Durante a participação no programa, Zé Maria afirmou que parlamentares teriam “perdido a dignidade” e “vendido a consciência”, insinuando que decisões tomadas pelo Legislativo não teriam sido independentes. As declarações ocorreram no contexto da reprovação de sua sétima prestação de contas pela Câmara, fato que o ex-prefeito classificou como um ato antidemocrático. Na entrevista, ele também questionou a postura institucional do Legislativo municipal, sugerindo que a Casa não teria agido de forma justa no julgamento das contas.
As falas repercutiram rapidamente nos bastidores políticos da cidade, especialmente porque não é a primeira vez que o ex-prefeito direciona ataques verbais aos vereadores. Em episódio anterior, Zé Maria já havia se referido aos parlamentares de maneira pejorativa, chamando-os de “bando de trouxa”, declaração que à época gerou notas públicas de repúdio por parte da Câmara e ampliou o desgaste entre os poderes.
O novo episódio reacende um debate importante sobre os papéis institucionais no processo democrático. A Câmara de Vereadores é um poder constitucionalmente independente, responsável por legislar, fiscalizar o Executivo e julgar as contas do prefeito, com base em parecer técnico prévio do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE). Embora o TCE analise tecnicamente as contas e emita recomendações, a decisão final sobre aprovação ou rejeição cabe aos vereadores, conforme prevê a legislação.
Na entrevista, Zé Maria também comparou a atuação da Câmara com a do Tribunal de Contas, dando a entender que haveria hierarquia entre os órgãos. Especialistas em direito público, no entanto, costumam destacar que se tratam de instituições com funções distintas e complementares, ambas essenciais ao equilíbrio democrático. O TCE atua no campo técnico e fiscalizador, enquanto o Legislativo exerce o julgamento político-administrativo das contas.
Nos bastidores, aliados dos vereadores avaliam que as declarações do ex-prefeito representam mais um capítulo de inconformismo com o fim do mandato e com decisões institucionais desfavoráveis. Já apoiadores de Zé Maria defendem que ele tem o direito de se manifestar e questionar decisões que considera injustas.
O episódio evidencia que, mesmo fora do cargo, o ex-prefeito continua sendo uma voz ativa — e polêmica — no debate político de Cupira. Ao mesmo tempo, reforça a importância de que divergências entre agentes públicos ocorram dentro dos limites do respeito institucional, preservando a credibilidade das instituições e o direito da população a um debate político baseado em responsabilidade e fatos.
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