sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

COLUNA POLÍTICA | UM ATO QUE CUSTOU A CONSTRUÇÃO DE UMA IMAGEM DE ANOS| NA LUPA 🔎 | POR EDNEY SOUTO

QUANDO A FANTASIA RASGA, A NOMEAÇÃO QUE EXPÔS O RISCO JURÍDICO E O CUSTO ELEITORAL DE JOÃO CAMPOS

O PERSONAGEM MODERNO TROPEÇA NAS VELHAS PRÁTICAS

A nomeação cancelada pela Prefeitura do Recife não foi um detalhe administrativo. Foi um episódio grave que escancarou contradições, abriu brechas jurídicas e colocou em xeque a narrativa que sustenta o projeto político de João Campos. Quando o marketing falha, sobra o ato — e o ato foi profundamente questionável.

A IMAGEM VENDIDA NÃO SUPORTOU O FATO

O DISCURSO BONITO, A FALA ENSAIADA CAIU NA PRIMEIRA PROVA REAL

João Campos construiu sua força política em cima da imagem de gestor técnico, justo e comprometido com regras. A nomeação desmontou esse discurso, mostrando que, na prática, o rigor defendido em público pode ser flexibilizado nos bastidores, algo que o eleitor começa a perceber com mais clareza.

UM ATO ADMINISTRATIVO QUE NASCEU FRÁGIL

SE FOSSE CORRETO, NÃO TERIA CAÍDO EM HORAS

A velocidade do recuo é reveladora. Atos sólidos resistem ao debate público; atos frágeis desmoronam ao primeiro questionamento. O cancelamento relâmpago sugere que a gestão sabia do risco, mas apostou que passaria despercebido — erro de cálculo político grave.

PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS EM RISCO

MORALIDADE E IMPESSOALIDADE NÃO SÃO OPINATIVAS

O debate jurídico é claro: a administração pública é regida por princípios, não por conveniências. Quando há dúvida sobre impessoalidade, moralidade e igualdade de condições, abre-se uma porta perigosa para questionamentos formais, inclusive por órgãos de controle.

IMPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA GERA RESPONSABILIDADE

CANCELAR NÃO BLINDA CONTRA QUESTIONAMENTOS

Revogar um ato não elimina automaticamente seus efeitos jurídicos e políticos. Dependendo da análise, o simples fato da nomeação existir pode sustentar representações, investigações e pedidos de esclarecimento. Improbidade não se mede só pela intenção, mas pelo impacto do ato.

O SILÊNCIO COMO CONFISSÃO POLÍTICA

QUEM NÃO EXPLICA, SE ESCONDE

João Campos preferiu apagar o incêndio sem enfrentar o debate. Não houve coletiva, não houve explicação direta, não houve autocrítica. No campo político, o silêncio não protege; ele reforça a suspeita e amplia o desgaste.

O MARKETING FALHOU ONDE NÃO PODIA

GOVERNAR NÃO É CONTROLAR NARRATIVA

A gestão apostou que o episódio seria resolvido com uma nota fria no Diário Oficial. Esqueceu que o eleitor de hoje acompanha, questiona e conecta fatos. A tentativa de abafar o caso só reforçou a percepção de erro e arrogância administrativa.

O DISCURSO DA MERITOCRACIA DESMORONOU

A REGRA MUDA CONFORME O NOME?

Quando uma gestão defende mérito e igualdade, qualquer exceção precisa ser cristalina. Não foi. A falta de transparência transformou a nomeação em símbolo de privilégio, alimentando a sensação de que as regras são rígidas para uns e flexíveis para outros.

O DESGASTE ULTRAPASSOU A OPOSIÇÃO

A SOCIEDADE ENTROU NO JOGO

O barulho não partiu apenas de adversários políticos. Veio de juristas, servidores, movimentos sociais e cidadãos comuns. Isso é o mais grave: quando o eleitor médio entende que algo está errado, o dano político se multiplica.

O PREÇO ELEITORAL JÁ COMEÇOU A SER COBRADO

A IMAGEM DE “GESTOR PERFEITO” FOI ARRANHADA

Em ano pré-eleitoral permanente, erros desse tipo têm efeito cumulativo. O episódio virou munição, virou símbolo e virou dúvida. Não se trata apenas de um ato, mas do início de um desgaste que pode crescer até 2026.

A FANTASIA NÃO CONVENCE MAIS

O ELEITOR QUER VERDADE, NÃO TEATRO

João Campos não foi condenado, mas foi desmascarado politicamente. O caso mostrou que há distância entre o discurso e a prática. E em política, quando a fantasia rasga, não adianta costurar às pressas: o público já viu o que estava por trás.

O POVO PENSA! A LUPA OBSERVA 


O episódio da nomeação não é pequeno, nem isolado. Ele expõe risco jurídico, fragilidade administrativa e um custo eleitoral real. João Campos segue forte, mas agora carrega uma mancha que não se apaga com marketing.
Na política, errar é humano; insistir no teatro é fatal. Desse jeito!


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