis para o funcionamento das unidades.

O SAMU presta atendimento pré-hospitalar móvel em situações de urgência e emergência, incluindo ocorrências clínicas, cirúrgicas, traumáticas e psiquiátricas. A rapidez no socorro pode ser decisiva para evitar o agravamento de quadros, reduzir sequelas e, em muitos casos, salvar vidas.

O serviço é gratuito e funciona 24 horas por dia. Quando estiver operacional, poderá ser acionado pelo número 192, com o atendimento orientado pela Central de Regulação das Urgências, responsável por avaliar cada chamado e definir a assistência necessária.

Para Arcoverde, a implantação do SAMU tem um significado que vai além da entrega de uma obra ou da chegada de duas ambulâncias. Representa a perspectiva de ampliar a assistência em momentos nos quais cada minuto pode fazer a diferença.

Agora, a atenção se volta para a conclusão da base, a formação das equipes e o início efetivo das operações. Depois de mais de uma década de espera, a população aguarda o próximo passo: ver o serviço funcionando e disponível para quem precisar. E tudo isso chegará em breve pelas mãos de quem vem trazendo Arcoverde de volta aos trilhos!

NIKOLAS FERREIRA ADMITE QUE ANULAR A ELEIÇÃO É QUASE IMPOSSÍVEL E PEDE QUE ALIADOS EVITEM UM NOVO 8 DE JANEIRO

Deputado questiona resultado das urnas, mas não apresenta provas de fraude. Em meio à derrota de Flávio Bolsonaro, parlamentar tenta conter a revolta dos apoiadores e reconhece que reverter o resultado é praticamente inviável.
A realidade começa a falar mais alto dentro da própria direita. Após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) fez um alerta aos apoiadores de Flávio Bolsonaro: segurem a emoção, evitem manifestações nas ruas e não repitam os erros que culminaram nos atos de 8 de janeiro.

Em vídeo publicado nas redes sociais nesta segunda-feira (26), Nikolas admitiu que a possibilidade de anular a eleição é praticamente nula. A declaração chama atenção porque surge justamente no momento em que aliados de Flávio Bolsonaro tentam questionar o resultado das urnas e discutem possíveis medidas jurídicas para reverter a derrota.

“Conhecendo o nosso país, a chance de anular essa eleição é praticamente nula. Já vimos muitas pessoas pagarem um alto preço de irem para a rua no calor da emoção. Não façam isso”, afirmou o deputado.

O recado tem endereço certo: uma militância inconformada com o resultado e um campo político que precisa decidir se vai respeitar o desfecho eleitoral ou prolongar a disputa por meio de suspeitas ainda não comprovadas.

Nikolas levantou questionamentos sobre acontecimentos que considerou fora do padrão, incluindo a virada de Lula no segundo turno e a ampliação do horário de votação. Entretanto, as declarações apresentadas pelo parlamentar não vieram acompanhadas de provas que demonstrassem fraude ou irregularidade capaz de comprometer a eleição.

Há também um erro na argumentação do deputado. Nikolas afirmou que seria a primeira vez que o vencedor em Minas Gerais não conquistaria a Presidência da República. A afirmação não procede. O histórico eleitoral brasileiro registra outras ocasiões em que o candidato mais votado em Minas não venceu a disputa nacional.

Nas eleições de 2026, Lula venceu em Minas Gerais com 50,43% dos votos, contra 49,57% de Flávio Bolsonaro. No resultado nacional, o petista foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, enquanto o adversário terminou com 48,21%.

Flávio, por sua vez, declarou que não reconhecia a derrota e informou que sua equipe jurídica estudava medidas para pedir a anulação do pleito. Entre os argumentos apresentados está a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, de prorrogar em duas horas o horário de votação.

O senador classificou a medida como uma mudança nas regras durante o jogo. Mas existe uma diferença fundamental entre questionar uma decisão judicial e demonstrar que ela alterou ilegalmente o resultado da eleição. Até o momento, as declarações citadas não apresentam provas de que a prorrogação tenha produzido irregularidades capazes de justificar a anulação.

O episódio coloca a oposição diante de uma encruzilhada. É legítimo fiscalizar o processo eleitoral, cobrar explicações e recorrer às instituições competentes quando houver elementos concretos. O que não se pode fazer é transformar suspeitas em certezas e alimentar uma narrativa de fraude sem apresentar evidências.

Nikolas também revelou o impacto emocional da derrota. Disse ter sentido raiva, indignação e revolta inicialmente, mas afirmou que passou a interpretar o resultado sob uma perspectiva religiosa. Na mesma gravação, criticou as comemorações de eleitores de Lula e associou a euforia de parte da população a um afastamento de Deus.

A manifestação religiosa faz parte da liberdade de expressão do parlamentar. Entretanto, em uma democracia, a fé não substitui os fatos, assim como a indignação política não serve como prova de irregularidade eleitoral.

No fim das contas, o trecho mais importante do pronunciamento talvez seja justamente o reconhecimento de que anular a eleição é praticamente impossível. Ao pedir que seus apoiadores não saiam às ruas no calor da emoção, Nikolas sinaliza que a contestação política precisa encontrar limites.

A derrota foi definida nas urnas. Se houver provas de irregularidades, que sejam apresentadas às autoridades competentes. Sem evidências, insistir em suspeitas não muda o resultado e ainda pode aprofundar a tensão política no país.

O Brasil não precisa de mais um 8 de janeiro. Precisa de responsabilidade, respeito às instituições e oposição capaz de fiscalizar o governo sem transformar uma derrota eleitoral em combustível para a radicalização.

*Edney Souto | Blog do Edney — A notícia verdade.*

O QUE MUDA NO SETOR AGROPECUÁRIO E TÊXTIL DO AGRESTE COM A REFORMA TRIBUTÁRIA

O projeto Reforma Tributária pelo Brasil chega a Pernambuco no próximo dia 28 de outubro. A edição pernambucana será realizada em Caruaru, reunindo profissionais da contabilidade, empresários e outros profissionais interessados em compreender as mudanças e preparar seus negócios e clientes para o novo cenário tributário.

Com uma programação voltada à aplicação prática, o encontro vai abordar temas que conectam a Reforma Tributária à rotina dos escritórios contábeis e às particularidades de setores importantes para a economia pernambucana, especialmente do Agreste de Pernambuco. Será uma oportunidade de atualizar conhecimentos, trocar experiências e ampliar o debate sobre os desafios da adaptação.

A edição do projeto Reforma Tributária pelo Brasil, em Pernambuco, é uma realização da FENACON, do CFC, do CRCPE e do SESCAP/PE; correalização da ACCAPE e da ASCONT. A iniciativa reforça o compromisso das entidades com a atualização profissional que trabalha com contabilidade no Agreste e/ou Sertão e com a preparação do ambiente de negócios para as mudanças tributárias, a partir do próximo ano.

Da emissão de documentos fiscais à preparação dos clientes, passando pelo produtor rural, pela indústria têxtil e pelo uso da inteligência artificial, a programação traz diferentes perspectivas para apoiar a atuação dos profissionais e o planejamento das empresas.

Na programação estão Simone Martins e Cleber Dias que vão falar sobre “Reforma Tributária na Prática: dos documentos fiscais à apuração assistida”. A contadora Deborah Barros é a convidada para debater sobre as mudanças da Reforma Tributária para o produtor rural. De acordo com Deborah, “A Reforma Tributária muda o jeito de vender no campo. A partir de 1º de janeiro de 2027, quem não estiver com os papéis em dia pode receber menos pelo que vende — e nem sempre vai saber o porquê. A maior mudança é que o produtor pessoa física precisa de CNPJ e de nota fiscal para vender”. O mais importante para o produtor rural é que mesmo ele vendendo até R$ 3,6 milhões por ano, não vai pagar mais imposto. O que muda é a papelada. Agora se o produtor rural vende acima disso, ele passa a cobrar o imposto junto com o preço e repassar.

Também integra a programação das palestras, Adailton Amancio, que fala sobre “IA na Prática: como transformar a rotina do escritório contábil”. Outro assunto relevante para a região do Agreste é o que muda para tecidos e confecções, com os novos impostos - IBS e CBS na Indústria Têxtil. Quem vai tirar as dúvidas dessa área é o contador Alexandre Albuquerque. Por fim, o painel de Patrícia Alves vai ser “O novo Simples Nacional: como preparar seus clientes para a Reforma Tributária”.

SERVIÇO:
O quê? Reforma Tributária pelo Brasil em Pernambuco
Quando? 28 de outubro
Onde? Centro de Convenções do Senac Caruaru
Hora? A partir das 9h
Investimento? R$ 100,00
Inscrições pelo: reformatributaria.unifenacon.org.br

ANOREG-PE DESTACA MUDANÇAS NA TRIBUTAÇÃO DE HERANÇAS E DOAÇÕES E ORIENTA FAMÍLIAS A AVALIAR ALTERNATIVAS PARA ORGANIZAR A SUCESSÃO PATRIMONIAL

A possibilidade de aumento da tributação sobre heranças e doações tem levado famílias brasileiras a olhar com mais atenção para o planejamento sucessório e para a transferência de bens em vida. Em Pernambuco, a Anoreg-PE (Associação dos Notários e Registradores de Pernambuco) destaca a importância de compreender as mudanças trazidas pela Reforma Tributária e de avaliar, com antecedência, alternativas legais para organizar a transmissão do patrimônio familiar. A preocupação ganhou força com a Emenda Constitucional nº 132/2023 e a Lei Complementar nº 227/2026, que estabelecem novas diretrizes para o Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD), incluindo a obrigatoriedade de alíquotas progressivas conforme o valor transmitido.

Na prática, a mudança pode impactar desde famílias que possuem um único imóvel até aquelas com carteiras de investimentos, propriedades rurais e participações em empresas. Um casal que pretende transferir um apartamento aos filhos, por exemplo, pode avaliar a doação em vida com reserva de usufruto, mantendo o direito de morar no imóvel ou receber os rendimentos de um aluguel. Já empresários podem estudar a doação de quotas de uma empresa familiar aos herdeiros, enquanto proprietários rurais podem planejar a sucessão de suas terras sem interromper a atividade produtiva. A escolha depende das características de cada patrimônio, dos custos envolvidos e das regras tributárias aplicáveis.

“O planejamento sucessório deixou de ser uma preocupação restrita a grandes fortunas e passou a integrar as decisões de famílias que desejam organizar seu patrimônio com segurança. As mudanças na tributação reforçam a importância de buscar orientação especializada, compreender os custos envolvidos e avaliar as alternativas disponíveis antes de tomar uma decisão. Os cartórios têm um papel fundamental nesse processo, oferecendo segurança jurídica e contribuindo para que a vontade das famílias seja formalizada de maneira adequada”, afirma André Villaverde, presidente da Anoreg-PE.

A Lei Complementar nº 227/2026 prevê que as alíquotas do ITCMD sejam progressivas de acordo com o valor da doação ou da herança e estabelece regras nacionais para a apuração do imposto, inclusive em situações de doações sucessivas. Isso significa que o planejamento não deve se basear na expectativa de que dividir uma transferência em várias etapas necessariamente reduzirá a tributação. A aplicação prática das mudanças também depende da legislação estadual pertinente e das regras de vigência. Por isso, a ANOREG-PE pode contribuir para esclarecer dúvidas sobre escrituras de doação, reserva de usufruto, inventários e outras ferramentas de organização patrimonial.

Fotos: Pixabay

ONG ARCO INICIA AÇÕES DE REDUÇÃO DE DANOS EM JABOATÃO E DISTRIBUIRÁ 2 MIL KITS DE PREVENÇÃO ATÉ DEZEMBRO


Com atividades quinzenais em diferentes pontos da cidade, o projeto REDUZ NA ARCO leva insumos de prevenção às ISTs, orientações sobre redução de danos e informações sobre os serviços de saúde do SUS. A primeira ação aconteceu no último sábado (24), no Centro de Jaboatão.
A ONG ARCO deu início, no último sábado (24 de outubro), a uma série de ações de rua do projeto REDUZ NA ARCO, iniciativa voltada à redução de danos associados ao uso de álcool e outras drogas e à prevenção das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). A primeira mobilização aconteceu no Centro de Jaboatão dos Guararapes, com foco na Praça Nossa Senhora do Rosário, e marcou o início de uma programação que seguirá até dezembro, com atividades quinzenais em diferentes territórios do município.

Ao longo das mobilizações, a organização pretende distribuir gratuitamente 2 mil kits de redução de danos e prevenção às ISTs. Os materiais reúnem insumos como camisinhas, lubrificantes, sedas, piteiras e autotestes de HIV, além de conteúdos educativos e informativos que orientam a população sobre práticas de autocuidado e indicam onde buscar atendimento na rede pública de saúde de Jaboatão.

A proposta é ampliar o acesso à informação e aos recursos de prevenção, especialmente entre pessoas que enfrentam dificuldades para acessar os serviços de saúde. Os materiais distribuídos também apresentam equipamentos do Sistema Único de Saúde (SUS), como Unidades Básicas de Saúde (UBS), Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) e Serviços de Atenção Especializada (SAE).

Para Luan Costa, coordenador-geral do REDUZ NA ARCO, as intervenções buscam aproximar as políticas públicas de saúde da realidade dos territórios.

“Quando falamos em redução de danos, estamos falando de cuidar das pessoas a partir das realidades que elas vivem, respeitando suas escolhas e sua autonomia. Nosso trabalho é estar nas ruas, dialogar sem preconceitos e oferecer informações e recursos que ajudem a prevenir agravos à saúde. Cada kit distribuído também representa uma oportunidade de aproximar alguém da rede de cuidado”, explica Luan.

Além da distribuição dos insumos, as ações promovem o diálogo direto com a população sobre saúde sexual, prevenção combinada, saúde mental e redução de riscos associados ao consumo de substâncias. A iniciativa adota uma abordagem baseada nos direitos humanos, na educação entre pares e no acolhimento sem julgamentos.

Carlos Santos, presidente da ONG ARCO, destaca que o enfrentamento ao preconceito é uma dimensão fundamental do projeto.

“Durante muito tempo, o uso de drogas foi tratado quase exclusivamente como uma questão de repressão, enquanto as necessidades de saúde e os direitos dessas pessoas foram deixados de lado. A redução de danos nos convida a construir outra relação, baseada na escuta, na dignidade e no respeito. Queremos mostrar que ninguém precisa estar em uma condição ideal para merecer cuidado, afinal não existe esta tal “condição ideal”. A saúde é um direito de todas as pessoas, independente da condição em que se encontrem”, afirma Carlos.

Com atuação em Jaboatão dos Guararapes, a ONG ARCO desenvolve iniciativas nas áreas de direitos humanos, saúde, educação e comunicação, com atenção especial às populações LGBTQIAP+, negras e socialmente vulnerabilizadas.

As próximas ações do REDUZ NA ARCO acontecerão quinzenalmente, até dezembro, em diferentes pontos da cidade. A expectativa é alcançar a meta de distribuição dos 2 mil kits, fortalecendo a prevenção, o acesso à informação e a aproximação entre a população e os serviços públicos de saúde. Para conferir detalhes sobre locais e horários, acesse o instagram da organização @ong.arco

Sobre a ONG ARCO

Fundada em maio de 2022, a ARCO (Ação Regional de Contribuição Social e Oportunidades) é uma organização da sociedade civil sediada em Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco. A instituição desenvolve projetos voltados à promoção dos direitos humanos, da saúde, da educação e da cidadania, com atuação prioritária junto às populações LGBTQIAP+, negras e periféricas.

Mais informações:

Site: www.ongarco.org Instagram: @ong.arco

ONG ARCO INICIA AÇÕES DE REDUÇÃO DE DANOS EM JABOATÃO E DISTRIBUIRÁ 2 MIL KITS DE PREVENÇÃO ATÉ DEZEMBRO


Com atividades quinzenais em diferentes pontos da cidade, o projeto REDUZ NA ARCO leva insumos de prevenção às ISTs, orientações sobre redução de danos e informações sobre os serviços de saúde do SUS. A primeira ação aconteceu no último sábado (24), no Centro de Jaboatão.
A ONG ARCO deu início, no último sábado (24 de outubro), a uma série de ações de rua do projeto REDUZ NA ARCO, iniciativa voltada à redução de danos associados ao uso de álcool e outras drogas e à prevenção das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). A primeira mobilização aconteceu no Centro de Jaboatão dos Guararapes, com foco na Praça Nossa Senhora do Rosário, e marcou o início de uma programação que seguirá até dezembro, com atividades quinzenais em diferentes territórios do município.

Ao longo das mobilizações, a organização pretende distribuir gratuitamente 2 mil kits de redução de danos e prevenção às ISTs. Os materiais reúnem insumos como camisinhas, lubrificantes, sedas, piteiras e autotestes de HIV, além de conteúdos educativos e informativos que orientam a população sobre práticas de autocuidado e indicam onde buscar atendimento na rede pública de saúde de Jaboatão.

A proposta é ampliar o acesso à informação e aos recursos de prevenção, especialmente entre pessoas que enfrentam dificuldades para acessar os serviços de saúde. Os materiais distribuídos também apresentam equipamentos do Sistema Único de Saúde (SUS), como Unidades Básicas de Saúde (UBS), Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) e Serviços de Atenção Especializada (SAE).

Para Luan Costa, coordenador-geral do REDUZ NA ARCO, as intervenções buscam aproximar as políticas públicas de saúde da realidade dos territórios.

“Quando falamos em redução de danos, estamos falando de cuidar das pessoas a partir das realidades que elas vivem, respeitando suas escolhas e sua autonomia. Nosso trabalho é estar nas ruas, dialogar sem preconceitos e oferecer informações e recursos que ajudem a prevenir agravos à saúde. Cada kit distribuído também representa uma oportunidade de aproximar alguém da rede de cuidado”, explica Luan.

Além da distribuição dos insumos, as ações promovem o diálogo direto com a população sobre saúde sexual, prevenção combinada, saúde mental e redução de riscos associados ao consumo de substâncias. A iniciativa adota uma abordagem baseada nos direitos humanos, na educação entre pares e no acolhimento sem julgamentos.

Carlos Santos, presidente da ONG ARCO, destaca que o enfrentamento ao preconceito é uma dimensão fundamental do projeto.

“Durante muito tempo, o uso de drogas foi tratado quase exclusivamente como uma questão de repressão, enquanto as necessidades de saúde e os direitos dessas pessoas foram deixados de lado. A redução de danos nos convida a construir outra relação, baseada na escuta, na dignidade e no respeito. Queremos mostrar que ninguém precisa estar em uma condição ideal para merecer cuidado, afinal não existe esta tal “condição ideal”. A saúde é um direito de todas as pessoas, independente da condição em que se encontrem”, afirma Carlos.

Com atuação em Jaboatão dos Guararapes, a ONG ARCO desenvolve iniciativas nas áreas de direitos humanos, saúde, educação e comunicação, com atenção especial às populações LGBTQIAP+, negras e socialmente vulnerabilizadas.

As próximas ações do REDUZ NA ARCO acontecerão quinzenalmente, até dezembro, em diferentes pontos da cidade. A expectativa é alcançar a meta de distribuição dos 2 mil kits, fortalecendo a prevenção, o acesso à informação e a aproximação entre a população e os serviços públicos de saúde. Para conferir detalhes sobre locais e horários, acesse o instagram da organização @ong.arco

Sobre a ONG ARCO

Fundada em maio de 2022, a ARCO (Ação Regional de Contribuição Social e Oportunidades) é uma organização da sociedade civil sediada em Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco. A instituição desenvolve projetos voltados à promoção dos direitos humanos, da saúde, da educação e da cidadania, com atuação prioritária junto às populações LGBTQIAP+, negras e periféricas.

Mais informações:

Site: www.ongarco.org Instagram: @ong.arco