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sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

NEGADO NO CAMINHO DA CURA: PACIENTE DE FLORESTA DENUNCIA FALTA DE TRANSPORTE PARA TRATAMENTO EM GARANHUNS

Um drama silencioso vivido por um trabalhador do Sertão pernambucano trouxe à tona questionamentos sobre o acesso ao Tratamento Fora do Domicílio (TFD) no município de Floresta. O pedreiro autônomo Genilson José da Silva afirma ter enfrentado reiteradas negativas da Prefeitura para garantir o transporte necessário à continuidade de um tratamento oftalmológico especializado em Garanhuns, no Agreste do Estado, mesmo após passar por cirurgias delicadas e ainda necessitar de acompanhamento médico rigoroso.

A situação teve início após um grave acidente de trabalho ocorrido em 16 de julho de 2025. Durante um serviço, Genilson utilizava uma maquita para cortar uma porta quando um fragmento de ferro foi projetado diretamente contra seu olho, causando uma lesão severa. Ele foi socorrido inicialmente no Hospital Coronel Álvaro Ferraz, em Floresta, mas, diante da complexidade do quadro, acabou transferido por decisão médica para a clínica especializada OftalmoPE, em Garanhuns.

Na unidade, o paciente passou por duas cirurgias oftalmológicas e segue em acompanhamento contínuo. Segundo avaliação médica, ainda há pontos cirúrgicos e uma lente intraocular que precisam ser removidos, o que torna indispensáveis as consultas periódicas fora do município de origem. Mesmo com essa indicação, Genilson relata que teve o transporte negado por três vezes consecutivas, sendo informado de que Garanhuns não faria parte da rota do TFD mantida pela gestão municipal.

A justificativa, no entanto, levanta questionamentos. Para o paciente, há uma incoerência evidente no argumento apresentado. Ele lembra que não escolheu o local do tratamento, já que a transferência para Garanhuns foi definida pelos próprios profissionais de saúde no momento do atendimento de urgência. “Se dizem que Garanhuns não é rota, por que me mandaram pra lá? Essa resposta ninguém consegue me dar”, desabafa.

Além da dificuldade com o transporte, Genilson também enfrenta obstáculos financeiros para manter o tratamento. Sem poder trabalhar há mais de seis meses por conta das limitações impostas pela lesão, ele afirma que arca sozinho com os custos de quatro tipos de colírios de uso contínuo, essenciais para evitar infecções e reduzir o risco de sequelas permanentes. A situação se agravou ainda mais com o cancelamento do Bolsa Família, o que o deixou sem qualquer renda fixa.

Sem meios para se deslocar, sem apoio para aquisição de medicamentos e impossibilitado de exercer sua profissão, o pedreiro descreve um cenário de completo abandono em meio a um tratamento delicado e prolongado. O caso reacende o debate sobre o alcance e a efetividade das políticas públicas de saúde, especialmente no que diz respeito ao direito constitucional de acesso ao tratamento adequado.

Diante da repercussão do caso, a reportagem questionou a Prefeitura de Floresta sobre os critérios utilizados para o funcionamento do TFD, as razões da negativa inicial do transporte e quais providências seriam adotadas para assegurar o atendimento de pacientes em situação semelhante.

Após a veiculação da denúncia, a Secretaria Municipal de Saúde entrou em contato com Genilson e confirmou a disponibilização de um veículo para levá-lo até Garanhuns, garantindo o comparecimento à consulta marcada. O Blog do Elvis informa que permanece à disposição para publicar o posicionamento oficial da gestão municipal e acompanhar os desdobramentos do caso.

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