Deputada estadual eleita participou do programa Café no Ponto, da TV Nova, e destacou os desafios da representatividade feminina no Legislativo pernambucano
A presença feminina nos espaços de poder ainda é um desafio na política pernambucana. Essa foi uma das principais questões levantadas pela deputada estadual eleita Lara Santana (PV), durante entrevista ao programa Café no Ponto, da TV Nova, nesta terça-feira (3). A futura parlamentar chamou atenção para a necessidade de ampliar a participação das mulheres nas decisões políticas e defendeu uma atuação que contemple as diferentes realidades vividas pelas pernambucanas.
A partir de fevereiro de 2027, quando começa a nova legislatura da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), oito mulheres ocuparão cadeiras entre os 49 parlamentares. O número representa um avanço em relação à composição atual, que conta com seis deputadas, mas ainda deixa evidente o desequilíbrio na representação política. Na prática, as mulheres serão apenas 16,3% dos integrantes da Casa Joaquim Nabuco.
“É uma responsabilidade muito grande essa representatividade. Ainda somos muito poucas”, afirmou Lara, ao comentar o significado de chegar ao Parlamento estadual em um momento em que a presença feminina continua sendo uma pauta importante.
Durante a campanha eleitoral, segundo a deputada eleita, foram muitas as mulheres que procuraram seu projeto político para apresentar reivindicações e cobrar mais atenção do poder público. Entre as demandas estão as das mães atípicas, mulheres empreendedoras e aquelas que precisam conciliar o trabalho profissional com a criação dos filhos e as responsabilidades domésticas.
Lara deu atenção especial à realidade das mães atípicas, que enfrentam dificuldades relacionadas à assistência, ao acesso a serviços e à construção de políticas públicas capazes de atender às necessidades de suas famílias. “As mães atípicas têm uma carência muito grande de representatividade e de políticas públicas voltadas a elas”, destacou.
A futura deputada também ressaltou que a realidade de muitas pernambucanas é marcada por uma rotina de múltiplas responsabilidades. Mulheres que trabalham fora, cuidam dos filhos, acompanham os netos e ainda assumem grande parte das tarefas dentro de casa precisam ter suas necessidades consideradas na formulação das políticas públicas.
Para Lara, assumir um mandato na Alepe significa carregar também a responsabilidade de dar visibilidade a essas vozes, que nem sempre encontram espaço nas discussões políticas.
“Então, toda essa dinâmica nos fez ganhar ainda mais força e mais responsabilidade no trabalho que a gente vai desenvolver no mandato como deputada estadual, levando a voz de todas as mulheres de Pernambuco, de canto a canto”, afirmou.
UMA NOVA VOZ NA ALEPE
Lara Santana chega à Assembleia Legislativa com uma votação expressiva nas eleições de 2026. Filiada ao Partido Verde (PV), ela conquistou 104.652 votos, ficando na quarta colocação entre os candidatos a deputado estadual mais votados em Pernambuco.
Natural de Ipojuca, a engenheira terá pela frente o desafio de transformar a votação expressiva em atuação parlamentar, ampliando o diálogo com diferentes segmentos da sociedade.
A deputada eleita também defendeu a união entre as futuras parlamentares para fortalecer a bancada feminina e ampliar a presença das mulheres nos debates, nas decisões e nos espaços de representação da Assembleia.
A nova composição da Alepe terá, além de Lara Santana, Dani Portela, Maria Arraes, Débora Almeida, Gleide Ângelo, Professora Ivete Caetano, Andréa Medeiros e Roberta Arraes.
O crescimento de seis para oito mulheres é um passo positivo, mas está longe de representar equilíbrio. O recado deixado por Lara no Café no Ponto aponta para uma discussão que vai além do número de cadeiras: é preciso garantir que as mulheres tenham voz, participação efetiva e condições de influenciar os rumos das políticas públicas em Pernambuco.