sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

CORRENTES - A CARRETA PRESTOU SERVIÇO, A POLITICAGEM FICOU NO CAMINHO

Em Correntes, no Agreste de Pernambuco, a Carreta da Mulher não encontrou apenas uma vaga para estacionar. Encontrou a face mais crua da política miúda, aquela que não cuida, não previne e muito menos acolhe — apenas calcula, desconfia e cria obstáculos onde deveria existir passagem livre.

O equipamento chegou com o que realmente importa: exames, prevenção, atendimento e dignidade para mulheres que convivem com filas invisíveis e urgências silenciosas. Mas antes de qualquer consulta, esbarrou em um impasse típico de quem prefere o embate ao bom senso. A gestão municipal correu para dizer que não proibiu nada. Preferiu o verbo “discordar”. Discordou dos critérios, da forma, do controle. Um discurso tecnocrático que tenta esconder o essencial: faltou sensibilidade e sobrou vaidade.

Enquanto a prefeitura falava em regulação e risco de uso político, a realidade falava em espera. Falava em mulheres que não podem adiar exames, em doenças que não respeitam calendário eleitoral nem disputas de gabinete. A saúde não negocia com a burocracia quando o tempo é decisivo.

O retrato mais simbólico desse episódio foi a chegada da carreta escoltada pela Polícia Militar. Uma cena que deveria causar constrangimento, mas que acabou naturalizada. Saúde pública sob vigilância armada não é zelo; é sintoma de um ambiente contaminado pela desconfiança política. Quando é preciso farda e sirene para garantir atendimento médico, o problema definitivamente não é técnico — é político.

Notas oficiais circularam, vídeos tentaram justificar o injustificável e versões disputaram espaço. Tudo muito barulhento. Mas, do outro lado, o silêncio de quem só queria ser atendida falou mais alto. Nenhuma explicação institucional é suficiente quando o serviço chega sob tensão e não sob acolhimento.

No final, a carreta ficou, atendeu e cumpriu seu papel. A politicagem, essa permaneceu parada, girando em torno de si mesma, mais preocupada em marcar território do que em garantir cuidado. Em Correntes, a saúde avançou apesar dos obstáculos. Já a política municipal, infelizmente, mostrou que ainda insiste em ser mais problema do que solução.

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