sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

BRIGA DE CACHORRO GRANDE: HUMBERTO COSTA E SILVIO COSTA FILHO SURGEM COMO FAVORITOS NA DISPUTA PELO SENADO NA CHAPA DE JOÃO CAMPOS

O xadrez político de Pernambuco entrou definitivamente em modo eleitoral e, logo nos primeiros movimentos de 2026, a disputa pelas duas vagas ao Senado na chapa liderada pelo prefeito do Recife, João Campos (PSB), já se consolidou como uma das mais acirradas e estratégicas do cenário estadual. Nos bastidores, o consenso começa a se formar: Humberto Costa (PT) e Silvio Costa Filho (Republicanos) despontam como os nomes mais fortes — e favoritos — para ocupar os espaços na majoritária.

O estopim dessa disputa veio com a declaração pública de Miguel Coelho, que tratou de se posicionar cedo, sinalizando que não pretende ser figurante no processo. A fala foi interpretada como uma tentativa de entrar no jogo antes que o tabuleiro esteja completamente montado. Ainda assim, entre líderes partidários e articuladores experientes, a leitura predominante é que Miguel corre por fora diante da musculatura política já acumulada por outros concorrentes.

Na sequência, a nota divulgada pelo ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, elevou o tom da disputa. Longe de ser apenas uma resposta circunstancial, o texto foi encarado como uma pressão clara e calculada. Silvio deixou evidente que não abre mão de protagonismo e que sua presença na chapa não é apenas um desejo pessoal, mas parte de uma estratégia respaldada por seu peso político, sua posição no governo federal e sua capacidade de diálogo com diferentes forças partidárias.

Ao lado dele, Humberto Costa aparece em situação ainda mais confortável. O senador do PT é visto como nome praticamente consolidado para uma das vagas, sustentado pelo histórico político, pela força do partido no cenário nacional e pela relação direta com o presidente Lula. No fim do ano passado, Humberto reforçou sua habilidade de articulação ao protagonizar uma longa conversa com a governadora Raquel Lyra (PSD), movimento que extrapolou a cordialidade institucional e mostrou sua disposição de manter pontes abertas, independentemente das disputas locais.

Esse conjunto de fatores faz com que Humberto e Silvio sejam tratados, hoje, como a dupla mais provável a integrar a chapa ao Senado, ainda que o discurso público siga marcado pela cautela e pela ausência de definições oficiais. Ambos têm densidade eleitoral, trânsito em Brasília e capacidade de agregar alianças — atributos considerados decisivos para um projeto majoritário.

Marília Arraes, por sua vez, segue uma estratégia silenciosa, mas nem por isso menos perceptível. Sem declarações diretas sobre a corrida ao Senado, ela mantém presença constante ao lado de João Campos em agendas públicas e políticas. O gesto é interpretado como sinal claro de alinhamento e de que não pretende se afastar do núcleo central das decisões, mesmo diante do favoritismo atribuído a Humberto e Silvio.

O Carnaval surge, mais uma vez, como um palco simbólico dessa disputa. Entre camarotes, eventos oficiais e aparições públicas, a tendência é que os favoritos apareçam ainda mais colados ao prefeito do Recife, reforçando imagens, alianças e recados políticos em meio à folia. Cada gesto será observado, cada aproximação terá peso e cada ausência será interpretada.

Apesar da pressão crescente por uma definição antecipada, a avaliação nos bastidores é que João Campos seguirá administrando o tempo a seu favor. Manter a indefinição preserva seu poder de articulação e impede que tensões internas se transformem em rupturas prematuras.

Enquanto isso, a briga de cachorro grande continua. Com Humberto Costa e Silvio Costa Filho largando na frente, o jogo segue aberto, intenso e repleto de movimentos silenciosos. Em Pernambuco, a corrida pelo Senado já começou — e promete ser um dos capítulos mais duros e decisivos da eleição.

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