O decreto reconhece oficialmente a seca hidrológica que compromete reservatórios, sistemas de abastecimento e a rotina de milhares de famílias, especialmente no Agreste e no Sertão. Em janeiro deste ano, o Estado já havia adotado medida semelhante, quando 117 municípios foram incluídos no decreto emergencial, o que demonstra a persistência e o agravamento do problema climático.
Segundo a governadora Raquel Lyra, a medida permite dar mais rapidez às respostas do poder público. Ela destacou que todo o governo está mobilizado para reduzir os danos da estiagem e garantir água para quem mais precisa. A gestora também reforçou os investimentos estruturantes em curso, citando o programa Águas de Pernambuco, que prevê mais de R$ 6 bilhões em obras, além da futura concessão da Compesa, que deve garantir outros R$ 23,2 bilhões em investimentos voltados à universalização do acesso à água de qualidade no estado.
A decisão do governo foi embasada em parecer técnico da Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil, além de notas da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), da Compesa e de outros órgãos estaduais. De acordo com a Apac, a seca extrema avançou de forma significativa no extremo oeste pernambucano, enquanto a seca fraca se expandiu pelo Agreste, sobretudo nas áreas de divisa com Alagoas, aumentando a pressão sobre mananciais e reservatórios estratégicos.
No enfrentamento direto da crise, a Compesa intensificou investimentos ao longo de 2025, com cerca de 100 municípios atendidos por obras estruturantes e ações emergenciais. Ao todo, foram concluídas aproximadamente 117 obras, somando investimentos da ordem de R$ 650 milhões. Projetos considerados estratégicos para a segurança hídrica do estado, como a Adutora do Agreste e os sistemas Serra Azul e Alto do Capibaribe, avançaram para etapas decisivas. Medidas emergenciais, a exemplo da inversão do Tramo Sul de Jucazinho, garantiram maior regularidade no abastecimento de cidades do Agreste. O presidente da Compesa, Douglas Nóbrega, destacou ainda que a empresa encerrou o ano com R$ 2,5 bilhões assegurados por meio de financiamentos, recursos que serão direcionados principalmente para obras estruturantes e o fortalecimento do programa Águas de Pernambuco.
Paralelamente, o Governo do Estado vem reforçando ações emergenciais por meio da Secretaria de Recursos Hídricos e Saneamento, da Apac e da Defesa Civil. Desde 2023, a gestão estadual ampliou a entrega de sistemas simplificados de abastecimento e avançou na recuperação e instalação de dessalinizadores, fundamentais para atender comunidades rurais. Com investimentos superiores a R$ 5,6 milhões, já foram entregues 23 sistemas, com outros oito em execução, beneficiando diretamente mais de 2,2 mil famílias e garantindo, por exemplo, o abastecimento do hospital municipal de Tabira.
Para janeiro de 2026, está previsto o início das obras de 35 novos dessalinizadores, com investimento superior a R$ 6,3 milhões, além do planejamento para a implantação de mais 59 sistemas, que devem receber cerca de R$ 11,6 milhões. Essas ações prometem levar água potável a centenas de famílias que convivem diariamente com a escassez, especialmente na zona rural.
Outro avanço importante veio por meio do Novo PAC. Pernambuco teve 100% dos projetos apresentados aprovados na modalidade de abastecimento de água em áreas rurais, no eixo Água para Todos. Ao todo, o estado garantiu R$ 105 milhões em investimentos federais para obras que beneficiarão cerca de 38 mil pessoas. Serão executados 14 projetos em regiões como o Agreste e diversos territórios do Sertão, com destaque para o Agreste Central, que receberá quase R$ 17 milhões em investimentos, incluindo ações em Caruaru, Riacho das Almas e Bezerros.
No monitoramento da crise, a Apac segue acompanhando diariamente o comportamento das chuvas e os níveis dos reservatórios, além de atuar na mediação de conflitos pelo uso da água, cada vez mais frequentes em períodos de estiagem. A agência tem intensificado fiscalizações e promovido a regularização de usuários, garantindo acesso mais justo aos recursos hídricos, como ocorreu na Barragem de Manuíno, em Bezerros.
Já a Defesa Civil do Estado atua em parceria com os municípios, orientando as gestões locais no reconhecimento da situação de emergência e no acesso a medidas de apoio. Segundo o secretário executivo de Proteção e Defesa Civil, coronel Clóvis Ramalho, o decreto é fundamental para viabilizar ações emergenciais nas áreas de abastecimento, saúde, assistência social, agricultura e pecuária, reduzindo os impactos da seca, sobretudo no semiárido pernambucano.
Com a medida, Pernambuco busca ganhar agilidade, garantir recursos e fortalecer ações para enfrentar uma das maiores ameaças ao bem-estar da população: a falta de água.
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