Durante coletiva de imprensa, o secretário de Defesa Social, Alessandro de Carvalho, classificou a acusação como uma “narrativa falsa” e afirmou que o procedimento realizado pela Polícia Civil seguiu os protocolos legais adotados em situações que envolvem denúncias anônimas. Segundo ele, a corporação recebeu informações sobre um possível esquema de pagamento de percentuais indevidos relacionados a um contrato público, com a suspeita de que ocorreria um encontro em um estacionamento de shopping envolvendo um carro oficial do município.
De acordo com o secretário, por determinação judicial não é possível instaurar inquérito policial exclusivamente com base em denúncia anônima. Diante disso, foi criado um grupo de trabalho para realizar uma verificação preliminar dos fatos, prática que, segundo ele, é rotineira nas polícias civis estaduais e também na Polícia Federal. As diligências ocorreram entre agosto e outubro de 2025, envolvendo dez policiais — três delegados e sete agentes.
Alessandro de Carvalho ressaltou que, ao longo do período de apuração, não foi identificado qualquer ato ilícito. Segundo ele, o veículo citado na denúncia não participou de encontros que indicassem entrega de valores ou qualquer material relacionado ao teor da acusação. Com a ausência de indícios de irregularidade, o procedimento foi arquivado. “Você tem uma denúncia, precisa checar. Foi checado. Não se confirmou nada, então foi encerrado. Não existe investigação em curso sobre esse fato”, afirmou.
O titular da SDS também destacou que a atuação da Polícia Civil ocorreu dentro dos limites da legalidade e reforçou que nenhum cidadão ou agente público está acima da lei, mas que também não se pode presumir culpa sem elementos concretos. Para ele, a checagem preliminar é uma ferramenta legítima de proteção tanto do interesse público quanto das pessoas eventualmente citadas em denúncias sem comprovação.
Outro ponto abordado foi o vazamento de informações internas do grupo de trabalho, que teriam chegado à imprensa. A SDS informou que abriu investigação para apurar a possível divulgação indevida de dados protegidos por sigilo. Há suspeita de que o vazamento possa estar relacionado a um policial que integrava a equipe e que, posteriormente, foi afastado após ser flagrado em reunião com o então presidente da Câmara de Vereadores de Ipojuca, investigado por supostos desvios de recursos públicos. Esse agente foi retirado do setor de inteligência, ouvido pelo Ministério Público por meio do Gaeco e colocado à disposição do setor de recursos humanos. Agora, um inquérito foi instaurado para esclarecer se houve quebra de sigilo funcional.
Em reação ao caso, a Prefeitura do Recife divulgou nota afirmando repudiar qualquer tentativa de uso indevido das forças policiais para perseguição política. A gestão municipal classificou a situação como grave e declarou que adotará medidas administrativas e judiciais para defender seus servidores.
Enquanto as versões se contrapõem no campo político, a SDS sustenta que a atuação da Polícia Civil foi técnica, legal e dentro dos procedimentos padrão, reforçando que a função da instituição é apurar denúncias com responsabilidade, sem pré-julgamentos, e sempre sob o princípio de que a lei vale para todos.
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