Um carnaval diferente

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

GASTOS MILIONÁRIOS COM O CARNAVAL DO RECIFE VIRAM ALVO DE CRÍTICAS E ACENDEM DEBATE EM ANO ELEITORAL

O anúncio da programação oficial do Carnaval do Recife 2026, feito pela Prefeitura, ainda repercutia quando ganhou um novo capítulo no debate político local. Um dia após a divulgação, o vereador Eduardo Moura (NOVO) usou as redes sociais para criticar duramente o volume de recursos destinados à festa, que já somam R$ 19,4 milhões até o momento. A fala do parlamentar rapidamente ecoou entre opositores da gestão municipal e trouxe para o centro da discussão a prioridade dos gastos públicos em um ano marcado por eleições.

Segundo Moura, o valor previsto para o carnaval deste ano representa um salto expressivo em relação aos anos anteriores. Ele comparou os números atuais aos investimentos recentes da Prefeitura: R$ 8,5 milhões em 2025, R$ 7,8 milhões em 2024 e R$ 7,5 milhões em 2023. O levantamento foi apresentado inicialmente pelo líder da oposição na Câmara, vereador Felipe Alecrim, também do NOVO, e reforçado por Moura como exemplo de um crescimento que ele considera desproporcional.

A crítica ganha contornos ainda mais políticos diante da possível candidatura do prefeito do Recife ao Governo de Pernambuco. Para Eduardo Moura, o aumento dos gastos com eventos festivos em ano eleitoral levanta questionamentos sobre as prioridades da administração municipal. Em sua declaração, ele destacou que a cidade enfrenta problemas estruturais em áreas essenciais como saúde, educação e infraestrutura urbana. “É um ano em que a prefeitura tem dívidas e o prefeito vai disputar o governo do estado. Já são R$ 19,4 milhões só até o começo de janeiro”, afirmou o vereador no vídeo.

Outro ponto levantado pelo parlamentar envolve a presença de patrocínios privados, incluindo empresas do setor de apostas, conhecidas como “bets”. Moura questiona como, mesmo com apoio da iniciativa privada, o custo para os cofres públicos teria aumentado de forma tão significativa. Para ele, a Prefeitura precisa esclarecer a composição dessas despesas e o impacto real dos patrocínios na redução dos gastos municipais.

Entre os exemplos citados, está uma licitação no valor aproximado de R$ 5 milhões para contratação de mão de obra destinada a eventos de grande, médio e pequeno porte ao longo de 12 meses. O vereador argumenta que o contrato ultrapassa o período do Carnaval e pode abranger outras festividades, como São João e Réveillon. Ainda assim, ele sugere que, por coincidir com o calendário eleitoral, a medida deveria ser melhor detalhada pela gestão. “Não estou afirmando nada, mas a Prefeitura precisa explicar que não há relação com o período eleitoral”, pontuou.

O discurso do parlamentar também associou o investimento nas festas à realidade enfrentada por parte da população. Moura citou problemas como ruas esburacadas, esgoto a céu aberto, falta de atendimento médico, escassez de vagas em creches e dificuldades no suporte a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Para ele, há um contraste entre os dias de festa e o restante do ano vivido pela população mais vulnerável.

Apesar do tom crítico, o vereador afirmou não ser contrário às manifestações culturais. Ele defende, no entanto, um novo modelo de financiamento para grandes eventos no Recife. Em sua visão, as festas deveriam ser custeadas majoritariamente pela iniciativa privada, incluindo despesas com estrutura, limpeza urbana e segurança, em troca de exploração comercial e publicitária. Moura questiona ainda o retorno direto para os cofres públicos quando se divulgam números bilionários de movimentação econômica durante o carnaval, argumentando que os principais beneficiados seriam setores como hotelaria, bares, restaurantes e transporte por aplicativo.

As declarações reforçam o embate entre oposição e governo municipal em um momento em que o calendário eleitoral começa a influenciar cada vez mais o debate público. Enquanto a Prefeitura aposta na força cultural e turística do Carnaval como motor econômico e símbolo da identidade recifense, vereadores de oposição prometem intensificar a fiscalização sobre os contratos e os gastos, transformando a folia também em tema central da disputa política de 2026.

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