O equipamento chegou com o que realmente importa: exames, prevenção, atendimento e dignidade para mulheres que convivem com filas invisíveis e urgências silenciosas. Mas antes de qualquer consulta, esbarrou em um impasse típico de quem prefere o embate ao bom senso. A gestão municipal correu para dizer que não proibiu nada. Preferiu o verbo “discordar”. Discordou dos critérios, da forma, do controle. Um discurso tecnocrático que tenta esconder o essencial: faltou sensibilidade e sobrou vaidade.
Enquanto a prefeitura falava em regulação e risco de uso político, a realidade falava em espera. Falava em mulheres que não podem adiar exames, em doenças que não respeitam calendário eleitoral nem disputas de gabinete. A saúde não negocia com a burocracia quando o tempo é decisivo.
O retrato mais simbólico desse episódio foi a chegada da carreta escoltada pela Polícia Militar. Uma cena que deveria causar constrangimento, mas que acabou naturalizada. Saúde pública sob vigilância armada não é zelo; é sintoma de um ambiente contaminado pela desconfiança política. Quando é preciso farda e sirene para garantir atendimento médico, o problema definitivamente não é técnico — é político.
Notas oficiais circularam, vídeos tentaram justificar o injustificável e versões disputaram espaço. Tudo muito barulhento. Mas, do outro lado, o silêncio de quem só queria ser atendida falou mais alto. Nenhuma explicação institucional é suficiente quando o serviço chega sob tensão e não sob acolhimento.
No final, a carreta ficou, atendeu e cumpriu seu papel. A politicagem, essa permaneceu parada, girando em torno de si mesma, mais preocupada em marcar território do que em garantir cuidado. Em Correntes, a saúde avançou apesar dos obstáculos. Já a política municipal, infelizmente, mostrou que ainda insiste em ser mais problema do que solução.
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