SUCESSORES DE PREFEITOS E A FIDELIDADE APÓS O PODER
O JOGO DE FAZER SUCESSORES
No interior do Brasil, sobretudo em Pernambuco, prefeitos têm por tradição tentar fazer seus sucessores. Não é apenas uma questão de continuidade administrativa, mas de influência política e até financeira sobre o município. Eleger um herdeiro político significa manter-se ativo, mesmo fora da cadeira central da prefeitura. Contudo, a experiência mostra que esse jogo é arriscado: muitos sucessores, eleitos sob as bênçãos dos antigos prefeitos, tornam-se independentes e rompem com quem os colocou no poder. Vamos ver aqui NA LUPA de hoje.
A TAXA DE TRAIÇÃO
Estudos informais e análises políticas regionais apontam que mais de 80% dos prefeitos que fazem seus sucessores acabam traídos. O que era uma relação de lealdade se transforma rapidamente em distanciamento e, em muitos casos, em inimizade. O fenômeno da “criatura que devora o criador” é recorrente. Prefeitos acreditam que terão controle após deixar o cargo, mas descobrem cedo que o poder muda as pessoas. Quem chega à cadeira central, quase sempre, prefere governar sem tutelas.
RARAS EXCEÇÕES
No Agreste Meridional, dois ex-prefeitos são apontados como casos de sucesso. Marquidoves Vieira, em Lagoa do Ouro, conseguiu manter influência e lealdade de seu sucessor. O mesmo ocorreu com Edmilson da Bahia, em Correntes, que seguiu dando as cartas mesmo após deixar a prefeitura. Ambos representam exceções a uma regra marcada por traições e rupturas. Essas raridades alimentam a crença de que ainda é possível manter cabrestos políticos, mas a prática mostra que a fidelidade é cada vez mais rara.
OS FRACASSOS LOCAIS
Em Garanhuns, a história é diferente. Por aqui, jamais deu certo a fórmula de eleger sucessor leal. Os exemplos são inúmeros e a máxima de Maquiavel prevalece: “ninguém governa o governante”. Criadores tentaram emplacar pupilos, mas todos, em maior ou menor grau, tomaram rumos próprios. A cadeira central do Palácio Celso Galvão tem uma força gravitacional própria, que transforma aliados em concorrentes e pupilos em inimigos políticos.
CASOS EMBLEMÁTICOS
No estado, os exemplos de traições são abundantes. Em Itapissuma, Cal Volia apostou em Zé de Irmã Teca, que não apenas o traiu, mas praticamente sepultou sua carreira política. Em Águas Belas, Genivaldo perdeu espaço após colocar Luiz Aroldo na prefeitura. Em São Benedito do Sul, Cláudio Amorim fez o sucessor Baiano, que rapidamente rompeu. Em Terezinha, Alexandre, após governar por oito anos, viu seu sucessor não retribuir e acabou reduzido a disputar a vice. A lista é extensa e renderia facilmente um livro de traições políticas. Em Venturosa comenta-se que Dr. Eudes Tenório já estaria rompido com Kelvin Cavalcanti, que foi escolhido a dedo e já criou asas demitindo todo o staff do ex-prefeito que o criou na política.
SUCESSO RELATIVO
Ainda assim, alguns casos recentes chamam a atenção. Em Paudalho, Marcelo Gouveia conseguiu eleger sua secretária de educação, Paulinha da Educação, e, segundo opositores, continua mandando e desmandando no município. É um exemplo raro de alguém que, ao menos por enquanto, conseguiu manter a criatura sob controle. Mas mesmo esses casos são acompanhados com desconfiança, pois o histórico brasileiro mostra que a lealdade dura pouco quando se trata de poder.
A ESTRATÉGIA DO FRACASSO
Diante da taxa elevada de traições, muitos prefeitos passaram a adotar uma estratégia curiosa: lançar candidatos fracos para perder de propósito. O objetivo é simples: evitar que uma “criatura” ganhe força e, em seguida, se torne um adversário. Botafogo, em Carpina, seguiu essa lógica ao lançar Aldinho do Danone. O pupilo perdeu a eleição, mas mesmo assim traiu o criador, aliando-se à prefeita Eduarda Gouveia. Imagine, caro leitor, se tivesse vencido. Botafogo hoje teria dois inimigos: a prefeita e o próprio Aldinho.
UM JOGO DE ALTO RISCO
O fato é que eleger sucessor virou um jogo de altíssimo risco. Quando dá certo, o ex-prefeito mantém poder e influência. Mas, na maioria das vezes, ganha um adversário a mais na eleição seguinte. A lógica perversa da política brasileira transforma aliados em rivais e pupilos em criadores de asas próprias. A taxa de traição é tão grande que muitos já desistiram de tentar. No fim das contas, a lição é simples: em política, lealdade é exceção e traição, regra. É isso aí!
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