O volume de recursos consumidos ao longo do ano foi direcionado, oficialmente, para a manutenção da estrutura da Câmara: pagamento de salários e benefícios de deputados e servidores, funcionamento de gabinetes, contratos de terceirização, serviços administrativos, além de obras e despesas operacionais. Ainda que boa parte desses custos seja recorrente, o salto em relação ao ano anterior reforçou críticas sobre a falta de contenção de gastos em um momento de dificuldades econômicas enfrentadas pela população.
Enquanto o orçamento crescia, o clima político dentro da Casa se deteriorava. 2025 foi um dos anos mais turbulentos do Legislativo federal, com protestos, embates públicos e situações classificadas por analistas como constrangedoras para a instituição. Parte desse desgaste veio da permanência prolongada de parlamentares fora do país, mesmo diante de investigações e decisões judiciais em curso.
O caso do ex-deputado Eduardo Bolsonaro simbolizou esse cenário. Passando grande parte do ano nos Estados Unidos, ele só teve o mandato oficialmente encerrado na reta final de 2025, após meses de questionamentos sobre sua ausência e a condução do caso pela Câmara. A demora na perda do mandato alimentou críticas sobre corporativismo e tolerância excessiva dentro do Parlamento.
Situação semelhante envolveu Carla Zambelli. A ex-deputada deixou o país e acabou detida na Itália, mas, mesmo assim, teve o mandato preservado por seus pares em uma votação no plenário, o que gerou forte repercussão negativa. A perda do cargo só ocorreu posteriormente, por determinação do Supremo Tribunal Federal, reforçando a percepção de que a Câmara resistiu, até onde pôde, a tomar uma decisão política dura contra uma de suas integrantes.
Outro episódio de grande impacto foi o de Alexandre Ramagem, ex-deputado condenado pelo STF a 16 anos de prisão por participação na cúpula da trama golpista. Segundo decisões judiciais e atos administrativos da Casa, Ramagem deixou o país e se dirigiu aos Estados Unidos, o que intensificou a pressão sobre a Mesa Diretora. A cassação do mandato só foi efetivada nos últimos dias de funcionamento do Legislativo em 2025, também por decisão interna da direção da Câmara, após o avanço das determinações do Judiciário.
Esses episódios, somados ao aumento expressivo das despesas, contribuíram para consolidar uma narrativa negativa em torno da Câmara dos Deputados ao longo do ano. Para críticos, o Parlamento terminou 2025 distante das prioridades da população, com uma estrutura cada vez mais cara e dificuldades evidentes em responder, de forma rápida e transparente, às crises envolvendo seus próprios membros.
O fechamento do ano deixa um desafio claro para 2026: recuperar a credibilidade institucional, rever práticas internas e enfrentar o debate sobre o custo do Legislativo em um país marcado por desigualdades e crescente cobrança por responsabilidade no uso do dinheiro público.
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