domingo, 18 de janeiro de 2026

ÁRVORE INTELIGENTE DA UFPB REVOLUCIONA MONITORAMENTO AMBIENTAL E ANTEVÊ INCÊNDIOS EM TEMPO REAL

Uma árvore inteligente instalada na Universidade Federal da Paraíba (UFPB) está redefinindo a forma como ciência, tecnologia e natureza podem caminhar juntas na preservação ambiental e no estudo do clima. Única no Brasil, a chamada Smart Tree passou a incorporar uma nova e estratégica funcionalidade: o monitoramento, em tempo real, de condições ambientais e dados meteorológicos, ampliando significativamente seu alcance científico e social.

O projeto é resultado de pesquisas desenvolvidas no Laboratório de Microengenharia do Centro de Energias Alternativas e Renováveis (CEAR/UFPB), sob a coordenação do professor e pesquisador Cleonilson Protásio. Inserida no conceito de Internet das Coisas Naturais (IoNT – Internet of Natural Things), a árvore inteligente funciona como uma verdadeira estação meteorológica viva, capaz de coletar e transmitir informações ambientais sem causar impactos ao ecossistema onde está inserida.

Desde sua concepção, a Smart Tree já chamava atenção por sua capacidade de gerar energia elétrica a partir do próprio tronco da árvore. O sistema utiliza o gradiente térmico, ou seja, a diferença de temperatura entre o interior e o exterior do tronco, para converter calor em energia elétrica. Essa energia alimenta todos os circuitos eletrônicos do equipamento, dispensando completamente o uso de baterias, uma escolha estratégica para evitar riscos de contaminação ambiental e reforçar o compromisso sustentável do projeto.

Além da autossuficiência energética, a árvore inteligente também desempenha um papel crucial na prevenção de incêndios florestais. Por meio da medição contínua da temperatura, o sistema consegue identificar alterações térmicas anormais, funcionando como um alerta precoce para focos de incêndio. Agora, com a ampliação das funcionalidades, a Smart Tree passou a medir variáveis como temperatura ambiente, condições climáticas e até prever a direção do vento, fornecendo dados valiosos para pesquisas ambientais e ações de prevenção.

Atualmente instalada no CEAR/UFPB, a árvore é apenas o ponto de partida de um projeto mais ambicioso. Segundo o professor Cleonilson Protásio, a intenção é expandir o sistema para outras áreas estratégicas da Paraíba. Entre os locais previstos estão a Mata do Buraquinho, um dos principais remanescentes de Mata Atlântica urbana do Nordeste, a Floresta Nacional da Restinga de Cabedelo (FLONA) e duas praças de um bairro da zona sul de João Pessoa.

Nessas áreas urbanas, o objetivo vai além do monitoramento climático. A equipe de pesquisadores pretende estudar de forma aprofundada como a presença ou a ausência de árvores interfere diretamente na habitabilidade das cidades. Os dados coletados irão permitir análises sobre variações de temperatura, níveis de poluição, conforto térmico e impactos diretos na qualidade de vida da população.

A Smart Tree surge, assim, como um símbolo de inovação sustentável e um exemplo de como a tecnologia pode ser integrada de maneira harmônica à natureza. Ao transformar árvores em aliadas da ciência, o projeto da UFPB abre caminho para novas estratégias de preservação ambiental, planejamento urbano e enfrentamento das mudanças climáticas, colocando a Paraíba e o Brasil na vanguarda da pesquisa ambiental inteligente.

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