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sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

BOLSONARISMO MUDA A ROTA E APOSTA NO NORDESTE PARA REDUZIR VANTAGEM DE LULA

Diante do desempenho frágil no Nordeste e da larga vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na região, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) decidiu reposicionar sua estratégia política e mirar diretamente no maior reduto eleitoral do petista. Em um movimento que evidencia a preocupação do campo bolsonarista com o mapa eleitoral de 2026, Flávio convidou o senador potiguar Rogério Marinho (PL-RN) para assumir a coordenação de sua pré-campanha presidencial no Nordeste.

A escolha não é casual. Marinho, ex-ministro do Desenvolvimento Regional no governo Jair Bolsonaro, tem forte inserção política na região e é visto como um dos principais articuladores do bolsonarismo nordestino. O convite partiu após uma sinalização direta do ex-presidente Jair Bolsonaro, que reconhece a necessidade de uma atuação mais estruturada e permanente no Nordeste, historicamente alinhado ao PT nas disputas presidenciais.

O movimento ocorre em um contexto desafiador para Flávio Bolsonaro. A mais recente pesquisa Genial/Quaest, divulgada na semana passada, escancara a dificuldade do senador fluminense na região. Lula aparece com mais de 60% das intenções de voto no Nordeste, enquanto Flávio oscila entre 13% e 15% nos cenários testados. A diferença amplia um padrão que se repete desde 2018, quando Jair Bolsonaro também foi derrotado pelo PT nos estados nordestinos, tanto naquela eleição quanto na disputa de 2022.

O contraste regional é evidente. Enquanto no Nordeste Flávio amarga índices baixos, em outras partes do país o cenário é mais competitivo. No Sudeste, ele chega a empatar com Lula dentro da margem de erro, que é de três pontos percentuais para a região. Já no Sul, no Centro-Oeste e no Norte, o senador aparece numericamente à frente do atual presidente, indicando que o desafio central da pré-campanha passa, necessariamente, pela conquista — ou ao menos pela redução da rejeição — do eleitorado nordestino.

Ao escalar Rogério Marinho como coordenador, o bolsonarismo tenta construir pontes políticas, fortalecer alianças locais e ajustar o discurso para dialogar com uma região onde programas sociais, políticas de desenvolvimento e investimentos federais têm peso decisivo na escolha do eleitor. A movimentação sinaliza que o Nordeste deixou de ser tratado apenas como um território difícil e passou a ocupar posição estratégica no tabuleiro da pré-campanha presidencial.

Com a nova configuração, Flávio Bolsonaro busca transformar um dos seus maiores pontos fracos em frente de atuação prioritária, apostando que a presença de um nome forte da região possa redesenhar o cenário e diminuir a vantagem histórica do PT no Nordeste.

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