sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

VETO ACENDE GUERRA POLÍTICA: FLÁVIO BOLSONARO ACUSA LULA DE “ÓDIO” E BASE PROMETE DERRUBADA NO CONGRESSO

O veto integral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Projeto de Lei da Dosimetria reacendeu a polarização política em Brasília e provocou reação imediata do campo bolsonarista. A proposta, que alterava critérios de fixação de penas e poderia reduzir o tempo de prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi barrada nesta quinta-feira (8), ampliando o embate entre Planalto e oposição.

Em tom duro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — que também se apresenta como pré-candidato à Presidência da República — usou as redes sociais para atacar o chefe do Executivo. Para ele, o veto não é técnico, mas ideológico. “Lula é um produto vencido, movido a ódio e ideologia”, afirmou. O senador criticou o que classificou como seletividade do governo ao priorizar o veto enquanto, segundo ele, faltam respostas sobre a segurança pública e a atuação de facções criminosas.

Flávio também comparou o rigor do Estado em episódios ligados aos atos de 8 de janeiro com a suposta leniência frente ao crime organizado. Em referência ao caso que ficou conhecido como “Débora do Batom”, o parlamentar disse que o presidente considera “mais perigosa uma mulher que suja uma estátua” do que líderes de facções que, segundo ele, permanecem soltos. “Enquanto isso, criminosos seguem roubando e matando por um celular nas ruas do Brasil”, declarou.

Na avaliação do senador, o veto simboliza uma perseguição política. “Lula não quer paz. O que estamos vendo é uma perseguição escancarada, seletiva e injusta”, disse, prometendo mobilização imediata no Legislativo para reverter a decisão presidencial. “Na primeira sessão do Congresso Nacional, vamos trabalhar para derrubar esse veto. Chega de inversão de valores. O Brasil precisa de justiça, segurança e respeito ao cidadão de bem”, concluiu.

BASE BOLSONARISTA ENDURECE TOM E PROMETE REAÇÃO

A ofensiva não ficou restrita ao Senado. Deputados alinhados ao bolsonarismo também reagiram, tratando o veto como previsível e reforçando a estratégia de enfrentamento no Congresso. A deputada Carol De Toni (PL-SC) afirmou que a derrubada do veto é questão de tempo. “O veto será derrubado na primeira sessão do Congresso”, garantiu.

No mesmo sentido, o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante, elevou o discurso e classificou a decisão do Planalto como prova do que chamou de “ódio de Lula e de toda a esquerda contra os patriotas”. Para ele, o governo aposta na divisão política, mas não terá sucesso. “Até ele sabe que o veto será derrubado na primeira sessão do Congresso. Esse é o governo do ódio e da divisão do país”, disparou.

Com o veto presidencial publicado, o tema agora migra para o centro do tabuleiro legislativo. A expectativa é de que a disputa pela derrubada — ou manutenção — da decisão de Lula intensifique a tensão entre governo e oposição logo no início dos trabalhos do Congresso, transformando o PL da Dosimetria em mais um capítulo da guerra política que marca o cenário nacional.

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